Jane HTA - Terminado
Jane HTA - Terminado
I
ÍNDICE
INTRODUÇÃO....................................................................................................................1
JUSTIFICATIVA................................................................................................................4
OBJETIVOS........................................................................................................................5
1.2. FISIOPATOLOGIA.............................................................................................7
1.4. EPIDEMIOLOGIA..............................................................................................9
1.8. COMPLICAÇÕES.............................................................................................23
1.9. TRATAMENTO................................................................................................25
2.3. População...........................................................................................................28
2.4. Amostra..............................................................................................................28
II
2.5. Critério...............................................................................................................28
3. CRONOGRAMA.............................................................................................................31
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................32
III
INTRODUÇÃO
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 600 milhões de pessoas são
hipertensas em todo o mundo. As doenças cardiovasculares são a segunda causa de morte
hospitalar em Angola, superados apenas pela malária.Dados da sociedade angolana de
doenças cardiovasculares 2015, explicam que 1,28% da população angolana, que era
estimada em mais de 24 milhões de habitantes, morriam por hipertensão, enquanto a
doença isquemia do coração matava entre 4,65% de angolanos.
1
A diabetes é um fator predisponente que aumenta o risco de doença cardiovascular,
insuficiência renal , cegueira e amputação de membros inferiores.(Chaves, et.al2017).
A Hipertensão arterial (HTA) é um problema de saúde pública, pois é uma das principais
Causas de doença no mundo. As estimativas de prevalência entre adultos de 90 países do
mundo Foi de 31,1% ou 1,39 bilhões de pessoas que sofriam de HTA em 2010. As taxas
foram mais elevadas em países de baixo e médio rendimento (31,5%) do que nos países de
alto Rendimento (28,5)
2
FORMULAÇÃO DO PROBLEMA E PERGUNTA DE PESQUISA
No entanto, apesar das proporções de pessoas com HTA em tratamento e pessoas com
doença controlada ter aumentado, a população está a envelhecer e a prevalência da HTA
tende a aumentar com a idade, assim como as suas complicações.
3
JUSTIFICATIVA
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OBJETIVOS
OBJETIVO GERAL
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
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1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA – CIENTÍFICA
A pressão arterial é aquela existente no interior das artérias e comunicada às suas paredes.
Pela equação de Poiseuille-Hagen, a PA pode ser calculada pelo produto da resistência
vascular periférica total pelo débito cardíaco. Assim, devido a esta proporcionalidade, todos
os fatores que alteram estas duas variáveis podem alterar a PA. Dentre aqueles que
modificam o débito cardíaco, deve-se mencionar as alterações da volemia, da contratilidade
do miocárdio e da freqüência cardíaca. Já a regulação da resistência vascular periférica
depende do complexo mecanismo de regulação da resistência das arteríolas, no qual atuam
de modo inter-relacionado: o balanço de eletrólitos, especialmente do sódio, do potássio e do
cálcio; o sistema renina-angiotensina-aldosterona; os barorreceptores do seio carotídeo, do
arco aórtico e do átrio direito; neurotransmissores como a epinefrina e a norepinefrina; e
hormônios de diversas glândulas (hormônio antidiurético, ACTH, cortisol, prostaglandina,
sistema calicreína-canina, hormônio natriurético renal, dentre outros) (2013) .
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A definição de hipertensão arterial comporta, por outro lado, uma comparação com um
padrão de normalidade, A variável pressão arterial, usualmente medida em cm ou mm Hg ou
em kPa, é, contudo, uma variável contínua33 . Excetuando populações primitivas para as
quais a PA, quer a sistólica quanto a diastólica, não se eleva com a idade, nas demais
populações nota-se uma elevação com a idade, desde o nascimento. Assim, nos diversos
estudos de prevalência a PAS eleva-se continuamente com a idade, mostrando tendência a se
estabilizar nos grupos etários mais velhos, sendo maior para homens do que para mulheres
nos grupos mais jovens e, inversamente, maior nas mulheres mais velhas do que para
homens da mesma idade. Por sua vez, a PAD também se eleva com a idade até a quinta
década, quando tende a atingir um máximo, depois estabilizando-se ou vindo declinar (Page
et al; 2001).
