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REVERSA
PROFESSOR
Me. Paulo Pardo
ACESSE AQUI
O SEU LIVRO
NA VERSÃO
DIGITAL!
EXPEDIENTE
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de
Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino
de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi
FICHA CATALOGRÁFICA
Coordenador(a) de Conteúdo
Silvio Silvestre Barczsz
Projeto Gráfico e Capa
Arthur Cantareli, Jhonny Coelho C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ.
e Thayla Guimarães Núcleo de Educação a Distância. PARDO, Paulo.
diariamente para que nossa educação à distância que é promover a educação de qualidade
continue como uma das melhores do Brasil. Atua- nas diferentes áreas do conhecimento,
mos sobre quatro pilares que consolidam a visão formando profissionais cidadãos que
Reitor
Wilson de Matos Silva
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8141003354179820.
A P R E S E N TA Ç Ã O DA DISCIPLINA
LOGÍSTICA REVERSA
O tema “logística reversa” ganhou notoriedade nas últimas décadas por um motivo que é,
ao mesmo tempo, simples e relevante: trata da sobrevivência das organizações e do próprio
ser humano no planeta. Questões sérias para serem colocadas em uma única frase, não
concorda? No entanto, diz respeito a exatamente isso.
A retirada desses recursos da natureza em forma de matéria-prima para os produtos que uti-
lizamos não pode ser feita de forma desenfreada, assim como estamos assistindo atualmente.
A natureza está sobrecarregada com essa velocidade de utilização dos recursos, a ponto de
não conseguir se recuperar e reciclar com o mesmo ritmo do homem. O resultado tem sido
desastroso. Embora muito se discuta as causas do aquecimento global, um aspecto que é
consenso nessas discussões é voltado ao papel do homem em relação ao impacto ambiental.
As questões que dizem respeito ao impacto ambiental englobam tanto a retirada dos recursos
naturais quanto o despejo dos resíduos produzidos pelo consumo no meio ambiente. Se, por
um lado, consumimos recursos a uma velocidade superior ao reparo natural do planeta, por
outro lado, também o sobrecarregamos com materiais de difícil decomposição.
Diante disso, a ação gerencial é focada nesse elemento, pois as organizações são as prin-
cipais responsáveis pela produção dos itens de consumo humano e, como tais, devem ser
chamadas para apresentar soluções à degradação ambiental. Em resposta a essa demanda,
as instituições passaram a rever os seus processos de fornecimento e a vida útil de seus pro-
dutos, e adotaram estratégias para tratar os materiais resultantes do consumo e os produtos
que retornam para a cadeia de distribuição. É, assim, lançada a base para a logística reversa.
A P R E S E N TA Ç Ã O DA DISCIPLINA
Ao longo deste livro, você terá a oportunidade de conhecer os conceitos de logística reversa
e a sua aplicabilidade nos processos logísticos organizacionais. Observará que, apesar de, em
um primeiro momento, apresentar-se como um desafio, a logística reversa também pode ser
uma grande oportunidade para as empresas firmarem a sua marca perante os seus clientes
e, quando possível, obter resultados financeiros positivos com as estratégias adotadas.
Na Unidade 4, focaremos na questão legal, com respeito à logística reversa. Também explica-
remos como as organizações podem ganhar mercados, ao adaptarem os seus processos às
certificações ambientais. Para tanto, consideraremos a Política Nacional de Resíduos Sólidos
(PNRS), uma legislação que realmente causa impactos profundos em relação ao modo como o
poder público, a iniciativa privada e a sociedade em geral lidam com os produtos de consumo.
Espero que você aproveite os conteúdos considerados em sua formação enquanto um gestor
realmente capacitado para os desafios das organizações do século XXI. Bons estudos!
ÍCONES
pensando juntos
explorando ideias
quadro-resumo
conceituando
Sabe aquele termo ou aquela palavra que você não conhece? Este ele-
mento ajudará você a conceituá-lo(a) melhor da maneira mais simples.
conecte-se
PROGRAMÁTICO
UNIDADE 01
10 UNIDADE 02
52
CONCEITOS DE CANAIS DE
LOGÍSTICA DISTRIBUIÇÃO
REVERSA REVERSOS DE
PÓS-CONSUMO
(CDR-PC)
UNIDADE 03
80 UNIDADE 04
116
CANAIS DE QUESTÕES LEGAIS,
DISTRIBUIÇÃO ECONÔMICAS E
REVERSOS AMBIENTAIS
PÓS-VENDA EM PÓS-CONSUMO E
(CDR-PV) EM PÓS-VENDA
UNIDADE 05
152 FECHAMENTO
199
A LOGÍSTICA CONCLUSÃO
REVERSA NO BRASIL:
O CENÁRIO ATUAL E
AS PERSPECTIVAS
FUTURAS
1
CONCEITOS DE
LOGÍSTICA
REVERSA
PROFESSOR
Me. Paulo Pardo
PLANO DE ESTUDO
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • O desafio da sustentabilidade: qual
é a sua relação com a temática? • As questões logísticas e a competitividade empresarial • Entendendo
o conceito de logística reversa • Custos em logística reversa: o que avaliar?
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Compreender os desafios da sustentabilidade. • Entender as questões logísticas e a competitividade
organizacional. • Apresentar o conceito de logística reversa. • Estudar os custos na logística reversa..
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a),
Em pleno século XXI, com um desenvolvimento técnico tão acentuado
como o que temos vivenciado, muitas pessoas acreditam que somos os
donos de nosso ambiente. Os humanos, enquanto espécie dominante do
planeta, realmente evidenciam, em várias de suas atitudes, uma despreo-
cupação com o meio em que habitam, como se não dependessem de nada
ou de ninguém para continuar vivendo nesse planeta.
Quem mora nas grandes cidades, por exemplo – muito observável en-
tre as crianças –, aparentemente, desvinculou-se dos espaços naturais e,
em consequência de viver em um ambiente artificial, não percebe como os
espaços urbanos são frágeis e insustentáveis. Muitas crianças nunca viram
a produção de leite em uma fazenda, não sabem como a água é captada
nos rios e nos lagos, e nunca sujaram os pés na terra, de tão elevado que é
o nível de concreto nas grandes cidades.
Essa triste constatação de que somos antropocêntricos, ou seja, de que acre-
ditamos que o universo gira em torno do homem, não é nova. Na verdade, uma
linha importante de pensadores e estudiosos, há muito tempo, percebeu que
as estruturas sociais não respeitam uma verdade básica: nós somos frutos do
meio e só conseguimos sobreviver se esse meio continuar existindo.
Assim, quando assistimos a algum documentário que mostra espaços
degradados, poluição, rios mortos, oceanos com ilhas de plástico, animais
morrendo por ingestão de resíduos, chocamo-nos em um primeiro momen-
to, mas continuamos a levar as nossas vidas assim como sempre fizemos.
Pois bem, esse modo de agir e de viver chegou a um momento crítico
e, pela primeira vez na história, coloca em risco a própria continuidade da
vida humana na terra. Se você não acredita nisso, explicaremos, a partir de
agora, os desafios ambientais que se colocam e entenderemos qual é a sua
relação com a temática.
1
O DESAFIO DA
UNIDADE 1
SUSTENTABILIDADE:
QUAL É A SUA
RELAÇÃO COM
A TEMÁTICA?
Quando você ouve a palavra “sustentabilidade”, o que lhe vem à mente? Essa pa-
lavra, originária do verbo “sustentar”, tem, nos dicionários, vários significados. Os
que mais nos interessam são “manter”,“alimentar” e o próprio termo “sustentável”, o
qual pode significar “que pode se sustentar; que se defende” (KLEIN, 2015, p. 515).
Perceba que, nos vários significados oferecidos, alguns relacionam “sustentar”
com “manter a vida”. É esse o foco que daremos a partir de agora. Olhe à sua volta:
você consegue notar quantos seres, além dos humanos, habitam essa esfera azul
chamada Planeta Terra? Há insetos, cães, gatos, pássaros e uma variedade de
outras criaturas. Se você mora em uma pequena cidade ou tem facilidade de se
deslocar até uma área aberta e desabitada, perceberá que esse número só aumenta.
Quando os seres humanos abandonaram a sua vocação extrativista e passa-
ram a cultivar o solo e a fabricar utensílios, o que se intensificou com o advento
recente da Revolução Industrial, houve a produção de produtos para consumo em
massa. Assim, a lógica da relação entre homem e natureza foi totalmente alterada.
Ao utilizar aquilo que a natureza oferece – minerais, animais e vegetais – em
uma velocidade cada vez maior, a fim de atender a demanda por produtos, a
capacidade de regeneração do planeta foi vencida. Basta observar a quantidade
das espécies de animais que conseguimos extinguir por meio da caça predatória
e as plantas que eliminamos antes mesmo de termos a oportunidade de conhe-
cê-las! Isso evidencia que a maneira como nos relacionamos com o ambiente
não é saudável.
12
Em um modelo econômico em que tudo se torna recurso – o que extraímos
UNICESUMAR
do planeta se torna recurso natural, as pessoas são recursos humanos, os equi-
pamentos são recursos tecnológicos, dentre tantos outros exemplos –, nivelamos
o nosso ambiente à simples função de fornecer aquilo que precisamos, sem nos
preocuparmos com a velocidade de reposição natural. Desrespeitamos os ciclos
da vida. Agora, focaremos em nossa vida moderna.
Olhe à sua volta: o modo de viver das pessoas requer o constante suprimento
dos itens de consumo, desde a sua comida industrialmente processada, o seu
transporte, que é realizado com veículos de propulsão à explosão (tecnologia que
já tem mais de 100 anos), o seu cuidado com a saúde, o seu lazer e os seus hobbies,
os quais, muitas vezes, envolvem produtos químicos. As empresas, exemplos de
organizações com fins lucrativos, suprem as necessidades e os desejos das pessoas,
que, ao se depararem com tanta variedade, não conseguem comprar tudo aquilo
que consideram merecer. Para os negócios, o consumo é o meio de se manter eco-
nomicamente. Já para as pessoas, o consumo não atende apenas às necessidades
legítimas e básicas, como se alimentar, mas também aos desejos criados pelo seu
próprio modo de vida, como o de status e reconhecimento social.
A população do planeta, por outro lado, cresceu vertiginosamente nos últi-
mos séculos, especialmente no século XX. Estatísticas feitas pela Organização das
Nações Unidas (ONU) evidenciam que a população mais que triplicou no último
século: somos, agora, quase oito bilhões de pessoas utilizando os “recursos” natu-
rais. A produção de alimentos no mundo seria o suficiente para todas as pessoas
se alimentarem com dignidade, porém, devido à má distribuição de renda, um
contingente importante da população – uma em cada oito pessoas – passa fome.
conecte-se
13
Você ainda pode estar se perguntando: qual é a minha relação com essa proble-
UNIDADE 1
14
“
É preciso mudar essas tendências de crescimento e formar uma
UNICESUMAR
condição de estabilidade ecológica e econômica que possa ser man-
tida até um futuro remoto. O estado de equilíbrio global poderá
ser planejado de modo que as necessidades materiais básicas de
cada pessoa na Terra sejam satisfeitas, oferecendo-se oportunidades
iguais para que todos realizem seu potencial humano individual. O
resultado será um declínio súbito e incontrolável, tanto da popula-
ção quanto da capacidade de produção industrial.
15
UNIDADE 1
conceituando
16
Certamente, à medida que há a crença de que o desenvolvimento sustentável
UNICESUMAR
é uma realidade possível, também há a consideração da união dos povos e da
solidariedade, por exemplo. Assim, o desenvolvimento sustentável é entendido
como uma espécie de valor humano.
conecte-se
Contudo, não devemos ter uma visão tão simplista do mundo. A grande verdade
é que o próprio conceito de sustentabilidade e a definição de desenvolvimento
sustentável são controversos. Críticos afirmam que os termos “desenvolvimento” e
“sustentável” já são um paradoxo, ou seja, mutuamente excludentes. Como desen-
volver e crescer indefinidamente – já que não foi estabelecido nenhum limite para
isso – em um espaço limitado, que é o planeta? Essa crítica faz sentido, não acha?
De fato, devemos aprofundar a nossa visão e termos ciência de que o discurso
preservacionista não é tão inocente assim como pensamos. Muitas propostas do
desenvolvimento sustentável parecem ser uma maquiagem, para que a exploração
dos recursos continue, mas com a bênção de uma população alienada por uma
propaganda consumista. Fique atento(a) a esses discursos! Há uma frase muito
interessante, a qual foi atribuída ao príncipe de Salina na obra O Leopardo, de
Giuseppe Tomasi di Lampedusa, que afirma que “é preciso mudar se quisermos
que tudo fique como está” (BARBIERI, 2007, p. 95).
Você está envolvido(a) nisso, pois essa problemática afeta a sua vida, a sua
forma de fazer gestão, o seu consumo e o seu futuro. Podemos ignorar a discussão
e continuar a fazer tudo assim como sempre fizemos. Também podemos realizar
mudanças cosméticas para preservar o modelo de exploração ou, ao contrário,
pensar e agir de forma mais crítica em relação ao planeta.
17
2
AS QUESTÕES LOGÍSTICAS E
UNIDADE 1
A COMPETITIVIDADE
EMPRESARIAL
UNICESUMAR
há uma variável que está, de fato, fazendo a diferença em relação à concorrência:
os processos logísticos.
Peter Drucker (1995 apud BATALHA, 2001, p. 163), um dos grandes gurus
de administração, afirma que a “logística é última fronteira gerencial que resta
ser explorada para reduzir tempos e custos, melhorar o nível e a qualidade de
serviços, agregar valores que diferenciem e fortaleçam a posição competitiva da
empresa”. Pode parecer uma expectativa exagerada, mas há fundamentos sóli-
dos para essa afirmação. Considere a seguinte situação: os produtos fornecidos
e disponibilizados para consumo ao redor do mundo são cada vez mais pareci-
dos. Pequenos atributos não são o suficiente para classificarmos uma quantidade
muito grande de itens como “exclusivos”, pelo menos, não no que se refere aos
produtos de massa. Dessa forma, um aparelho de TV é um aparelho de TV, in-
dependentemente de sua marca, embora, assim como afirmamos, possa ter um
ou outro atributo distinto.
Portanto, os produtos se tornaram verdadeiras commodities, ou seja, são
praticamente idênticos. Os preços também são muito alinhados, tendo em vis-
ta que os componentes são disponibilizados às fábricas do mundo todo e uma
parte importante desses componentes é produzida em países asiáticos. Se não é
possível competir em relação aos produtos (muito parecidos) e ao preço (muito
alinhados), o que diferencia as empresas? A eficiência logística, que é expressa de
acordo com a capacidade de prestar um nível de serviço considerado superior
com custos que sejam reconhecidos como justos pelos consumidores.
Além disso, em detrimento de a logística envolver fluxos de materiais, valores
e informações, o fluxo de informações logísticas é um item que pode diferenciar
a empresa, por ela agir proativamente frente às necessidades e às expectativas
de seus stakeholders. Para obter esse desempenho superior, a logística evoluiu
naturalmente para um conceito de administração em rede ou em cadeia, o qual
é amplamente conhecido como Gestão da Cadeia de Suprimentos ou, em inglês,
Supply Chain Management (SCM).
No que diz respeito à Gestão da Cadeia de Suprimentos, interessa-nos a de-
finição de Razzolini Filho e Berté (2013, p. 42), que sustentam que ela pode ser
entendida como a:
“
Administração sinérgica dos canais de abastecimento de todos os
participantes da cadeia de valor, através da integração de seus pro-
19
cessos de negócios, visando sempre agregar valor ao produto final,
UNIDADE 1
20
Para ilustrar essa evolução, Razzolini Filho e Berté (2013) descrevem a seguinte
UNICESUMAR
situação: uma empresa pretende terceirizar uma etapa do processo logístico. Se-
gundo a visão tradicional de estratégia logística, que é de curto prazo, um Presta-
dor de Serviço Logístico (PSL) poderia ser contratado para realizar o ofício por
meio de um contrato de curto prazo que abrange uma única ou poucas atividades.
Por outro lado, sob a ótica da logística estratégica, que é de longo prazo, a opção
seria contatar um operador logístico, que terá um contrato de longo prazo e
prestará múltiplas atividades de forma integrada.
Sem dúvida, diante desse quadro, tanto com a estratégia logística quanto com
a logística estratégica, a empresa pode obter vantagem competitiva. Entretanto,
caso a logística estratégica seja optada, a vantagem seria sustentável a longo prazo.
3
ENTENDENDO O CONCEITO
DE LOGÍSTICA
REVERSA
21
De qualquer modo, conheceremos alguns fatores motivaram o movimento
UNIDADE 1
conceituando
Ciclo de vida de produto: uma de suas definições é a de que se trata de um período que
envolve todas as fases do produto, desde a sua concepção, introdução no mercado, curva
de crescimento de vendas, estabilização de participação, até a sua retirada do mercado.
No contexto, é aplicado desde o uso do produto até o seu descarte, que é feito pelo con-
sumidor.
22
Diante disso, o que as empresas deveriam fazer, considerando todas as va-
UNICESUMAR
riáveis apresentadas? A concepção de fornecimento de produtos teve que ser
repensada. Até então, assim como já foi frisado, o consumidor se constituía
como o elo final da cadeia de suprimentos. Uma representação dessa ideia você
percebe na Figura 1.
FLUXO DE INFORMAÇÕES
Descrição da Imagem: a figura demonstra um fluxo logístico. Nele, o início se dá no fornecedor da ma-
téria-prima, passa pela indústria, pela distribuição e pelo varejo, até chegar ao consumidor.
Diante das exigências e das variáveis expostas, as quais exigem que a empresa
tenha ações consistentes para o tratamento dos produtos, o que vai além do
seu uso por parte do consumidor, surge um quarto fluxo: o fluxo inverso ou a
logística reversa.
Entenda que, para conceituarmos o que é logística reversa, precisamos visua-
lizar um ciclo contrário ao fluxo tradicional de fornecimento. Nesse contexto,
consideramos o retorno dos produtos (ou partes dele) em direção à fonte de pro-
dução. No processo logístico convencional – pelo menos, na abordagem histórica
23
–, não há uma indicação clara sobre o fluxo cliente-empresa. Essa abordagem só
UNIDADE 1
Materiais
Novos
Materiais
Reaproveitados Processo Logístico Reverso
Descrição da Imagem: a figura é uma representação das cadeias logísticas direta e reversa. Assim,
parte-se de um balão, que ilustra os materiais novos entrando no processo logístico direto, incluindo o
suprimento, a produção e a distribuição. Depois, há uma seta que aponta o processo logístico reverso e
um balão, que representa os materiais reaproveitados, os quais podem ser reintroduzidos no processo
logístico direto.
“
[...] a parte do processo da cadeia de suprimentos que planeja,
implementa e controla de forma eficiente e eficaz o fluxo direto e
reverso e o estoque de bens, serviços e informação entre o ponto
de origem e o ponto de consumo com o propósito de atender os
requisitos dos clientes (SANTOS et al., 2013, p. 233).
24
Observe que, na definição anterior, é introduzido o conceito de retorno (fluxo
UNICESUMAR
reverso) até o ponto de origem. Rogers e Tibben-Lembke (1999, p. 2 apud LEITE,
2009, p. 16) reforçam essa ideia, ao definirem a logística reversa como:
“
O processo de planejamento, implementação e controle da eficiên-
cia e custo efetivo do fluxo de matérias-primas, estoques em pro-
cesso, produtos acabados e informações correspondentes do ponto
de consumo ao ponto de origem com o propósito de recapturar o
valor ou destinar à apropriada disposição.
“
Supply Chain Management compreende o planejamento e gerencia-
mento de todas as atividades envolvidas com a aquisição, conversão
e o gerenciamento logístico. Inclui principalmente a coordenação e
colaboração com os parceiros dos canais, que podem ser fornecedo-
res, intermediários, provedores de serviços terceirizados e clientes.
Em essência, o Supply Chain Management integra o gerenciamento
do suprimento e da demanda, internamente e ao longo da cadeia de
suprimentos. Logística empresarial é a parte do Supply Chain Ma-
nagement que planeja, implementa e controla o eficiente e efetivo
fluxo direto e reverso, a estocagem de bens, serviços e as informa-
ções relacionadas entre o ponto de origem e o ponto de consumo,
no sentido de satisfazer as necessidades do cliente (CSCMP, 2006
apud LEITE, 2009, p. 17).
