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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAIBA

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FUNDAMENTOS DA


EDUCAÇÃO: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E INTERDISCIPLINARES

JOSEANE ANDRÉ DE LIMA

O BULLYING E A INDISCIPLINA COMO FATORES


COMPROMETEDORES DO ENSINO E DA APRENDIZAGEM
NA ESCOLA

PRINCESA ISABEL – PB
2014
JOSEANE ANDRÉ DE LIMA

O BULLYING E A INDISCIPLINA COMO FATORES


COMPROMETEDORES DO ENSINO E DA APRENDIZAGEM
NA ESCOLA

Monografia apresentada ao Curso de Especialização em


Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas
Interdisciplinares da Universidade Estadual da Paraíba,
em convênio com a Secretaria de Estado de Educação –
PB, em cumprimento à exigência para obtenção do grau
de especialista.

Orientador: Prof. Ms. José Emerson Tavares de Macêdo

Princesa Isabel-PB
2014
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a todos que fazem parte das Escolas Estaduais: Gama e Melo e Marçal
Lima Neto nas quais atuo como professora em uma e na outra como gestora, E também a
Universidade Estadual da Paraíba em parceria com a Secretaria de Estado da Educação que
me proporcionaram concluir este Curso.
AGRADECIMENTO

A Deus primeiramente por ter-me disponibilizado coragem e empenho para participar


das aulas presenciais e à distância as quais contribuíram para enriquecer meus conhecimentos.

A minha família que me incentivou a permanecer até o final do curso e ajudou a cuidar
do meu filho Isaías na minha ausência.

Aos profissionais da educação que se empenham em buscar novos conhecimentos e


novas formas para melhor exercer suas funções.

Aos professores da UEPB com os quais pude ter contato e dessa forma adquiri
conhecimentos. São eles professor Nivaldo Rodrigues, Jurani Oliveira Clementino, Sérgio
Murilo, Sérgio Simplício e ao Professor José Emerson Tavares de Macêdo que tão bem me
orientou nesta monografia.

Ao meu pai Pedro André (in memoriam) por ter sido um exemplo de educador através
do diálogo, da compreensão e da harmonia.
O compromisso de educar na escola, na família ou em qualquer ambiente de
convivência, além de ético pela natureza da ação, precisa ser afetuoso para acolher
agressores, vítimas e espectadores, caso contrário será reprodutor da intolerância.
Livrar-se da agressão, e não do agressor, deve ser o propósito de todos nós.

(CHALITA, 2008, p. 97).


RESUM

O objetivo deste trabalho é discutir a indisciplina e as práticas do bullying na Escola Estadual


de Ensino Fundamental Normal Médio Gama e Melo, tendo em vista que estas práticas são
recorrentes no espaço escolar. Utilizamos de entrevistas com alunos e a gestora da escola no
intuito de percebemos como o fenômeno do bullyning é visto nesse espaço escola.
Pretendemos também abordar sobre o significado do termo bullying, caracterizando os
personagens envolvidos, como se manifesta, suas causas, as consequências, os procedimentos
de erradicação ou diminuição desta prática nas escolas. Para uma compreensão significativa
partilhamos de um estudo bibliográfico de autores que discutem sobre a temática.
Palavras-chaves: Aluno. Bullying. Escola. Indisciplina.
ABSTRA

The objective of this paper is to discuss the discipline and practice of bullying at the State
Primary School and Normal Medium Range Melo, considering that these practices are
recurrent at school. We used interviews with students and the school management in order to
realize how the phenomenon is seen in this space bullyning school. We also intend to address
on the meaning of the term bullying, featuring the characters involved, how it manifests itself,
its causes, consequences, procedures for eradication or reduction of this practice in schools.
For a meaningful understanding of a shared bibliographic study of authors who discuss the
topic.
Keywords: Student. Bullying. School. Indiscipline.
LISTA DE

FOTO 01 Faixada da Escola Gama e Melo............................................................................34

Foto 02 Entrevistando a Gestora da Escola Gama e Melo.....................................................43


LISTA DE

QUADRO 1 – Entrevista com a gestora da Escola Gama e Melo..........................................42


SUMÁRI

INTRODUÇÃO...........................................................................................................12

1º CAPÍTULO

1. DEFINIÇÃO DO BULLYING...........................................................................16

1.1 Manifestações comportamentais do bullying.............................................................18


1.2 Parceiros do combate ao bullying...............................................................................20

2º CAPÍTULO

2. O BULLYING NO ESPAÇO ESCOLAR

2.1 Como identificar o bullying no ambiente escolar?......................................................23

2.2 Consequências do bullying na escola...........................................................................24

2.3 Como prevenir a violência na escola e na sociedade?.................................................26

2.4 A escola e o confronto ao bullying..............................................................................30

3º CAPÍTULO

3. A PRÁTICA DO BULLYING NA ESCOLA GAMA E MELO............................34

3.1 Como reagem às crianças/adolescentes que sofrem o bullying?................................38

3.2 A visão da gestora da escola em relação ao bullying.................................................41

CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................44

REFERÊNCIAS......................................................................................................... 46
1

INTRODUÇÃO

A nossa inquietação discutida neste trabalho, surgiu a partir das dificuldades


encontradas no cotidiano da Escola Estadual Gama e Melo, mais precisamente com os
educandos dos 6º e 7º anos. Constatado por nós professores, nos encontros pedagógicos, sobre
o comportamento e a violência dos alunos em sala de aula como: xingamentos, chacotas,
agressividade, o que nos fez perceber que esta problemática influência e contribui na
aprendizagem e gera a indisciplina.

O nosso tema “Bullying e a indisciplina como fatores comprometedores do ensino e da


aprendizagem na escola” está em consonância com a linha de pesquisa sobre o Cotidiano
Escolar e Práticas Pedagógicas com suas especificidades “no cotidiano, seus sujeitos e
suas práticas”.

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Normal Médio Gama e Melo localiza-se na


Avenida Presidente João Pessoa, 460 no Centro de Princesa Isabel- PB. Atende a uma
clientela de baixa renda na qual em sua maioria os educandos são oriundos de famílias
beneficiadas por programas federais. Os trabalhos escolares estão distribuídos nos três turnos
divididos da seguinte forma: segunda fase do Ensino Fundamental (6º ao 8º anos) nos turnos
matutino e vespertino, o Ensino Médio na modalidade Normal no turno noturno, com apenas
a turma do 4º ano Normal.

Por ser um tema atual, embora a palavra não seja originária da nossa língua, bullying
é uma palavra de origem inglesa que conceitua os comportamentos agressivos e antissociais,
resolvemos desenvolver este trabalho enfatizando esta temática, que faz parte do cotidiano
escolar, já que constantemente nos deparamos com diversas situações agressivas, intencionais
e repetitivas, nas quais geram violência, pois causam dor, angústia e sofrimento; outras
atitudes como insultos, intimidações, apelidos, gozações magoam as pessoas; acusações e
injúrias, formação de grupos que hostilizam e infernizam a vida de alguns alunos e isto
contribui para a exclusão de muitos educandos, sem contar com os traumas e
constrangimentos causados.

Como a escola é uma instituição educativa que está voltada ao processo de


aprendizagem e prima pelo bem estar de cada educando, ela deve identificar casos
1

de bullying que ocorrem no ambiente e para isso, nós educadores necessitamos aprofundar
nossos conhecimentos sobre o tema, almejando eliminar este tipo de violência dentro das
instituições de ensino.

O fato de a escola ser um espaço de integração e não de isolamento ou gerador de


conflitos é que ela, desde cedo deve trabalhar a questão do bullying para que os agressores
não se transformem futuramente em “marginais” assim como vítimas e não acabe se retraindo
do ambiente escolar, negando-se por muitas vezes a frequentar o recinto ou então adquira
patologias ou sentimentos de vingança que futuramente possam prejudicar na sua vida.

A prática do bullying ocorre com mais frequência nas escolas, e nesse caso a
instituição tem o dever de buscar meios para solucionar estes problemas e todas as pessoas
inseridas neste recinto como família, gestores, professores e funcionários têm o dever de
colaborar para soluciona-lo. Segundo Fante (2011, p.174) “é no ambiente familiar que a
criança aprende ou deveria aprender a relacionar-se com as pessoas, respeitar e valorizar as
diferenças individuais, desenvolver a empatia e adotar métodos não violentos”.

Diante disto, entendemos que a parceria entre escola/família torna-se imprescindível


porque através dela, todos exercem sua cidadania, prática essencial para formação da criança
e do jovem. Já para Guareschi e Silva (2008) falam para os pais de crianças que praticam o
bullying da importância de manter a calma e conversa com seu/sua filho (a) para que eles
busquem conhecer os reais motivos que o levaram a agir desta forma e incentivam a mudarem
de atitudes. E ainda prosseguem destacando sobre a importância de que os pais não apliquem
castigos nem batam, mas sim procurem ajuda da escola e incentivem a criança a participar
de projetos solidários propostos pela instituição.