1.2. FISIOPATOLOGIA
Em termos fisiopatológicos, a hipertensão arterial pode ser dividida em dois tipos: primária
(ou essencial) e secundária. A hipertensão primária, que representa a maioria dos casos, é
uma condição multifatorial, na qual fatores genéticos, estilo de vida e a regulação
inadequada da pressão arterial no nível renal e vascular são os principais responsáveis.
Segundo a teoria de Guyton (2011), a hipertensão primária está frequentemente associada a
7
um desequilíbrio na regulação do volume extracelular, particularmente através de disfunções
nos mecanismos de controle renal da pressão arterial.
A hipertensão arterial secundária é causada por uma condição subjacente identificável, como
doenças renais, distúrbios endócrinos (como hipertireoidismo ou síndrome de Cushing) ou o
uso de certos medicamentos. Nesse tipo, o aumento da pressão arterial é diretamente
atribuível a esses fatores. Segundo Costa et al. (2019), a identificação de uma causa
subjacente é crucial para o tratamento adequado da hipertensão secundária, uma vez que o
manejo da causa primária pode reverter ou controlar a hipertensão.
Por fim, a hipertensão arterial é uma doença progressiva e insidiosa, com impactos diretos
sobre a estrutura e função do coração, vasos sanguíneos e rins. A persistente sobrecarga da
pressão arterial provoca alterações estruturais nos vasos sanguíneos, como a hipertrofia do
músculo liso e a remodelação vascular, o que pode agravar ainda mais a condição, criando
um ciclo vicioso. De acordo com Gazzola et al. (2021), a adaptação dos vasos ao aumento da
pressão arterial é um fator determinante na progressão da doença, e o tratamento precoce é
essencial para a prevenção de danos irreversíveis.
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1.3. MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DA HIPERTENSÃO
O sistema nervoso está dividido em sistema nervoso central (SNC), que se divide em
encéfalo e medula espinhal, e sistema nervoso periférico (SNP), que se divide em sistema
nervoso autonômico (SNA) e sistema nervoso somático (SNS). O SNA ainda se divide em
parassimpático e simpático. O SNC recebe, analisa e integra as informações, é nele que
ocorre a tomada de decisão e envio de respostas, já o SNP transporta as informações dos
órgãos sensoriais para o sistema nervoso central e do sistema nervoso central para os
músculos e glândulas (MACHADO, 2006).
1.4. EPIDEMIOLOGIA
A Hipertensão Arterial tem sido caracterizada como um grave problema de saúde pública
sendo responsável por grandes taxas de morbi-mortalidade e internação, gerando custos
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elevados. É definida como uma doença crônica não transmissível, com etiologia
multifatorial, com longo período de latência, curso prolongado, representando uma das
principais causas de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, contribuindo,
assim, para a maioria das mortes mundiais (JEEWON, 2014).
Essa doença apresenta alta prevalência e baixas taxas de controlo, sendo apontada como
um dos principais fatores de risco (FR) modificáveis, consistindo em um dos mais
importantes problemas de saúde pública3. No mundo, sua prevalência varia entre 22% e
44% para adultos (32% em média), chegando a mais de 50% para indivíduos com 60 a 69
anos e 75% em indivíduos com mais de 70 anos (HE & MACGREGOR, 2011).
Um em cada três adultos sofre de hipertensão arterial, condição que causa cerca de metade
de todas as mortes por derrame e problemas cardíacos no mundo, como destacou a OMS.
Evidências epidemiológicas demonstram haver uma correlação direta entre a magnitude da
ingestão de sódio na dieta e o aumento da prevalência de HTA. Populações com ingestões
pequenas de sódio praticamente não apresentam hipertensão (SOCIEDADE BRASILEIRA
DE HIPERTENSÃO, 2010).