“
A logística reversa é uma área/função bastante ampla que envolve
todas as operações relacionadas com a reutilização de produtos e
25
materiais como as atividades logísticas de coletar, desmonte e pro-
UNIDADE 1
Reprocessar
Revender Retorno ao
ciclo de Expedição Seleção Coleta
negócios
Recondicionar
Reciclar
Descarte
Descrição da Imagem: a figura representa as atividades do processo logístico reverso, que é ilustrado
por uma seta a qual aponta para a esquerda. Em cima, estão, no mesmo sentido, a coleta, a seleção e a
expedição dos materiais recolhidos, os quais podem ir, por um lado, para o descarte e, por outro, para
o retorno ao ciclo de negócios, que envolve reprocessar, revender, recondicionar e reciclar os materiais.
“
Um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracteri-
zado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados
a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor em-
presarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos
produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada
(ROBLES; LA FUENTE, 2019, p. 42).
26
Assim, a própria legislação estabelece que a logística reversa precisa ser um ins-
UNICESUMAR
trumento adequado do ponto de vista social, econômico e ambiental.
Rogers e Tibben-Lembke (1998 apud CHAVES; ALCÂNTARA; ASSUMP-
ÇÃO, 2008) elencam as atividades que são consideradas o núcleo do processo
logístico reverso, assim como é demonstrado no quadro a seguir:
Retornados ao fornecedor
Revendidos
Vendidos via Outlet
Salvados
Recondicionados
Produtos
Renovados
Remanufaturados
Recuperação de materiais
Reciclados
Aterro sanitário
Reutilização
Renovação
Embalagem
Recuperação de materiais
Reciclagem
“
[...] são constituídos pelas diversas etapas pelas quais os bens produ-
zidos são comercializados até chegar ao consumidor final, seja uma
empresa, seja uma pessoa física. A distribuição física dos bens é a
atividade que realiza a movimentação e disponibiliza esses produtos
ao consumidor final (KOTLER, 1996 apud LEITE, 2009, p. 6).
27
Ao considerar o sentido contrário, Leite (2009, p. 6) salienta que os Canais de
UNIDADE 1
“
[...] as formas e os meios em que uma parcela dos produtos com
pouco uso após a venda, com ciclo de vida útil ampliado ou após a
extinção de sua vida útil, retorna ao ciclo produtivo ou de negócios,
readquirindo valor de diversas naturezas, no mesmo mercado origi-
nal, em mercados secundários, por meio de seu reaproveitamento,
de seus componentes ou de seus materiais constituintes.
Classificação Características
28
Esses diferentes tipos de canais serão trabalhados em nossa disciplina. Você, tal-
UNICESUMAR
vez, tenha se perguntado: por que os Canais de Distribuição Reversos (CDRs)
não adquirem o mesmo destaque que os canais de distribuição tradicionais? A
resposta não poderia ser a mais simples: por razões econômicas, ou seja, a repre-
sentação monetária dos dois processos. Os CDRs movimentam valores muito
inferiores aos movimentados em canais tradicionais.
4
CUSTOS EM LOGÍSTICA
REVERSA: O
QUE AVALIAR?
29
UNIDADE 1
11,54%
Armazenagem
43,88%
Distribuição Urbana 8,79%
(curtas distâncias)
Custos Portuários
17,79%
Custos Administrativos
Outros
19,06%
Figura 4 - Distribuição percentual dos custos logísticos no Brasil / Fonte: Holanda et al.
(2020, p. 580).
Descrição da Imagem: o gráfico, que é em formato de pizza, representa a distribuição percentual dos
custos logísticos no Brasil. O maior percentual (43,88%) se refere ao transporte de longas distâncias. Assim,
o gráfico demonstra a distribuição dos custos da seguinte forma: 43,88% são voltados ao transporte de
longa distância, 19,06% são vinculados à armazenagem, 19,79% dizem respeito à distribuição urbana de
curta distância, 8,79% são relacionados aos custos portuários, 9,54% são voltados aos custos administra-
tivos e 11,54% são relacionados a outros custos logísticos.
É muito complexo ter esses custos atualizados, uma vez que os processos logís-
ticos podem ser mais ou menos custosos, dependendo da própria demanda por
produtos, das condições de infraestrutura e do aumento ou da redução da im-
portação e da exportação, por exemplo. O fato é que eles são custos significativos
nos processos organizacionais.
Devido à sua importância, várias fórmulas têm sido oferecidas, a fim de
proporcionar métricas para a apuração dos custos. Uma delas é proposta por
Faria e Costa (2007), que consideram o custo logístico total o resultado da
seguinte expressão:
CLT = CAM + CTRA + CE + CMI + CTI + CTRI + CDL + CDNS + CAD
Nessa fórmula:
CAM = Custos de Armazenagem e Movimentação de Materiais.
CTRA = Custos de Transporte (incluindo todos os modais ou operações
intermodais).
30
CE = Custos de Embalagens (utilizadas no sistema logístico).
UNICESUMAR
CMI = Custos de Manutenção de Inventários (MO, PP e PA).
CTI = Custos de Tecnologia de Informação.
CDL = Custos Decorrentes de Lotes.
CTRI = Custos Tributários (tributos não recuperáveis).
CDNS = Custos Decorrentes do Nível de Serviço.
CAD = Custos da Administração Logística.
Ainda é possível apurar o custo logístico total por meio dos seus processos, cuja
fórmula de cálculo é:
CLT = CLOGAba + CLOGPla + CLOGDis
Na qual:
CLOGAba = Custos Logísticos do Abastecimento.
CLOGPla = Custos Logísticos da Planta.
CLOGDis = Custos Logísticos de Distribuição.
31
“
1) Custos apropriados pela contabilidade: custos diretos, indiretos,
UNIDADE 1
fixos e variáveis.
Detalhemos um pouco mais cada um desses custos. No caso dos custos apro-
priados pela contabilidade, somaríamos os custos de transporte, de armaze-
nagem, de consolidação e dos sistemas de informação dos canais reversos, assim
como fazemos para os canais tradicionais.
Leite (2009) frisa que, devido às operações adicionais que os canais de dis-
tribuição reverso agregam, os custos relacionados tendem a ser maiores. Essas
atividades incluem a seleção, a separação e a redistribuição dos produtos da lo-
gística reversa. O autor destaca que o número de transações logísticas no retorno
dos produtos é de cinco a dez vezes maior, o que gera custos que são de três a
cinco vezes maiores em relação ao de envio dos produtos originais ao mercado.
Os custos relacionados à gestão, de forma semelhante aos custos da gestão
logística tradicional, são vinculados aos custos de oportunidade, irrecuperáveis,
dentre outros. Finalmente, os custos de imagem corporativa ou de marca dizem
respeito à preocupação da empresa com a sua imagem, que deve ser intocável pe-
rante a comunidade e aos seus consumidores. Especialmente na logística reversa,
a imagem está relacionada com as boas práticas de sustentabilidade empresarial.
Os custos, na logística reversa, também precisam ser avaliados sob outra pers-
pectiva: a da recuperação de valor, ou seja, o quanto a empresa pode ganhar com
os materiais retornados. A lógica é razoavelmente simples: dependendo do ponto
em que o produto for recapturado, é possível obter maior ganho – ou recuperação
de perdas, no caso de garantia – com o item. Na figura a seguir, você visualizará
como esse processo ocorre.
32
Matéria-prima Manufatura Distribuição Varejo Cliente
UNICESUMAR
Aquisição
Produto novo
Avaliação
Componentes retorno
recuperados
Remanufaturados Descarte
Mercado secundário
Descrição da Imagem: a figura descreve os pontos de recuperação de valor na cadeia de logística reversa.
Assim, há as etapas da logística tradicional, que passam pela matéria-prima, manufatura, distribuição,
varejo e cliente. Nos pontos da cadeia que representam o cliente e o varejo, após a aquisição do produto
recuperado, ele é direcionado para uma avaliação do seu destino, que pode ser o descarte, o mercado
secundário de remanufaturados ou o lançamento enquanto produto novo para uma nova distribuição.
Ele pode, ainda, ser direcionado para a recuperação de componentes que podem ser introduzidos como
matéria-prima ou para uma nova manufatura.
33
Indústria Percentagem
UNIDADE 1
Revistas 50%
Catálogos 18-36%
CD-ROM 18-25%
Impressoras 4-8%
34
UNICESUMAR
pensando juntos
A cultura do descarte está cada vez mais internalizada na sociedade. A cultura de con-
sertar um aparelho quebrado se perdeu muito com o passar do tempo. Como você se
comporta em relação à temática?
Dessa forma, para os produtos com as características expostas (alto valor e rápida depre-
ciação), o tempo de retorno é fundamental para a recuperação de valor. Nesse sentido,
os custos de retorno envolvem os custos no processo da logística reversa e a perda de
valor devido ao tempo gasto entre a sua introdução na cadeia reversa e o seu retorno ao
mercado (GARCIA, 2006).
Matematicamente, a ideia exposta seria representada da seguinte forma:
Custo de Retorno para Produtos Pós-Venda = Valor de Retorno + Custo LR
– Valor Recuperado.
Em que:
■ Valor de retorno: valor do produto no mercado, considerando o efeito de de-
preciação com o tempo.
■ Custo LR: custo da logística reversa. Envolve todo o processo necessário, a fim
de torná-lo disponível ao mercado novamente.
■ Valor Recuperado: valor que o mercado aceita pagar pelo produto retornado,
considerando a depreciação no momento de seu retorno.
35
Valor do Produto
Retornado
UNIDADE 1
$
Retorno do
Produto Tempo de
Processamento t
Custo de
Processamento
$
Retorno ao
Estoque
Remanufatura
Valor após
Remanufatura
Descrição da Imagem: há um gráfico cartesiano que mostra, no eixo X, o tempo transcorrido e, no eixo
Y, o valor do produto retornado. A reta de valor do retorno do produto é descendente, ou seja, quanto
maior é o tempo transcorrido, menor é o valor recuperado do bem.
Perceba, no gráfico, que há uma relação direta entre a variável tempo e o valor do
produto retornado para o mercado. Evidentemente, esse valor é cada vez menor
quanto maior for o tempo decorrido desde a entrada do material no processo
logístico, a sua adequação e disponibilização novamente ao mercado.
Outro fator importante a ser considerado na composição dos custos da lo-
gística reversa é o reaproveitamento do material (ou parte dele) em forma de
reciclagem. A reciclagem possibilita o ingresso de numerário para as empresas
e pode ser contabilizado como receita ambiental nas contas de resultados, nas
receitas (vendas de resíduos) e na redução de custos e despesas ambientais (re-
cuperação de resíduos).
Na atuação da logística reversa, desde o início do processo de fabricação, já
são estabelecidas algumas medidas que visam evitar ou diminuir a quantidade
de material descartável. Esse objetivo abrange algumas ações, tais como redução
dos resíduos em sua origem, reutilização dos materiais, maximizando o nível de
36
rotação, e implementação de sistemas de recuperação. Os números podem ser
UNICESUMAR
impactantes:
“
Reciclar uma tonelada de plástico economiza 130 quilos de petró-
leo; para uma tonelada de vidro, se gasta 70% menos energia do que
fabricar, e para cada tonelada de papel reciclado, poupa-se 22 árvo-
res, e consome-se 71% menos energia, além de poluir 74% menos
que fabricar o produto (IARIA, 2002 apud GARCIA, 2006, [s.p.]).
Impressionante, não é? Há, ainda, outros fatores a serem considerados. No que diz
respeito aos custos, o gestor deve decidir a modelagem logística mais adequada
para lidar com os diferentes tipos de material. Isso se deve, pois, dependendo do
tipo de material, o tempo é o fator mais importante. Para os produtos de menor
valor, o custo do retorno deve ser considerado.
Leite (2009) e Felizardo et al. (1999 apud GARCIA, 2006) expõem os fatores
essenciais para a realização de projetos de Cadeia de Distribuição Reversa (Re-
verse Supply Chain) e os principais elementos que podem modificar a estrutura
e a organização desses canais reversos:
■ Custos: ainda não são bem definidos e são de difícil avaliação.
■ Oferta: materiais reciclados, o que permite a continuidade industrial necessária.
■ Qualidade: deve ser adequada ao processo industrial e constante, a fim de ga-
rantir rendimentos operacionais economicamente competitivos.
■ Tecnologia: a tecnologia e o teor de determinada matéria-prima podem variar
em função do produto de pós-consumo utilizado, redundando em custos dife-
rentes e orientando o mercado de pós-consumo para aquele que se apresenta
mais conveniente.
■ Logística: a característica logística das matérias de pós-consumo, em particular,
a transportabilidade, tem enorme importância para a estruturação e a eficiência
dos canais reversos.
■ Mercado: é necessário que haja, quantitativa e qualitativamente, mercado para
os produtos fabricados com materiais reciclados.
■ Ecologia: novos comportamentos passam a exigir novas posições estratégicas
das empresas sobre o impacto de seus produtos e processos industriais.
■ Governo: é preciso fomentar a legislação com subsídios que afetam o interesse
da área dos materiais reciclados.
37
■ Responsabilidade social: obter a valorização social e a possibilidade de produção
UNIDADE 1
Em relação ao valor dos produtos que têm origem na logística reversa, um concei-
to com o qual você se deparará é o de Marginal Value of Time for Returns (MVT),
que, em português, significa “Valor Marginal do Tempo de Retorno”. Esse conceito
é explicado por Blackburn et al. (2004), que destacam que, em detrimento de
grande parte da perda recuperável de ativos no fluxo de retorno ser devido aos
atrasos no processamento, os administradores devem ser sensíveis ao valor do
tempo de retorno de produtos e usá-lo como uma ferramenta para o (re)desenho
da cadeia de suprimentos reversa, a fim de conquistar a recuperação de ativos.
Portanto, uma simples, mas eficaz métrica para medir o custo da demora é
o valor marginal do produto no tempo, ou seja, a perda de valor por unidade de
tempo de espera para a conclusão do processo de recuperação.
Ainda em relação à modelagem logística, basicamente, há duas alternativas
apresentadas por Garcia (2006):
1. Cadeia eficiente: desenhada para entregar o produto a baixo custo.
2. Cadeia responsiva (ágil): desenhada para dar velocidade de resposta.
Descrição da Imagem: a figura mostra uma matriz com quatro quadrantes. Assim, há duas colunas:
uma de cadeia eficiente e outra de cadeia responsiva. Também há duas linhas: uma de produto com
baixo MVT e outra de produto com alto MVT. No cruzamento entre as colunas e as linhas, temos duas
correspondências, ou seja, melhores situações: a primeira é de produto com baixo MVT em uma cadeia
eficiente e a outra é de produto com alto MVT em uma cadeia responsiva.
38
Também devemos considerar que um produto não pode entrar no processo
UNICESUMAR
de logística reversa sem uma prévia inspeção. Suponha que existem muitos
produtos a serem inspecionados: forma-se, naturalmente, uma fila para a ins-
peção, para o teste e para a destinação final que se dará ao material, assim como
a Figura 8 demonstra.
Estoque de
reposição
Reparação ou
reforma
Devolução de
produtos no Fila para Inspeção,
campo e canal inspeção, teste teste e
de retorno e disposição disposição
Componentes
salvos
~2 meses ~ 40 dias
Sucata
Figura 8 - Destinação final dos materiais da logística reversa / Fonte: Blackburn et al. (2004).
Descrição da Imagem: a figura retrata o ciclo de retorno do produto, que considera a sua introdução no
canal de retorno e o tempo decorrido na fila de inspeção até ser destinado a um fim possível, o que abran-
ge o estoque de reposição, a reparação ou reforma, o destino dos seus componentes salvos e a sucata.
39
Assim, no exemplo, temos:
UNIDADE 1
Figura 9 - Funil de retorno dos materiais no fluxo reverso / Fonte: Blackburn et al. (2004).
Descrição da Imagem: a figura ilustra um funil de retorno de materiais em um fluxo reverso. Na entrada
do funil, há o fluxo de retorno e, no final, o que resta como sucata. No corpo do funil, existem saídas.
Uma é destinada aos produtos novos que retornam ao estoque e outra é voltada aos materiais que serão
remodelados com baixo uso de conserto e manufatura. Também há outra saída, a qual é relacionada aos
componentes salvos. Em cada uma delas, há uma indicação do valor percentual recuperado no processo.
40
A figura anterior ilustra a ideia de que, se compararmos um produto retornado
UNICESUMAR
em relação ao valor do produto novo, há uma perda no valor do ativo de mais de
45% e somente 20% pode retornar enquanto produtos novos. Entretanto, con-
siderando o fato de que, se não houver nenhuma ação gerencial sobre o retorno
dos itens na cadeia reversa, o prejuízo é total, há que se considerar que a empresa
recupera valor, ou seja, tem entrada de recursos em seu caixa pelo tratamento
correto de produtos retornados.
conecte-se
Por fim, é interessante observarmos alguns apontamentos quanto aos custos da lo-
gística reversa, os quais são destacados por Leite ([2021], on-line), que afirma que:
“
Embora os custos de reaproveitamento, realizados com escala,
qualidade e com processos adequados sejam compensadores de
uma forma geral, os custos de Logística Reversa propriamente
dita, ou seja, os custos operacionais de coleta, transporte, ma-
nuseio etc. são por natureza altos, quando comparados com a
logística direta. Neste sentido, embora se saiba que alguns dos
desafios acima mencionados sejam de longo prazo, algumas
oportunidades existem, como por exemplo:
41
■ Aumento das escalas de atividades em todas as áreas das cadeias reversas de
UNIDADE 1
42
Prezado(a) aluno(a),
UNICESUMAR
As questões ambientais estão presentes no dia a dia das organizações empre-
sariais e na nossa rotina. Nosso modelo econômico é baseado em produção e em
consumo. O impacto que esse fato causa no meio ambiente é evidente e obter
um equilíbrio nessa difícil equação não é simples. Felizmente, você, eu e a maior
parte da sociedade já se despertou para a noção de que o consumo é necessário,
mas precisa ser consciente. Por outro lado, as empresas precisam entender que
os seus processos de produção estão diretamente ligados à essa conscientização.
A perda de valor econômico das instituições que falharam nas boas práticas
ambientais pode ser medida com alguns casos, tais como os da Samarco e da Vale,
que aconteceram no Brasil. No mundo, esses casos se multiplicam, assim como
o desastre da Usina de Fukushima, no Japão, em 2011 (era evitável?), o derrama-
mento de milhões de litros de óleo na costa do Alasca pelo navio Exxon Valdez,
em 1989, dentre tantos outros.
A sociedade se choca com as imagens dos desastres ambientais noticiados e
o seu reflexo nas bolsas de valores, locais em que as empresas têm ações a serem
comercializadas, é imediato. Nenhuma empresa deseja ver o seu valor no mer-
cado ser reduzido drasticamente em consequência desses impactos ambientais.
Por isso, os processos de compliance das grandes organizações já contemplam as
boas práticas de prevenção e a mitigação de riscos ambientais.
Contudo, somente isso não basta. É preciso que a sociedade fique sempre
em alerta. Saber lidar com as questões ambientais não é só uma questão de so-
brevivência empresarial, mas de sobrevivência da própria raça humana sobre o
planeta. Pense nisso!
43
na prática
1. Os governos procuram promover, por meio de suas ações, uma melhor qualidade de
vida às suas populações, especialmente àquela parcela mais vulnerável. Acredita-se
que o crescimento econômico é um caminho natural para alcançar esse objetivo.
O crescimento econômico é traduzido em maior consumo de recursos naturais. A
discussão sobre o quanto nós podemos consumir de recursos naturais sem compro-
meter a sobrevivência da humanidade foi abordada por um documento conhecido
como “Nosso Futuro Comum”.
44
na prática
I - 100 anos é o prazo estimado para que os recursos da Terra não deem mais
conta de sustentar a vida humana no planeta, de acordo com o relatório “Os
Limites do Crescimento”.
II - Thomas Malthus afirmou que, enquanto a produção de alimentos aumentaria
de forma aritmética, a população cresceria de forma geométrica.