Entendemos que o bullying está presente cotidianamente no ambiente escolar, devido


está associado a situações de agressões intencionais verbais e/ou físicas que ocorrem de
maneira repetitiva por uma ou mais pessoas, porém esta prática muitas vezes é adquirida fora
do recinto, já que hoje em dia, as crianças são mais agitadas, às vezes sem limites e, em
muitos casos, não respeitam seus semelhantes, devido à falta de autonomia pelos pais, o que
gera uma série de conflitos internos e externos.
1

Quando estas crianças chegam à escola se deparam com uma diversidade de pessoas e
costumes, o que faz com que elas se adaptem ou não ao ambiente. E sendo assim, muitos
rejeitam as normas ou o próprio convívio.

A partir dessa característica desenvolvem ou demonstram comportamentos agressivos


de modo que geram uma série de problemas como indisciplina e déficit no aprendizado de
cada educando que pratica ou agride seu semelhante. Esta prática encontra-se presente em
quase todas as escolas do nosso país e possivelmente no mundo inteiro e independe de cultura
ou nível social, pois as pessoas que praticam, pertencem a vários segmentos da sociedade.

Uma das razões de quem pratica o bullying está associada a fatores educacionais que
porventura falharam no ambiente familiar, como por exemplo: a falta de limites e de valores,
punições físicas, convivência em ambientes violentos, autoritarismo familiar com
agressividade, ausência de regras de convivência bem como ausência de afetividade, dentre
outros fatores que contribuem para formação da criança agressiva e que se considera no
direito de não respeitar o próximo, fazendo com que ela sinta-se na obrigação de maltratar as
pessoas com as quais convivem.

Dessa forma, temos por objetivo discutir as práticas do bullying na Escola Estadual de
Ensino Fundamental Normal Médio Gama e Melo. Desenvolveremos neste trabalho um
estudo na qual aborde as causas e as consequências, tanto para as pessoas que praticam,
quanto para as crianças que se tornam vítimas o fenômeno do bullying.

Nos pautamos, teoricamente de autores como Ana Beatriz Barbosa Silva (2009),
Gabriel Chalita (2008), Cleo Fante (2011), Sônia Maria de Souza Pereira (2009), Içami Tiba
(2006), Nelson Pedro - Silva (2013), dentre outros. Vale destacar que estes autores
apresentados, estão ligados à educação uma vez que são educadores e psicólogos de modo que
suas preocupações são semelhantes, pois todos tentam mostrar à sociedade leitora que
devemos tomar conhecimento da gravidade que é a prática do bullying e desta forma,
possamos encontrar meios para solucionar e/ou minimizar tais problemas.

Partindo do pressuposto de que o bullying é um tema abrangente e que se faz presente


em vários segmentos da sociedade, sobretudo no setor educacional, nós
1

educadores sentimos a necessidade de aprofundarmos os conhecimentos referentes à


problemática para que assim saibamos lidar com situações a ela relacionadas.

Dessa forma, é imprescindível que os profissionais da educação tenham embasamento


teórico sobre o assunto para que os auxiliem em suas práticas pedagógicas levando-os a
executarem um trabalho significativo e relevante onde possam lidar com diversas situações
relacionadas ao bullying e à indisciplina.

No primeiro capítulo, abordaremos algumas definições sobre o bullying bem como


suas manifestações comportamentais e parceiros do combate ao bullying, baseados em alguns
teóricos que preocupados com a questão nos mostram conhecimentos envolvendo à temática.

No nosso segundo capítulo, discutiremos sobre as práticas e/ou estratégias de como


identificar o bullying no ambiente escolar, quais as consequências causadas pelo fenômeno,
como prevenir a violência escolar e social e os confrontos do bullying na escola.

E por fim, no nosso último capítulo apresentaremos as práticas do bullying na Escola


Estadual Gama e Melo, detectadas através da vivência cotidiana, assim como através de
aplicações de questionários com os alunos e de entrevista com a gestora da instituição.
1

CAPÍTULO 1

1. DEFINIÇÃO DO BULLYING

Segundo Silva (2010 p. 21), a palavra bullying ainda é pouco conhecida do grande
público. O termo é de origem inglesa e sem tradução ainda, no Brasil, mas é utilizada para
qualificar comportamentos violentos no âmbito escolar, tanto de meninos, quanto de meninas.
E quais comportamentos seriam estes? Agressões, assédios, ações desrespeitosas e todas
realizadas de maneira provocadora e intencional pelos praticantes.

Na percepção de Gabriel Chalita (2008) “o bullying é um comportamento ofensivo,


aviltante, humilhante, que desmoraliza de maneira repetida, com ataques violentos, cruéis e
maliciosos, sejam físicos, sejam psicológicos”. (CHALITA, 2008,
p. 82). Já para a educadora e pesquisadora Cléo Fante (2011, p. 27), “a palavra bullying é de
origem inglesa e adotada em muitos países para definir o desejo consciente e deliberado de
maltratar outra pessoa ou colocá-la sobre tensão”.

Partindo destes pressupostos pode-se entender que bullying, significa violência contra
pessoas frágeis de diversas formas possíveis: físicas, psicológicas, étnicas, raciais, religiosas,
sexuais e verbais. Estas formas de violência são reconhecidas ou detectadas nas escolas, nos
lares, em locais de trabalho, asilos, onde a prática acontece contra os idosos, em
agrupamentos de ruas, bairros ou cidades transformando-se em uma questão social bastante
preocupante já que a sociedade ainda não disponibiliza de leis ou subsídios de prevenção ou
erradicação.

A percepção dessa prática também acontece nas escolas, uma vez que o educador, com
sua pedagogia detecta melhor o comportamento dos alunos. E nessa percepção, ele entende
que esta prática influi muito o ambiente escolar, seja relacionado ao aprendizado do
educando, seja na convivência pessoal, visto que transforma o espaço em um lugar de atritos,
indisciplina, desunião dentre outros problemas.

Segundo Pereira (2009) menciona que um dos pioneiros a detectar o problema de


forma específica, foi o pesquisador norueguês da universidade de
1

Berger, Dan Olweus que percebeu os incidentes e gozações ou brincadeiras entre os


indivíduos. Esse estudo detectou que

A cada sete alunos, um estava envolvido em casos de bullying. Diante desta situação
o governo norueguês apoiou uma campanha nacional para reduzir essa prática e
como de fato aconteceu, reduziu em cerca de 50% os casos de bullying nas escolas.
Diante deste sucesso, outros países como Reino Unido, Canadá e Portugal
promoveram campanhas de intervenções semelhantes. (PEREIRA, 2009, p. 33-34).

O programa desenvolvido por Olweus continha regras práticas contra o bullying nas
escolas, como alcançar o envolvimento dos educadores e dos pais através da conscientização
do problema apoiando e protegendo as vítimas. Este programa consistia na adoção de um
questionário de aproximadamente vinte e cinco questões com respostas e múltipla escolha e
que verificavam diversas questões dentre elas, a frequência do aluno, os tipos de agressões e
de agressores, locais onde ocorriam tais práticas. O objetivo deste questionário era identificar
as vítimas e os agressores, pelas próprias crianças.

Estas agressões, para que sejam confirmadas propriamente como bullying, se faz
necessário que ocorram, no mínimo três vezes contra a vítima durante o ano. O que torna
corriqueira esta prática, devido isto acontecer frequentemente no ambiente escolar,
principalmente as agressões, verbais. Estes acontecimentos muitas vezes dificulta o curso das
aulas, visto que o educador interrompe sua aula para fazer algumas reclamações e/ou
indagações nas quais os envolvidos possam refletir sobre valores humanos e o respeito pelo
próximo.

Nelson Pedro Silva (2013, p. 139) diz que “uma das formas de se diminuir a
indisciplina e a prática do bullying nas escolas é motivar os alunos”. Talvez esta seja uma
regra importante já que, a maioria dos jovens não sente motivação pelos estudos devido à
escola ser um lugar não muito atrativo e talvez ainda, porque nós educadores estejamos presos
ao passado usando uma metodologia ultrapassada, enquanto os jovens vivem intensamente a
era digital. Desta forma precisamos também buscar metodologia eficaz para que assim
consiga atrair em nosso público o interesse pelo saber e não pela violência.
1

Abarcarmos a ideia de Pereira (2009), quando o autor diferencia indisciplina de


bullying enfatizando que

A indisciplina pode ser resolvida com o diálogo entre profissionais da escola,


alunos e família. Enquanto que o bullying não é tão fácil de solucionar já que ele
necessita de uma intervenção mais precisa, de um trabalho intenso com profissionais
de áreas afins. (PEREIRA, 2009, p. 52)

Dessa forma entendemos que a escola precisa realizar um trabalho que envolva
parcerias entre família, profissionais da saúde bem com da educação, para “combater” o
fenômeno do bullying.