Ocidental (0-22,3%). Além disso, não há relato de incidência de hipertensão entre crianças
na África, tanto quanto sabemos, bem como evidência limitada de seus fatores de risco
(DAGMARA et al., 2011).
10
Características raciais, étnicas e socioeconômicas dos pacientes podem afetar o acesso aos
serviços de saúde. Análise da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES) 1999–
2002 encontrou uma prevalência de hipertensão de 41,4% em indivíduos de raça negra
comparados com 28,1% em indivíduos de raça branca, e embora as taxas de tratamento e
consciencialização fossem maiores entre negros, as taxas de controle foram maiores em
brancos tratados (59,7%) do que negros (48,9%) (MCFADDEN et al., 2010).
A hipertensão é mais comum na população urbana do que na rural. Tem sido sugerido que
na África a dieta rural é relativamente saudável, mas com a urbanização, a dieta é
substituída por uma maior ingestão de gordura e menor carboidrato. A pobreza e os fatores
culturais levam a implementação da dieta com alto teor de frutas, alto teor de vegetais e
baixo teor de sal, que é considerada muito eficaz na redução da pressão arterial. A
urbanização africana está associada a mais estresse, mudanças na dieta e aculturação (YK,
2007).
Pela primeira vez, o estudo estatístico da OMS incluiu informação de 194 países sobre os
altos níveis da pressão sanguínea e da taxa de glicose no sangue em homens e mulheres. Os
dados revelam, entre outras coisas, que os diagnósticos e os tratamentos baratos dessas
doenças reduziram o problema nos países desenvolvidos (AKISKAL, et al. 2007).
11
explicou Shanti Mendis, diretora interina do departamento de gestão das enfermidades não
transmissíveis da OMS (WHO, 2015).
Além das diferenças entre os sexos na prevalência da hipertensão, também existem grandes
diferenças com base na residência. Em todos os países onde há dados disponíveis no World
Health Study (WHS), a população urbana tem uma prevalência maior de hipertensão do
que a população rural (VIJVER, 2013).
O sintoma que seria o mais frequente e específico observado num indivíduo hipertenso é a
cefaleia. A cefaleia suboccipital, pulsátil, que ocorre nas primeiras horas da manhã e vai
desaparecendo com o passar do dia, é dita como característica, porém qualquer tipo de
cefaleia pode ocorrer no indivíduo hipertenso. A hipertensão arterial de evolução acelerada
(hipertensão maligna) está associada com sonolência, confusão mental, distúrbio visual,
náusea e vômito (vasoconstrição arteriolar e edema cerebral), caracterizando a
encefalopatia hipertensiva. Outros sintomas, tais como epistaxe e escotomas cintilantes,
zumbidos e fadiga, também são inespecíficos, não sendo mais considerados
patognomônicos para o diagnóstico de hipertensão arterial (KANNEL ET AL; 2003).
A hipertensão arterial, frequentemente referida como pressão alta, é uma condição crônica
que afeta uma proporção significativa da população mundial. Muitas vezes, é chamada de
“assassina silenciosa” porque pode não apresentar sintomas evidentes até que ocorram
complicações graves. A compreensão dos sinais e sintomas associados à hipertensão é
fundamental para a detecção precoce e o manejo adequado da doença.
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disso, algumas pessoas podem relatar tonturas, sensação de falta de ar e até dores no peito,
que podem ser sinais de que a pressão arterial está elevada.
Outro sintoma que pode estar relacionado à hipertensão é o sangramento nasal. Embora não
seja um sintoma comum, episódios frequentes de epistaxe podem indicar que a pressão
arterial está descontrolada. A visão embaçada ou alterações visuais também podem ocorrer
em casos de hipertensão severa, devido ao comprometimento dos vasos sanguíneos da
retina. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), “a hipertensão pode levar a
complicações oculares significativas, que podem resultar em perda de visão se não tratadas
adequadamente”.