III - Uma das conclusões do relatório “Os Limites do Crescimento” é o de que a ca-
pacidade de produção de alimentos da Terra dará conta de qualquer população
humana no planeta.
IV - Uma das propostas do relatório “Os Limites do Crescimento” é a de que os países
ricos acumulem cada vez mais riquezas, a fim de sustentar os países pobres.
a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) II e III, apenas.
d) III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.
45
na prática
3. A logística não é mais entendida apenas como um apêndice dos processos organi-
zacionais. Na verdade, a logística é compreendida como estratégica e faz a diferença
na competitividade empresarial. É uma evolução que trouxe ganhos importantes,
especialmente no tocante ao atendimento do cliente.
a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
46
na prática
Sobre a logística reversa, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
Porque
47
na prática
48
aprimore-se
ACORDO DE PARIS
Na 21ª Conferência das Partes (COP21) da UNFCCC, em Paris, foi adotado um novo
acordo com o objetivo central de fortalecer a resposta global à ameaça da mudança
do clima e de reforçar a capacidade dos países para lidar com os impactos decor-
rentes dessas mudanças.
O Acordo de Paris foi aprovado pelos 195 países Parte da UNFCCC para reduzir
emissões de gases de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentá-
vel. O compromisso ocorre no sentido de manter o aumento da temperatura média
global em bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de envidar esforços
para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
Para que comece a vigorar, necessita da ratificação de pelo menos 55 países
responsáveis por 55% das emissões de GEE. O secretário-geral da ONU, numa ce-
rimônia em Nova York, no dia 22 de abril de 2016, abriu o período para assinatura
oficial do acordo, pelos países signatários. Este período se encerrou em 21 de abril
de 2017.
Para o alcance do objetivo final do Acordo, os governos se envolveram na cons-
trução de seus próprios compromissos, a partir das chamadas Pretendidas Con-
tribuições Nacionalmente Determinadas (iNDC, na sigla em inglês). Por meio das
iNDCs, cada nação apresentou sua contribuição de redução de emissões dos gases
de efeito estufa, seguindo o que cada governo considera viável a partir do cenário
social e econômico local.
Após a aprovação pelo Congresso Nacional, o Brasil concluiu, em 12 de setembro
de 2016, o processo de ratificação do Acordo de Paris. No dia 21 de setembro, o ins-
trumento foi entregue às Nações Unidas. Com isso, as metas brasileiras deixaram
de ser pretendidas e tornaram-se compromissos oficiais. Agora, portanto, a sigla
perdeu a letra “i” (do inglês, intended) e passou a ser chamada apenas de NDC.
49
aprimore-se
50
eu recomendo!
livro
filme
A era da estupidez
Ano: 2009
Sinopse: “A era da estupidez” mostra o nível que a destruição
ambiental chegou no mundo e alerta para a responsabilidade de
cada indivíduo em impedir a anunciada catástrofe global. Mis-
turando documentário com ficção, o filme é estrelado pelo ator
indicado ao Oscar, Pete Postlethwaite, que interpreta um velho
sobrevivente no devastado mundo de 2055. Ao analisar as cenas
das muitas tragédias ambientais ocorridas no início do século 21, o personagem
se pergunta o motivo pelo qual os seres humanos não se salvaram quando ainda
tinham a chance.
51
2
CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO
REVERSOS DE
PÓS-CONSUMO
(CDR-PC)
PROFESSOR
Me. Paulo Pardo
PLANO DE ESTUDO
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • de Distribuição Reversos de Pós-
-Consumo (CDR-PC) • A descartabilidade na logística reversa • A disposição dos bens de pós-consumo
• Os objetivos econômicos da logística de pós-consumo. • A classificação dos bens de pós-consumo
e os Canais
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Compreender a classificação dos bens de pós-consumo. • Entender a dinâmica de funcionamento
dos Canais de Distribuição Reversos de Pós-Consumo (CDR-PC). • Conhecer os aspectos da descarta-
bilidade e a disposição de bens na logística reversa. • Estudar os objetivos econômicos da logística de
pós-consumo.
INTRODUÇÃO
DE DISTRIBUIÇÃO
REVERSOS DE
PÓS-CONSUMO
Perceba que, dentre os motivos listados, a maior parte é voltada aos aspectos
econômicos, seja pelo aumento da receita, seja pela recuperação de valor. A
revalorização econômica acontece quando o bem retornado no processo de
logística reversa pode ser destinado aos canais reversos alternativos. Dessa
forma, são gerados os valores chamados de “residuais”, que podem ser impor-
tantes para a companhia.
Isso acontece em virtude de, apesar de sempre imaginarmos a logística reversa
enquanto um movimento montante na cadeia de suprimentos, ou seja, como um
movimento contrário ao fornecimento, nem sempre é assim que acontece na prá-
tica. Por vezes, o bem retornado pode, de fato, ser inserido novamente no processo
54
produtivo, por exemplo, tornando-se novamente matéria-prima no processo da
UNICESUMAR
própria empresa. Nem sempre isso é possível, mas ainda há a possibilidade de
gerar receitas pela venda a outras empresas que poderiam absorver o material
como matéria-prima ou componente de seus processos.
Além disso, quando falamos da logística de pós-consumo, evidentemente,
trataremos dos materiais que são, na maioria das vezes, descartados como lixo.
Para nós, o que é considerado lixo pode ter potencial econômico. Portanto, ele-
varemos esses materiais do nível de lixo ao nível de resíduos. Não é apenas uma
mudança semântica. Trata-se de uma alteração na visão gerencial. Só chama-
remos de lixo o que, de fato, não puder ser aproveitado de alguma maneira nos
processos produtivos.
Na Unidade 1, estudamos o ciclo de vida dos produtos e constatamos que
uma classificação possível é quanto à sua durabilidade. Em outras palavras, um
produto, apesar de ser durável, em certo momento, cumpre o seu propósito ao
se tornar inútil ao usuário (você se lembra do três em um?) ou ao apresentar um
defeito após o período de garantia, cujo conserto não compensa o gasto. Soman-
do-se a esse tipo de produto, temos, ainda, as embalagens nas quais os itens foram
acondicionados e os resíduos industriais provenientes dos processos produtivos.
Assim, é constituído o cenário para a atuação de um Canal de Distribuição
Reverso de Pós-Consumo. Para fins de conceituação, usaremos a definição de
Leite (2017, p. 100), que assim classifica os Canais de Distribuição Reversos de
Bens de Pós-Consumo (CDR-PV):
“
Constituem-se nas diversas etapas de comercialização e industriali-
zação pelas quais fluem os resíduos industriais e os diferentes tipos
de utilidade ou seus materiais constituintes, até sua reintegração ao
processo produtivo, por meio de subsistemas de reuso, remanufa-
tura ou reciclagem.
Há uma similaridade global a respeito da estrutura básica dos canais reversos, ape-
sar de serem delineadas algumas especificidades em determinados países, devido às
suas legislações e às diferentes fontes de resíduos de pós-consumo (LEITE, 2017).
Para que você tenha noção da constituição dos bens de pós-consumo, recomendo
uma visita a área destinada ao lixo urbano de sua cidade. Será uma experiência
muito rica, pois você terá um verdadeiro laboratório diante de você. Trabalharemos
o assunto legal relacionado ao lixo urbano e ao descarte na Unidade 4.
55
Algumas constatações, contudo, podemos fazer desde já. A Associação Bra-
UNIDADE 2
“
Os dados revelam que, em 2018, foram geradas no Brasil 79 milhões
de toneladas, um aumento de pouco menos de 1% em relação ao
ano anterior. Desse montante, 92% (72,7 milhões) foi coletado. Por
um lado, isso significa uma alta de 1,66% em comparação a 2017: ou
seja, a coleta aumentou num ritmo um pouco maior que a geração.
Por outro, evidencia que 6,3 milhões de toneladas de resíduos não
foram recolhidas junto aos locais de geração.
56
UNICESUMAR
NORDESTE
NORTE
2017 22,4%
2017 6,5% 2018 22,0%
2018 6,6%
CENTRO SUDESTE
OESTE
2017 52,9%
2017 7,3%
2018 53,2%
2018 7,5%
SUL
2017 10,9%
2018 10,8%
Figura 1 - Panorama da coleta de RSU no Brasil por regiões / Fonte: ABRELPE (2019, p. 13).
Descrição da Imagem: a figura mostra o mapa do Brasil. Ele é dividido por regiões e, em cada uma, há
um círculo indicando o percentual da coleta de Resíduos Sólidos Urbanos, que compara o ano de 2017
com o de 2018. O Norte, em 2017, teve 6,5%, enquanto, em 2018, teve 6,6%; o Nordeste, em 2017, teve
22,4%, enquanto, em 2018, teve 22,0%; o Centro-Oeste, em 2017, teve 7,3%, enquanto, em 2018, teve 7,5%;
o Sudeste, em 2017, teve 52,9%, enquanto, em 2018, teve 53,2%; o Sul, em 2017, teve 10,9%, enquanto,
em 2018, teve 10,8%.
Há, sem dúvida, um longo caminho a ser percorrido. O fato é que todos os ma-
teriais que são classificados como bens de pós-consumo (duráveis, semiduráveis,
descartáveis ou resíduos industriais) podem ser descartados ou disponibilizados
aos consumidores, a fim de, dessa forma, dar início aos processos no CDR-PV.
Alguns fluxos possíveis, após o ingresso do item na cadeia reversa, estão ilus-
trados na Figura 2.
57
Fabricante de matérias-primas novas
UNIDADE 2
Bens de pós-consumo
Descartáveis/semiduráveis Duráveis/semiduráveis
Sobras Componentes
Intermediários (sucateiros)
Remanufatura
Indústrias de reciclagem Incineração
Descrição da Imagem: a figura retrata, por meio de caixas com etapas, o fluxo da logística reversa, o que
abrange desde o fabricante das matérias-primas novas, passando pela fabricação, até chegar ao descarte
dos produtos, dos componentes, das sobras e das peças.
58
Tipo Características Exemplos de materiais
UNICESUMAR
Metais (ferro, alumínio, co-
Foco na matéria-prima. As
bre etc.), plásticos (políme-
matérias-primas novas são
Ciclo aberto ros, tais como polietilenos
substituídas na fabricação de
e polipropilenos), vidros e
diferentes produtos.
papéis.
Quadro 1 - Características dos canais reversos de ciclo aberto e fechado / Fonte: adaptado
de Leite (2017).
Descrição da Imagem: a figura retrata dois exemplos de ciclo reverso aberto. No primeiro, são mostrados
os bens duráveis, tais como os automóveis, os navios e as pontes, dos quais se extrai o material ferroso
que comporá alguns bens, como chapas, vergalhões, barras e lingotes. No segundo exemplo, há alguns
bens, tais como embalagens, utensílios domésticos, brinquedos e computadores, dos quais se extrai
o material plástico para a criação de sacos de lixo, potes, vasos, móveis e peças mecânicas e elétricas.
59
No que diz respeito aos canais reversos de ciclo fechado, o quadro a seguir de-
UNIDADE 2
Eliminação de impu-
Óleos lubrificantes Óleos lubrificantes
rezas e acréscimo de
usados novos
aditivos
Latas de alumínio de
Extração da liga de
embalagens descar- Latas de alumínio novas
alumínio
táveis
Uma pontuação relevante que Leite (2017) faz é em relação ao equilíbrio entre o
fluxo direto e o fluxo reverso. Entendemos que o fluxo direto se dá em direção ao
mercado, enquanto o fluxo reverso é o retorno do bem após o seu ciclo de vida.
Nessa lógica, o autor destaca que há um equilíbrio quando o fluxo direto é igual ao
fluxo reverso. Podemos visualizar essa relação na Figura 4, que é exposta a seguir:
RETORNO AO
CICLO PRODUTIVO
CANAIS
DIRETOS
F(D)/F(R)
CANAIS
REVERSOS
F(D)
FLUXO DIRETO F(R) LOGÍSTICA
FLUXO REVERSA DE
REVERSO PÓS-CONSUMO
PRODUTOS DE PÓS-CONSUMO
FR = FD -> Equilíbrio -> F(R) = F(D)
FR < FD -> Poluição -> F(R) < F(D)
Figura 4 - Relação entre o fluxo direto e o fluxo reverso / Fonte: Leite (2017, p. 85).
Descrição da Imagem: a figura retrata um esquema que mostra, por intermédio de uma balança, a
busca pelo equilíbrio entre os materiais provenientes dos canais diretos e os materiais provenientes dos
canais reversos. Quando essas duas grandezas são iguais, o sistema está em equilíbrio. Por outro lado,
quando os produtos dos canais diretos são maiores que os produtos dos canais reversos, há poluição.
60
Assim como é demonstrado na Figura 4, a balança teria um equilíbrio se o fluxo
UNICESUMAR
reverso fosse igual ao fluxo reverso. Esse seria o melhor dos mundos, visto que
os materiais de pós-consumo estariam sendo integralmente reaproveitados em
novos processos produtivos. Outra situação possível é a de que fluxo direto seja
maior que o ciclo reverso. Nesse caso, há a formação de depósitos (nem sempre
adequados) de sucatas e resíduos, ocasionando, muitas vezes, poluição.
conecte-se
61
2
A DESCARTABILIDADE
UNIDADE 2
NA LOGÍSTICA REVERSA
E A DISPOSIÇÃO
DE BENS DE
PÓS-CONSUMO
Já sabemos que vários itens, os quais podemos classificar como “bens de pós-con-
sumo”, muitas vezes, são simplesmente descartados. Diante da evolução tecno-
lógica, que é cada vez mais rápida, e da filosofia da obsolescência programada
– estratégia de lançamento de produtos com obsolescência conhecida antecipa-
damente, porque o outro item já está programado para ser lançado e substituirá
o anterior – adotada por um número cada vez maior de empresas, os produtos
deixam de ser úteis aos clientes com uma velocidade espantosa.
Um bem durável, como um aparelho de TV, que, na época de nossos pais, era
praticamente para a vida toda, é rapidamente substituído por modelos mais mo-
dernos e com mais funcionalidades. A cultura do conserto de aparelhos eletroele-
trônicos está se desfazendo. Como resultado, é muito comum encontrarmos esses
tipos de aparelhos abandonados em caçambas de lixo ou em lixões a céu aberto.
conceituando
A Organização das Nações Unidas (ONU) tem sede em Nova York, nos Estados Unidos, e
é composta por 193 países-membros. Em sua composição, diversos programas são pa-
trocinados e gerenciados. Dentre eles, está o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (PNUMA).
62
Ao traçarmos um panorama do chamado “lixo eletrônico” no Brasil e no mun-
UNICESUMAR
do, os números são assustadores. Estudos realizados pelo Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostram que a China e os Estados
Unidos são os dois maiores produtores de lixo eletrônico no mundo. O mundo
todo produziu 53,6 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2019 e esses dois
países foram os responsáveis, respectivamente, por 10,1 milhões de toneladas e
6,9 milhões de toneladas. Ainda de acordo com o referido relatório:
“
[...] o mundo gerou 53,6 mega toneladas de lixo eletrônico, uma
média de 7,3 kg por pessoa. O total do lixo eletrônico gerado au-
mentou 9,2 milhões de toneladas desde 2014 e deve crescer para
74,7 milhões de toneladas em 2030. Esse crescimento corresponde
a quase o dobro em 16 anos (ONU NEWS, 2020, on-line).
63
ÁREA ABRANGÊNCIA
UNIDADE 2
Qual seria o principal foco da PRM? Parece claro, mas convém destacar que ele
está na recuperação máxima dos valores econômico e ecológico dos produtos,
componentes e materiais.
Essa é a proposta de Krikke (1998 apud DAHER; SILVA; FONSECA, 2006),
que estabelece quatro níveis em que os materiais e os produtos retornados po-
dem ser recuperados: nível de produto, módulo, partes e material. Considerando
esses níveis, a reciclagem é a recuperação ao nível de material, que é considerado
o nível mais baixo.
64
Seguindo a sua linha de raciocínio, Krikke (1998 apud DAHER; SILVA; FON-
UNICESUMAR
SECA, 2006) descreve o seguinte esquema para a recuperação de materiais:
Inspecionar Módulos/partes
todos os mó- usados e novos
Remanufatura Parte
dulos/partes e em um novo
atualizar. produto.
Algumas partes
Dependência do reutilizadas, ou-
Recuperação se-
Canibalização uso em outras tras descartadas
letiva de partes
opções de PRM. ou destinadas a
reciclagem.
Quadro 3 - Opções de PRM aplicadas aos materiais recuperados / Fonte: adaptado de Krikke
(1998 apud DAHER; SILVA; FONSECA, 2006).
Produto Remanufaturado
PRMS
INFRAESTRUTURA DE INFORMAÇÃO
66
“
O uso de tecnologia RFID, para fazer o acompanhamento, começa
UNICESUMAR
definindo em qual estágio do ciclo de vida se encontra o produto,
se está em Beginning of Life (BOL) – Começo da vida do produto,
Middle of Life (MOL) – Meia-vida do ciclo, ou End of Life (EOL)
– Fim de vida do produto. Essa definição sobre o ciclo de vida do
produto possibilita selecionar sua destinação entre as alternativas
de reúso, remanufatura ou reciclagem. Se um produto está no BOL,
provavelmente pode ser encaminhado ao reúso, bastando que seja
consertado. Se está no MOL, a destinação provável é a remanufatura,
e, em EOL, seria destinado a reciclagem.
Perceba que a decisão voltada à destinação tem relação com o estado do produto
e com o seu ciclo de vida. Entretanto, de qualquer modo, algum valor econômico
é recuperado, cumprindo, assim, a principal função da logística reversa.
3
OBJETIVOS ECONÔMICOS
DA LOGÍSTICA DE
PÓS-CONSUMO
pensando juntos
A produção de materiais que serão descartados parece natural nos atuais processos de
produção. Todavia, e se fosse possível pensar no reaproveitamento dos materiais desde
o momento de concepção/projeto do produto?
Reintrodução ao ciclo
produtivo/negócios
Objetivo estratégico
• Econômicos
• Legais
• Serviços
• Ecológicos
• Imagem
Condições essenciais Fluxo Reverso
• Logística reversa
• Custo-benefício
• Tecnologia
• Mercado de destino
Fatores modificadores
• Ecológicos
• Legais
Produtos de
pós-consumo
Figura 6 - Condições para o fluxo reverso de pós-consumo / Fonte: Leite (2017, p. 132).
Descrição da Imagem: a figura tem, ao centro, uma balança com a legenda “Fluxo reverso” e, no rodapé,
a legenda “Produtos de pós-consumo”. Apontando para essa balança, há três setas que indicam as con-
dições, os fatores e os objetivos estratégicos para a reintrodução dos itens ao ciclo de negócios.
68
Observe que diversos fatores afetam o estabelecimento dos fluxos reversos, inclusive,
UNICESUMAR
os aspectos ecológicos e legais que trabalharemos mais à frente em nossa disciplina.
No entanto, um elemento em evidência na Figura 12 é a remuneração dos
participantes do fluxo reverso. Esse, talvez, seja um dos maiores desafios, pois
garantir que os atores sejam pagos por sua atividade não é um processo simples,
especialmente se considerarmos os diversos tipos de materiais que podem ser
inseridos em um fluxo reverso.
No caso das matérias-primas, a indústria tem a possibilidade de utilização
de duas origens:
1. Matérias-primas primárias: extraídas diretamente da fonte, muitas vezes,
da própria natureza.
2. Matérias-primas secundárias: obtidas por meio de processos de logística
reversa.
A opção mais lógica, do ponto de vista econômico, sem dúvida, é utilizar a maté-
ria-prima que apresenta menor custo de aquisição. A matéria-prima secundária
será uma alternativa interessante, caso haja uma escala de fornecimento, ou seja,
a garantia de que o abastecimento não será interrompido e que os custos com-
pensam a sua adoção em substituição à matéria-prima nova. O escasseamento
da matéria-prima primária também é um fator relevante em muitos processos.
