Revista Infraestrutura e Logística
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Por Genilson Cezar


Conquista de novos clientes em diferentes setores, desempenho sempre excepcional do agronegócio e ganhos substanciais com aquisições de empresas concorrentes, além da melhora da economia do país, alimentam projeções otimistas dos operadores logísticos neste ano e em 2024. “A tendência de redução da taxa de juros nos próximos meses propicia otimismo à economia, melhorando as expectativas dos próprios clientes”, avalia Ramon Alcaraz, CEO da JSL, uma das maiores operadoras de logística do Brasil. “Com o bom desempenho da economia do país, nossa expectativa para 2024 se mantém otimista, especialmente por conta da estratégia de médio e longo prazos da companhia, com contratos que garantem a continuidade do nosso crescimento para o próximo ano”, diz.

A JSL tem bons motivos para confiar num futuro promissor das operações de logística no país. No primeiro trimestre de 2021, a operadora previa chegar a 2025 com uma receita três vezes maior à daquele período, alcançando o patamar de R$ 10,8 bilhões. No entanto, tornou-se uma empresa de R$ 9,6 bilhões já em meados deste ano. “Conseguimos isso em função do forte crescimento orgânico, fruto das diversas oportunidades de mercado e de nossos diferenciais competitivos e do crescimento por aquisições”, explica Alcaraz.

Segundo ele, foram dez aquisições desde 2020, quando a JSL decidiu abrir capital. “Os resultados da última aquisição, a FSJ Logística, realizada em julho deste ano, serão perceptíveis nos próximos meses, porque fortalecerão o transporte de cargas fechadas para o varejo e e-commerce, adicionando inicialmente R$ 300 milhões à nossa receita bruta”, afirma. O investimento bruto do primeiro semestre deste ano fechou em R$ 632 milhões, a maior parte destinada à expansão da companhia, diz Alcaraz.

Para a Multilog, outra grande plataforma consolidadora de operações logísticas no Brasil, 2023 vem sendo igualmente benéfico. Em meados deste ano, a empresa concluiu a aquisição da Apoio Logística e Serviço, iniciada em dezembro do ano passado, menos de cinco meses depois de comprar a Martins & Medeiros. Adicionou ao grupo mais seis unidades, em São Paulo e em Santa Catarina.

Wrobleski, da BBM Logística: movimento de 34 milhões de volumes — Foto: Lucas Dantas Gueiros/Divulgação
Wrobleski, da BBM Logística: movimento de 34 milhões de volumes — Foto: Lucas Dantas Gueiros/Divulgação

Com isso, as projeções de chegar a um faturamento de R$ 1 bilhão em 2025 foram antecipadas para 2022 e a previsão é atingir R$ 1,4 bilhão em 2023. “O plano de integração das empresas adquiridas evoluiu muito bem neste ano, assim como a estratégia de atuação no modelo de logística integrada, que segue em evolução e nos tem permitido ampliar a cadeia de atendimento ao cliente”, afirma Alexandre Heitmann, diretor de desenvolvimento de negócios da Multilog.

O principal fator estratégico de crescimento, de acordo com o executivo, está ligado aos constantes investimentos em tecnologia, muito utilizada para fazer a integração dos armazéns da operadora. Os aportes em tecnologia devem somar R$ 35 milhões em 2023. No início do ano, entrou em operação o segundo polo de saúde – armazéns alfandegados e centro de distribuição, que receberam investimentos de R$ 12 milhões. Em outubro, a Multilog deve inaugurar as modernas instalações do seu armazém geral químico, com investimentos de cerca de R$ 50 milhões, para atender às demandas de armazenagem e logísticas de petroquímicas, agroquímicas e indústrias farmacêuticas. E até o fim do ano, será inaugurado o porto seco de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, com investimento de R$ 40 milhões, para atuação de cargas em portos secos no Mercosul.

Multinacional americana de gestão de cadeias de suprimentos e serviços de logística, a Penske Logistics não fala sobre resultados financeiros, por política da empresa, mas adianta que as projeções até o fim do ano são positivas. “Após um período de crescimento limitado devido à pandemia e incertezas econômicas, voltamos a conquistar novas contas e estamos numa fase de implantação de quatro novos clientes importantes, de diferentes setores”, destaca Paulo Sarti, diretor-presidente da Penske Logistics Brasil. “Temos expectativa de crescimento significativo tanto em faturamento como em margem operacional neste ano”, diz.

A empresa tem obtido bons resultados, principalmente nos segmentos de varejo, bens de consumo e comércio eletrônico, segundo Sarti. A conquista de novos clientes de armazenagem e transporte exigiu aportes pesados em estrutura operacional, relata o executivo. “Estamos investindo em um novo armazém multicliente, que deverá ser inaugurado até o fim do ano”, informa. No local, serão armazenadas mercadorias de diversos clientes com volumes menores de distribuição e os serviços serão compartilhados para reduzir os custos das operações. A empresa investe também em um novo sistema de WMS (sigla para warehouse management system, ou sistema de gerenciamento de armazém) para complementar as soluções.