Além dos sintomas físicos, a hipertensão arterial pode estar associada a um aumento do
risco de eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral
(AVC). A detecção precoce é, portanto, essencial. A Sociedade Brasileira de Cardiologia
(2020) enfatiza que “a hipertensão arterial é uma condição crônica que, se não tratada, pode
levar a complicações graves, como doenças cardiovasculares e insuficiência renal”. Isso
ressalta a importância da monitorização regular da pressão arterial, especialmente para
indivíduos com fatores de risco, como histórico familiar, obesidade e sedentarismo.
Deve-se destacar que há muitos fatores que contribuem para a elevação da pressão
sanguínea, daí que se diga que esta é uma doença multifatorial. Desde factores
modificáveis e não modifícaveis. Em menos de 10% dos casos existe uma causa secundária
da HTA, como doenças parenquimatosas renais, doenças endócrinas (da glândula
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suprarenal ou da tiróide), estenose da artéria renal, coartação da aorta, síndrome de apneia
obstrutiva do sono (SAOS) ou medicamentos (como anti-inflamatórios não esteróides,
corticóides etc (TAVARES, 2005).
São considerados factores de riscos não modificáveis clássicos para a hipertensão arterial a
idade avançada, raça negra, carga genética (CHOBANIAN et al., 2003; SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2007).
Pequenas quantidades de sal são essências na alimentação, na maior parte das pessoas
ingere muito mais do que necessita. Considera-se que a ingestação excessiva de sal é um
dos principais fatores no desenvolvimento da hipertensão e a redução do seu consumo pode
ter o efeito inverso. A ingestão média é de cerca de 9g de sal por dia, mas recentemente
sugere-se um valor máximo diário de 6g. (CARROLL, 2002).
Os estudos têm dado suporte ao conceito de que o sal pode ter uma influência direta no
crescimento do miocárdio. Foi observado que, em culturas de mioblastos cardíacos e de
células musculares lisas de vasos, a concentração elevada de sódio induziu hipertrofia,
promovendo síntese proteica e impedindo a degradação de proteína. Portanto, o consumo
de sal excessivo, além de aumentar a PA, pode afetar negativamente a estrutura e a função
14
cardiovascular diretamente ou por meio da interação local com hormônios de crescimento
e vários outros fatores (FROHLICH & VARAIC, 2004).
Estudos mostram que há uma maior prevalência de hipertensão arterial entre indivíduos de
nível socioeconómico mais baixo e este fato pode estar associado aos hábitos dietéticos
desta população (maior consumo de sal e álcool); índice de massa corpórea aumentado;
maior estresse psicossocial; menor acesso aos cuidados de saúde e menor nível de
escolaridade (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, 2011)
Muitas das principais mudanças sociais e ambientais a nível mundial estão associadas ao
fenómeno da urbanização, que se acompanha dum aumento significativo no consumo de
alimentos densamente energéticos, uma diminuição da actividade física e uma perda de
mecanismos de apoio social tradicionais. Estas mudanças levaram ao aumento da
prevalência hipertensão (YUSUF et al., 2001).
1.6.3. Tabagismo
1.6.4. Obesidade
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Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2008, um total de mais de meio bilhão de
adultos era obeso em todo o mundo. A prevalência mundial mais do que dobrou desde
1980. Estima-se que o sobrepeso e a obesidade causam 3,4 milhões de mortes, 3,9% dos
anos de vida perdidos e 3,8% dos anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) em
todo o mundo
Vários estudos relataram que, a cada aumento de peso, há um aumento dos riscos de
doença coronariana, diabetes tipo II, tumor (endometrial, mama e cólon), hipertensão,
dislipidemia, acidente vascular cerebral, apnéia do sono, problemas respiratórios,
osteoartrite, problemas ginecológicos, isto é, irregularidades menstruais e infertilidade
(JEEWON, 2014)
Estudos relatam que a HTA é mais frequente em indivíduos obesos e que uma redução de
5Kg no peso corporal leva a uma descida média de 10mmHg para a PAS e de 5mmHg para
a PAD.