No que diz respeito à remuneração dos participantes da cadeia reversa, Leite
(2017, p. 150) destaca que:
“
Tratando-se de uma cadeia de distribuição no sentido reverso, cons-
tituída pela coleta de pós-consumo, pelos processamentos diversos
de consolidação e separação, pela reciclagem ou remanufatura in-
dustrial, pela reintegração ao ciclo produtivo ou de negócios por
meio de um produto aceito pelo mercado, torna-se necessário que
esses objetivos econômicos sejam obtidos em todas as etapas rever-
sas para a existência do fluxo reverso. A falta de ganho em um ou em
alguns dos elos da cadeia reversa provocará interrupção ou simples-
mente não haverá fluxo reverso, resultando em desequilíbrios entre
os fluxos diretos e reversos e suas consequências, já examinadas.
conecte-se
“
mantendo constantes os demais fatores, a demanda por reciclados é
função dos preços de mercado [...] Historicamente, o desempenho
dos sistemas de canais reversos para pós-consumo recicláveis tem
sido impedido pelos altos custos, pobres lucros projetados.
70
Etapa de coleta Etapa do sucateiro Etapa de reciclagem
UNICESUMAR
Custo de coleta = custo de Custo do sucateiro = custo de Custo da reciclagem = custo
posse + custo de aquisição da etapa da coleta + de aquisição da etapa do
beneficiamento inicial custo próprio sucateiro + custo próprio
Preço de venda ao sucateiro = Preço de venda do sucateiro = Preço de venda do reciclador
custo de coleta + lucro do custo do sucateiro + lucro do = custo da reciclagem + lucro
coletor sucateiro do reciclador
Descrição da Imagem: a figura retrata, por intermédio de caixas, as três etapas de formação dos preços
dos materiais recuperados de pós-consumo. Na primeira caixa, há a etapa de coleta. Na segunda, há a
etapa do sucateiro e, na terceira etapa, está a reciclagem.
conecte-se
71
Prezado(a) aluno(a),
UNIDADE 2
72
na prática
a) I e II, apenas
b) II e III, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e IV, apenas.
e) I, III e IV, apenas.
73
na prática
a) I e II, apenas
b) III e IV, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.
74
na prática
a) I e II, apenas.
b) III e IV, apenas.
c) I, II e III, apenas.
d) I, II e IV, apenas.
e) I, III e IV, apenas.
75
na prática
No que diz respeito aos CDR-PC, analise as asserções a seguir e a relação proposta
entre elas:
PORQUE
II. Não é possível, no CDR-PC, que o material recuperado tenha outro destino que
não seja o retorno ao seu ponto de origem.
76
aprimore-se
As empresas têm assumido, no Brasil, de forma cada vez mais ativa, em todas as
suas instâncias, o seu papel no processo de logística reversa. Não podemos afirmar
que esse ato já se tornou uma prática empresarial consolidada no país, mas é ine-
gável que houve avanços. Talvez, você se pergunte o motivo pelo qual um número
maior de empresas não se engaja nesse processo.
A resposta para a pergunta exposta é uma combinação de fatores. Primeiramen-
te, precisamos fazer uma constatação: a maioria das empresas, no Brasil, é consti-
tuída por micro e pequenas empresas. Essa característica já traz um desafio, afinal,
para o micro e pequeno empreendedor, estabelecer-se e se manter no mercado já
é uma tarefa complexa, não é verdade? Além disso, uma parcela importante desses
empreendedores não tem a formação necessária para a sua atividade no que se
refere aos aspectos de gestão: podem ser excelentes profissionais, mas gerir um
negócio vai além da capacidade de “colocar a mão na massa”. É preciso entender
os aspectos gerenciais, contábeis, financeiros e tributários. O número expressivo
de pequenos negócios que morrem nos primeiros anos de funcionamento é uma
prova que ainda faltam muitas competências aos empreendedores (apesar de não
lhes faltar vontade).
Outro aspecto que consideramos oportuno é a própria questão tributária da lo-
gística reversa, que se torna um obstáculo quanto tributa novamente os processos
de recuperação de materiais. Há várias propostas para mudar esse cenário, mas
não avançamos com a velocidade que essa demanda exige.
Teremos que esperar e acompanhar com interesse os desdobramentos das con-
dições negociais no Brasil, tanto no que se refere a uma melhor preparação dos
empreendedores quanto em relação à questão fiscal em um país onde a carga tri-
butária é elevada e de apuração complexa.
Fonte: o autor.
77
eu recomendo!
livro
78
eu recomendo!
filme
A conspiração da lâmpada
Ano: 2010
Sinopse: a história não contada sobre a obsolescência plane-
jada: a algum tempo atrás, os bens de consumo eram cons-
truídos para durar. No entanto, em 1920, um grupo de em-
presários percebeu que, quanto mais tempo durasse o seu
produto, menos dinheiro eles fariam. Assim nasceu a obsoles-
cência planejada e os produtos começaram a falhar desde então.
Comentário: documentário imperdível. Vivemos nesse mundo e nos inserimos na
sociedade, às vezes, sem pensar no modo como somos manipulados pelo status
quo. Para quem é mais novo, então, a situação se torna mais complicada. Para a
minha geração ou a dos meus pais, adquirir produtos com alta durabilidade era
comum. Em contrapartida, sem percebermos, hoje, vivemos a era do descartável.
Há os lados da economia e do capitalismo, mas essa era precisa ser tão selvagem,
a ponto de perdermos nossos valores mais importantes? O mundo é grande o
suficiente para satisfazer às necessidades de todos, mas sempre será pequeno
demais para satisfazer à ganância individual
79
3
CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO
REVERSOS
PÓS-VENDA
(CDR-PV)
PROFESSOR
Me. Paulo Pardo
PLANO DE ESTUDO
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Canais de Distribuição Reversos de
Pós-Venda (CDR-PV) • Objetivos estratégicos da logística reversa de pós-venda • Seleção e destinação
dos produtos em devolução • Mercados secundários para os produtos de pós-venda
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Compreender a formatação dos canais reversos de pós-venda. • Estudar os objetivos estratégicos da
logística reversa de pós-venda. • Conhecer a forma de seleção e destinação dos produtos em devolução.
• Descrever a dinâmica dos mercados secundários de produtos de pós-venda.
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a),
Na Unidade 2, consideramos o canal reverso de pós-consumo. Diante
disso, você foi apresentado a um dos maiores desafios empresariais e lo-
gísticos das últimas décadas: os materiais de pós-consumo, que crescem
cada vez mais em relação ao volume e à diversificação. No entanto, não há
apenas esse enorme desafio. Nesta unidade, constataremos que também
devemos considerar outro tipo de item: os materiais oriundos da logística
reversa de pós-venda.
Ao contrário dos materiais de pós-consumo, que são naturalmente des-
cartados, os materiais de pós-venda seguem outro fluxo, ou seja, carregam
outra lógica de tratamento. Nesse caso, também estão envolvidos alguns
aspectos legais e relevantes, especialmente aqueles relacionados aos direi-
tos do consumidor. Além disso, a empresa fornecedora deseja preservar a
sua imagem perante o público comprador, o que exige o oferecimento de
garantia dos seus produtos.
Dessa forma, nesta unidade, consideraremos a formatação dos canais
reversos de pós-venda, os objetivos estratégicos da logística reversa de pós-
-venda, a seleção e a destinação dos produtos em devolução e as oportuni-
dades em mercados secundários para os produtos de pós-venda.
Aqui, também se aplica a máxima de que, assim como é em todo de-
safio, há a possibilidade de surgimento de oportunidades interessantes.
Atente-se a elas à medida que estudar o conteúdo proposto! Bons estudos!
1
CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO
UNIDADE 3
REVERSOS DE
PÓS-VENDA
(CDR-PV)
82
Para a rede de varejo, é importante ter o produto para a venda a um preço
UNICESUMAR
competitivo. Também é viável estabelecer parcerias, realizar investimentos em
mídia, fazer um treinamento quanto a sua força de vendas pela indústria e ter
flexibilidade de entregas, a fim de atender as demandas que não são previstas.
A expectativa da rede é completa quando a indústria oferece assistência técnica
aos clientes, tem um Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), a fim de sanar as
dúvidas sobre as operações dos produtos, recebe os produtos devolvidos pelos
clientes que se arrependem da compra dentro do prazo legal ou até mesmo em
detrimento de um grande interesse comercial.
Embora sejam cada vez mais raros, há casos em que os despachos da indústria
aos distribuidores são efetuados de forma incorreta quanto às especificações do
pedido em termos de quantidade, modelos e cores, por exemplo. Nesse caso, é
esperado que não haja dificuldade em relação ao retorno desses produtos à in-
dústria. Estabelece-se, assim, um fluxo reverso de produtos de pouco ou nenhum
uso, em bom estado ou com defeitos de fabricação, que forma o que se entende
por logística reversa de pós-venda.
Para Leite (2017, p. 276), a logística reversa de pós-venda pode ser enten-
dida como:
“
A área específica de atuação da logística reversa que se ocupa do
planejamento, da operação e do controle do fluxo físico e das infor-
mações logísticas correspondentes de bens de pós-venda, sem uso
ou com pouco uso, que por diferentes motivos retornam pelos elos
da cadeia de distribuição direta. [...] os produtos denominados de
pós-venda em seu retorno entrarão nos canais reversos pelos canais
diretos, mas poderão ser dirigidos para canais de pós-consumo após
selecionados os seus destinos. Seu objetivo estratégico é agregar va-
lor a um produto logístico devolvido por razões comerciais, erros no
processamento de pedidos, garantia dada pelo fabricante, defeitos
ou falhas de funcionamento do produto, avarias no transporte, entre
outros. Esse fluxo de retorno se estabelecerá entre os diversos elos
da cadeia de distribuição direta, dependendo do objetivo estratégico
ou do motivo do retorno.
83
Diante da explicação exposta, é evidente que o objetivo da logística reversa de
UNIDADE 3
“
A logística reversa de pós-venda busca agregar valor a produtos
devolvidos pelos consumidores. Por agregar valor entendemos o
processo de valorização do produto descartado, que passa a ter valor
comercial, mesmo que não na forma original de comercialização.
São exemplos: devolução de produtos com defeitos, devolução de
produtos após comunicações de venda irreais ou em razão de reda-
ção pouco clara dos manuais de funcionamento. Além desses casos,
há os bens comercializados em consignação, o retorno de pontas
de estoque (sobras de estação, introdução de novos modelos) para
comercialização de produtos novos.
84
UNICESUMAR
Cadeia de
Logística reversa distribuição direta Logística de
de pós-consumo pós-venda
• Imagem corporativa
• Competitividade
• Redução de custos
Figura 1 - Agregando valor por meio da logística reversa / Fonte: Leite (2009, p. 188).
Descrição da Imagem: a figura mostra um esquema representado por caixas. Ele indica o modo como os
serviços da logística reversa de pós-consumo e da logística reversa de pós-venda impactam positivamente
a imagem corporativa, a competitividade e a redução de custos nas organizações.
85
Já sabemos que são várias as possibilidades de destinação dos produtos retor-
UNIDADE 3
Remanufatura Fabricante
Fluxo de retorno
Desmanche
Seleção e destino
Reparo ou consertos Distribuidor
Fases reversas
Consolidação
Retorno ao Varejo
consumidor final
Coletas
Consumidor
PRODUTOS DE PÓS-VENDA
Descrição da Imagem: a figura retrata, por meio de caixas que representam etapas, o fluxo de retorno dos
produtos de pós-venda. O fluxo tem início com a coleta e finaliza nas possíveis destinações dos materiais.
86
BENS DE PÓS-VENDA
UNICESUMAR
Comerciais Garantia/qualidade Substituição de componentes
Retorno ao Manufatura
ciclo de Disposição Remanufatura reversa/desmanche
negócios final de produtos
Reciclagem
Descrição da Imagem: a figura retrata, por meio de caixas que representam etapas, os possíveis desti-
nos dos bens de pós-venda, que podem ser de origem comercial, para a garantia da qualidade e para a
substituição de componentes. Os possíveis destinos finais são o mercado primário de bens, o mercado
secundário de bens, o mercado secundário de componentes e o mercado secundário de matérias-primas.
A Figura 3 demonstra que pode haver vários motivos para a devolução dos pro-
dutos classificados como “pós-venda”. Essas justificativas foram agrupadas nas
seguintes categorias:
■ Comerciais: os produtos foram devolvidos por interesse comercial, em
detrimento do interesse de manter/estreitar os laços entre parceiros, tais
como indústria e varejo.
■ Garantia/qualidade: agrupa os produtos que apresentaram alguma dis-
função em seu funcionamento.
■ Substituição de componentes: acontece no momento em que há a subs-
tituição de um ou mais componentes dos produtos. Dessa forma, é
concedida uma extensão à vida útil do produto, que é vendido em canais
reversos de remanufaturados.
87
Uma visão muito próxima ao esquema apresentado por Leite (2017) é a que vin-
UNIDADE 3
88
Retorno de produtos
UNICESUMAR
Origem Causas Destinação
Quadro 2 - Destinação dos produtos de pós-venda de acordo com a sua etapa na cadeia de
suprimentos / Fonte: Robles e La Fuente (2019, p. 109-110).
89
No Quadro 2, é perceptível que até mesmo uma matéria-prima pode ser conside-
UNIDADE 3
“
Embora não possa cobrir os custos decorrentes de produtos não
vendidos, o gerenciamento do processo de logística reversa pode
ter resultados significativos. A importância econômica da logística
reversa deve-se à oportunidade de recuperação de parte do valor
empregado no processo de produção, proporcionando economias
de custo.
90
UNICESUMAR
Coleta e
Destinações, Classificação consolidação
disposições Coleta nos Cliente
e tomada de dos produtos devolve o
dos pontos de
decisão de em locais produto
produtos dedicados venda
disposição
(CDs)
Informação de devolução
Fluxo de produtos ao centro de distribuição
Fluxo de informações (CD)
Descrição da Imagem: a figura mostra um fluxo que contém caixas e setas. Elas partem do cliente, que
devolve o produto até a disposição final. Na primeira caixa, a legenda é: “Cliente devolve o produto”. Na
caixa seguinte, a legenda é: “Coleta nos pontos de venda”. Em seguida, há uma caixa com a legenda: “Co-
leta e consolidação dos produtos em locais dedicados (CDs)”. Na penúltima, a legenda é: “Classificação
e tomada de decisão de disposição” e, na última, está escrito: “Destinações, disposições dos produtos”.
Embaixo de todas, há uma caixa com a legenda: “Informação de devolução ao centro de distribuição (CD)”.
Ela está ligada na primeira e na penúltima caixa.
91
2
OBJETIVOS ESTRATÉGICOS
UNIDADE 3
DA LOGÍSTICA
REVERSA DE
PÓS-VENDA
Já temos ciência de que as empresas que instituem canais reversos o fazem por
diversas exigências, sejam elas comerciais, legais ou ecológicas. Evidentemente,
esse fato produz algumas vantagens diretas e indiretas. Enquanto vantagem di-
reta, podemos citar a recuperação econômica no processo logístico reverso. Por
outro lado, enquanto vantagem indireta, há ganhos de imagem às organizações.
Detalharemos ainda mais, a partir de agora, o que incentiva as ações da logís-
tica reversa, especialmente as de pós-venda. Qualquer empresa precisa se posicio-
nar estrategicamente para ganhar competitividade. Assim, a adoção da logística
reversa deve fazer parte dessa estratégia.
Leite (2009) explica uma forma de entendermos como essa estratégia se aplica
na prática, ao classificá-la por objetivos. O primeiro objetivo seria o econômico, o
segundo seria a competitividade, o terceiro seria a competitividade pela prestação
de serviços pós-venda e o quarto seria o objetivo legal do retorno de produtos
de pós-venda.
92
Objetivo econômico no fluxo reverso de pós-venda
UNICESUMAR
Já compreendemos que os canais reversos visam à recuperação econômica de
valor nos materiais de pós-venda. Agora, precisamos entender como isso acon-
tece. Primeiramente, é preciso ter em mente que o fator tempo é fundamental
no processo. Já sabemos que, no canal de retorno, quanto mais tempo se passa,
menos valor é possível recuperar.
No Quadro 3, podemos visualizar as três possíveis destinações aos produtos
de pós-venda.
DESTINO DETALHAMENTO
93
Fabricante Varejo Consumidor
1 2 3 4 5 6 1 3 4 5 6 7 8 9 10
Fabricante Varejo Consumidor
UNIDADE 3
1 2 3 4 5 6 1 3 4 5 6 7 8 9 10
Pós-venda 35 Retorno
Retorno devido a erros
devido de separação de pedido
a defeitos
6 Retorno devido a políticas de garantia
4 Retorno devido a danos de transporte
7 Recall
Pós-venda 5 Retorno devido a erros de separação de pedido
8 Retorno referente ao fim do ciclo de vida do produto
Pós-consumo 69 Retorno devido
Questões legais a políticas de garantia
de descarte
710 Recall
Questões ambientais de eliminação e destinação
Figura 5 - Origens e destinos dos produtos da logística reversa / Fonte: Oliveira e Sousa
(2014, p. 69).
Descrição da Imagem: a figura descreve um fluxo de fornecimento que abrange o fabricante, passa
pelo varejo e chega até o consumidor final. Além disso, indica, por intermédio de números e caixas, os
possíveis destinos relacionados aos motivos que acionaram a logística reversa em cada etapa do processo
de distribuição do bem.
Perceba, na Figura 5, que as origens dos produtos estão relacionadas com a posi-
ção que o produto se encontra no ciclo de vida. As destinações podem ser equi-
valentes, independentemente das origens.
No que diz respeito aos objetivos econômicos, a relação estabelecida entre
parceiros é um destaque importante. Diversos formatos de parceria são possíveis,
tais como os destacados a seguir:
94
1. Contrato de parceria que prevê a compra de produtos remanescentes pelo
UNICESUMAR
fornecedor: ocorre quando o fornecedor garante a recompra de produtos
remanescentes no estoque do distribuidor a um preço maior que o custo
residual das mercadorias.
2. Contrato de flexibilidade nas quantidades: possibilita que o comprador
altere as quantidades dos produtos a serem adquiridos, em detrimento
das oscilações de demanda, porém não garante a recompra ou devolução.
3. Contrato de gerenciamento do estoque do cliente, também conhecido
como Vendor Managed Inventories (VMI): o gerenciamento do estoque
do cliente é feito pelo fornecedor, a fim de evitar faltas ou excessos (LEI-
TE, 2017).
95
são estratégias adotadas por algumas empresas. Alguns negócios americanos
UNIDADE 3
Ecologia 19,3%
96
UNICESUMAR
Aparelho com defeito
Centros de assistência técnica
Cliente ou operadora (seleção por nível de defeitos e
de comunicação
distribuição eventual a outros centros)
Retorno ao consumidor
Defeitos complexos
Centros de reparos
Fabricante
especializados (laboratório)
Descrição da Imagem: a figura retrata o processo de serviço de pós-venda. Ele tem início com a comu-
nicação do defeito do aparelho, passa pelos centros de assistência e chega até o fabricante, que tem
centros especializados de reparos.
97
UNIDADE 3
pensando juntos
O Serviço de Atendimento ao Cliente e/ou Consumidor (SAC) tem sido adotado por em-
presas de diversos segmentos. A ideia é que o cliente tenha um mecanismo para acionar
os canais responsáveis por dar informações ou solucionar os problemas que os consumi-
dores possam ter. Em sua opinião, o SAC está cumprindo esse propósito?
98
“
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
UNICESUMAR
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados
por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados
perigosos ou nocivos;
IX - (Vetado);
99
Outro artigo que merece destaque é o Art. 8º, que preconiza:
UNIDADE 3
“
Art. 8° Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo
não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores, ex-
ceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua
natureza e fruição, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hi-
pótese, a dar as informações necessárias e adequadas a seu respeito.
conecte-se
100
3
SELEÇÃO E DESTINAÇÃO
UNICESUMAR
DOS PRODUTOS
EM DEVOLUÇÃO
101
DESTINAÇÃO DETALHAMENTO
UNIDADE 3
102
Não havendo outra solução para agregar valor de qual-
UNICESUMAR
quer natureza ao produto retornado, às suas partes
Disposição final ou aos materiais constituintes, eles são destinados aos
aterros sanitários ou ao processo de incineração, de-
pendendo das peculiaridades de cada país ou região.
4
MERCADOS SECUNDÁRIOS
PARA OS
PRODUTOS DE
PÓS-VENDA
muito uso, mas que ainda são funcionais, e itens não-funcionais, mas que carregam
valor em detrimento de seus componentes ou materiais constituintes.
