Relatorio Final Davi

Fazer download em pdf ou txt
Fazer download em pdf ou txt
Você está na página 1de 17

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO

PRÓ REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO


PROGRAMA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA - PIC
DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA RURAL
RELATÓRIO FINAL DE ATIVIDADES – PIC

DAVI FRANCISCO DA SILVA

DIAGNÓSTICO GEOAMBIENTAL EM ÁREAS COSTEIRAS


BACHARELADO EM ENGENHARIA AGRÍCOLA E AMBIENTAL

Recife
2020
DAVI FRANCISCO DA SILVA

DIAGNÓSTICO GEOAMBIENTAL EM ÁREAS COSTEIRAS


BACHARELADO EM ENGENHARIA AGRÍCOLA E AMBIENTAL

Relatório Final de Atividades - PIC


apresentado à Universidade Federal
Rural de Pernambuco como parte
das exigências para obtenção do
título de Engenheiro Agrícola e
Ambiental.

Orientador: Prof. Dr. Fernando


Cartaxo Rolim Neto

Recife
2020
RESUMO
A ocupação desenfreada pode ocasionar impactos negativos como a perda de redes
de drenagens e nascentes, desmatamento e biodiversidade num geral. Todos esses
problemas em conjunto podem afetar também na qualidade de vida humana. Este
trabalho objetivou delimitar Áreas de Preservação Permanente (APPs) numa área
em torno de um areeiro no município de Igarassu- PE. Foram utilizadas cenas de
imagens de radar SRTM (Shuttle Radar Topography Mission), resolução espacial
de 30 m, mosaico de imagens do sensor óptico Landsat 8, com resolução espacial
de 30 m e resolução temporal de 16 dias e o Sistema de Informação Geográfica
ArcGis
10.4 Toda a base cartográfica foi associada ao sistema geodésico SIRGAS 2000.
A delimitação das APPs foi realizada de acordo com a Lei 4.771/2012, que
estabelece o código florestal brasileiro e a resolução 303 do CONAMA. A região
de estudo em sua maior totalidade é composta por vegetação nativa e áreas de
mangue, mas também a região possui pequenas comunidades, um aeródromo e
uma área com mineração de areia. Tais ocupações podem influenciar na alteração
da biodiversidade e geografia locais. As APPs delimitadas foram as de nascentes e
cursos de água que ocupam cerca de 3,12% de toda região, com cerca de 1607
hectares e a APP de manguezais, ocupando cerca de 23,56% de todo terreno ou
cerca de 379 hectares. Não foram constatadas APPs de declividade da região. Com
os dados obtidos se concluiu que a região é composta por cerca de 26,67% de
APPs entre manguezais, cursos de rios e nascentes, sendo assim necessárias a
preservação e manutenção dessas áreas.