A BBM Logística, uma das principais operadoras logísticas do Mercosul, também faz uso inteligente de recursos tecnológicos para fortalecer suas operações no modal rodoviário, comenta Antônio Wrobleski, presidente da companhia. Apoiada por um avançado sistema digital de gerenciamento de transporte, a empresa atende atualmente mais de 4 mil cidades em vários Estados do país, realiza mais de 3 milhões de despachos por ano, transporta 400 mil toneladas de produtos e movimenta 34 milhões de volumes. “Não importa o tipo de carga, a empresa transporta químicos, gases do ar, granéis líquidos e no agronegócio temos soluções completas, da colheita à entrega no destino final”, diz o executivo.

Oliveira, da Opentech: utilização de IA para monitorar — Foto: Divulgação
Oliveira, da Opentech: utilização de IA para monitorar — Foto: Divulgação

A unidade de logística não só tem conseguido se aproveitar das oportunidades de negócios, como também impulsiona o crescimento do grupo, explica Wrobleski. Entre abril e junho deste ano, a BMM Logística atingiu uma receita líquida de R$ 380,4 milhões, com lucro operacional de R$ 39,4 milhões (35,5% superior ao do mesmo período do ano passado). A empresa segue buscando crescimento das operações e melhoria de performance, segundo o executivo. “Vários novos contratos foram fechados no último trimestre e a expectativa é que o volume de negócios cresça substancialmente, permitindo uma melhor diluição dos custos fixos e, consequentemente, aumento das margens operacionais”, afirma.

A retomada da atuação da francesa FM Logistic no setor de transporte de cargas ampliou a participação da empresa nas operações logísticas do país nos últimos dois anos, diz Ronaldo Fernandes da Silva, presidente da subsidiária brasileira. O novo serviço foi estruturado em parceria com empresas de transporte de carga de pequeno, médio e grande portes, com atendimento de todo o território brasileiro, incluindo as regiões estratégicas em que a FM Logistic está inserida – como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro – por meio de três centros de distribuição multiclientes, que movimentam, anualmente, 105 milhões de toneladas de produtos diversos dos setores industrial, bens de consumo, varejo, cosméticos, manufaturados, higiene e cuidados pessoais.

“Passamos a oferecer um escopo completo de soluções para atender ao crescimento das cadeias de suprimentos omnichannel, atendendo assim às expectativas dos clientes e dos consumidores cada vez mais exigentes e digitalizados”, diz Silva. “Temos perspectiva de que o serviço de transporte, no prazo de três anos, represente 30% dos nossos negócios”, prevê.

No ano fiscal encerrado em 31 de março deste ano, a FM Logistic registrou, globalmente, um faturamento de 1,7 bilhão de euros, aumento de 13% em relação ao do período anterior. O Brasil, segundo Silva, foi uma das regiões importantes para os negócios da empresa, com uma melhora líquida nos resultados. “Em 2023, a FM Logistic comemorou dez anos de atuação no Brasil, com o país tendo uma representatividade em torno de 2% nos negócios globais. Nossa projeção é crescer, em média, anualmente, 25% no mercado brasileiro”, afirma.

A adoção de tecnologias avançadas, como inteligência artificial (IA) e internet das coisas (IoT), e conceitos inovadores de aprendizado de máquina (machine learning), além de aplicação de ferramentas de análise de grandes quantidades de dados (big data), têm sido instrumentos fundamentais de suporte à expansão do setor brasileiro de logística.

Sarti, da Penske: conquista de novos clientes — Foto: Danilo Stoqui/Divulgação
Sarti, da Penske: conquista de novos clientes — Foto: Danilo Stoqui/Divulgação

A Opentech, empresa de tecnologia e inovação para o gerenciamento de risco e gestão logística, segue nessa trilha com muito sucesso, diz Rodrigo de Oliveira, CEO da companhia, que prevê atingir neste ano uma receita de R$ 100 milhões.

“Cada vez mais o setor de logística tem assistido a um aumento significativo na adoção de inovações tecnológicas nos últimos anos”, diz ele. “Recentemente, passamos a utilizar a IA e machine learning para o desenvolvimento de solução de monitoramento de cargas que antecipa a exposição ao risco de operações de transporte rodoviário, permitindo assim uma tomada de decisão preventiva na gestão das viagens”, conta Oliveira. Ele cita como exemplos as torres de controle, inteligentes e preditivas, adotadas pela Maersk, Unilever, Fribol, L’Oréal e Eletrolux, e as soluções de gerenciamento logístico da Citrosuco em Matão (SP), para fazer a gestão inteligente de 40% de todo suco produzido para exportação.

Para as operadoras, contudo, há vários desafios a vencer para que o setor possa manter uma escalada favorável de crescimento. Os empresários reclamam das muitas deficiências de infraestrutura, o que tem elevado os custos do transporte de cargas nas rodovias do país. “Atualmente, apenas 12% da nossa malha rodoviária é pavimentada”, diz Marcela Cunha, diretora-executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol). “Isso corresponde a cerca de 200 mil km, o que prejudica a operação eficiente das empresas de logística que tentam reduzir os prazos de entrega em pequenos centros urbanos”, diz.

A reforma tributária é uma ação governamental que os operadores logísticos também acompanham de perto e com máxima atenção, segundo Cunha. “Acreditamos que essa reforma pode gerar um incremento no custo logístico e reflexos nos aumentos em cadeia, chegando ao bolso do consumidor final”, afirma

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