Os negociadores do mercado secundário adquirem os seus materiais e itens de
diversas maneiras: uma possibilidade é adquirir restos de processos de produção junto
às indústrias. O varejo também pode ser fonte de materiais, quando disponibiliza
excessos de estoque, produtos fora de estação e itens obsoletos. As seguradoras tam-
bém são fonte para os negociadores, que adquirem produtos resgatados de acidentes.
As empresas interessadas em formar um canal reverso podem se valer desses
negociantes para destinar os seus materiais recuperados. Grandes organizações
preparam lotes com características definidas, a fim de serem comercializados por
venda direta, leilões virtuais (ou presenciais) ou intermediadores.
Alguns cuidados devem ser tomados nesse mercado. Por exemplo, o mercado
de peças usadas para automóveis no Brasil é muito aquecido, assim como pode ser
observado em qualquer cidade de porte médio ou grande nas lojas especializadas.
Contudo, vale destacar que alguns estados brasileiros, com o objetivo de coibir
o mercado ilegal de peças, estabeleceram algumas exigências para essas lojas,
como é o caso do estado de São Paulo, que tem a Lei nº 15.276, de 02 de janeiro
de 2014, a qual preconiza, em seu Artigo 1º, inciso III § 1, que os “[...] veículos
em fim de vida útil definidos nos incisos I a III deste artigo somente poderão ser
destinados aos estabelecimentos credenciados pelo DETRAN-SP, nos termos do
artigo 2º desta lei” (SÃO PAULO, 2014, p. 1).
A Lei nº 15.276/2014 do estado de São Paulo também disciplina mais detalha-
damente o credenciamento obrigatório das empresas que comprarão os veículos
para fins de obtenção de partes ou peças. Outros estados têm uma legislação
semelhante. Tanto o consumidor quanto o lojista têm a obrigação de zelar pela
transparência durante o processo de compra e venda desses produtos.
Já no que diz respeito ao mercado de veículos usados, historicamente, o Brasil
sempre teve números muito expressivos. Isso talvez seja decorrente do fato de que
os veículos novos eram inacessíveis a uma parcela importante da população. Se
analisarmos os dias atuais, os veículos nacionais são muito caros em relação aos
similares vendidos em outros países, mesmo os ditos “carros populares”. Apesar
de haver um aumento nas vendas em consequência da facilitação do crédito, o
mercado de usados, mesmo com oscilações pontuais, ainda é muito forte.
De acordo com as associações de classe do setor automotivo e as revistas es-
pecializadas do setor, o mercado de usados é cerca quatro vezes maior do que o de
104
carros novos. Em outras palavras, para cada carro novo vendido, quatro veículos
UNICESUMAR
usados trocam de proprietário. Aliás, a facilidade de revenda é um dos fatores de
atração dos consumidores até para comprar um carro novo.
Outro mercado existente no Brasil e, muitas vezes, não reconhecido com a de-
vida sua importância é o chamado “ferro velho”. A presença desse tipo de empresa
nas cidades é uma realidade marcante. As pessoas, em geral, ignoram essa atividade,
mas, para se ter ideia de sua pujança, saiba que, no Brasil, são produzidas mais de 35
milhões de toneladas de aço todos os anos. Estima-se que nove milhões de toneladas,
ou seja, cerca de 26% de toda a produção, é proveniente de sucatas. Evidentemente,
essa atividade tem problemas e o mais grave é o ambiental. Sucatas a céu aberto são
um criadouro natural para o mosquito da dengue e para a proliferação de insetos e
roedores. Todavia, se bem cuidadas, são uma importante fonte de renda.
Também é interessante observar a representatividade dos mercados secun-
dários brasileiros, se comparados aos países em que a prática é consolidada. Para
fins ilustrativos, analise, na Figura 7, uma comparação entre o mercado no Brasil
e nos Estados Unidos.
Representatividade dos Mercados (2012)
3% 1%
4% Intermediários
4%
10% Leilões
11%
8% Mercado de pulgas
Multimarcas
10% 39% Lojas de 1,99
19%
Outlets
8%
Penhor
53%
3% Caridade
27%
Figura 7 - Potencial de mercados da logística reversa no Brasil e nos EUA / Fonte: Oliveira
e Souza (2014, p. 72).
Descrição da Imagem: a figura retrata o potencial dos mercados da logística reversa, ao comparar os
percentuais dos Estados Unidos em um círculo e os percentuais do Brasil em outro. Nos Estados Unidos,
o mercado de intermediários é bem maior que no Brasil, que, por sua vez, tem um mercado de leilões
bem maior que o norte-americano.
105
A figura comprova o grande potencial de aumento dos mercados para os produ-
UNIDADE 3
conceituando
Mercado de pulgas: derivado de uma prática francesa de bazar a céu aberto de roupas
usadas (que, muitas vezes, vinham com um “mimo” de infestação de pulgas), esse tipo de
venda de usados em feiras e em estabelecimentos se popularizou nos Estados Unidos e,
especialmente, no Sul do Brasil. Trocam-se roupas, brinquedos, gibis, materiais escolares
e figurinhas, por exemplo. Muitas crianças gostam de fazer isso nos Estados Unidos nas
famosas “vendas de garagem”, que estimula o desapego e a não acumulação de bens.
“
A tradução para um equipamento considerado refurbished aproxi-
ma-se da ideia de recondicionado ou renovado. Há interpretações
de que pejorativamente poderia ser traduzido como “maquiado” ou
“lustrado”. Trata-se de um procedimento de readequação e reapro-
veitamento de itens eletrônicos, praticado por várias empresas que
fabricam ou montam eletrônicos.
106
Existem dois tipos de procedimento refurbished, denominados in-
UNICESUMAR
company e return to company. O primeiro tipo ocorre ainda no
processo de montagem, quando são detectados problemas de co-
locação de hardware que desqualificam as máquinas segundo os
padrões de qualidade ISO, estabelecidos pela indústria da infor-
mática. Diante da desqualificação, tais equipamentos são retirados
da linha de montagem e passam por uma minuciosa revisão com
técnicos altamente capacitados, sendo ajustados ao mesmo padrão
que os demais inicialmente aprovados pelo controle de qualidade.
107
Nesta unidade, trabalhamos assunto extremamente importante para as empresas:
UNIDADE 3
108
na prática
PORQUE
II. Nenhuma empresa pode garantir que os seus produtos não apresentarão defeitos
de fabricação.
109
na prática
No que diz respeito aos focos de atuação dos canais reversos de pós-consumo e de
pós-venda, leia as afirmativas a seguir:
a) I e II.
b) III e IV.
c) I, II e III.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
110
na prática
a) I e II.
b) III e IV.
c) I, II e III.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
111
na prática
a) I e II.
b) III e IV.
c) II e III.
d) I, II e IV.
e) I, III e IV.
112
na prática
a) I e II.
b) III e IV.
c) I, II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
113
aprimore-se
Para você ter ideia do tamanho desse mercado, somente entre 2008 e 2018, 28,6 mi-
lhões de automóveis e 13,7 milhões de motocicletas foram acrescentados à frota de
veículos no país. Isso significa que a grande maioria desses veículos estão rodando
e boa parte não estão mais sob a tutela de seus compradores originais.
Fonte: o autor.
114
eu recomendo!
livro
filme
Efeito Reciclagem
Ano: 2012
Sinopse: do universo informal da reciclagem, muitas vezes, visto
como o limite da sociedade, surgiu a tocante história do senhor
Claudinei e da sua família. O filme revela o cotidiano das pessoas
que fazem dos materiais recicláveis o seu sustento e meio de
integração social. Responsável por uma família com mais de 25
filhos, senhor Claudinei rotineiramente vai até o bairro Santa Efi-
gênia, no centro da cidade, em sua Kombi verde-limão, e coleta materiais que po-
dem ser vendidos em depósitos de recicláveis. Por ser frequentador do bairro há
mais de cinco anos, senhor Claudinei é conhecido por boa parte dos comerciantes
e habitantes da região, que, muitas vezes, entregam-lhe não apenas papelão ou
plástico, mas também peças velhas de computadores, as quais, posteriormente,
são “recicladas” – remontadas e vendidas.
Comentário: senhor Claudinei e a sua família mostram que estimular a recicla-
gem é mais do que uma simples atitude comercial: é um modo de vida digno e
responsável.
115
4
QUESTÕES LEGAIS,
ECONÔMICAS E AMBIENTAIS
EM PÓS-CONSUMO
E EM PÓS-VENDA
PROFESSOR
Me. Paulo Pardo
PLANO DE ESTUDO
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • O fator legal como motivador
da logística reversa • Tendências regulatórias nas questões ambientais • A legislação internacional
relacionada aos aspectos ambientais • A legislação ambiental e o seu impacto na logística reversa • As
bases para a economia circular: uma nova fronteira para o consumo.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Compreender as implicações da legislação voltada à logística reversa. • Avaliar o cenário regulatório para
as questões ambientais. • Conhecer a legislação internacional relacionada aos aspectos ambientais. •
Descrever os impactos da legislação ambiental sobre a logística reversa. • Apresentar os conceitos pre-
liminares da economia circular enquanto fator relevante para a sustentabilidade.
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a),
Até o momento, estudamos os imperativos da logística reversa que fo-
ram provocados por movimentos sociais e ambientais. Essas articulações,
por sua vez, tiveram desdobramentos mediante a imposição de legislações
específicas e relacionadas ao tratamento dos impactos provocados pelas
atividades empresariais e pelos seus produtos.
A legislação é pertinente em nossos estudos e deve receber a sua devida
atenção, pois um gestor não pode alegar ignorância quanto à aplicação das
leis que regulamentam a sua atividade, ao mesmo tempo em que as sanções
previstas em muitos códigos legais são significativas e podem comprometer
seriamente a estabilidade financeira da empresa.
O objetivo desta unidade é considerar os aspectos legais da logística
reversa. Para tanto, entenderemos as principais leis e regulamentos do se-
tor, além de compreendermos o cenário que está sendo desenhado para o
futuro. Espero que você se mantenha atualizado sobre essa temática, uma
vez que, a qualquer momento, em esferas diferentes do poder, é possível
que uma norma seja editada e afete diretamente a sua atividade, podendo,
inclusive, inviabilizar o seu empreendimento. Atentar-se aos sites, às pu-
blicações e às reportagens que veiculam esse tema deve fazer parte de sua
agenda enquanto gestor.
As empresas mais bem estruturadas, geralmente, de porte médio ou
grande, têm consultorias jurídicas que lhes auxiliam em suas questões legais
e, por conseguinte, conseguem atuar com mais assertividade e preventiva-
mente. As micro e pequenas empresas, por outro lado, mesmo não tendo
essa facilidade, não devem acreditar que estão isentas de responsabilidade.
Uma recomendação é que você pesquise o teor completo da legislação
que trabalharemos nesta unidade. Isso se deve, pois a legislação é extensa
e não é possível e nem o nosso propósito reproduzi-la em um material de
graduação. Contudo, estudar ou, ao menos, tomar conhecimento desse
arcabouço legal é muito importante. Bons estudos!
1
O FATOR LEGAL COMO
UNIDADE 4
MOTIVADOR DA
LOGÍSTICA REVERSA
118
Na maioria dos países democráticos do mundo, a legislação ambiental pas-
UNICESUMAR
sou a regulamentar as relações dos agentes de mercado, ao estimular as ações de
tratamento, descarte e destinação dos produtos. Não só, mas também passou a
exercer coerção contra aqueles que não se adequarem ao que são consideradas
boas práticas socioambientais.
Um dos grandes avanços da legislação em âmbito mundial (caso que não é
diferente no Brasil) é a imposição de pagamento do ônus dos impactos ambientais
aos seus causadores, o que ficou conhecido como “princípio do poluidor-paga-
dor”. Essa ação parece mais justa do que impor o ônus à sociedade inteira, quando
o benefício pela atividade produtiva em forma de lucro ficou restrito a poucos.
Assim, quem tem o bônus do lucro e o usufruto do bem ou serviço (inclusive, o
consumidor) também deve arcar com o ônus ambiental provocado.
Quando o governo intervém nas atividades produtivas, algumas consequên-
cias lógicas podem ser percebidas. Dentre elas, estão as ações das empresas com
o objetivo de evitar punições. Assim, projetos de tratamento são colocados em
prática para tratar os materiais ou os grupos de produtos de pós-consumo. Geral-
mente, nesses casos, são criadas oportunidades de negócio para os agentes pres-
tadores de serviço, os quais, em parceria com indústrias e distribuidores, passam
a fazer parte da cadeia reversa e assumem tarefas que não são economicamente
ou administrativamente viáveis aos outros participantes.
O procedimento mais indicado para as organizações é o de que se antecipem
às eventuais legislações que, porventura, estejam em estudo pelos órgãos gover-
namentais. Ainda no que diz respeito ao impacto da legislação sobre as atividades
empresariais, Leite (2009, p. 138) explica que:
“
A revalorização legal dos bens de pós-consumo, operacionaliza-
da pela logística reversa, é entendida como o equacionamento das
condições dos canais reversos, de modo que se garanta o retorno
ao ciclo produtivo ou de negócios dos bens em fim de vida e obe-
decendo às leis vigentes. Empresas fabricantes de produtos que, de
alguma maneira, impactem negativamente o meio ambiente serão
certamente afetadas por legislações que de algum modo restrinjam
suas operações, contabilizando novos custos de origem ecológica
aos seus produtos, em cumprimento às novas legislações.
119
Considerando o ambiente extremamente mutável em que as organizações estão
UNIDADE 4
“
[...] qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que
vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que
o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente
e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo compro-
vada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência
(BRASIL, 1988, on-line, grifo nosso).
“
Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concor-
rentemente sobre:
[...]
120
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do
UNICESUMAR
solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle
da poluição;
[...]
“
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho
humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos exis-
tência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os
seguintes princípios:
“
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equi-
librado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade
de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRA-
SIL, 1988, on-line).
121
Perceba que, no Art. 225, é possível extrair a filosofia expressa no próprio conceito
UNIDADE 4
2
TENDÊNCIAS REGULATÓRIAS
NAS QUESTÕES
AMBIENTAIS
UNICESUMAR
tecnológica, que promove ciclos de vida dos produtos cada vez menores, levam
à produção crescente de materiais que, em um curto período de tempo (às vezes,
poucos minutos), são jogados fora.
Leite (2009) salienta que a tendência é que a responsabilidade seja atribuída aos
fabricantes, direta ou indiretamente. A legislação se volta a regulamentar a reciclagem
e o reaproveitamento dos materiais, a promover proibições de destinação indevidas
dos inservíveis e a incentivar o cuidado com as embalagens e a estruturação de canais
reversos. Essa regulamentação vem ao encontro do princípio de Extensão da Respon-
sabilidade do Produtor ou Extended Producer Responsability (EPR).
conceituando
Sobre o EPR, Lopes (2011 apud LUZ; BOOSTEL, 2018, p. 127) explana:
“
Princípio da Extensão da Responsabilidade do Produtor estabelece que
os atores envolvidos na cadeia produtiva devam compartilhar responsa-
bilidade pelos impactos ambientais decorrentes de todo o ciclo de vida
do produto, incluindo nesse sentido os impactos compreendidos pela
seleção dos materiais de tais produtos, os impactos provocados pelo
processo de produção em si e os impactos gerados pela destinação dos
produtos após o consumo. Com fulcro em tal princípio, poder-se-ia não
apenas determinar que o produtor receba o seu produto fabricado após
o consumo, mas, também, metas de reciclagem.
1
Visa impedir a instalação de novos aterros sanitários e incineradores de
lixo, partindo do pressuposto de que a sociedade não deseja ter, nas
UNIDADE 4
2
Forma de reduzir a quantidade de materiais
destinados aos aterros e incineradores,
tornando obrigatórias as coletas seletivas
domiciliar e empresarial. Cria condições para
o estabelecimento de novas atividades
empresariais nas comunidades e promove
uma grande quantidade de parcerias entre
empresas.
Responsabilização do fabricante
3
sobre o canal reverso dos produtos
TIPO DE LEGISLAÇÃO: (product take back)
Normalmente, é dirigida aos produtos
COLETA E DISPOSIÇÃO FINAL duráveis e embalagens. Tem como objetivo
fomentar ações na cadeia produtiva desses
bens, de modo a permitir o retorno após a
sua vida útil. Permite a realização de
progressos importantes no reverse supply
chain (cadeia de suprimentos reversa).
4
Proibição da disposição de certos produtos
em aterros sanitários
Visa coibir a destinação de produtos que podem
ser danosos aos aterros sanitários. São exemplos:
pilhas e baterias, óleos lubrificantes, eletro-
domésticos, dentre outros.
6
Incentivo ao conteúdo de reciclados nos produtos
Geralmente, é utilizado pelo governo em suas compras junto
aos fornecedores como forma de incentivar o uso de reciclados
e a fim de dar exemplo à sociedade.
7
Proibição de venda ou de uso de produtos
Quando há a impossibilidade de controle e
melhoria no equilíbrio dos fluxos reverso e
direto de certos produtos, o governo promulga
leis que impedem a sua comercialização ou o
seu uso.
TIPO DE LEGISLAÇÃO:
MARKETING 8 Proibição de embalagens descartáveis
O governo pode exigir o uso de embala-
gens retornáveis para evitar excessos de
pós-consumo.
9
Rótulos ambientais
Normatiza os diversos tipos de rótulos de
produtos, tais como “biodegradáveis”, “amigável”,
“reciclável”, dentre outros.
Redução na fonte
Incentivos de diversas
11 10
naturezas para as empresas IIncentivos
Inc
Ince
Incen
ncent
entiv
ntivo
ntiv
ivo
vos
os fi
fiscais
que reduzem o consumo de Tra
Trata-se
Trata-s
Trata
Trat
rata-se de isenções em relação à utilização de produtos de pós-con-
ta-se d
recursos não renováveis ou sumo. Busca-se incentivar a produção por meio de uma tributação
sumo
sum
que modificam produtos diferenciada para os produtos com conteúdo reciclado, promover a
para gerar condições menos eliminação de incentivos tributários a certas matérias-primas e delimi-
impactantes ao meio tar a extinção de subsídios para a produção de determinadas
ambiente. matérias-primas, por exemplo.
Figura 1 - tendências de legislações aplicadas aos resíduos sólidos / Fonte: adaptada de Leite (2017).
124
Sobre a legislação especificamente aplicada à logística reversa, há, no mundo todo
UNICESUMAR
e, em particular, no Brasil, uma discussão muito intensa sobre a legislação tributá-
ria aplicada aos materiais da logística reversa. Uma das queixas dos empresários é
que, ao reinserirem materiais no canal reverso (mesmo que a origem tenha sido o
canal direto da empresa), há a incidência de impostos, constituindo, assim, uma
bitributação. Muitos empresários, defronte a esses tributos, são desestimulados ao
reaproveitamento dos materiais, pois, em vários casos, os materiais reabsorvidos
no processo precisam passar por beneficiamentos prévios antes de adquirirem
condições para se equiparar com a matéria-prima original, onerando o processo.
Desde 2014, tramita, no Congresso Nacional, uma proposta da Confederação
Nacional da Indústria (CNI) que apresenta alternativas a esse modelo de tributa-
ção sobre o material oriundo da logística reversa. Basicamente, as propostas são:
“
Harmonização e ampliação do diferimento na cobrança do ICMS;
RELACIONADA
AOS ASPECTOS
AMBIENTAIS
As grandes corporações e até mesmo as pequenas companhias que são bem es-
truturadas, além de quererem conquistar e manter os mercados nos quais estão
as suas matrizes, expandem essa guerra para muito além de suas fronteiras, em
um processo de globalização que já é bastante estabelecido.
Evidentemente, os governos dos países em que essa competição se intensi-
ficou desejam que as suas empresas conquistem mercados estrangeiros, mas, ao
mesmo tempo, impõem medidas protecionistas para as suas próprias institui-
ções e mercados. Os governos buscam, mediante diversas medidas, preservar
empregos em seus respectivos países. Dentre essas medidas, está a imposição de
barreiras aos produtos estrangeiros que não atendem às normas de qualidade
tanto no que diz respeito aos processos quanto no que se refere ao atendimento
aos requisitos de responsabilidade social, ambiental, trabalhista e de riscos.