INTRODUÇÃO
A busca por ocupação de novos espaços para uso com comércio, moradia e
agricultura vem se expandindo ao longo do tempo, principalmente em regiões
próximas a áreas costeiras e com potencial turístico elevado, neste caso mais
quando falamos de moradia. Para se evitarem problemas causados por tais
ocupações são criadas leis que regulamentam o uso de recursos e ocupação de
áreas naturais. Porém, por conta das grandes dimensões do espaço territorial
brasileiro e a insuficiência de infraestrutura necessária para a fiscalização destas
áreas, em alguns casos as leis criadas para a preservação ambiental não são
cumpridas em sua totalidade.
As ferramentas de SIG (Sistema de Informação Geográfica) são de suma
importância para se delimitarem áreas que devem ser preservadas e fiscalizadas,
pois com essas ferramentas podemos delimitar regiões com grande extensão
territorial e ter um maior controle dos locais onde devem haver essas fiscalizações.
BIANCHINI e OLIVEIRA (2019) relatam que o uso de geotecnologias
facilita e agiliza o trabalho de diagnóstico ambiental para definir áreas mais
apropriadas para a conservação. Os mapas temáticos são importantes para se
poder analisar e localizar informações em menor tempo.
A delimitação com uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG)
apresenta maior celeridade e padronização nas medições, permitindo gerar um
banco de dados georreferenciado e confiável com menores custos (Oliveira e
Fernandes Filho, 2013). Nos últimos anos, houve uma grande inovação nas
imagens
orbitais para uso comercial. A partir do desenvolvimento de satélites com sensores
de alta resolução espacial como o LANDSAT-8 surgiram novas maneiras e
métodos para se trabalhar com APP.
Para se determinar as Áreas de Proteção Permanente da região, deve-se
levar em conta as normas do novo Código Florestal Brasileiro (lei n. 12.651, de 25
de maio de 2012). Estabelece que a Área de Preservação Permanente é uma área
protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de
preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a
biodiversidade, facilitando o fluxo gênico de fauna e flora, protegendo o solo e
assegurando o bem- estar das populações humanas (EMBRAPA, 2012).
APP de Nascentes
De acordo com Negri-Sakata e Kimura (2018) as nascentes possuem
grande valor no ecossistema, pois abastecem a água na superfície terrestre e
mantêm o ciclo hidrológico e ambiental. Skorupa (2003) complementa adiante que
as nascentes contribuem juntamente com toda a massa de raízes das plantas, para
que o solo permaneça com sua porosidade natural lhe dando capacidade de
absorver a água das chuvas, alimentando os lençóis freáticos da região; evita
também que o escoamento superficial excessivo de água carregue grandes
quantidades de partículas de solo e/ou resíduos tóxicos, comumente provenientes
de atividades agrícolas, para o leito dos cursos d’água, poluindo-os e assoreando-
os. Conceitualmente, nascentes são afloramentos naturais de água com origem no
lençol freático. Ao escoar pela superfície, uma nascente dá início à formação de
cursos d’água que por sua vez dão origem a mais cursos d’água formando então, a
rede de drenagem da região. A área conhecida como bacia de contribuição para
uma nascente é a localizada à montante dos cursos d’água formados.
APP de Curso de Água
Os cursos d’água são importantes, pois eles auxiliam na drenagem dos
solos em caso de chuvas. Se estes forem destruídos pode ocorrer a diminuição da
dinâmica natural da água e influenciar no acontecimento de enxurradas,
inundações e enchentes. De acordo com Reina (2016) os cursos de águas
existentes em locais são proporcionais à infiltrações e drenagem pluvial. Além de
evitar estes tipos de problemas citados anteriormente, esses cursos auxiliam na
preservação das vegetações e matas ciliares em todo seu entorno.
APP de Declividade
Nas encostas com declividade igual ou maior a 45°, se faz necessária a
preservação e proteção em decorrência da sua vegetação nativa, visto que caso a
vegetação seja retirada pode influenciar na erosão do solo através da chuva, do
vento e atividades antrópicas, e que essa erosão pode causar um deslizamento de
terra e em caso de área urbana poderá acarretar acidentes.
APP de Topos de Morros
Desde o 1° código florestal brasileiro (Lei n. 4771 de 1965), os topos de
morro e montanha são considerados Áreas de Preservação Permanente (APP), em
razão de
sua importância para a conservação de recursos naturais e da biodiversidade. Com a
alteração na legislação ambiental do Brasil em 2012 com o novo código florestal
brasileiro (Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012), os parâmetros para delimitar
essas áreas se tornaram mais flexíveis, diminuindo ou mesmo extinguindo as áreas
de APP em topo de morro.

APP de Manguezais
Este ecossistema passou a ser considerado área de preservação permanente a
partir da resolução do CONAMA N° 303 de 20 de março de 2002, e deve ser
preservado integralmente em toda sua extensão, pois o manguezal possui uma
biodiversidade extensa, além de ser fundamental para o equilíbrio ambiental e à
manutenção das espécies marinhas.

De acordo com Wagner de Cerqueira e Francisco (2012), os manguezais


ocupam uma área de aproximadamente 10 mil quilômetros quadrados no Brasil,
estendendo-se do Amapá à Santa Catarina. No entanto, a degradação desse bioma
tem se intensificado, sobretudo em razão do desmatamento, poluição dos rios,
lançamento de esgoto residencial e industrial, derramamento de petróleo e
construção de residências em áreas de mangue. Dessa forma ele deve ser
intensamente preservado em toda sua área para assim não colocar em risco suas
espécies de fauna e flora.

OBJETIVO GERAL

Realizar o mapeamento de uma Área de Preservação Permanente (APP)


numa região do município de Igarassu - PE, incorporando aspectos hidrológicos e
ecológicos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Realizar um diagnóstico ambiental na área de estudo;

- Mostrar as vantagens da utilização das ferramentas de geoprocessamento na


determinação de Áreas de Preservação Permanente (APP);

- Apresentar uma metodologia para determinação de Áreas de Preservação


Permanente (APP);

- Determinar as Áreas de Preservação Permanente (APP) na área de estudo.