1.1. Manifestações comportamentais do bullying

Cada ser humano é único com suas especificidades. As pessoas que praticam o
bullying apresentam formas comportamentais distintas como a direta e a indireta. A forma
direta é constituída pelas agressões físicas como bater, tomar pertences, empurrar. Já a forma
indireta está inserida agressão verbal (pôr apelidos ou insultar) e ainda existe outra forma
comportamental que é a psicológica (amedrontar, intimidar, fazer gozações, constranger e
fazer acusações injustas, ridicularizar ou infernizar a vida dos outros).

O bullying também se manifesta na forma sexual como abusar, violentar, assediar,


insinuar, entre outros. As vítimas não relatam o acontecido por medo de represálias e das
ameaças que o agressor faz. Temos ainda o bullying virtual (ciberbullying), o mesmo é
praticado através de e-mail, msn, Orkut, blogs, facebook, entre outros veículos utilizados na
rede de relacionamentos pela internet. O usuário muitas vezes é vítima deste tipo de bullying,
o que prejudica muito sua imagem ou reputação, uma vez que expõe para população que
acessa tal rede. Isto causa sofrimento e transtorno psicológico irreparável para a vítima assim
como para as pessoas próximas a ela.

Segundo Pereira (2009), baseado em estudiosos sobre o tema destacou que pesquisas
realizadas em escolas da Europa e do Brasil, entre os anos de 2000 e
1

2004 constataram que os meninos se envolveram mais que as meninas em situações de


bullying/agressividade, sendo que os meninos preferem a forma de agressões diretas, já as
meninas preferem as formas indiretas.

Por portar um físico mais forte, os garotos, na maioria das vezes, intimidam suas
vítimas com chantagens e/ou agressões físicas, transformando a vida destes em um martírio
ou pesadelo. Algumas vítimas procuram ajuda de profissionais para que sua autoestima não
seja comprometida. Já outros, guardam para si, todo o sofrimento vivenciado o que gera
traumas irreparáveis, transformando-os em adultos depressivos ou agressivos. Há ainda os que
desenvolvem transtornos psiquiátricos sérios como medo, depressão, bulimia, ansiedade,
compulsão, anorexia, psicoses, dentre outros.

Na maioria das vezes estas pessoas vão desencadeando um pensamento de vingança e


mentalmente arquitetam planos para pôr um fim em seu sofrimento. De repente chegam a
vingar-se por todo sofrimento que viveram e terminam exterminando, na maioria das vezes,
pessoas inocentes. Em seguida, praticam suicídio. Diante de situações como estas, resta-nos
perguntar: Quem é o verdadeiro culpado? Quem foi ou foram a(s) vítima(s)? Por que isto
aconteceu? Como poderia ter sido evitado? Porém para estas indagações ainda não há
respostas.

A sociedade deve perceber que o bullying é uma forma de comportamento abusivo,


que entra na vida das pessoas, às vezes de maneira banal e imperceptível aos nossos olhos, e
que quando nos deparamos somos responsáveis por tamanha gravidade, pois em muitos casos
ele ocorre através de uma simples brincadeira ou de um ato impensado.

O bullying não é praticado ou vivenciado somente nas escolas pelos alunos. Em


algumas situações o professor tanto pode ser vítima como também pode ser o agressor. Por
exemplo, em casos quando o educador não demonstra muita empatia por determinado aluno,
ele acaba de certa forma gerando conflitos e até incitando a violência. Em outros casos
quando o professor “protege” determinado aluno e ignora os demais sem dar-lhes atenção. Já
no caso em que os professores são as vítimas, estes são ameaçados, apelidados ou até mesmo
agredidos, por muitas vezes eles também ocultam o fato por medo de serem rotulados como
incompetentes ou sem
2

autonomia. Casos como estes, ocorrem mais em instituições privadas, devido o aluno ser
aceito como cliente e o educador como empregado.

Acreditamos que as instituições, bem como os representantes legais da Nação


precisam investir em políticas públicas que trabalhe esta problemática para que a mídia não
destaque casos com finais trágicos com pessoas envolvidas em bullying.

1.2 Parceiros do combate ao bullying

A escola é um espaço de aprendizado e também de socialização formada por seres


humanos que apresentam comportamentos distintos. E assim é neste espaço que ocorrem as
práticas saudáveis e nocivas, como os casos de indisciplina e bullying, os mesmos causam
vários transtornos no recinto escolar como: xingamentos, agressões físicas e/ou verbais,
dentre outros.

Para combater e/ou minimizar esses problemas se faz necessário que a escola encontre
parcerias junto a toda comunidade escolar e sociedade de modo geral no intuito de encontrar
soluções que possam sanar tais problemas. Uma parceria relevante ao combate é a
participação ativa da família, visto que o educando tem um contato bem mais abrangente no
cotidiano, pois como enfatiza Chalita (2008, p. 179), “quando as relações familiares são
adequadas à participação e à convivência, as chances de os filhos terem um bom convívio
social fora de casa são maiores”.

Outra parceria de combate que pode dar uma significativa contribuição é a


comunidade local, na pessoa do representante do Conselho escolar. Este órgão pode
sugerir contribuir e participar ativamente deste combate. Podemos contar também com o
Conselho Tutelar o mesmo apoia, orienta e em alguns casos, interveem legalmente na
tentativa de solucionar o problema. Este órgão tem o dever de cobrar dos pais ou
responsáveis todas as responsabilidades que devem ter com o filho/a/s, ou seja, com o/a/s
educando/a/s.
2

Conforme Tiba (2006, p. 158) “o bullying só é interrompido pela interferência de


pessoas que tenham autoridade sobre seus praticantes”. Essa autoridade mencionada, não é
exercida através da força física, e sim através do diálogo, da comunicação, pois como ressalva
Chalita (2008, p. 191) “A comunicação é o
elemento humanizador que aproxima as pessoas, cria identificação e cumplicidade, clarifica
as semelhanças e esclarece as diferenças”.

Seguindo ainda na compreensão desse autor, vai além quando menciona que:
“por meio do diálogo, as pessoas aprendem sobre as outras. Aprendem a compreender e a ser
compreendidas, a confiar e a se tornarem confiáveis. A escola precisa de professores e alunos
confiáveis”. (CHALITA, 2008, p.192).

Deste modo, compreendemos que para combater o bullying e a indisciplina no


ambiente escolar, a escola necessita de um gerenciamento bastante eficiente que priorize a
prática democrática, visto que o gestor é antes de tudo um líder, que desempenha suas funções
visando o trabalho participativo o qual mobiliza todos os segmentos ligados direta ou
indiretamente como família, comunidade, Gerência Regional de Educação, entidades, bem
como o educando, elemento principal para que tudo isto exista enfatizando que sem ele,
jamais haveria os outros membros mencionados.

No capítulo seguinte iremos abordar formas de identificação do bullying no ambiente


escolar, sua prevenção a esta violência e como as escolas reagem e confronta este problema.
2

CAPÍTULO 2

2. O BULLYING NO ESPAÇO ESCOLAR

O bullying é uma prática abusiva e camuflada, que ocorre principalmente no ambiente


escolar, por parte de quem pratica o ato e muitas vezes pela pessoa agredida. Porém existe
outro participante deste ato chamado expectador. Ele presencia agressões ou conhece alunos
que são agredidos, mas não toma nenhuma posição, nem a favor nem contra. Para alguns
estudiosos esta pessoa é tão culpada quanto os agressores devido à omissão dos fatos. E esta
atitude do expectador se faz bastante presente nas escolas, já que muitos agressores intimidam
seus colegas verbalmente e/ou até fisicamente.

Na maioria das vezes o agressor ameaça a vítima, caso ela exponha seu sofrimento. A
estudiosa Cleo Fante (2011, p. 49) relata que “é comum que a vítima não conte para os
professores e para os pais o que lhe acontece na escola”. Isto ocorre porque a pessoa se sente
ameaçada, uma vez que boa parte de sua vida é no ambiente escolar e caso relate, as
agressões poderão ocorrer com mais intensidade. Geralmente o bullying é praticado por
indivíduos considerados “fortes” diante dos mais “frágeis”.