O Reino Unido é um grande exemplo de mercado protegido contra a entrada
de produtos concorrentes, visto que somente aqueles que atendem a sua rígida
legislação têm espaço para comercialização. É digno de nota que o Reino Unido
tem sido pioneiro no estabelecimento de normas gerenciais pela British Standard
Institution (BSI). Como exemplo, temos a norma BS 5750, que dispõe sobre a
gestão da qualidade e provocou um movimento em outros países, estimulando-os
a estabelecerem as suas próprias normas nesse campo.
126
Fato é que a imposição de diversas barreiras pelos países prejudica o fluxo de
UNICESUMAR
produtos e promove divisas, penalizando especialmente os países mais pobres.
O comércio entre países é uma condição importante para o desenvolvimento de
algumas nações e, a fim de promoverem essas transações, associam-se a outros
países em forma de blocos econômicos, como é o caso da União Europeia, do
Mercosul e do NAFTA.
Todavia, embora promovam o comércio entre os países participantes do blo-
co, as barreiras persistem para aqueles que não fazem parte dos tratados. Em uma
simples análise, você pode concluir o quão difícil é, para uma empresa que deseja
exportar, vencer as barreiras comerciais de naturezas diversas, já que cada país
impõe o seu extenso conjunto de regras. Por outro lado, precisamos entender que
os países precisam ter garantias mínimas de que os produtos comercializados em
seus territórios atendam aos requisitos de qualidade, de responsabilidade social
e ambiental, por exemplo.
Legislações sérias barram a entrada de produtos manufaturados sob condi-
ções desumanas e de produtos nocivos e produzidos por indústrias poluidoras, a
fim de inibirem essas práticas deletérias por parte de nações cujo único objetivo
é a geração de lucro. Então, como vencer esses desafios? Capitaneada sobretudo
pela Organização Mundial do Comércio (OMC), houve a necessidade de estabe-
lecer padrões internacionais que possam servir de referência aos países quanto ao
atendimento de requisitos em diferentes mercados. Na prática, um produto que
não atende a uma norma internacional não tem a sua comercialização proibida,
mas é praticamente impossível inseri-lo no mercado internacional.
A adoção dessas normas facilitou a vida das empresas, que passaram a ter
um referencial de produção e de práticas organizacionais que, se atendidas, po-
dem proporcionar a entrada de seus produtos em mercados com altos níveis de
proteção legal. As normas reguladoras, em sua maioria, se atendidas, geram uma
certificação que tem validade nacional e internacional, e é reconhecida por me-
canismos certificadores aceitos internacionalmente. Isso significa que as normas
reguladoras se tornaram um instrumento gerencial e estratégico para as organi-
zações que querem expandir e manter os seus mercados.
Entretanto, quais certificações a empresa pode buscar e quais são os organis-
mos envolvidos? Ao contrário do que muitos pensam, existem vários organismos
certificadores, dependendo do campo que consideramos. São exemplos: para a
área elétrica e eletrônica, há a International Electrotechnical Commission (IEC);
para a área de telecomunicação, há a International Telecommunication Union
127
(ITU); e, sem dúvida, a mais conhecida é a International Organization for Stan-
UNIDADE 4
dardization (ISO).
Embora todos esses organismos tenham grande relevância, estudaremos, nes-
se momento, a ISO. Essa entidade foi criada em 1947, com o objetivo de:
“
Desenvolver a normalização e atividades relacionadas para facilitar
as trocas de bens e serviços no mercado internacional e a coope-
ração entre países nas esferas científicas, tecnológicas e produtivas.
Historicamente, a ISO esteve direcionada ao desenvolvimento de
normas técnicas sobre produtos, processos produtivos e métodos
de testes e ensaios. Foi somente no final da década de 1970 que
começou a produzir as primeiras normas de gestão, as conhecidas
normas da série ISO 9000, todas relacionadas com a implementa-
ção e a operação de sistemas de gestão da qualidade (BARBIERI;
CAJAZEIRA, 2012, p. 168).
“
As normas ISO 14000 são uma família de normas que buscam es-
tabelecer ferramentas e sistemas para a administração ambiental de
uma organização. Buscam a padronização de algumas ferramen-
tas-chave de análise, tais como a auditoria ambiental e a análise do
ciclo de vida.
128
3
2
UNICESUMAR
Norma ISO 14010
Norma ISO 14004 Guias para Auditoria
4
Sistema de Gestão Ambiental – Diretrizes
Ambiental – Gerais
Diretrizes Gerais
1
Ambiental (SGA) – Auditoria Ambiental
Especificações para e Procedimentos
implantação e guia para Auditorias
5
* Normas passíveis de certificação
Norma ISO 14021
Norma ISO 14020 Rotulagem Ambiental
Rotulagem Ambiental – Termos e Definições
7
– Princípios Básicos
6
14
Norma ISO 14041
Análise do Ciclo de
Norma ISO 14042
Análise do Ciclo de
15
13 Vida – Inventário Vida – Análise dos
Impactos
12
Norma ISO 14024
Rotulagem Ambiental – Norma ISO 14031
Guia para Certificação Avaliação da Performance
10
com Base em Análise Ambiental
Multicriterial
11
Figura 2 - Detalhamento das normas NBR ISO 14000 / Fonte: Dias (2019, p. 111).
Descrição da Imagem: Na figura, temos um infográfico colorido apresentando o detalhamento das nor-
mas NBR ISO 14000, sendo elas 14001 Sistema de Gestão Ambiental (SGA) – Especificações para implanta-
ção e guia, 14004 Sistema de Gestão Ambiental – Diretrizes Gerais, 14010 Guias para Auditoria Ambiental
– Diretrizes Gerais, 14011 Diretrizes para Auditoria Ambiental e Procedimentos para Auditorias, 14012
Diretrizes para Auditoria Ambiental – Critérios de Qualificação, 14020 Rotulagem Ambiental – Princípios
Básicos, 14021 Rotulagem Ambiental – Termos e Definições, 14022 Rotulagem Ambiental – Simbologia
para Rótulos, 14023 Rotulagem Ambiental – Testes e Metodologias de Verificação, 14024 Rotulagem
Ambiental – Guia para Certificação com Base em Análise Multicriterial, 14031 Avaliação da Performance
Ambiental, 14032 Avaliação da Performance Ambiental dos Sistemas de Operadores, 14040 Análise do
Ciclo de Vida – Princípios Gerais, 14041 Análise do Ciclo de Vida – Inventário, 14042 Análise do Ciclo de
Vida – Análise dos Impactos e 14043 Análise do Ciclo de Vida – Migração dos Impactos.
129
Por que as normas ISO são consideradas instrumentos gerenciais? Todas as nor-
UNIDADE 4
mas da série ISO são baseadas no que ficou conhecido como “ciclo PDCA” (em
seus primórdios, também era conhecido como “ciclo de Deming” ou “ciclo de
Shewhart”, em homenagem aos seus criadores e desenvolvedores), que promove
um ordenamento lógico, a fim de guiar as ações de um gestor em qualquer área
de atuação. “PDCA” é uma sigla em inglês para as palavras “plan”, “do”, “check” e
“act”, que, em português, significam “planejar”, “fazer”, “verificar” e “agir”.
Analise, na Figura 3, o princípio de funcionamento do ciclo PDCA:
P
Definir as metas
Métodos para
atingir as metas
A Agir
corretivamente
Educar e treinar
Verificar os resultados
D
da tarefa executada
Executar a tarefa
C
Figura 3 - Ciclo PDCA / Fonte: Carpinetti (2016, p. 39).
Descrição da Imagem: a figura retrata um círculo que é dividido em quatro partes, denominadas P, D,
C, A. Em cada uma das partes, está descrito ao que ela se relaciona. A parte P representa a definição das
metas e dos métodos para atingir os objetivos. A parte D significa educar, treinar e executar a tarefa. A
parte C simboliza a verificação dos resultados da tarefa executada, enquanto a parte A diz respeito ao
agir corretivamente.
130
Ao aplicarmos esse conceito especificamente em nossos estudos de logística re-
UNICESUMAR
versa, teríamos a seguinte proposta para as fases do PDCA, de acordo com Bar-
bieri e Cajazeira (2012, p. 170):
■ Planejar (Plan): estabelecer os objetivos e processos necessários para pro-
duzirem resultados em conformidade com a política de logística reversa
das organizações;
■ Fazer (Do): implementar os processos;
■ Verificar (Check): monitorar e medir os processos em relação à política
de logística reversa e aos objetivos, metas, requisitos legais e outros, e
reportar os resultados; e
■ Atuar (Act): tomar ações para melhorar continuamente o desempenho
ambiental, econômico e social do sistema de gestão.
Perceba que a ideia é bastante simples, porém poderosa. Nada se faz sem pla-
nejamento e sem o envolvimento e o comprometimento das pessoas (desde a
alta direção até os níveis operacionais). Nada se consegue sem mensuração, ou
seja, sem medidas de desempenho que reflitam sobre a situação atual e a sua
conformidade (ou não) com o planejado. O mais interessante é que a última fase
(atuar – “act”) preconiza que a empresa sempre deve buscar a melhoria, o que os
japoneses conhecem como kaizen, a filosofia da melhoria contínua que preconiza
que tudo pode ser melhorado.
131
4
A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL E
UNIDADE 4
O SEU IMPACTO
NA LOGÍSTICA
REVERSA
“
Art. 1o Esta Lei institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dis-
pondo sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como
sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento
de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades
132
dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos
UNICESUMAR
aplicáveis.
pensando juntos
A Política Nacional de Resíduos Sólidos demorou quase 20 anos para ser instituída, desde
a sua proposta enquanto projeto de lei até a sua aprovação em forma da Lei nº 12.305,
que aconteceu em 2010. Quais razões podem ter contribuído para o dispêndio de um
tempo tão longo para a aprovação de uma lei com essa importância?
“
XII - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico
e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e
meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos
sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo
ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambien-
talmente adequada (BRASIL, 2010, on-line).
133
“
XIII - padrões sustentáveis de produção e consumo: produção e
UNIDADE 4
“
XIV - reciclagem: processo de transformação dos resíduos sólidos
que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas
ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos
produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos
órgãos competentes do Sisnama e, se couber, do SNVS e do Suasa;
134
A partir da Lei nº 12.305/2010, todos são envolvidos no processo, desde os
UNICESUMAR
fabricantes até os consumidores. Os consumidores têm obrigações claras e defi-
nidas em lei. O Decreto nº 7.404/2010, do 5º ao 7º artigo, estabelece a responsa-
bilização dos fabricantes, importadores, distribuidores, consumidores e titulares
de serviços públicos, e obriga os consumidores a acondicionarem corretamente
os resíduos sólidos quando a lei municipal estabelecer esse serviço.
Um dos fragmentos mais importantes do Decreto nº 7.404/2010 é a seção II,
que determina os instrumentos e a forma de implantação da logística reversa, ao
orientar a formação de acordos setoriais, termos de compromisso, dentre outras
medidas. Os acordos setoriais têm sido utilizados com muita frequência, espe-
cialmente em segmentos econômicos que geram resíduos contaminantes, como
é o caso de lâmpadas e tintas.
A legislação também previu e incluiu em seu texto a necessidade de serem
estabelecidas as diretrizes para a educação ambiental no país, talvez, o grande
segredo para as mudanças significativas da nossa realidade. O capítulo que trata
dessa temática no Decreto nº 7.404/2010 é intitulado “XI: Da Educação ambiental
na Gestão dos Resíduos Sólidos”. Leia esse capítulo, que está disponível na In-
ternet, e você constatará a importância dada à formação cidadã em preservação
ambiental, iniciando pela ação mais básica, que é educação.
explorando Ideias
135
Ao examinarmos o teor da Lei nº 12.305/10 e o Decreto Regulamentador nº
UNIDADE 4
conecte-se
5
AS BASES PARA
A ECONOMIA
CIRCULAR: UMA
NOVA FRONTEIRA
PARA O CONSUMO
Já sabemos que a forma como foi estabelecido o nosso modelo econômico, forte-
mente baseado no consumo, determinou a maneira como os sistemas produtivos
foram planejados. De acordo com o processo de transformação da matéria-prima
em produto, que é utilizado pelo consumidor até o seu momento de descarte, é
estabelecida uma forma linear de consumo.
136
Essa ideia está intimamente ligada ao conceito chamado “ciclo de vida” dos
UNICESUMAR
produtos. Nós temos esse conceito tão internalizado que, na maior parte do tem-
po, não nos lembramos. Um exemplo é quando descartamos um monitor de
computador do tipo “tubo”. Você se lembra? De quantos aparelhos desse tipo você
já se desfez? Esse produto cumpriu o seu ciclo de vida. Qual é o destino do item
que deixa de ter utilidade para o consumidor? Ele provavelmente será descartado.
O ciclo de vida e as exigências dos consumidores conscientes (ambientalmen-
te falando) geraram uma preocupação às empresas produtoras, pois, de acordo
com a legislação ambiental dos países, não é permitido simplesmente depositar
um produto inservível em qualquer lugar. Origina-se, então, o que ficou conhe-
cido como Análise do Ciclo de Vida (ACV), proveniente da expressão em inglês
Life Cycle Assesment (LCA). O objetivo da ACV é:
“
[...] minimizar os impactos ao meio ambiente gerados pelos pro-
dutos das organizações. Sob essa perspectiva, é necessário que tudo
seja considerado para que os impactos ambientais sejam mínimos,
ou de preferência, nulos (RAZZOLINI FILHO; BERTÉ, 2013, p. 80).
137
Reciclagem
UNIDADE 4
ou recuperação
Extração de Consumo ou
matérias-primas Embalagem
utilização
Pesquisa e
desenvolvimento Destinação final
Transporte
(P&D) (túmulo)
Figura 4 - Conceito “do berço ao túmulo” dos produtos / Fonte: adaptada de Razzolini Filho
e Berté (2013).
Descrição da Imagem: Na figura, temos uma ilustração de um fluxograma ilustrando o conceito “do berço
ao túmulo” dos produtos. O Fluxograma inicia com a ilustração de um recém-nascido representando a
definição de novos produtos pelo Marketing (berço). A próxima etapa é a Pesquisa e desenvolvimento
(P&D), seguida pela Extração de matérias-primas, a Fabricação, Embalagem e Transporte. A etapa do
Consumo ou utilização se divide em dois caminhos, o da Destinação Final (túmulo) e a Reciclagem ou
recuperação, que joga o produto novamente para a etapa de Fabricação do ciclo.
“
Em 2015, a União Europeia adotou a economia circular (EC) como
modelo a suportar e viabilizar o alcance das metas estabelecidas até
2050. Também na China, desde o início dos anos 2000, a EC vem
sendo incorporada nos planos governamentais.
138
A Economia Circular (EC) é uma nova forma de considerar a economia e os
UNICESUMAR
modos de produção. Lembre-se de que a humanidade foi profundamente impac-
tada com o advento da Revolução Industrial, que alterou a lógica de produção
artesanal para uma de produção massificada, a qual temos até hoje. No entanto,
esse modo de produção é insustentável, visto que muitos recursos naturais não
são renováveis. Também temos os recursos naturais renováveis, mas os ciclos de
reposição não estão conseguindo atender às nossas necessidades. Desse modo,
a EC propõe uma mudança nessa relação de consumo das matérias-primas e na
forma como os produtos são desenhados. É uma mudança cultural e tanto, não
concorda?
Entretanto, perceba que as muitas pessoas já não sonham mais “ter”, como se
a posse de um produto fosse uma realização. As gerações mais jovens, especial-
mente, pensam no valor de utilização do bem, e não no bem em si. Por exemplo,
em uma cidade abarrotada de carros e constituída de um trânsito caótico, se o
transporte público fosse eficiente e confiável, muitos estariam dispostos a abando-
nar o seu carro e a usar essa modalidade. A “posse” do carro, para esses indivíduos,
não é importante, mas a mobilidade que ele proporciona. Isso ajuda a explicar o
aumento vertiginoso dos serviços de transporte por aplicativo e os aluguéis de
bicicleta como um serviço. Essa tendência é chamada de “servitização”.
A servitização acontece quando o serviço tem um valor maior que o bem em
si para aquele que o desfruta ou consome. As empresas mais focadas no consu-
midor já entenderam essa ideia, ou seja, que não podem mais vender somente
o produto, mas a gama de serviços a ele atrelada até o momento em que passa a
ser um serviço. Dentro dessa lógica de uso consciente, a EC propõe a mudança
da linearidade da economia (extração – transformação – descarte) para uma
economia em que todo o processo é pensado para maximizar o uso dos produtos,
ou seja, aumentar a sua vida útil e preparar esse produto (e os seus componentes)
para uma nova finalidade. Os três pilares da EC são visualizados na Figura 5:
139
UNIDADE 4
Descrição da Imagem: a figura demonstra os três pilares da economia circular. O primeiro é ilustrado em
forma de árvore e contém a legenda: “Preservar e aumentar o capital natural, sendo fundamental controlar
estoques finitos e equilibrar o uso de recursos renováveis”. O segundo pilar é representado pelo símbolo
da reciclagem, que são setas verdes formando um triângulo ao apontarem umas para as outras. Ele tem a
seguinte legenda: “Otimizar o uso de recursos na produção, em que a ênfase se dá em circular. Produtos
e materiais têm o máximo de utilização (ciclo técnico e ciclo biológico)”. O terceiro pilar é representado
por uma figura em forma de seta em sentido crescente, com a legenda: “Fomentar a eficácia do sistema
por meio da percepção e da eliminação das externalidades negativas dos processos”.
conceituando
Externalidades: são eventos ou decisões que têm origem em terceiros, ou seja, em atores
que não são participantes diretos do processo, mas que o afetam quer positiva, quer
negativamente.
“
REDUZIR: Utilizar técnicas de gerenciamento para diminuir a
quantidade de material consumido para determinado fim (ex. água,
energia, minerais, etc.);
140
REUTILIZAR: Utilizar novamente um material, no mesmo uso
UNICESUMAR
para o qual foi projetado, ou em outro uso compatível, aumentando
assim a vida útil do material, antes de ser descartado ou enviado
para a Reciclagem;
“
[...] três princípios fundamentais, na defesa da melhoria dos pro-
cessos produtivos e da permanência mais duradoura dos materiais,
como estimulo a geração de ativos numa cadeia de valor. Portanto,
propõe: “o fim da sociedade do descarte” por meio da “renún-
cia do padrão fazer, usar, descartar” como forma alternativa de
organizar a produção e a transição para uma abordagem “reuso e
reciclagem”.
141
UNIDADE 4
REPARO/REUSO
REMANUFATURA
UPCYCLE (SUPERCICLAGEM)
Figura 6 - Modelo do sistema circular de produção para o ciclo técnico: reuso, reciclagem
e upcycle / Fonte: Abdalla e Sampaio (2018, p. 89).
Descrição da Imagem: a figura mostra um ciclo de produção. Ela abrange desde os recursos naturais até
o uso ou o consumo dos produtos resultantes desse ciclo. No entanto, aponta os princípios da EC inseridos
em todas as fases, de modo a propiciar o reparo ou reuso, a remanufatura e o upcycle (superciclagem).
Com a EC, pretende-se avançar do conceito “do berço ao túmulo” para o conceito
“do berço ao berço” (Cradle to Cradle ou C2C), em que três princípios se des-
tacam, a saber: os resíduos são considerados nutrientes, alimentando outros
processos. Usam-se fontes de energia ilimitadas, como a energia solar, e há a
celebração da diversidade na biodiversidade, em que os espaços se harmoni-
zam com o meio ambiente, tornando-os mais saudáveis, menos poluídos e mais
divertidos. Também existe diversidade em relação às culturas e às soluções, a qual
parte da premissa de que não há um único jeito certo de fazer as coisas ou uma
solução única para os problemas, respeitando-se, dessa forma, contextos e cultu-
ras locais (GEJER; TENNENBAUM, 2017 apud ABDALLA; SAMPAIO, 2018).