METODOLOGIA
Utilizou-se para compor a base do mapeamento e para coleta de dados cenas
de imagens de radar SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) com resolução
espacial de 30 m, mosaico de imagens do sensor óptico Landsat 8, com resolução
espacial de 30 m e resolução temporal de 16 dias, Toda a base cartográfica foi
associada ao sistema geodésico SIRGAS 2000. As imagens estão disponíveis
gratuitamente no site da Agência Espacial Norte Americana (NASA).
A extensão para modelagem do programa SWAT (Soil and Water
Assessment Tool), desenvolvido pelo Blackland Research Center da Texas
Agricultural Station e USDA Agricultural Research Service, em trabalhos
realizados no Agricultural Research Service e no Texas A&M University, foi
utilizada como ferramenta computacional para a divisão da região em
compartimentos hidrológicos necessários para a delimitação da APP.
Para o desenvolvimento da delimitação automática de APPs foram
abordados os termos constantes no Código Florestal Brasileiro, Lei 12.651, de 25
de maio de 2012 e Resolução do CONAMA Nº 303 de 20 de março de 2002,
através do uso e aplicação de geotecnologias e Modelagem Digital de Elevação
(MDE).

Área de Estudo
O município de Igarassu fica localizado no litoral norte de Pernambuco,
região na qual a industrialização avançou muito nos últimos anos, com
implantação de novos empreendimentos imobiliários na região.
A área específica em estudo fica localizada no bairro de Nova Cruz onde já
ocorre um elevado potencial turístico por estar localizado no litoral da cidade, e
existir nas proximidades uma ilhota conhecida como Coroa do Avião. Também
dentro desta área existe um aeródromo (figura 1), além de um areeiro que provoca
frequentemente impactos ligados à extração de areia para fins de comercialização.
Com todos estes impactos já gerados na região e com a possibilidade de futuros
impactos, se faz necessária a determinação da Área de Proteção Permanente neste
local.
A área de estudo foi dividida em três compartimentos hidrológicos (CH1,
CH2 e CH3), de acordo com a metodologia adotada por VIEIRA (2019). Estes
representam características diferentes e usos específicos do solo, bem como
relevos distintos. Destacam-se os compartimentos hidrológicos 1 e 2 como áreas
de maior ocupação de comunidades, pequenas áreas de plantio, criação de animais
e uso domiciliar da água. O compartimento hidrológico 3, por sua vez, representa
uma região onde há áreas com extração de areia, um pequeno aeródromo e
indústrias de processamento de coco para produção de óleo.
Figura 1 – Imagem de Satélite e seus Compartimentos Hidrológicos

A delimitação das Áreas de Preservação Permanente de cursos d’água,


nascentes e encostas com declividade acentuada, além do mapeamento destas
informações para fins de estudos, geraram algumas informações quantitativas.
Delimitação das APPs de Cursos de Água
Em conformidade com o artigo 2° do Código Florestal Brasileiro, Lei
N°12.651, de 25 de maio de 2012, foram também consideradas Áreas de
Preservação Permanente as florestas e demais formas de vegetação natural
situadas ao longo de rios ou de outro qualquer curso de água.
De acordo com a resolução do CONAMA N° 303 de 20 de março de 2002
se determinou o perímetro de proteção dos cursos de água, sendo 30 metros neste
estudo, pois o curso de água tem até 10 metros de largura.
Com uso do Programa Arc Gis versão 9.3, utilizando-se das ferramentas da
aba Spatial Analyst Tools – Hidrology, a partir de um MDE SRTM, foi realizada a
sequência FILL > FLOW DIRECTION > FLOW ACCUMULATION, sendo
usada em seguida a ferramenta Raster Calculation com uso da expressão
HIDRO500 = com([flow_accum] > 500,1) sendo gerada uma raster com os cursos
de água.
Delimitação das Apps de Nascentes
Foi baseada na resolução do CONAMA N°303, de 20 de março de 2002, a
qual dispõe sobre parâmetros, definições e limites de áreas de preservação
permanente. Em
seu artigo 2°, inciso II, adota como definição para nascentes ou olho d’água, um local
onde aflora naturalmente, mesmo que de forma intermitente, a água subterrânea.
O artigo 3°, inciso II define que os limites de proteção para as nascentes sejam
com raio mínimo de cinquenta metros de tal forma que proteja, em cada caso, a bacia
hidrográfica constituinte. Delimitou-se esta classe em conformidade com as definições
descritas acima.
Após a geração da rede de drenagem através do ArcGis 10.4 com uso do
módulo Spatial Analyst Tools - Hidrology, foi usada a ferramenta Feature Vertice To
Points, onde se determinou os pontos de nascentes dos cursos de água.
Delimitação das APPs de Declividade
De acordo com a resolução do CONAMA N°303, de 20 de março de 2002, as
áreas de proteção permanente para declividade são aquelas que possuem declividade
igual ou maior que 45°, devendo as mesmas serem protegidas para preservar a sua
vegetação nativa e não haver o desgaste do solo através da erosão. Com o Uso do
Software ArcGis 10.4 foi utilizada a ferramenta Slope para se determinar a declividade
do terreno.
Delimitação das APPs de Topos de Morros