O que prevalece em sua maioria e que o agressor consegue fazer com que os outros
alunos unam-se a ele, gerando grupos ou gangues. A pessoa escolhida, ou seja, a vítima,
geralmente foge dos padrões “normais” como aparência física, forma de se vestir e em muitos
casos por ser o melhor da turma, o que causa rivalidade diante dos outros. Segundo Pereira

O bullying tem como principal característica de ser uma manifestação desigual de


poder, a qual a vítima não consegue se defender com facilidade, nem tampouco
buscar ajuda, porque em alguns casos ou ela tem medo de represálias ou às vezes, o
adulto não dá a devida atenção para o problema relatado pela criança deixando-a
exposta ainda mais ao agressor. (PEREIRA, 2009, p. 42-43)
2

Diante desta atitude por parte do adulto, a criança desenvolve sequelas as quais
prejudicarão sua autoestima, e em muitos casos, por toda vida, como exemplo, não gostar da
escola, bem como não querer mais frequentar, isolar-se por recear que todos passem a tratá-la
de forma semelhante. Desenvolverá pensamentos negativos e pessimistas para com ela e com
os outros, enfim, não acreditará que o ser humano é bom e pode contribuir para a construção
de um mundo melhor e mais humanitário.

Desta forma, a escola deve oferecer a esta criança um espaço solidário e estimulador e
que não apenas transmita conhecimentos, mas que valorize cada ser, ali existente. Segundo
Pereira (2009, p. 43), ressalta que alguns estudiosos como Carvalhosa, Lima e Matos (2001),
Debarbieux e Blaya (2002), Pereira (2002), Fante (2005) e Lopes Neto (2005) acreditam que
as pessoas praticantes de bullying pertencem a famílias desestruturadas. Porém tal,
comportamento não há somente neste tipo de classe social, uma vez que existem bullys,
pertencentes a famílias bem estruturadas e que desenvolvem comportamentos agressivos.

E segundo alguns autores, essas pessoas sentem prazer em ofender ou agredir o seu
semelhante, pois os tornam superiores aos demais. Eles acham que agindo assim serão mais
“respeitados e valorizados” na instituição. Outros, ainda, praticam o bullying, porque também
são vítimas e como atitude de defesa ou vingança termina retribuindo do mesmo modo.

2.1 Como identificar o bullying no ambiente escolar?

Os educadores precisam, através do estudo, descobrir estratégias ou formas educativas


que excluam a punição e elevem a autoestima dos seus alunos. O incentivo é uma forma
positiva de tratamento dado aos alunos, pois desperta neles a confiança de que são
importantes e que têm seus valores. Pereira apud Royer (2009, p. 5), escreveu: “um simples
‘parabéns’ como aprovação dada ao aluno pelo professor, contribui para o aumento da
autoestima”. Também dar atenção aos comportamentos positivos, já foi constatado ser
adequado e bastante eficaz.
2

E como detectar que uma criança está sendo vítima de bullying? Para Fante (2011).
Para que um aluno possa ser identificado como vítima

Os professores devem observar se ele apresenta alguns comportamentos como: ficar


sempre isolado na hora do recreio ou procura ficar perto do professor ou de um
adulto; tem dificuldade de falar diante dos outros alunos e fica ansioso e inseguro;
mostra-se contrariado, deprimido, triste ou aflito; não é organizado diante das tarefas
feitas; perde constantemente seus pertences; regularmente falta às aulas; às vezes
apresenta ferimentos, contusões ou está com roupas rasgadas. (FANTE, 2011, p.74-
75)

E por que tudo isto passa despercebido? Em alguns casos, deve ser porque o professor
preocupa-se simplesmente em transmitir seus conhecimentos e não demonstra muita
afetividade com seus alunos.

Porém o educador, além de exercer seu papel deverá demonstrar laços de amizade e
respeito com seus educandos, demonstrando que antes de ser educador também é um ser
humano e que sabe transmitir confiança, afeto e carinho caso eles necessitem. Já por outro
lado, a ausência de percepção ocorre devido o aluno sentir-se envergonhado por estar
sofrendo gozações ou até apanhando. Ele sente medo e não tem coragem de contar para um
adulto, por achar que as agressões possam aumentar.

Para os pais das pessoas vítimas de bullying, alguns especialistas recomendam que
eles procurem elevar a autoestima dos seus/suas filhos/filhas, fazendo-os perceber suas
qualidades e capacidades evitando não culpa-los pelo que lhe está acontecendo tão pouco
incentivem a revidar aos ataques sofridos, para que não transforme na lei do “olho por olho,
dente por dente”, tendo em vista que desta forma, a violência só aumentaria.

2.2 Consequências do bullying na escola

Devido à gravidade do problema vivido pela pessoa que está sendo alvo de bullying,
os problemas por muitas vezes chega a ser irreparáveis, já que o bullying pode causar
prejuízos às vítimas como o de construir família, ingressar no campo de
2

trabalho, perda no rendimento escolar, comprometimento na saúde física e mental. Poderá


ainda desenvolver fobia social e complicações emocionais.

Essas pessoas acabam por precisar de ajuda de alguns profissionais da saúde, bem
como da família e da escola para que aprendam a superar seus medos. Sabemos que nem
todos conseguem, e essa não superação como relata Fante (2011, p. 79)

Pode acarretar danos no psiquismo, gerando sentimentos negativos e pensamentos


de vingança, baixo autoestima, dificuldades de aprendizado, transtornos mentais e
psicossomáticos, transformando-o em um adulto com dificuldades de
relacionamentos e com outros graves problemas, ou ainda praticar o bullying no seu
local de trabalho, posteriormente.

Em seguida a autora nos apresenta que dependendo da intensidade do sofrimento


vivido a vítima poderá desenvolver ações adversas como

Enurese, taquicardia, sudorese, insônia, cefaleia, dor epigástrica, bloqueio dos


pensamentos e do raciocínio, ansiedade, estresse e depressão, pensamentos de
vingança e de suicídio, agressividade, impulsividade, hiperatividade, abuso de
substâncias químicas. (Fante, p. 80).

Diante de tantas sequelas irreparáveis, a sociedade (família, escola, profissionais da


saúde) precisa encontrar soluções para combater ou minimizar essa prática abusiva e
prejudicial, em qualquer ambiente, seja escolar, familiar ou social. Estas soluções devem ser
encontradas através de conhecimentos, e para isto se faz necessário busca-los.

A sociedade sempre ouve, através de noticiários, casos de violência envolvendo o


bullying, no entanto, muito pouco se busca ou fala em meios para sanar tal problema. Para
muitos estes casos são isolados e não merecem tanta atenção.

Porém, segundo Silva (2010, p. 173), “a luta antibullying deve ser iniciada desde
muito cedo, já nos primeiros anos de escolarização”. Nessa fase da vida, as crianças estão em
processo de construção de ideias, formação de valores e serão
2

capazes de assimilar seus conhecimentos, transformando-as em multiplicadoras, capazes de


educar seus familiares e demais educadores. E neste cenário educativo da família e da escola
encontram-se os valores como solidariedade, respeito às diferenças, à tolerância, cooperação,
justiça, dignidade, amizade e amor ao próximo.

2.3 Como prevenir a violência na escola e na sociedade?

Atualmente tem-se falado com certa frequência em violência familiar bem como
escolar. Sendo assim, a preocupação em encontrar meios que favoreçam para que esta prática
seja minimizada e/ou abolida cresce cotidianamente. Segundo Tiba (2006, p. 159),

A violência é uma semente colocada na criança pela própria família ou pela


sociedade. Se ela encontrar terreno fértil dentro de casa, se tornará uma planta
rebelde na escola, expandindo-se depois em direção à sociedade.

Se esta violência é gerada em casa, resta-nos indagar: O que fazer enquanto cidadão,
educador e/ou representante da sociedade para solucionar tal problemática? E quanto às
famílias, o que poderá ser feito para reverter tal situação?

Para estes questionamentos talvez não tenhamos uma resposta concreta, porém, os
representantes da sociedade têm que criar políticas públicas as quais ofereçam programas
educativos que apresentem conhecimentos e valores primordiais para uma vivência digna e
pacífica, mostrando que a violência gera uma série de problemas pessoais e profissionais.
Sem contar que compromete o ambiente escolar afetando o ensino-aprendizagem e a
indisciplina. De acordo com Chalita (2008, p. 168),

A violência que invade ou nasce no espaço familiar se expande para todos os outros
segmentos da sociedade como uma teia de relações destrutivas que se reproduz e
contamina os ambientes e as pessoas.
2

Esta violência acompanhará a criança em todos os ambientes que ela frequentar,


principalmente a escola já que ela se sente no direito de destratar ou agredir colegas e
professores, devido à mesma achar que através da violência se pode vencer qualquer
obstáculo. Muitas vezes a criança que pratica o bullying desconhece tamanha gravidade pelo
ato cometido por conviver cotidianamente com a violência. Ela pratica de forma natural e
espontânea visto que aprende aquilo que vivência.