1.6.5. Álcool
Apesar da relação da HTA com o uso de álcool ter sido notada há 100 anos, somente em
1970 evidências foram capazes de confirmá-la, independente do sexo e de outros
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potenciais fatores como: etnia, ingestão de sódio, percentual de gordura ou tabagismo
(CISA, 2019).
Estudos têm demonstrado que o consumo pesado de etanol ou padrão binge drinking
influencia na mortalidade cardiovascular por diversos mecanismos, tais como aumento do
risco de doença arterial coronária, alterações nos fatores da coagulação propiciando risco
de trombose, ação miocárdica direta e no sistema de condução levando a arritmias e
aumento agudo ou sustentado da pressão arterial (MCFADDEN et al., 2010).
Os estudos ainda não são conclusivos quanto às variações da pressão arterial relacionadas
ao consumo leve-moderado* de álcool; porém, para os consumidores graves a prevalência
de HAS equivale ao dobro da observada em abstêmios e consumidores leves, sendo
possível observar redução da pressão arterial após uma semana de abstinência (CISA,
2019).
1.6.6. Idade
17
habitualmente com a idade, não se pode considerar um fenómeno fisiológico (RATO,
2013).
1.6.7. Sedentarismo
18
obesidade, diabetes mellitus, síndrome metabólica e doença cardiovascular (BEUNZA et
al., 2007).
1.6.8. Genética
O componente genético é importante como causa para uma pequena parte dos hipertensos e
a interação da genética com o meio ambiente é responsável pela maioria dos casos de
hipertensão arterial. Em um pequeno percentual de hipertensos, é possível diagnosticar
uma causa renal, endócrina ou de origem cardiovascular que pode ser tratada (KAPLAN,
2005).
Nos casos em que existe uma predisposição genética e a hipertensão se instala de acordo
com a interação com o meio ambiente, pode-se destacar como mecanismos mais
importantes o aumento da atividade simpática, a participação do sistema renina-
angiotensina e um defeito na excreção renal do sódio. A exposição ao estresse e a ingestão
exagerada de sal contribuem sobremaneira para a ativação desses sistemas e a instalação da
hipertensão arterial nos indivíduos geneticamente predispostos (HARSHFIELD et al.,
2009).
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renina é o primeiro substrato na sequência de ativação do sistema renina-angiotensina. Em
suma, o estresse psicosocial que dá início à ativação do sistema nervoso simpático pode
culminar na produção da angiotensina e aldosterona, que têm papel importante nos
mecanismos fisiopatogênicos da hipertensão arterial (BINDER, 2007).
A obesidade, avaliada pelo índice de massa corpórea, têm relação linear com a ingestão de
gorduras, que promove hiperinsulinemia, aumentando o risco de DM (principalmente em
mulheres); a obesidade visceral, avaliada pela cintura abdominal, aumenta o risco de
desenvolver a HTA, principalmente em homens (NISSEN et al; 2004).
A fisiopatologia da HTA, relativa a esses marcadores, é descrita também por sua ação no
sistema nervoso central com hiperatividade simpática, atuando nos receptores tipo1 da
angiotensina II e no acometimento na doença microvascular na DM principalmente com
proteinúria. O endotélio, na gênese e formação da aterosclerose, modifica-se tanto na HTA
quanto na DM, com o efeito vasodilatador (mediado pelo óxido nítrico). A ação
antiaterogênica da insulina usualmente se dá por meio da liberação de óxido nítrico e pela
via de ativação da proteína cinase. No entanto, na presença da resistência insulínica, ocorre
a ativação da via da proteína ativada-rasmitogênio (ras-MAP cinase), consubstanciando-se
a via pró-aterogênica (MARTINEZ & MURAD, 2014).
20
mesmo em menor escala, promoverá redução da morbimortalidade e, consequentemente, a
adesão ao tratamento (FRUCHART et al., 2014).