As delimitações da APP de topos de morros seguiram as seguintes etapas:

I. Identificação do tipo de relevo

II. Identificação dos cumes

III. Identificação das selas:

IV. Identificação da Declividade Média. A mesma deverá possuir uma


declividade média de 25° de inclinação e corroborar com a elevação superior
a 100 metros entre a sela e o cume.
V. Cálculo da altura, com base na cota da sela

Após toda análise topográfica e identificação das etapas I, II e III, foi gerado no
software ArcGis a declividade média do terreno, a partir da ferramenta Slope.
O cálculo da altura do terreno foi executado através de um MDE (Modelo Digital
de Elevação), que foi reclassificado através da ferramenta Reclassify do ArcGis,
e foram determinados dos parâmetros de classificações e intervalos de altitude.

Delimitação das APPs de Manguezais


A partir da obtenção de imagens do sensor óptico Landsat 8, foi obtido o mapa de
uso e ocupação do solo, através das ferramentas: Customize > Toolbars > Image
Classification. Com o auxílio de imagens do Google Earth foram identificadas as
ocupações do terreno e após as mesmas, as regiões cobertas com o bioma mangue
foram identificadas e obtendo-se assim o seu mapa.
RESULTADOS DE DISCUSSÕES

Através da análise da figura 2 que contempla o mapeamento das nascentes e


cursos de água e a delimitação de suas APPs, constatou-se que os 3 compartimentos
hidrológicos possuem áreas de proteção permanente para nascentes e curso de água,
possuindo as seguintes informações quanto às suas APPs.
I. As nascentes possuem em média cerca de 20 metros de diâmetro e APP com
um raio de 50 metros de cada lado da nascente.
II. Os cursos de água possuem cerca de 10 metros de diâmetro e receberam APP
com um raio de 30 metros.

Figura 2 – APP de Cursos de Rios e Nascentes

Na tabela 1 estão os dados referentes à área ocupada pelas APPs de nascentes e


cursos de água. Através de uma análise observa-se que a APP ocupa apenas uma
pequena parte da região, cerca de 3,12% ou 49,93 ha de uma região com 1607,49 ha,
aproximadamente 1488 campos de futebol, deixando o controle e fiscalização mais
tranquila aos orgão competentes. O compartimento hidrológico 1 é o que tem sua área
mais ocupada pela APP com cerca de 3,28% da sua área total.
Tabela 1 – Dados da área ocupada pela APP
Compartimento Área (ha) Área da APP (ha) Área da APP em relação a
Hidrológico cada compartimento (%)
CH1 332,37 10,93 3,28
CH2 298,53 8,48 2,84
CH3 976,59 30,52 3,12
TOTAL 1607,49 49,93 3.10

Como observado com os dados obtidos, essa baixa ocupação da APP na região
poderá facilitar a preservação e fiscalização da mesma. Assim a longo prazo poder-se-
iam evitar possíveis inundações, pois ao longo dos anos a ocupação residencial vem
crecendo com objetivos turísticos, visto que a região está bem próxima de uma área de
zona costeira.
A partir do mapa obtido com o MDE com resolução espacial de 30m observa-se
que a região ilustrada na figura 3, possui apenas declividade próxima dos 30° e assim
não se pode determinar uma APP no local, visto que para se fazer esta determinação a
declividade deve ser maior ou igual a 45° ou 100%.

Mapa de Declividade

Figura 3 – Declividade do Terreno

Após a análise e compreensão da figura 3 e da tabela 2, constata-se que a região


possui em quase 2/3 de sua área um relevo plano e o restante dele possui ondulações
leves. Esses fatores influenciam mais ainda a expansão residencial na região, pois facilita
às construções e diminui custos operacionais. Devem ser evitados para não influenciar
impactos na fauna e flora locais. Deste modo, como constatado pela falta de ondulação
para se delimitar uma APP no local, a fiscalização da área pode ser colocada de lado,
mas não menos importante, as demais APPs devem ser fiscalizadas e preservadas.