Uma estratégia para minimizar ou erradicar essa violência que é bullying na escola
deve partir da adoção de projetos aos quais ressaltem conhecimentos direcionados para
valores humanos como: respeito às diferenças, convivência, solidariedade, companheirismo,
dentre outros, e que estes possam envolver família, escola e sociedade. Para Fante (2011, p.
92), menciona que

Sensibilizar e envolver toda a comunidade escolar na luta pela redução do


comportamento bullying, torna-se tarefa imprescindível, uma vez que o fenômeno é
complexo, de difícil identificação, manifestando-se de maneira sutil e velada, e por
garantir uma propagação através da imposição da lei do silêncio.

Seguindo esta linha de raciocínio, a escola, por ser um espaço reprodutor de


conhecimentos tem um papel primordial no combate ao bullying, já que desempenha não
apenas a função social de transmitir conhecimentos, mas sim um papel de acolhimento que
respeita e trata a todos por igual indistintamente.

Envolver toda sociedade no combate ou na minimização do bullying é imprescindível,


visto que sua complexidade compromete não somente o aprendizado da pessoa agredida e
sim sua vida como um todo já que as consequências, na maioria das vezes são irreversíveis
pelo fato de o bullying agir sorrateiramente e imperceptível. Segundo Fante (2011) afirma que

A prevenção ao bullying deve começar pela capacitação dos profissionais de


educação, a fim de que saibam identificar, distinguir e diagnosticar o
2

fenômeno, bem como conhecer as respectivas estratégias de intervenção e de


prevenção hoje disponíveis. (FANTE, 2011, p.92)

Alguns estudiosos vêm desenvolvendo projetos voltados para a prática e a vivência de


valores como a ética, a moral e a cidadania os quais visam à redução da violência doméstica e
escolar. Partilhamos a ideia da autora quando afirma que “para alcançarmos êxito na redução
da violência, precisamos, primeiramente conquista-la na escola” (FANTE, 2011, p. 209).

Alguns valores como tolerância e solidariedade são almejados pela sociedade, pois
eles são elementos primordiais para a construção da paz, já que “a violência pode ser
desaparecida e a tolerância e a solidariedade ensinadas” (FANTE, 2011, p. 93). Tais medidas
ajudarão a criança a conviver e reconstruir um mundo melhor. Estas atitudes de mudança
deverão ser desenvolvidas pela escola na qual o diálogo e o respeito sejam vivenciados,
valorizados e assumidos por todos os envolvidos no processo educacional. Silva (2010, p. 51-
52) ressalva que

Torna-se possível elaborar estratégias escolares e sociais que possam ajudar a


recuperar os jovens que se comportem de maneira agressiva e violenta, em função
de circunstâncias desfavoráveis nas quais estejam envolvidos (lares desestruturados,
doenças familiares graves, pais excessivamente permissivos, etc).

A autora vai além e diz que “tais jovens, mesmo com atitudes erradas, merecem nossa
ajuda e precisam dela, pois sofrem com seus atos e suas respectivas consequências”. (SILVA,
2010, p.52). Sabemos que muitos desses jovens possuem ou já possuíram boa índole, porém
desenvolveram práticas erradas, transformando-se em delinquentes e estão esperando que
alguém os resgate e ofereça ajuda para mudarem suas vidas e voltar ao convívio social de
harmonia e paz, no qual o valor primordial seja o respeito e amor ao próximo.

Esses valores devem e/ou deveriam ser praticados ou aprendidos no ambiente


familiar, todavia a ausência dos responsáveis, na maioria das vezes por estarem envolvidos
com o trabalho ou até por negligência, passam a
2

responsabilidade para outras pessoas ou para a escola. Segundo Chalita (2008, p. 195) relata,

Que os pais cobram da escola. A escola responsabiliza os pais. A sociedade exige


que a escola professe valores de solidariedade e respeito ao próximo que ela mesma
ignora. É ingênuo acreditar que um único segmento seja capaz de, isoladamente,
erradicar a violência.

O que podemos perceber diante disto é que nenhum segmento assume sua
responsabilidade pelo fracasso já que todos tentam encontrar um culpado. Desta forma se faz
necessário que a sociedade em geral se una em prol de um mesmo objetivo, o de minimizar a
violência dentro da instituição escolar e isto será possível através do resgate e da vivência de
valores. Basta inseri-los no nosso cotidiano, na vivência enquanto família ou enquanto
educador.

A qualidade da educação inclui cuidados e responsabilidades com nossas crianças e


com nossos jovens que estão vulneráveis à violência e esta ação não pode ficar fora do Projeto
Político Pedagógico da escola. Cabe à instituição elaborar um projeto em consonância com a
realidade, que possa inserir todos os alunos: agressores, vítimas e espectadores da violência,
uma vez que todos fazem parte do mesmo ambiente. Chalita (2008, p. 213) vai além e diz:

É preciso construir coletivamente uma ação que fortaleça o conceito de respeito e de


amizade entre os integrantes do processo educativo. A escola tem de ser um espaço
acolhedor em que as relações de amizade sejam construídas como um exercício para
a vida. A ética, o respeito, o cuidado com o outro plantados na escola e na família
terão o poder de fazer florescer a cidadania num outro jardim.

É do nosso conhecimento que a escola e a família, são responsáveis pelas ações


educativas, e sendo assim, devem realizar um trabalho de parceria, nos quais agreguem
valores primordiais ao ser humano como a ética, cidadania, respeito ao próximo e às
diferenças, dentre outros que torne o cidadão uma pessoa de bem. Já que o conhecimento e a
prática destes valores contribuem para uma convivência harmoniosa e sem conflitos em
qualquer recinto.
3

2.4 A escola e o confronto ao bullying

Combater o bullying no ambiente escolar pode não ser uma tarefa fácil, porém não
significa impossível. Diante disto se faz necessário que toda comunidade esteja unida e
preparada para este confronto. Sabemos que o bullying não é um problema restrito apenas a
algumas escolas, já que ele é praticado em todos os ambientes escolares, iniciando muitas
vezes no próprio ambiente familiar. É do nosso conhecimento também que esta prática é
causadora de vários problemas ou conflitos perante os efeitos deixados, muitas vezes, para
sempre na vida das vítimas de bullyning.

Silva (2010, p. 156), menciona que o fenômeno “interfere drasticamente no processo


de aprendizagem e de socialização de crianças e de jovens”. Este relato mostra que as
consequências deixadas se proliferam por toda existência em virtude das experiências
traumáticas difíceis de serem esquecidas ou eliminadas da memória.

Um fator de grande relevância para combater o problema é identificar e assumir sua


existência, que segundo Silva (2010, p. 118), “a omissão do fato, torna- se danosa para todos,
pois dificulta e até impossibilita as ações de prevenção que poderiam impedir o aumento do
problema”. Outra forma de combate, apresentada pela autora “É que os profissionais da
educação, de saúde mental, de assistência social, da área do Direito devem adquirir o máximo
de conhecimento sobre o assunto”. (SILVA, 2010, p. 156). E dessa forma cada profissional ao
se deparar com o problema, pode contribuir com a escola e mostrar soluções eficazes para
cada caso.

Partilhamos da ideia de Fante (2011, p. 106) quando autora menciona que,

Proporcionar à comunidade escolar a refletir sobre sua própria realidade é dar-lhe o


direito de exercer a cidadania, a democracia e a criatividade na busca de soluções
para seus próprios problemas, vivenciando valores existentes no comportamento dos
educandos.
3

A vivência da cidadania possibilita o ser humano interagir de forma dinâmica e


educativa em todos os segmentos no qual ele está inserido já que é um processo que se
constitui cotidianamente através do respeito à diversidade. A escola é um espaço privilegiado
para oferecer já que a criança convive com a complexidade, diversidade, sentimentos,
emoções, valores individuais, entre outros. A autora Fante 2011 (p. 134) ainda vai além
quando menciona que

O estudo de uma situação-problema enfrentado por alguns integrantes do grupo


possibilita aos alunos, a busca de decisões conjuntas, o respeito mútuo, o
compromisso na solução e na elaboração de projetos coletivos e o estabelecimento
de relações de reciprocidade.

Seguindo a linha de pensamento de Fante (2011), em referência à reciprocidade, ela


ainda possibilita a aprendizagem de valores como tolerância, solidariedade e agrega
horizontes para a aprendizagem de outros valores. E, se tratando de valores, estes foram se
perdendo no decorrer dos tempos e da modernidade, visto que atualmente as famílias, muitas
vezes preocupadas em dar o melhor para seus filhos, dedicam maior tempo ao trabalho e
acabam esquecendo que os mesmos, necessitam da presença humana, do carinho e não
somente de bens materiais.