Lembre-se de que estamos falando de dois ciclos quando abordamos a EC:
o ciclo técnico e o ciclo biológico. Em ambos, há uma preocupação de não haver
uma restrição quanto ao ganho de eficiência propalado pelos processos de gestão
da qualidade, como as certificações ISO, que são encaradas como “atrasar o ine-
vitável” pela ótica da EC. Na verdade, esses ciclos buscam soluções efetivas, com
ganhos para as gerações atuais e futuras, princípio basilar do desenvolvimento
sustentável. Na Figura 7, essa proposta é visível.
142
UNICESUMAR
fabricação produtos
manufaturada produtos
fabricação
montagem
animais
plantas
materiais
nutrientes do solo decompositores
reuso
Descrição da Imagem: a figura mostra os ciclos biológico e técnico da EC. No ciclo biológico, os produtos
de consumo são decompostos e se tornam nutrientes para o solo, que alimentam plantas e animais, os
quais, por sua vez, dão origem a manufatura e a novos produtos de consumo. No ciclo técnico, os pro-
dutos de serviço são decompostos em materiais para reuso, dando origem a outros produtos em novos
processos de manufatura.
143
As responsabilidades de um gestor são amplas, variadas e complexas. As organi-
UNIDADE 4
zações têm uma capacidade enorme de impactar a vida das pessoas e, quando se
trata de impacto ambiental, os reflexos de uma ação danosa podem ser sentidos
por anos. Talvez, você se lembre de tragédias ambientais cujos efeitos nunca foram
totalmente revertidos.
Em consequência desse risco potencial e, na maioria das vezes, evitável, o
poder público, valendo-se de sua legitimidade enquanto representante da so-
ciedade, usa mecanismos de regulação, fiscalização e punição contra os agentes
econômicos (incluídas, nesse rol, as empresas e as pessoas físicas) que não se
adequarem às boas práticas ambientais.
Sem dúvida, falar de legislação não é simples. A própria legislação é complexa
e conhecê-la pode demandar tempo e esforço, além, é claro, de exigir um pare-
cer técnico de consultores da área. O fato é que temos uma legislação ambiental
mundial muito abrangente e, no Brasil, isso não é diferente. Muitos questionam
o motivo pelo qual nós temos uma legislação avançada, mas os problemas am-
bientais persistem. Essa pergunta não carrega uma resposta simples, mas podem
ser levantadas algumas hipóteses: falta de fiscalização, ausência de compromisso
ético de alguns empresários, falta de educação ambiental da sociedade como um
todo, modo de consumo não sustentável e assim por diante.
O enfoque que demos à legislação deve reforçar, em você, a atuação do ges-
tor, figura responsável pelas decisões organizacionais e que pode ser o grande
diferencial para que, de fato, trabalhemos sério quando nos referimos às questões
ambientais. Sem esforço empresarial, não há logística reversa, não há mudança
de hábitos e não há educação ambiental. O governo, por si só, não conseguirá
produzir as mudanças exigidas por legislação em comportamentos que estão
profundamente arraigados. O desafio está lançado. Você quer participar da so-
lução ou do problema?
144
na prática
I - As normas ISO 14000 são uma família de normas que buscam estabelecer fer-
ramentas e sistemas para a administração ambiental de uma organização.
II - Nem todas as normas ISO são certificáveis. Entretanto, exemplos de normas que
são certificáveis na área ambiental são as ISO14001 e a ISO14040.
III - As normas ISO são baseadas no ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act), também conhe-
cido como ciclo de Deming, cujo objetivo é proporcionar melhorias constantes
nos processos.
IV - As normas da série ISO14000 são de aplicação obrigatória a qualquer empresa
que pretenda exportar os seus produtos, pois dão a garantia de que a organi-
zação tem boas práticas ambientais.
a) I.
b) II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II, III e IV.
145
na prática
3. Nossa Carta Magna já continha os princípios que orientariam o arcabouço legal para
o tratamento ambiental no Brasil. Algumas leis, inclusive, são anteriores à Constitui-
ção Federal (CF) e disciplinam setores específicos de exploração econômica.
146
na prática
a) I, III e IV.
b) II e III.
c) I, II e III.
d) III e IV.
e) II, III e IV.
a) I, III e IV.
b) II e III.
c) I, II e III.
d) III e IV.
e) II, III e IV.
147
na prática
PORQUE
148
aprimore-se
Você pode ter considerado os princípios da ISO muito interessantes e, talvez, até es-
teja pensando em implantar sistemas de gestão em sua empresa (seja um sistema
de garantia da qualidade da série ISO 9000, seja um sistema de gestão ambiental,
como os da série ISO 14000). Todavia, como funciona o pedido de certificação?
A adesão a uma certificação da série ISO é voluntária, ou seja, deve ser uma
decisão da empresa, após uma análise dos possíveis benefícios (inclusive, financei-
ros) que essa certificação poderá proporcionar. Saiba que há custos envolvidos e,
dependendo do porte da organização, eles podem ser bastante significativos. Por
isso, a decisão em relação a adotar, ou não, uma certificação deve ser estratégica,
visando um resultado maior em termos de retorno de investimento e ganhos de
mercado, além, é claro, de um intangível, mas valioso ganho em termos de imagem
corporativa.
Depois de tomada a decisão, é preciso buscar uma empresa especializada em
consultorias de certificação. Essa consultoria auxiliará a organização a adequar os
seus processos às normas, ao promover os treinamentos necessários e ao orientar
a delimitação do que a empresa, de fato, faz. Isso, porque as certificações respeitam
as estruturas e os processos da organização, desde que estes estejam alinhados aos
princípios da norma para a qual se buscará a certificação. Em outras palavras, as
normas especificam o que fazer, mas não a maneira como se deve fazer. Então, um
princípio básico, nesse assunto, é: escrever o que se faz e fazer o que está escrito.
Simples, não?
Caso a empresa que busca a certificação seja de pequeno porte, é possível dis-
pensar a contratação de uma consultoria (que envolve custos). Nesse caso, todas
as adequações ficarão ao encargo de seus gestores. Uma vez que a empresa tenha
adequado os seus processos ao que a norma certificadora preconiza, é preciso con-
tratar um organismo certificador (conhecido como “organismo de terceira parte”,
149
aprimore-se
por não ter qualquer vínculo com a organização a ser certificada). Esse organismo
deve ser acreditado por um órgão oficial que lhe dê poderes para emitir a certifi-
cação. No Brasil, o órgão acreditador dos organismos certificadores é o INMETRO
(mais especificamente, a sua Coordenação Geral de Acreditação – CGCRE), cujos po-
deres executivos foram estabelecidos por lei (Decreto nº 6.275/07).
Uma vez realizada a auditoria pelo organismo certificador e estando os processos
em conformidade com os princípios da norma, a organização passa a ser certificada
e pode exibir o seu selo de certificação perante o mercado. Um alerta importante:
se a intenção da empresa é somente comprovar as suas boas práticas no mercado
local, um organismo certificador nacional é o suficiente para a sua demanda, com
custos acessíveis até para as pequenas empresas. No entanto, se o objetivo for o
mercado internacional, uma recomendação é que a entidade certificadora tenha re-
presentação nos países em que se pretende exportar ou que seja reconhecida inter-
nacionalmente, para que não seja questionada a legitimidade da certificação obtida.
Fonte: o autor.
150
eu recomendo!
livro
filme
Lixo extraordinário
Ano: 2010
Sinopse: filmado ao longo de dois anos, “Lixo extraordinário”
acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos
maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na
periferia do Rio de Janeiro. Lá, o artista fotografa um grupo de
catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de re-
tratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens revela
a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a imaginar as suas
vidas fora daquele ambiente. A equipe tem acesso a todo o processo e, no final,
revela o poder transformador da arte e da alquimia do espírito humano.
151
5
A LOGÍSTICA
REVERSA NO BRASIL:
O CENÁRIO ATUAL
E AS PERSPECTIVAS
FUTURAS
PROFESSOR
Me. Paulo Pardo
PLANO DE ESTUDO
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • A logística reversa na construção
civil • A logística reversa dos pneus • A logística reversa das embalagens • A logística reversa do alumínio
• Aspectos sociais da logística reversa no Brasil
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Conhecer os processos de logística reversa nas áreas da construção civil, de pneus, de embalagens e
de alumínio. • Compreender os impactos sociais da logística reversa no Brasil.
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a),
Nesta última unidade, direcionaremos o nosso foco a alguns segmentos
econômicos cujas atividades de logística reversa são fundamentais, seja
pelos aspectos econômicos, seja pelos imperativos ambientais.
O estudo em que é realizada a análise de setores específicos precisa ser
continuamente atualizado, pois a própria dinâmica desses setores faz com
que os números se alterem continuamente.
Um aspecto importante, contudo, destaca-se: a necessidade de serem
feitas ações conjuntas por parte da sociedade (destino dos produtos) e do
poder público, visando encontrar soluções que sejam economicamente
viáveis, ambientalmente corretas e socialmente justas, vertentes que cons-
tituem o pilar do chamado “desenvolvimento sustentável”.
No Brasil, nem tudo é ruim quando se trata de logística reversa. Em
alguns setores, somos campeões mundiais, assim como é em relação às
embalagens de agroquímicos e às latas de alumínio. Em outros, ainda temos
campos nos quais podem realizados grandes avanços.
Espero que esse estudo desperte em você uma visão crítica acerca dos
processos da logística reversa e das ações que estão em execução. Ele tam-
bém pode ser um estimulador para a execução de novos empreendimentos
que tragam soluções inovadoras e proporcionem ganhos a todos. Bons
estudos!
1
A LOGÍSTICA REVERSA
UNIDADE 5
NA CONSTRUÇÃO
CIVIL
A construção civil é um setor que recebe atenção especial por parte do governo e
da própria sociedade. De fato, esse segmento econômico tem uma cadeia muito
extensa e é o responsável pelo giro econômico de bilhões de reais todos os anos,
não só com a comercialização de materiais de construção, mas por meio da pró-
pria absorção de mão de obra, ao oferecer oportunidades até para quem não tem
grande qualificação.
O planejamento urbano da maioria das cidades prevê novos loteamentos,
que, por consequência, incentivarão mais construções residenciais e comerciais
e, em locais específicos, a edificação de barracões industriais. A verticalização das
cidades também é um fato: até mesmo os pequenos municípios já têm os seus
“arranha-céus”.
Essa pujança esconde um fato preocupante: a construção civil é um dos seg-
mentos que mais produz resíduos em toda a cadeia produtiva. Em seu portal, o
Ministério do Meio Ambiente publicou a seguinte informação:
“
O Conselho Internacional da Construção – CIB aponta a indús-
tria da construção como o setor de atividades humanas que mais
consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva, ge-
rando consideráveis impactos ambientais. Além dos impactos rela-
cionados ao consumo de matéria e energia, há aqueles associados
154
à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Estima-se que
UNICESUMAR
mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelo conjunto das
atividades humanas sejam provenientes da construção. Tais
aspectos ambientais, somados à qualidade de vida que o ambiente
construído proporciona, sintetizam as relações entre construção e
meio ambiente (MMA, [2021], on-line, grifos nossos)¹.
foram construídas à base desse material. Com a adição do carvão e do cal, temos
o aço, que forma os vergalhões (uma barra de ferro com nervuras), os quais são
amplamente utilizados para formar as estruturas de concreto.
Descrição da Imagem: na figura, há uma fotografia colorida de um depósito de barras de aço, com
nervuras, conhecidas como vergalhões.
156
UNICESUMAR
Figura 2 - Produção de areia estimada para a construção civil no Brasil / Fonte: Lira (2016,
on-line).
Descrição da Imagem: a figura mostra um mapa do Brasil. Ele é dividido por regiões e indica o maior
percentual de extração de areia natural na região Sudeste, que é seguida pelas regiões Sul, Nordeste,
Centro-Oeste e Norte.
“
O entulho é o conjunto de fragmentos ou restos da construção civil,
provenientes de reformas ou da demolição de estruturas (prédios,
residências). Na formação do entulho entram os restos de grande
variedade de materiais de construção, possivelmente todos aqueles
utilizados pela indústria da construção civil. Entre eles: tintas, tijo-
los, pedras, pedra brita, plásticos, papéis, metais, madeiras, materiais
cerâmicos, argamassas e areia.
“
Segundo levantamento do Sindicato da Construção Civil do Paraná
(SINDUSCON-PR), o setor da Construção Civil é responsável pela
geração de uma média de 200 quilos de resíduos para cada m² de
área construída, destes, 25% são produzidos pela construção formal,
outros 25% pela informal e 50% oriundos pelas reformas (SILVA;
PIMENTEL, 2019, p. 22).
Atualmente, esse cenário não é aceito, tampouco reconhecido pelo segmento, princi-
palmente no que diz respeito às construções conduzidas pelas grandes construtoras
do Brasil. Além do mais, os programas de moradias populares do Governo Federal,
os quais exigem o cumprimento de orçamentos rígidos, pressionaram as empresas a
ganharem em relação à produtividade e a reduzirem perdas de materiais.
158
A partir dos anos 90, uma filosofia bastante consolidada na indústria de au-
UNICESUMAR
tomóveis e em demais segmentos foi aplicada na construção civil: os modelos
japoneses de gestão, cujos princípios são o TQM (Gerenciamento pela Qualidade
Total) e o Just in Time, que formavam a base da Lean Production ou “Produção
Enxuta”, em português. Na construção civil, o termo cunhado para essa prática é
Lean Construction ou, em português, “Construção Enxuta”, que busca reduzir e,
preferencialmente, eliminar desperdícios.
Apesar de todos esses avanços (principalmente na construção civil de grande
porte), o desperdício e a produção de entulhos ainda permanecem. Para comprovar
essa afirmativa, Razzolini Filho e Berté (2013, p. 135) expõem os seguintes dados:
Figura 3 - Estimativa da quantidade de entulhos gerados pela construção civil / Fonte: Razzolini
Filho e Berté (2013, p. 135).
Descrição da Imagem: A imagem corresponde ao mapa geopolítico do Brasil, divididos em seus res-
pectivos estados. Os estados do São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Paraná estão destacados por
cores atrativas. Os demais estados estão com coloração cinza. Próximo aos estados em destaque, um
ícone de localização aponta a capital do estado com a estimativa da quantidade de entulhos produzidos
pela construção civil, sendo: São Paulo (372000 toneladas/mês), Belo Horizonte (102000 toneladas/mês),
Brasília (85000 toneladas/mês) e Curitiba (74000 toneladas/mês).
159
Em razão disso, um grande esforço, que foi proveniente tanto do próprio setor quanto
UNIDADE 5
dos órgãos ambientais do poder público, foi empreendido para formular uma política de
gestão dos resíduos da construção civil. Algumas políticas promovidas por vários estados
da federação são muito abrangentes e instituem indicadores de acompanhamento de
gestão de resíduos, assim como é o caso do estado de São Paulo, que adotou o Índice de
Gestão de Resíduos Sólidos (IGR).
Em nível normativo, a Resolução Conama nº 307, de 05 de julho de 2002,
é considerada um marco legal na gestão de resíduos da construção civil. Já no
preâmbulo dessa resolução, entendemos o que moveu a sua formulação, ao ex-
por a necessidade de implementação de diretrizes para a redução dos impactos
ambientais gerados pelos resíduos da construção civil e ao discorrer sobre a dis-
posição incorreta desses materiais, com a consequente degradação ambiental. A
resolução, em seu preâmbulo, também procura orientar os potenciais benefícios
do manejo correto desses materiais.
A constatação da importância do tema levou a formulação de diretrizes es-
pecíficas para o setor, conforme podemos deduzir logo no início do texto da
Resolução. Um importante Artigo incluído nesta Resolução é o que especifica os
tipos de resíduos da construção civil, agrupando-os por classes:
No Art. 3º da Resolução Conama nº 307/02, é afirmado que:
“
I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agre-
gados, tais como:
UNICESUMAR
das tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permi-
tam a sua reciclagem ou recuperação; (Redação dada pela Resolução
n° 431/11).
A classificação apresentada permite uma ação gerencial mais efetiva, a qual es-
tabelece o vínculo definitivo da logística reversa com a busca por soluções ino-
vadoras para toda a cadeia da construção civil. Para complementar essa ideia, a
Resolução Conama nº 307/02 delimita as destinações dos resíduos de acordo com
a classificação dos materiais exposta no Art. 3º. Essa destinação se encontra no
Art. 10º. Recomendo fortemente que você o leia, a fim de conhecer a destinação
elencada na referida legislação.
Perceba, a partir das ações elencadas na Resolução Conama nº 307/02, que a
logística reversa está fortemente ligada às soluções expostas em atividades vol-
tadas aos Resíduos da Construção Civil (RCC), tais como a triagem, o armaze-
namento, o transporte, a reciclagem, dentre outras. A inovação e a tecnologia
auxiliam nas soluções apresentadas.
Na Figura 4, é exposta uma demonstração do papel da logística reversa no
segmento da construção civil.
161
UNIDADE 5
AMBIENTAL
Objetivos:
• Mitigar o impacto ambiental dos resíduos de fabricação
• Economizar recursos naturais
Benefícios:
• Redução do volume de disposições tanto
seguras quanto ilegais
• Atendimento/antecipação às exigências
de regulamentações legais/legislações
• Economia de energia na fabricação de novos produtos
• Melhoria de imagem corporativa |
Consciência ecológica |
ECONÔMICA
Objetivos:
• Formalizar negócios existentes, arrecadando
mais impostos SOCIAL
• Aumentar o volume de negócios • Gerar novos postos de trabalho
• Reduzir custos por meio da substituição de Benefícios:
matérias-primas primárias por secundárias
•Melhoria do desempenho de negócios já existentes
• Economizar energia e custos de disposiçã de resíduos
Benefícios: • Diminuição dos riscos de saúde e higiene advindos
• Facilidade no escoamento de produtos "encalhados" de aterros
no canal de distribuição direto • Custos menores de produtos com conteúdo reciclado
• Obtenção de recursos financeiros por meio da
• Melhoria da imagem corporativa
comercialização de resíduos industriais
• Incentivo a criação de novos negócios | Responsabilidade Social |
na cadeia produtiva
- Redução de investimento
em fábricas
Descrição da Imagem: a figura apresenta uma ilustração que destaca o papel da logística reversa na
construção civil sob o aspecto da sustentabilidade, levando em consideração as perspectivas ambiental,
econômica e social. Assim, há três círculos coloridos interligados. No círculo voltado ao aspecto ambien-
tal, temos, por objetivo, “mitigar o impacto ambiental dos resíduos de fabricação” e “economizar recur-
sos naturais”. Como benefícios, temos “redução do volume de disposições tanto seguras quanto ilegais,
“atendimento/antecipação às exigências de regulamentações legais/legislações”, “economia de energia
na fabricação de novos produtos” e “melhoria de imagem corporativa – consciência ecológica”. No círculo
relacionado ao aspecto econômico, temos, por objetivo, “formalizar negócios existentes, arrecadando mais
impostos”, “aumentar o volume de negócios”, “reduzir custos por meio da substituição de matérias-primas
primárias por secundárias” e “economizar energia e custos de disposição de resíduos”. Como benefícios,
temos “facilidade no escoamento de produtos ‘encalhados’ no canal de distribuição direto”, “obtenção
de recursos financeiros por meio da comercialização dos resíduos industriais”, “incentivo a criação de
novos negócios na cadeia produtiva” e “redução de investimento em fábricas”. No último círculo, que
diz respeito ao aspecto social, temos, por objetivo, “gerar novos postos de trabalho”, enquanto, como
benefícios, temos “melhoria do desempenho de negócios já existentes”, “diminuição dos riscos de saúde e
higiene advindos de aterros”, “custos menores de produtos com conteúdo reciclado, “melhoria da imagem
corporativa – responsabilidade social”.
162
“
Melhorar o meio ambiente por meio da redução do número de áreas
UNICESUMAR
de depósitos clandestinos, o que resultará em uma diminuição dos
gastos da administração pública com gerenciamento de entulho;
conceituando
163
Qual é o diferencial das casas ecológicas? Por que “casas ecológicas”? Segundo
UNIDADE 5
164
UNICESUMAR
conecte-se
2
A LOGÍSTICA
REVERSA
DOS PNEUS
O mundo se move sobre rodas e as rodas se movem sobre pneus. Você pode achar
essa afirmação exagerada, mas não é. De fato, no mundo, uma parte importante
do transporte de pessoas é feita sobre rodas e os automóveis e os ônibus são os
meios largamente utilizados.