Tabela 2 – Dados da área em relação a Declividade

Declividade Área da declividade (ha) Área da declividade (%)


(0° – 5°) 994,816 61,89
(5° – 10°) 332,765 20,70
(10° – 30°) 279,909 17,41
(30° – 70°) - -
(70° – 100°) - -
TOTAL 1607,49 100

O mapa de altitude (Figura 4) é utilizado para a identificação das APPs de topos


de morros, mas de acordo com os dados obtidos foi identificado que a elevação máxima
do terreno é de aproximadamente 96 metros, logo as diferenças entre os pontos de selas
e de cume não ultrapassam este valor. Desta maneira não se pode delimitar uma APP
de topos de morro. De acordo com o novo código florestal brasileiro essa elevação
deverá ser acima de 100 metros. Um dos parâmetros necessários para essa delimitação é
que a inclinação do terreno esteja acima de 25°, parâmetro este que é atendido pelo
terreno, mas não é suficiente.
Figura 4 – Mapa de Altitude

Por estar próxima a zonas costeiras, a região possui uma área de mangue muito
extensa e que faz dessa região um berço de diversidades marinhas em reprodução. Na
tabela 3 temos os dados mais detalhados.

Através da análise da figura 4 e da tabela 3, conclui-se que a APP de manguezais


ocupa cerca de 23,55% ou aproximadamente ¼ do terreno em estudo. É de suma
importância a preservação, proteção e fiscalização de toda região e de suas APPs,
visto que o manguezal possui uma biodiversidade riquíssima e também possui uma
influência econômica muito grande na região.
Figura 5 – APP de Manguezais

Tabela 3 – Dados da área ocupada pelas APPs de Manguezais

Área da APP em relação ao


APPs de Manguezais Área (ha) terreno (%)
APP Mangue 1 90,235 5,61
APP Mangue 2 55,99 3,48
APP Mangue 3 232,535 14,46
Outras Ocupações 1228,73 -
TOTAL 1607,49 23,55

A preservação deste bioma vai além da redução do desmatamento para a ocupação


industrial, residencial e outros fins econômicos, mas também pela redução da poluição que o
mesmo recebe diariamente por falta de coleta de lixo e o despejo de esgotos. Tal fato
acontece principalmente pela carência de saneamento da cidade, que de acordo com o Site
Deepask, especializado em dados geográficos até 2013, a cidade de Igarassu possuía apenas
1,39% de cobertura de saneamento aos seus habitantes.

A tabela 4 demonstra a ocupação das apps em relação a todo terreno e sua área total.

Tabela 4 – Dados das Apps em relação ao terreno


Área da APP em relação ao
APPs Área (ha) terreno (%)
APP de Cursos de 49,93 3,11
Rios e Nascentes
App de Manguezais 378,76 23,56
Outras Ocupações 1178,8 -
TOTAL 1607,49 26,67

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
Atividades 2019 2020
Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul
Revisão de Literatura X X X X
Coleta de dados X X X
Obtenção das imagens X X X
orbitais
Tabulação de dados X X
Processamento dos X X X X X
dados e imagens
orbitais
Verdade de campo X X
Elaboração dos mapas X X X X X
temáticos
Relatório parcial das X X X
atividades
Relatório final das X X
atividades

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na região estão presentes várias nascentes e redes de drenagens que devem ser
preservadas para a manutenção de sua vegetação a fim de se evitarem inundações,
enchentes e também erosão do solo, além de uma extensa zona de manguezais que
necessitam de preservação e fiscalização, por ser um bioma que possui uma
biodiversidade sensível e que já sofre também pela pesca desenfreada e de ocupações
residenciais.
Cerca de 26,67% do terreno ou mais de ¼ do mesmo, são preenchidos com
áreas que necessitam de preservação, proteção e fiscalização dos órgãos competentes de
todos entes federativos. A demarcação desta área é de extrema importância para que se
evite, em determinados casos, que sejam infringidos os Artigos 38 e 39 da Lei de
Crimes Ambientais (Lei N° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998). De acordo com esta
norma legal, a intervenção em APP pode representar uma pena de 1 a 3 anos de
detenção
Os demais mapas gerados serviram para as análises afim da determinação das
APPs de declividade e topos de morros, que não foram delimitadas pois o terreno não
possui as exigências mínimas, que estão dispostas no novo código florestal brasileiro.
O uso de ferramentas de geotecologias é importante para o auxílio de estudos
ambientais, pois possibilitam a execução de atividades de forma mais precisa e rápida,
economizando tempo e custos.