Esta preocupação excessiva de trabalho compromete a assistência que eles deveriam


dar aos filhos, principalmente em relação à educação comprometendo não somente o ensino-
aprendizagem, mas, sobretudo na disciplina e comportamento de alguns educandos o que faz
gerar conflitos e mau comportamento por alguns alunos. Segundo Chalita (2008, p. 97)

O compromisso de educar, na escola, na família ou em qualquer ambiente de


convivência, além de ético pela natureza da ação, precisa ser afetuoso para acolher
agressores, vítimas e espectadores, caso contrário será reprodutor da intolerância.

O autor mostra-nos que não basta livrarmos do agressor, mas daquilo que o agride, que
o prejudica e o oprime. Dessa forma, utilizaremos a prática da tolerância,
3

ação esta, que a maioria de nossos educandos desconhece, já que eles utilizam intensamente a
agressividade no cotidiano. Muitas vezes se agridem verbalmente e até fisicamente por coisas
banais o que comprova a falta de conhecimento e/ou a vivência da tolerância.

Para isto basta nos aproximarmos do agressor e realizarmos algumas indagações


como: que motivo o faz praticar tal ato se somos humanos, imagem e semelhança de Deus?
Como se sentiria caso os papéis se revertessem? Gostaria que as pessoas agissem dessa
mesma forma com pessoas próximas a você? E prossegue realizando outros argumentos os
quais objetivem ao agressor, a percepção de que tais atitudes contribuem para a infelicidade
das pessoas agredidas e o torna um ser sem amor ao próximo.

Segundo Tiba (2006, p. 158) “O enfrentamento do bullying, além de ser uma medida
disciplinar, também é um gesto cidadão bastante educativo, pois prepara os alunos para a
aceitação, o respeito e a convivência com as diferenças”. Esta convivência educa o indivíduo
e faz perceber que todos somos seres humanos dotados por inúmeras diferenças, qualidades,
defeitos, inteligência e sendo assim, somos obrigados a convivermos socialmente. Respeitar o
próximo, além de ser um ato cristão, é também humano, devido ele ser dotado de inteligência
e sabedoria.

Para Silva (2010, p. 118), “A boa escola não é aquela onde o bullying não ocorra, mas
sim aquela que, diante da existência, sabe enfrenta-lo com coragem e determinação”.
Acreditamos que praticamente todas as escolas vivenciam este fenômeno. Para tanto, é
preciso engajamento dos integrantes da instituição e juntos, possamos encontrar soluções nas
quais objetivem a diminuição ou erradicação deste fenômeno. Já para Pereira (2009, p. 60),

A escola precisa voltar a assumir seu papel de ambiente acolhedor, pacífico e de


aprendizagem. E que a família precisa estar mais presente na vida das crianças e
jovens, proporcionando um ambiente tranquilo e seguro, com exemplos reais de
vida, gerando cidadãos saudáveis em todos os sentidos.

Embora a família tenha um papel primordial na educação de seus filhos, visto que é a
primeira instituição que educa, ela precisa ser atuante, participativa e
3

conhecedora da vida escolar, se fazendo presente e acompanhando o progresso ou o fracasso,


cobrando mais da escola e dando sua contribuição quando solicitada.

Quanto à escola, cabe acolher estas pessoas e transmitir o que há de melhor,


oferecendo sempre uma educação de qualidade, um ambiente agradável e acolhedor, onde o
respeito e a igualdade torne-se realidade. Somente através da educação podemos formar uma
sociedade mais justa e igualitária, uma vez que a educação não se faz sozinha e sim através de
parcerias.

Em nosso último capítulo iremos tratar das práticas e da convivência do bullying na


Escola Gama e Melo, bem como dos alunos que sofrem e/ou pratica esse fenômeno no
cotidiano escolar.
3

CAPÍTULO 3

1. A PRÁTICA DO BULLYING NA ESCOLA ESTADUAL GAMA E MELO

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Normal Médio Gama e Melo localiza-se na


Avenida Presidente João Pessoa, 460 no Centro de Princesa Isabel- PB a 450 km da capital
paraibana, João Pessoa. A escola atende a uma clientela em sua maioria de baixa renda, filhos
de agricultores. Os trabalhos escolares estão distribuídos nos três turnos divididos da seguinte
forma: segunda fase do Ensino Fundamental (6º ao 8º anos) nos turnos matutino e vespertino,
o Ensino Médio na modalidade Normal no turno noturno, com apenas a turma do 4º ano
Normal. Abaixo uma fotografia da Escola Gama e Melo.

Foto 01 Imagem externa da Escola Gama e Melo. Fonte: Autora – 09 Jun. 2014.

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Médio Gama e Melo não é diferente das
demais, em relação à questão do bullying. Para conhecer a real situação desta prática em
nossa escola, utilizamos de questionários na qual foi respondido por alunos dos 7º e 8º anos
do ensino fundamental dos turnos matutino e vespertino que atende uma clientela com faixa
etária entre onze (11) e quinze (15) anos de idade. No questionário, continham alternativas
objetivas e subjetivas em
3

que os alunos respondiam e em seguida justificavam, opinavam suas respostas assim como
sugeriam quando necessitavam. Observamos abaixo as questões contidas no questionário,
aplicados com os alunos:

Questões para os alunos dos 7º e 8º anos responderem


1. Você já conhecia o significado da palavra bullying? ( ) Sim ( ) Não
Em caso afirmativo, justifique sua resposta.
2. Você já praticou o bullying alguma vez no ambiente escolar ou fora dele? (
) Sim ( ) Não
Em caso afirmativo, justifique sua resposta.
3. Você conhece pessoas que praticam o bullying? ( ) Sim ( ) Não
Em caso afirmativo, marcar: ( ) Várias ( ) poucas
4. Em que espaço físico da escola, esta prática ocorre com maior
frequência?
5. Como reage a vítima do bullying?
6. E você, que motivo apresenta para desenvolver este ato?
7. Você considera esta prática uma forma de violência? Por quê?
8. Que atitude a escola toma diante deste fato?
9. E você, o que pode fazer para mudar de atitude, bem como, conquistar
seu colega a não praticar o mesmo ato seu?
10. Em se tratando do ensino-aprendizagem, você acha que isto contribui
para o não aprendizado da pessoa agredida, ou seja, da vítima?
11. Que sugestões você poderia dar para minimizar ou abolir esta prática
em nossa escola?

Quanto às respostas apresentadas em relação ao conhecimento da palavra bullying,


mais de noventa por cento (90%) dos nossos discentes conhecem, todavia, aproximadamente
oitenta por cento (80%) já praticaram e/ou praticam o fenômeno. A maioria justificou a
realização desta prática agressiva, pelo motivo de revidar agressão, ou seja, retribui da mesma
forma a agressividade ao outro. Já uma minoria alegou que faz por vontade própria, para rir
da “cara” deles.
Esta prática encontra-se mais perceptível na forma direta já que nossos educandos se
agridem verbalmente com bastante frequência, bem como destroem pertences de seus colegas.
Nesses casos, em algumas vezes a direção dialoga com os envolvidos e em outras age de certa
forma com punições, mandando chamar os pais e/ou responsáveis para comunicar o fato
ocorrido e também para solicitar auxílio na resolução do problema.
3

Em relação à retribuição das agressões isto é uma atitude preocupante já que a


violência gera violência. Diante disto, a escola deve trabalhar para que o alunado não resolva
por conta própria, porque agindo dessa forma o conflito só agrava ou piora. A escola,
enquanto entidade, educativa deve desenvolver atividades e/ou projetos que envolvam a
convivência e o respeito com o próximo já que existem políticas públicas preocupadas com os
direitos humanos. Neste sentido, Miranda (2011, p.19), diz que

O primeiro passo é sensibilizar os educandos para formas de convivência baseadas


na solidariedade, na tolerância e no respeito às diferenças, objetivando não apenas
evitar a violência nas suas mais variadas manifestações, mas realmente
promover a vivência de valores essenciais para a formação de cidadãos pacíficos e
conscientes de sua responsabilidade social.