É agora reconhecido que a medição no consultório da PA tem várias limitações, uma vez
que não permite avaliar a PA em diferentes períodos do dia, no contexto habitual do
paciente, nem permite conhecer a PA noturna. Sabe-se que a PA é variável, flutuando com
a actividade, o stress, o ambiente e altura do dia. O MAPA das 24h fornece múltiplas
21
medições nocturnas e diurnas no ambiente habitual do paciente, sendo um exame preciso e
reprodutível (BORGES, 2017).
É o exame “Gold Standard” para a avaliação e abordagem terapêutica de doentes com HTA
(especificamente para avaliar a variabilidade e o valor prognóstico da PA em diferentes
períodos do dia ou noite). Segundo Segura e colegas, várias revisões têm vindo a sublinhar
as vantagens da MAPA e recomendam que está se torne rotina na prática clínica. A NICE
recomenda o uso da MAPA para confirmar o diagnóstico de hipertensão após a medição da
PA no consultório. Este exame continua, contudo, a ser uma ferramenta sub-utilizada. É
considerado um exame adequado aquele que tenha, pelo menos, 70% das medições válidas
PA (V DIRETRIZES BRASILEIRAS DE MAPA, 2011).
22
Permite obter informações adicionais, nas quais classifica o hipertenso como dipper, não
dipper e reverse dipper (dipper invertido), consoante o grau de descida de PA noturna em
relação à diurna (PINHO et al, 2017). São consideradas anormais:
A maioria dos estudos tem demonstrado que a lesão de órgão alvo relacionada com a HTA.
Num estudo com 206 pacientes com HTA, a regressão da HVE foi mais frequentemente
associada a mudanças na PA do que nos valores obtidos no consultório ou em auto
medições realizadas no domicílio. Outro importante estudo, que teve como objetivo
determinar o melhor método de estratificação do risco CV, relatou um aumento
progressivo de morbi-mortalidade, com níveis crescentes de PA, comparativamente com os
valores obtidos em consultório. Uma revisão de estudos conduzidos em pacientes
hipertensos com e sem terapêutica anti hipertensiva, permitiu concluir sobre a utilidade da
MAPA no refinamento da estratificação do risco CV (PINHO et al, 2017).
1.8. COMPLICAÇÕES
23
Na maioria das vezes, a HTA pode não causar nenhum sintoma (assintomática) até que
haja lesões nos vasos sanguíneos e órgãos vitais do organismo: coração, cérebro, rins e
olhos. Estas lesões surgem como consequência das alterações vasculares provocadas pelo
aumento continuado da PA que se repercutem na diminuição do lúmen das artérias e na
perda de elasticidade das mesmas (SOUSA, 2005; GOMES, 2010).
O coração é o órgão mais afetado na HTA, pode sofrer hipertrofia do ventrículo esquerdo,
acarretando disfunção diastólica e sistólica assim como ocorrer enfarte agudo do
miocárdio, insuficiência cardíaca e morte súbita. O sistema nervoso central (doravante
24
SNC) é um dos sistemas alvo da HTA, representando o AVC e a encefalopatia hipertensiva
as consequências mais graves. No cérebro, a HTA origina alterações na circulação que
estão na origem do AVC (MOREIRA et al., 2010).
Por um lado, a HTA contribui para a formação e crescimento da placa aterosclerótica, por
outro lado, contribui para a rutura das artérias cerebrais, com consequente hemorragia para
o tecido cerebral, originando a sua destruição. De todos os fatores de risco do AVC, a HTA
é aquele que logo a seguir à idade, desempenha o papel mais relevante e aquele onde mais
se pode intervir. A HTA é muito frequente nas pessoas com AVC o que reflete a estreita
relação etiológica com esta patologia. Das pessoas que tiveram AVC (11% AIT, 75% AVC
isquémico e 14% AVC hemorrágico) 79% apresentavam HTA (INGRID et al., 2010;
NAZARÉ, 2010).