REFERÊNCIAS
REINA, A. A importância das Áreas de Preservação Permanente (APP),
29 de Abril de 2016, disponível em www.jornalcomunidade.com.br/2.1461/meio-
ambiente/a-importância-das-áreas-de-preservação-permanente-app-1.1896878, acesso
em 04 de março de 2020.

BIANCHINI, C. D.; OLIVEIRA, G. G. DE. Geoprocessamento aplicado à identificação


de áreas aptas para a implantação de unidades de conservação no Vale do Taquari, RS.
Revista Brasileira de Cartografia, v. 71, n. 2, p. 513-541, 24 jun. 2019.

BRASIL. Lei 4771/1965. Código Florestal Brasileiro. Disponível em


http://www.planalto.gov.br/ccivil03/leis/L4771.htm.

BRASIL. Lei Federal Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e das outras
providencias. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9605.htm.
Acesso em 10 de Jul. 2020.

BRASIL. Resolução CONAMA nº 303, de 20 de março de 2002. Dispõe sobre


parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 13 mai. 2002. Disponível em
http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=299. Acesso em: 14 Jan.
2020.

BRASIL, Lei 12.651, de 25 de maio de 2012, Novo Código Florestal Brasileiro, dispõe
sobre a proteção da vegetação nativa. altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de
1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga
as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a
Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências.
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 mai. 2012. Disponível em
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm . Acesso
em: 20 Dez. 2019.

DE CERQUEIRA, W. E FRANCISCO, Manguezal. 2012, disponível em


https://alunosonline.uol.com.br/geografia/manguezal.html, acesso em 21/01/2020.

EMBRAPA, Código Florestal, 2012, disponível em www.embrapa.br/codigo-florestal.


Acesso em 10 de janeiro de 2020.
OLIVEIRA, G. C; FERNANDES FILHO, E. Í. Metodologia para delimitação de APPs em
topos de morros segundo o novo Código Florestal brasileiro utilizando sistemas de
informação geográfica. ANAIS XVI SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO
REMOTO - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE.

SKORUPA, L.A.; Áreas de Preservação Permanente e Desenvolvimento Sustentável.


Embrapa. Jaguariúna, 2003.

Vania NEGRI-SAKATA, V.; KIMURA, I. Y Uma análise da situação das nascentes


da app do arroio schimidt, goioerê – pr, baseada em diagnóstico ambiental. In:
seminário nacional de integração da rede profciamb, 2018, Belém – PA. Resumo. p. 1.
2018.
VIEIRA, I. F.B.; Qualidade Da Água Em Área Rural Sob Influência Antrópica Na
Zona Da Mata De Pernambuco. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental) –
Departamento de tecnologia Rural, Universidade Federal Rural de Pernambuco.
Recife,
p. 46. 2019.
ATIVIDADES RELEVANTES DESENVOLVIDAS PELO BOLSISTA
Participação do 27° Agrinordeste 2019
Participação da 3° Semana de Engenharia Agrícola e Ambiental – UFRPE 2019
Colaborador da 3° Semana de Engenharia Agrícola e Ambiental – UFRPE
2019 Participação de Trabalho apresentado no GisDay – UFPE 2019
Participação de Trabalho publicado no Ebook Retratos da Geografia – UFPE 2019
Curso de conhecimentos Básicos Qgis – Geo Sem Fronteiras -2019
Curso Técnico em desenvolvimento de sistemas – ETE Miguel Batista 2019
Curso Cadastro Ambiental Rural – UFV 2019
Curso de Introdução a Agricultura de Precisão – Senar 2020
Curso de Gestão de Segurança, Saúde e Meio Ambiente de Trabalho Rural – Senar 2020

DIFICULDADES ENCONTRADAS
Não foram encontradas dificuldades para execução desde trabalho, apenas
dúvidas que foram esclarecidas com o auxílio do orientador.

PARECER DO ORIENTADOR
O aluno realizou todas as atividades com esmero e responsabilidade,
demonstrando compromisso e maturidade no cumprimento do cronograma previsto.
Recife
2020

Você também pode gostar