A questão de trabalhar valores é referendada por vários autores que retratam esta
temática, devido ser este uma prática extinta na sociedade, já que muitas famílias não
vivenciam e/ou desconhecem. Sabemos que a desestrutura familiar é procedente pela não
vivência de valores, principalmente pela falta de hierarquia familiar, onde todos, desde as
crianças, até os adultos fazem o que querem sem que necessitem justificar-se para alguém. A
inexistência desta autoridade gera conflitos no âmbito escolar, de modo que nos deparamos
com alunos agressivos, rebeldes e indisciplinados e que não respeitam ninguém.
Outra questão que talvez, nos causou impressão, é que esta prática, na maioria das
vezes acontece dentro da sala de aula. E por muitas vezes o educador presencia. Sendo assim
resta-nos indagar: Que atitude nós enquanto educadores, podemos tomar para solucionar ou
subtrair esta problemática? Como devemos proceder ou agir?
Para Pereira (2009, p. 74) diz que “É preciso estabelecer diálogo entre escola e
família, para juntos buscarem soluções cabíveis”. Além dessa parceria escola/família, a
instituição escolar deveria contar com ajuda de outros profissionais como supervisores,
coordenadores pedagógicos, psicólogos e demais pessoas vinculadas à educação para que
tentem sanar tais dificuldades.
Sabemos que trabalhar com esta temática requer conhecimento e também que não é
fácil, uma vez que abrange a questão de respeito e valores e estas práticas não estão sendo
vivenciadas e/ou ensinadas às nossas
3

crianças/adolescentes no cotidiano familiar. Todavia, a escola deve fazer valer seu papel de
entidade educadora, dessa forma necessita desenvolver metodologias que resgatem a vivência
destes valores.
Silva (2010, p. 57) diz que “Cabe à sociedade, transmitir às novas gerações valores e
modelos educacionais nos quais os jovens possam pautar sua caminhada rumo à sua vida
adulta de cidadão ético e responsável”. Contudo, esta questão de valores é ambígua já que
talvez o que nós consideramos importante e imprescindível aos alunos, não sejam essenciais
para muitos pais e/ou responsáveis.
Nos últimos anos a maior preocupação dos educadores não é a transmissão de
conhecimentos e sim, a convivência harmoniosa em sala de aula, uma vez que a indisciplina
tornou-se um problema constante devido à agressividade física e verbal ocorrer
cotidianamente.
Em nossa escola esta prática é muito comum, devido nós atendermos uma clientela
carente em quase todos os segmentos sociais, sejam eles financeiros, afetivos, intelectuais.
Quanto ao campo intelectual, ou seja, a parte educativa é quase que, em sua totalidade,
de responsabilidade da escola, pelo fato de muitos pais não cobrarem e nem acompanharem o
progresso de seus filhos, tão pouco se preocuparem com seus comportamentos dentro da
instituição. Dessa forma a escola deve buscar e/ou encontrar subsídios para que a violência e
o bullying não dominem a instituição e comprometam o aprendizado dos mesmos.
A educadora e psicóloga, Cleo Fante (2011, p.105), diz que “A escola deve informar
aos pais que agirá contra qualquer tipo de violência e deve estimular os pais para que adotem
o mesmo lema em suas casas”. Porém esta violência praticada na escola é referência do que
se vive em casa, devido ela está muito presente.
Em conversas paralelas entre os próprios educandos, da Escola Gama e Melo
percebemos que é comum ouvirmos diálogos referentes a comportamentos violentos que
envolvem situações familiares o que nos faz indagar: como poderemos buscar parceria com as
famílias para que juntos possamos abrandar a violência, se estas também praticam? A escola
sozinha é capaz de solucionar tal problema, já que enquanto uma constrói a outra
desconstrói? Esta preocupação é uma constante em nossas vidas, uma vez que estamos
inseridos no processo educacional, e que,
3

de forma direta, este problema afeta não somente nosso emocional, mas também o intelectual.

3.1 Como reagem ás crianças/adolescentes que sofrem o bullying?

É muito comum as vítimas reagirem ao bullying de forma agressiva. Porém a maioria


dos educandos que responderam aos questionamentos relatou que a vítima não reage
fisicamente, apenas chora e fica com medo de falar, pois tem receio que as agressões passem
a ocorrer com maior frequência.
A ocultação desta problemática é grave, porque o medo e a insegurança comprometem
de maneira drástica o aprendizado e a autoestima da pessoa agredida o que futuramente pode
se transformar em fobias, enfermidades, sentimentos de vingança ou até mesmo suicídio. Já
outros, responderam que reagem verbalmente e fisicamente, justificando que se os outros
agridem e/ou “xingam”, eles também têm o direito de agirem da mesma forma.
As reações comportamentais diversas ocorrem, pelo fato de cada ser humano ser único
e especial apresentando habilidades e dificuldades. Quando a reação agressiva incide, expande
a violência escolar bem como a indisciplina permeia na instituição. Entretanto, quando ela é
incutida a vítima apresenta vários distúrbios ou sintomas que comprometem o seu psiquismo,
suas emoções e seu intelectual.
Dessa forma, a escola deve buscar subsídios para solucionar tal problema, procurando
parceria com entidades sociais e familiares, já que desempenhar um trabalho de parceria,
transforma a instituição em um espaço verdadeiramente democrático no qual prima pela
formação cidadã e ética de cada indivíduo. Pois como menciona Pereira (2009, p. 81), “Para
combater este mal é necessário que haja conscientização, investimento, compromisso e
responsabilidade, tanto por parte da escola, como da família”.
O bullying é reconhecido pelos próprios alunos como uma prática violenta que
traumatiza e causa depressão. E é de nosso conhecimento que este problema se faz presente
em todas as escolas, umas em maior e outras em menor proporção. Por isso não devemos
generalizar que a violência ocorre somente em determinada
3

escola ou ainda, na sala daquela professora. Precisamos professar atitudes não violentas em
nossas práticas para que toda comunidade escolar seja beneficiada.
Cleo Fante (2011) menciona que para combater problemas de violência ou de má
convivência entre os alunos se faz necessário à criação de regras e/ou normas amparadas em
valores os quais reflitam em condutas concretas para vivência do cotidiano. E estas normas
por sua vez devem estar em consonância com o Regimento Interno da Escola.
Sabemos que regras devem existir em qualquer instituição, já que vivemos em uma
hierarquia, onde todas as pessoas inseridas no processo necessitam de respeito. E para que as
mesmas possam ser verdadeiramente cumpridas, todas as pessoas inseridas na instituição
devem colaborar no cumprimento dessas normas e não pensar que este papel é apenas da
gestão e/ou ainda tão somente dos educadores, visto que a repartição não é formada apenas
por este grupo, ou seja, cada membro tem a mesma responsabilidade e o mesmo
comprometimento.
Referindo-se à instituição escolar, foi perguntado no questionário “que atitude a escola
toma diante deste fato (bullying)?” Na percepção de 90% dos educandos, eles relataram que a
escola não toma nenhuma posição a respeito desta problemática. Porém, nós enquanto
educadores, discordamos parcialmente, já que estamos todos preocupados e envolvidos na
busca de soluções reais que minimizem este problema. E também porque a escola vivencia
projetos direcionados para Direitos Humanos e para a questão da convivência e valores.
Diante disto, ressaltamos que, para realmente haver transformação no comportamento
dos educandos se faz necessário que a família dê sua contribuição, já que é a primeira
instituição responsável pela educação dos seus/suas filho (a)s.
Uma atitude em que a escola poderia adotar seria buscar parcerias com entidades da
sociedade civil, jurídica e religiosa almejando que eles possam contribuir positivamente com
a instituição. Estas parcerias podem dar suas contribuições na vivência de projetos, já que
alguns alunos sugeriram a realização de projetos alusivos à temática.
É do conhecimento dos próprios educandos que a prática do bullying compromete seu
aprendizado, uma vez que eles alegaram em seus questionários que as vítimas ficam
assustadas, retraídas, apresentam baixo rendimento nas notas bimestrais, ficam desmotivados,
entre outros problemas. No entanto, não basta apenas o reconhecimento. Temos que educar o
aluno para que ele possa perceber
4

que esta prática é destrutiva e, portanto, não devemos cometê-la não somente na escola e sim
na nossa vivência diária.
Outra problemática que já foi detectada por alguns alunos em nossa escola está
relacionada à prática do ciberbullying (bullying virtual) já que nos deparamos com alguns
alunos incentivando agressividades entre colegas, alegando que eram para filmar e postar nas
redes sociais para ver quantas pessoas “acessavam ou curtiam, as postagens”.
Estes alunos não sabem que esta prática chama-se ciberbullying, assim como
desconhecem a gravidade da mesma, uma vez que, além da agressão à vítima, ainda há o
constrangimento, a humilhação e a exposição. Para esta prática, na maioria das vezes não se
pode fazer muita coisa já que a descoberta do praticante torna-se mais difícil.
Neste caso, a escola enquanto entidade educativa juntamente com a família, necessita
trabalhar esta questão sobre o ciberbullying e mostrar os perigos causados por ele fazendo-os
perceber que não deve expor as pessoas sem a devida autorização. O ciberbullying não
compromete a indisciplina escolar da mesma forma que o bullying já que é praticado
virtualmente, porém deixa sequelas, talvez maiores, por não conhecer o praticante e também
porque o constrangimento é bem maior visto que a vítima fica exposta nas redes sociais
difundidas pelo mundo inteiro.
Todavia, esta prática já é considerada crime, e caso estas pessoas sejam descobertas,
elas responderão criminalmente por tal ato. Os agressores geralmente criam perfis falsos em
sites de relacionamentos ou e-mails fazendo-se passar por outra pessoa e adotam apelidos para
propagar boatos e intrigas. Muitos chegam a criar blogs com a intenção de “zoar” com as
vítimas, outros atacam expondo fotografias nas quais eles fazem através de montagens,
registram comentários racistas e/ou preconceituosos que desrespeitam a pessoa. Segundo
Silva (2010, p. 130) diz que

Podemos e devemos aprender a combater a prática do bullying, mas não é possível


justifica-la ou tolerá-la. Infelizmente, qualquer um de nós está sujeito a receber
conteúdos indesejáveis, ter o e-mail invadido ou se deparar com montagens
grotescas de suas fotos no universo virtual.