Os rins podem sofrer também lesões provocadas pela HTA. A relação entre o rim e a HTA
é cíclica: a HTA contribui para o desenvolvimento de doença renal crónica e é responsável
pela grande maioria das nefropatias (segunda causa), apenas precedida pela DM. Cerca de
25% das pessoas submetidas a hemodiálise e que necessitam de transplante renal têm como
única causa a HTA e 10% dos óbitos das pessoas hipertensas estão relacionados com a
insuficiência renal crónica (ORSOLIN et al., 2005; SEVERO et al., 2009; MENESES &
GOBBI, 2010).
Por sua vez, a nível da visão, as consequências nefastas da HTA são também sobejamente
conhecidas provocando retinopatia. Contudo, enquanto a repercussão da HTA nos sistemas
/órgãos alvo supra mencionados, conduz a um risco de morte, com a retinopatia tal não
acontece, mas pode deteriorar a visão e afetar significativamente a qualidade de vida da
pessoa com HTA (SOUSA, 2005).
Perante estes dados, associados à gravidade das consequências da HTA e à sua elevada
prevalência no mundo, é necessário enfatizar a importância da prevenção e do tratamento
da HTA no sentido de diminuir as complicações que lhe estão associadas. Desta forma
pode-se evitar mortes prematuras, custos socioeconómicos elevados, incapacidades e a
25
perda significativa da qualidade de vida das pessoas com HTA (DINIZ, TAVARES &
RODRIGUES, 2009).
1.9. TRATAMENTO
O tratamento de pacientes com HTA inclui a eliminação dos fatores que contribuem para
esse quadro, o tratamento apropriado das causas secundárias e a combinação eficaz de
diversos medicamentos. As terapias não-medicamentosas, como perda de peso, exercício
físico, redução do sal na dieta e moderação no consumo de álcool, devem ser encorajadas
em todos os pacientes. É preciso suspender o uso de substâncias que interferem no
tratamento ou reduzir suas doses o máximo possível (PIMENTA et al., 2007).
Os fatores relacionados à baixa adesão terapêutica precisam ser avaliados. Conversar com
o paciente sobre o custo e os efeitos adversos dos medicamentos, o número de
comprimidos e os objetivos do tratamento pode aumentar a adesão. Equipes
multidisciplinares formadas por enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, psicólogos,
fisioterapeutas e educadores físicos podem melhorar os resultados do tratamento
(GOESSENS, 2005).
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medicamentoso deve ser instituído de maneira gradual, tendo em vista que podem ocorrer
efeitos colaterais relacionados à redução abrupta deste parâmetro fisiológico, como fadiga,
fraqueza e vertigem, os quais contribuem para o abandono do tratamento já na fase inicial
(KAPLAN, 2006).
O conceito de adesão ao tratamento vária bastante entre os autores, mas pode ser entendido
como a utilização dos medicamentos prescritos ou outros procedimentos em pelo menos
80% de seu total, observando horários, doses e tempo de tratamento. Um conceito mais
complexo aborda o tema relacionando-o com uma escolha livre das pessoas de adotarem
ou não certa recomendação, refere-se ao entendimento do papel do paciente como sujeito
ativo, que participa e assume responsabilidades sobre seu tratamento (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2010).
27
promovem uma redução adicional significativa da PA em pacientes com HAR,
independentemente dos níveis de aldosterona/renina (CHAPMAN et al., 2007)
2.3. População
2.4. Amostra
28
2.5. Critério
2.5.1. Critérios de Inclusão
29
HTA Diastolica (Diurna ou
Noturna)
A recolha de dados será feita a partir de uma planilha de recolha de dados, previamente
elaborada e discutida com o Orientador, contendo os elementos de interesse para a
concretização do presente trabalho.
A lei de proteção de dados pessoais e o regulamento geral sobre proteção de dados serão
respeitadas. A informação obtida com o estudo poderá originar publicações científicas, mas
as identidades dos indivíduos serão mantidas confidenciais.
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3. CRONOGRAMA
2025
Actividades
Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho
Elaboração do X
projecto
Revisão teórica X
Preparação para X
colecta de dados
Colecta de dados X
e discussão
de resultados
Produção X
final do
texto e revisão do
trabalho
X
Entrega final
31
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
32