A história dos pneus com a humanidade é relativamente nova, visto que tem
cerca de dois séculos. Foi Charles Goodyear, um americano, que, no século XIX,
aprimorou a borracha de tal forma que ela pudesse ser utilizada para a constru-
ção de um objeto o qual revolucionou o transporte: o pneu, uma abreviatura de
“pneumático”, embora ninguém use essa palavra no dia a dia.
165
Se o pneu foi e é tão importante para a humanidade, principalmente no trans-
UNIDADE 5
porte de pessoas e cargas, por que foi alçado à condição de vilão do meio ambien-
te? A culpa, é claro, cabe mais uma vez ao próprio homem. À medida que o pneu
se torna inservível, ou seja, deixa de ser útil para rodar em veículos, tem início a
saga de prejuízo à natureza. Alguns números são surpreendentes. Por exemplo,
Christófani et al. (2017) destacam que, no Brasil, estima-se que 100 milhões de
pneus velhos estão espalhados em aterros, terrenos baldios, rios e lagos.
Quais são os malefícios dessa prática? Veja algumas:
■ os pneus por apresentarem baixa compressibilidade, associado a sua degradação
muito lenta, ao serem aterrados inteiros, podem provocar o escorregamento das
células de lixo, bem como reduzir a vida útil dos aterros sanitários;
■ devido a sua forma, se for aterrado inteiro, poderá reter ar e outros gases no seu
interior, tornando-se volumoso, e podendo vir a flutuar para superfície, quebran-
do a cobertura do aterro. Quando isso ocorre, ocasiona a exposição do aterro a
micro e macro vetores, a fauna, além de possibilitar que os gases escapem para
a atmosfera, bem como haja o vazamento de líquidos;
■ os pneus ficam sujeitos à queima acidental ou provocada, ocasionando prejuízos
na qualidade do ar, face à liberação de fumaça contendo alto teor de substâncias
tóxicas;
■ do ponto de vista da saúde pública, o descarte de pneus em terrenos baldios são
igualmente danosos, pois devido o seu formato, tende a reter a água de chuva
criando um ambiente propício a proliferação de vetores, como por exemplo, o
mosquito “Aedes aegypti” que é transmissor da dengue (CHRISTÓFANI et al.,
2017, p. 4-5).
Nessa mesma linha de pensamento, Razzolini Filho e Berté (2013, p. 155) desta-
cam as dificuldades para o reuso dos pneus:
“
Os resíduos dos pneus ocupam grandes espaços para armazena-
mento temporário, o que dificulta o seu manuseio, além disso, é
grande a quantidade gerada;
UNICESUMAR
de contaminação da água quando são queimados de forma imprópria, pois eles
liberam um material oleoso que, em contato com a água, torna-a inapropriada
para uso.
O poder público também se preocupou com a destinação correta dos pneus
inservíveis e elaborou uma normativa específica para esse material. A proposta
concreta foi dada por meio da Resolução Conama nº 258, de 26 de agosto de
1999. Em seu preâmbulo, ela expõe os seus objetivos, ao reconhecer que os pneus
abandonados ou dispostos inadequadamente se tornam uma fonte de poluição e
podem ser criadouros de insetos transmissores de doenças. Entretanto, ao mesmo
tempo, o pneu pode ser objeto de reciclagem.
A Resolução Conama nº 258/99 previa ações conjuntas por parte da ini-
ciativa privada (em especial) e do poder público (em particular), a fim de dar
a destinação correta aos pneus inservíveis. No entanto, algumas ações também
eram previstas antes de os pneus se tornarem inservíveis. Na referida resolu-
ção, previa-se, desde o início, a responsabilização por parte dos fabricantes e
dos importadores em relação à destinação correta dos pneus inservíveis. Nessa
normativa, publicada em 1999 e alterada pela Resolução n° 301/02, as empresas
envolvidas na fabricação/importação receberam, em anos específicos, uma maior
carga de responsabilidade.
O Art. 1º da Resolução n° 301/02 determinava que os fabricantes e os im-
portadores deveriam prover a destinação adequada aos pneus inservíveis em
proporções dadas pela própria normativa. A determinação da resolução era a de
que as empresas recolhessem os pneus inservíveis e propiciassem a destinação
correta em proporções pré-determinadas no que diz respeito aos pneus fabri-
cados/importados ou montados em veículos importados. A referida resolução
ainda estabelecia marcos no tempo para que os fabricantes e os importadores
incorporassem o tratamento adequado de inservíveis até chegar a um número
próximo de um pneu novo/importado para cada pneu recolhido, com as devidas
compensações por desgaste do pneu inservível.
167
Em 2009, a Resolução nº 258/99 foi revogada pela Resolução nº 416, de 30
UNIDADE 5
de setembro de 2009. Essa alteração foi lógica, visto que o horizonte de tempo
previsto na Resolução nº 258/99 já havia sido transcorrido. Assim, a partir da
Resolução nº 416/09, é determinado que:
“
Art. 3° A partir da entrada em vigor desta resolução, para cada pneu
novo comercializado para o mercado de reposição, as empresas fa-
bricantes ou importadoras deverão dar destinação adequada a um
pneu inservível.
168
Consumo
UNICESUMAR
Recapagem
Pneus em
condições Reforma
Remoldagem
Pós-consumo
Co-processamento
Pneus Laminação
inservíveis
Asfalto
Artefatos
Figura 5 - Possíveis destinações dos pneus no Brasil / Fonte: Gonçalves et al. (2019, p. 118).
Descrição da Imagem: a figura é um fluxograma que retrata as possíveis destinações do pneu no Brasil.
Inicia-se pelo consumo, passa pelo pós-consumo e, depois, o produto pode ter várias destinações depen-
dendo de sua condição de uso. Se o pneu estiver em condições, ele pode passar pela recapagem, por uma
reforma ou pela remoldagem, retornando ao mercado consumidor. Agora, se estiver inservível, ele poderá
passar pelo coprocessamento, pela laminação ou ser utilizado na pavimentação de asfalto ou em artefatos.
“
De acordo com a ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneu-
máticos), entidade que representa os fabricantes de pneus novos
no Brasil, pneus inservíveis são aqueles que não podem mais rodar
em veículos automotivos, mesma terminologia utilizada para este
estudo. A ausência de dados sobre o destino de pneus inservíveis no
Brasil não permite determinar com exatidão o passivo ambiental ge-
rado. No entanto, uma estimativa baseada na frota de veículos indica
169
que são geradas mais de 44 milhões de carcaças de pneus anualmen-
UNIDADE 5
“
[...] cerca de 4,5 milhões de toneladas de pneus inservíveis foram
coletadas e corretamente destinadas, um volume equivalente a 916
milhões de pneus de carro de passeio. Os pontos de coleta de pneus
inservíveis nos municípios brasileiros eram 85 em 2004, e atingiram
1.718 estabelecimentos em 2017 (INSTITUTO ESTRE, [2021], p.
11).
“
Combustível para fornos de cimenteiras, cal, papel e celulose - O
pneu é um grande gerador de energia, seu poder calorífico é de 12
mil a 16 mil btus por quilo, superior ao do carvão.
170
Pavimentação de estradas – Pó gerado pela recauchutagem e os res-
UNICESUMAR
tos de pneus moídos podem ser misturados ao asfalto aumentando
sua elasticidade e durabilidade.
Na reciclagem dos pneus, por meio de processos físicos e químicos, é feita a sepa-
ração dos seguintes componentes: borracha, nylon e aço. A utilização da borracha
granulada tem proporcionado bons resultados em misturas asfálticas. Perceba
que um produto que, na natureza, provoca tantos danos pode ser utilizado como
insumo em outro ciclo produtivo, como o da construção civil. Esse é um dos mais
relevantes princípios da logística reversa.
Enquanto outra alternativa aos pneus, está o seu reuso por intermédio de
técnicas de reforma ou de renovação. Razzolini Filho e Berté (2013, p. 159) des-
crevem duas possibilidades para esse tipo de aproveitamento:
“
1) Remoldagem: conhecida também como pneu-remold, que é a
substituição da banda de rodagem e de toda a superfície do pneu.
171
UNIDADE 5
conecte-se
3
A LOGÍSTICA
REVERSA DAS
EMBALAGENS
UNICESUMAR
dos Unidos, China, Japão, Alemanha e França – gastaram US$ 361
bilhões em acondicionamento dos produtos em 2011. Para 2016,
as projeções indicam um valor de US$ 439,6 bilhões. No Brasil,
esses gastos atingiram US$ 25 bilhões em 2011 no composto geral
de embalagens, com uma projeção de US$ 30,8 bilhões para 2016,
segundo a pesquisa Datamark/Brasil, Food Trends 2020, promovida
pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL).
41%
Material Plástico
R$ 32,69
Descrição da Imagem: a figura mostra um gráfico em formato de pizza que indica o percentual de em-
balagem por tipo de material. O material feito de plástico representa o maior percentual (41%), seguido
pelo papel, pela cartolina/papel cartão e pelo papelão ondulado, com 30%. Depois, há o metal, com 19%,
o vidro, com 6%, os têxteis para embalagens, com 3%, e a madeira, com 1%.
Um fato que chama a atenção e que é, de certa forma, animador, é que a indústria
de embalagem tem interesse na reciclagem desses materiais e procura, por meio
de diversas ações, incentivar essa prática. Embalagens de vidro, papéis, alumínio:
tudo pode ser reaproveitado. Por exemplo, o vidro é considerado um material que
tem a possibilidade teórica de reciclagem infinita, assim como ilustra a Figura 7.
174
UNICESUMAR
Trituração Matéria-prima
Limpeza e seleção
Indústrias vidreiras
CICLO
INFINITO
Coleta
Envasadores
Consumidores Embalagens
Distribuição
Figura 7 - Ciclo de reciclagem do vidro / Fonte: Toneto Júnior, Saiani e Dourado (2014, p.
283).
Descrição da Imagem: a figura mostra o ciclo de reciclagem do vidro, que, enquanto matéria-prima, é
destinado às indústrias vidreiras, a fim de ser revendido aos envasadores como embalagem. O vidro é
distribuído em todo o país, adquirido pelos consumidores e, depois, coletado após o consumo. Ele é limpo,
triturado e se torna novamente matéria-prima.
176
Produtores de resina PET Fabricantes de embalagem PET
UNICESUMAR
Engarrafadores de bebidas
Coleta convencional:
porta a porta
Coleta seletiva: porta a porta, PEV
(Posto Entrega Voluntária), catador
Lixão Aterro Sanitário Ruas,
lagos,
Etapas rios
[1]
Recuperação: Catadores, Cooperativas, Centros de triagem
- coleta
- seleção
- compactação
Sucateiros
[2]
Revalorização
Recicladores
[3]
Transformação Aplicadores: Fibras têxteis, cordas, embalagens não alimentícias, outros
“Caminho” “Descaminho”
Figura 9 - Cadeias das embalagens PET no Brasil / Fonte: Formigoni, Santos e Medeiros
(2014, p. 119).
Descrição da Imagem: a figura mostra as cadeias direta e reversa das embalagens PET. Na cadeia reversa,
há três etapas: recuperação, revalorização e transformação. A figura evidencia o importante papel do
consumidor em dar uma destinação a esse tipo de embalagem.
177
4
A LOGÍSTICA REVERSA
UNIDADE 5
DAS EMBALAGENS
DE ALUMÍNIO
“
Devido às suas propriedades, o alumínio tornou-se um material ver-
sátil e é utilizado de diversas formas na indústria. Seus diferencias
ou vantagens veem fazendo com que o alumínio seja explorado cada
vez mais nas indústrias de bebidas devido ao fato de ser leve, atóxico,
ter condutibilidade térmica, levando em conta que geralmente, as
bebidas são consumidas geladas acaba sendo uma conveniência
ao consumidor, facilita para o consumidor, a impermeabilidade e
opacidade que faz com que o material não permita a passagem de
umidade, luz e oxigênio de forma que não deteriore o produto, pois
é um metal nobre e limpo e permite aplicações de diferentes tipos
de tintas podendo, assim, caracterizar da forma que preferir, possui
também uma enorme durabilidade. A principal característica é o
178
poder de reciclagem reaproveitando praticamente todo o alumínio,
UNICESUMAR
pois a perda é insignificante, ou seja, é considerado que 100% do
alumínio pode ser reaproveitado.
9 1
RETORNO AO COMPRA
CONSUMO
8 2
NOVAS CONSUMO
LATAS O PROCESSO COMPLETO
DA RECICLAGEM
7
LAMINAÇÃO
3
COLETA
6
LINGOTAMENTO 4
5 PRENSAGEM
FUNDIÇÃO
Figura 10 - Ciclo completo das latas de alumínio / Fonte: Farha (2010, p. 4).
Descrição da Imagem: a figura mostra, em forma de círculo, as diversas etapas do processo de recicla-
gem das embalagens de alumínio. Parte-se da etapa da compra pelo consumidor e, depois, seguem as
seguintes fases: consumo, coleta, prensagem, fundição, lingotamento, laminação e a produção de novas
latas. O ciclo se encerra com o retorno ao consumo.
179
Esse processo é extremamente compensador para a indústria, que gasta apenas
UNIDADE 5
80
60
40
20
0
1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 2015 2017
1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 2016
X
Japão Argentina EUA Brasil Europa
Figura 11 - Índice de reciclagem da lata de alumínio para bebidas - 1991 a 2017 / Fonte:
Abralatas ([2021], on-line)6.
Descrição da Imagem: a figura mostra um gráfico de linhas que indica a evolução da reciclagem das latas
de alumínio para bebidas. Assim, compara a performance do Brasil, em relação ao Japão, à Argentina, aos
EUA e à Europa. O Brasil tem a linha com maior performance entre essas regiões.
Nesse segmento, estamos em uma direção positiva, assim como é o caso das
embalagens de agroquímicos, não concorda?
180
5
ASPECTOS SOCIAIS
UNICESUMAR
DA LOGÍSTICA
REVERSA
NO BRASIL
181
No caso dos materiais coletados, no que diz respeito aos preços, que são,
UNIDADE 5
182
52.742
62,6%
UNICESUMAR
43.571
65,0%
14.442
17,1%
11.308
10.015
16,9%
11,9%
6.738 5.892
10,0% 7,0% 4.469
6,7%
625 434 587 528
0,7% 0,6% 0,7% 0,8%
2017 2018
Gráfico 1 - Volume total coletado pelas cooperativas e pelas associações de catadores por
tipo de material (toneladas e % do total) / Fonte: Abrelpe (2020, p. 56)
O gráfico mostra que o trabalho realizado realmente é relevante, mas uma ampla
discussão deve ser realizada em relação a essas iniciativas, as quais, de forma
alguma, são uma unanimidade. Se, por um lado, considera-se louvável que o
poder público e a própria sociedade reconheçam o papel fundamental dos cata-
dores nos processos de logística reversa, por outro, há que se pensar em outros
caminhos para essas famílias que não envolvam o contato com materiais peri-
gosos, poluentes e contaminantes. Embora, enquanto pesquisador da área, tenha
a minha posição sobre o assunto, gostaria que você pensasse seriamente nessa
problemática e formasse o seu próprio juízo de valor.
183
Nesta última unidade, tivemos a oportunidade de estudar os aspectos da logística
UNIDADE 5
184
na prática
1. Há uma discussão que ocorre em diversas instâncias sobre o papel social da logística
reversa e o modo como a legislação pode contemplar a inserção de trabalho para
as famílias que sobrevivem da catação de materiais recicláveis.
185
na prática
2. As latas de alumínio são muito utilizadas para envasar diversos produtos, em de-
trimento de suas propriedades conservadoras. Esse tipo de embalagem também
apresenta benefícios ecológicos e econômicos.
186
na prática
PORQUE
I - O setor da construção civil evoluiu muito nas últimas décadas, ao aplicar princí-
pios de outros setores, como o que gerou a Lean Construction.
II - Um dado preocupante e ainda válido no Brasil é que, de cada três prédios cons-
truídos, um vai para o lixo, em detrimento dos desperdícios no canteiro de obras.
III - De todos os materiais utilizados na construção civil, somente a areia, por ser de
origem mineral, não impacta negativamente o meio ambiente em sua extração.
IV - Os resíduos classificados como Classe A são os mais impactantes no meio am-
biente, por serem extremamente tóxicos e poluentes.
187
na prática
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) II, III e IV, apenas.
PORQUE
188
aprimore-se
189
aprimore-se
[...]
A primeira empresa interessada no mercado foi o Grupo Boticário, que a partir
de hoje e durante os próximos dois meses deverá adquirir o equivalente em 1.200
toneladas em créditos.
“Estamos alavancando o mercado de Créditos de Logística Reversa no país. Esta
ação está conectada ao nosso plano estratégico de longo prazo em sustentabilida-
de. Nosso objetivo é contribuir, de forma efetiva, com o desenvolvimento da socie-
dade e a proteção do meio ambiente. E acreditamos que uma das etapas impor-
tantes para a redução do impacto ambiental é a destinação correta de embalagens
pós-consumo”, disse Artur Grynbaum, presidente do Grupo Boticário.
O valor total das transações do Boticário não foi divulgado, mas pelo portal da
BVRio é possível ver a cotação dos vários tipos de créditos, que estão atualmente
avaliados na faixa de R$ 100 a unidade.
Fonte: Consulting (2014, on-line).
190
eu recomendo!
filme
Alimentos S.A.
Ano: 2008
Sinopse: o documentário “Alimentos S.A.” apresenta a realidade
por trás das indústrias de alimentos, que dificultam ao máximo a
possibilidade de os consumidores saberem a verdadeira origem
do que estão comprando ou ingerindo. A realidade que a indús-
tria pretende esconder a todo custo é baseada em um cenário
perverso: uma vida de sofrimento, tortura e confinamento de ani-
mais que são explorados para o consumo humano.
191
referências
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5 Em: https://sinir.gov.br/component/content/article/63-logistica-reversa/124-embalagens-
-de-agrotoxicos. Acesso em: 20 abr. 2021.
197
gabarito
UNIDADE 1 UNIDADE 4
1. C. 1. D.
2. B. 2. C.
3. D. 3. D.
4. A. 4. C.
5. B. 5. D.
UNIDADE 2 UNIDADE 5
1. C. 1. B.
2. E. 2. D.
3. E. 3. E.
4. C. 4. A.
5. E. 5. E.
UNIDADE 3
1. A.
2. E.
3. A.
4. D.
5. D.
198
conclusão geral
conclusão geral
Prezado(a) aluno(a),
Chegamos ao final desta disciplina e, certamente, após serem consideradas
todas as temáticas abordadas, você deve ter muitos questionamentos, pois não há
respostas simples e únicas aos desafios que apresentamos.
Cada organização tem a sua própria dinâmica e atua em regiões e em mercados
próprios. A estratégia desenvolvida para atender a missão e a visão de longo prazo
também é singular a cada empresa. Portanto, há uma necessidade vital de estudar,
analisar e se atualizar constantemente no que se refere às novas tecnologias que
se apresentam, à regulamentação, que está sujeita às alterações periódicas, e aos
movimentos e às tendências de mercado. Sem esse preparo, dificilmente o gestor
terá condições de tomar decisões assertivas. Basear-se em dados ultrapassados não
é uma boa postura dos gestores modernos.
Sempre costumo dizer aos meus alunos que não há obra acabada de nenhum
assunto relacionado ao conhecimento humano. As obras e as pesquisas produzidas
até o momento em forma de livros e artigos científicos são um retrato atual, mas
novos conhecimentos e pesquisas serão produzidos. Por isso, recomendo que você
adote um senso de inquietação e sempre leia materiais de fontes confiáveis para a
sua formação. Não esgotamos o assunto, de forma alguma, neste livro.
Aproveito para recapitular alguns temas que consideramos nas cinco unidades
deste livro. Na Unidade 1, estudamos os desafios da sustentabilidade e as questões
logísticas voltadas à competitividade organizacional. Além disso, explicamos os
conceitos e o tema “custos” em logística reversa.
Na Unidade 2, compreendemos a formatação de um canal de distribuição
reverso de pós-consumo, além de trabalharmos a classificação dos bens de pós-
-consumo e os objetivos econômicos da logística reversa de pós-consumo.
199
conclusão geral
conclusão geral
200