Diante desta problemática, cabe a nós educadores mostrarmos aos nossos educandos
os benefícios e os malefícios que a navegação nas redes sociais nos
4

proporciona cotidianamente. E a família pode auxiliar nesta atividade buscando sempre


interagir com seu/a filho/a e de certa forma, vigiar ou controlar o uso das redes sociais. Silva
(2010, p. 133) ainda relata que

O bullying virtual encontra fatores bastante propícios para se proliferar de forma


sombriamente imprevisível. Dentre eles podemos citar: a inexistência de padrões
legais e éticos para a utilização dos recursos tecnológicos da informação e da
comunicação; a falta de empatia, de sensibilidade e de responsabilidade nas relações
interpessoais; a certeza do anonimato, da impunidade e do silêncio acuado das
vítimas.

Nós, enquanto educadores da Escola Estadual Gama e Melo, estamos sempre


engajados para que o bullying e a indisciplina não se transformem em um problema gerador
de outros, como por exemplo, a evasão escolar, reprovação, desinteresse, dentre outros. A
equipe sempre debate estas problemáticas nos encontros semanais (Horário Departamental),
objetivando melhorar o desempenho acadêmico assim como a convivência escolar em nossa
instituição.

3.2 A visão da gestora da escola em relação ao bullying

Uma forma de identificarmos as medidas tomadas pela Escola Gama e Melo em


relação ao problema do bullying e da indisciplina, foi realizarmos uma entrevista com a
gestora da referida instituição, a senhora Maria Inês Patrício de Sousa, para que a mesma
relata-se e se conhecia a real situação desta prática no recinto escolar, bem como expor as
estratégias que estão sendo adotadas e/ou que pretende adotar para minimizar tais problemas.
As respostas da diretora foram compactas, porém com algumas semelhanças às
respostas dos educandos e também seguindo a linha de pensamentos dos autores apresentados
neste trabalho. O quadro abaixo retrata-nos na íntegra a entrevista com a gestora:
4

Quadro 1 – Entrevista com a gestora da Escola Gama e Melo

QUESTIONAMENTOS RESPOSTAS FORNECIDAS PELA


DIRECIONADOS PARA GESTORA GESTORA
É do seu conhecimento que na Escola
Gama e Melo ocorrem casos de Sim
bullying?
De forma brincalhona e muitas
De que forma isto ocorre mais? agressividades, deixando os colegas
constrangidos.
Mexe com o psicológico da criança
Quais as consequências desta desenvolvendo distúrbio de
prática? comportamento indisciplinar.
Que medidas a senhora enquanto gestora Trabalho de conscientização ao aluno
pretende adotar para indisciplinado.
minimizar este problema?
Sim. O Conselho Tutelar; CREAS -
A senhora pretende buscar parcerias Centro de Referência Especializado de
que ajudem a subtrair este mal? Assistência Social e palestrantes
Quem? que tenha conhecimento na área.
A senhora acha que a prática do bullying Sim. O bullying compromete o
compromete o aprendizado dos aprendizado porque ele sente-se inferior
educandos? De que forma? dependendo do apelido que
for colocado e/ou agredido.
Na sua visão, os educadores deste Sim. Os educadores estão preocupados em
Estabelecimento de Ensino estão solucionar o problema através do trabalho
preocupados em solucionar ou minimizar em parceria com a comunidade escolar e
este problema? Como? outros órgãos.

Diante das respostas oferecidas pela diretora, pudemos perceber que ainda falta um
conhecimento mais abrangente sobre o assunto, o que comprova o pensamento de alguns
autores quando nos revelaram que para trabalhar esta temática se faz necessário buscar
múltiplas informações, já que não devemos associar o bullying simplesmente a apelidos e
agressões.

Apresentamos abaixo uma fotografia, que foi registrada no dia em que realizamos a
nossa entrevista com a Gestora da Escola Gama e Melo, a senhora Maria Inês Patrício de
Sousa.
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Foto 02 Entrevistando a Gestora da Escola Gama e Melo. Fonte: Autora – 09 Jun. 2014

Precisamos incutir em cada aluno/cidadão que o bullying é um problema muito maior


que agressividade e xingamentos. Devemos fazer com que cada um compreenda que ele
encontra-se presente nas várias vertentes da sociedade e de diversas formas possíveis.
Vejamos algumas:

- Verbal quando há insultos, ofensas, xingamentos, gozações, etc.;

- Físico e material como bater, chutar, empurrar, espancar, roubar, furtar ou destruir
os pertences da vítima, atirar objetos;

- Psicológica e moral aparece através da irritação, humilhação, exclusão,


isolamento, discriminação, provocando terror e ameaças, difamação, chantagens, dentre
outras;

- Sexual apresenta-se através de abusos, assédios, insinuações;

- Virtual quando a prática ocorre através dos meios tecnológicos conectados à internet.

Todas estas formas de agressividades estão presentes nas ações, não somente dos
educandos, mas de certa forma, na maioria das pessoas, que contribui para desencadear uma
série de problemas e/ou conflitos. Em se tratando do ambiente escolar, este compromete
totalmente o aprendizado e a convivência entre os alunos e aqueles que participam desse
espaço educacional.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluirmos este trabalho, pudemos perceber que a prática do bullying está


presente em quase todas as instituições escolares, e ocorre muitas vezes de forma sutil que
passa quase imperceptível aos nossos olhos. Ele é uma extensão da vivência cotidiana das
crianças e dos adolescentes. A escola enquanto entidade educativa tem o dever de buscar
ajuda e/ou subsídios para minimizar esta prática já que ela é responsável por vários sujeitos,
entregues pela família, e que deposita total confiança e responsabilidade.
É importante lembrar a todos que compõem a instituição que este problema torna-se
grave diante das sequelas herdadas pelas vítimas, já que em alguns casos, são para sempre
devido o fenômeno ser devastador e afetar a autoestima e a saúde das pessoas. Tudo começa
com uma simples brincadeira, colocando apelidos, querendo ser engraçado, porém no
decorrer do tempo, o problema vai tomando uma proporção maior, e quando percebemos o
mal já está causado. É do nosso conhecimento que esta prática existe há bastante tempo,
porém não significa dizer que ela não possa ser minimizada, já que erradicá-la seja quase
impossível.
Mas, para diminui-la se faz necessário que toda instituição escolar, juntamente com a
família, se unam em prol deste mesmo objetivo. Como diz Miranda (2011, p. 15) “É no
cenário escolar que a criança é convidada a conviver com a diversidade e com a
complexidade das relações, das emoções, das ideias, das crenças e dos valores individuais”.
Para que este problema seja evitado, nós educadores necessitamos do apoio da família,
a qual possa conversar com seus filhos/a e mostrar que todo ser humano merece ser respeitado
e valorizado. Pois a técnica do diálogo constante é uma estratégia simples, eficiente e prática,
visto que evita transtornos em qualquer ambiente. Percebe-se nas crianças que desenvolvem o
bullying, que as mesmas, na maioria das vezes não têm limites, assim como os pais não têm
controle diante deles e dessa forma o problema é direcionado para a escola.
Cabe aos pais, enquanto primeiros educadores de seus/suas filhos/a, o dever de educar
disciplinadamente, criando regras a serem seguidas, as quais demonstrem gestos de
cidadania. Agindo assim, a criança aprenderá a comportar-se socialmente com respeito e
solidariedade. Já a escola enquanto instituição educativa
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deve oferecer conhecimentos pautados na prevenção, combate ou erradicação do bullying.


Em relação ao nosso estudo, no que concernem as entrevistas, realizadas com os
alunos podemos concluir que as mesmas, não foram tão satisfatórias enquanto esperávamos,
tendo em vista que grande parte dos educandos não possui uma maturidade escolar adequada,
devido aos poucos anos de estudo. Por isso, as respostas não foram totalmente coerentes,
devido à falta de conhecimento sobre a temática. No que diz respeito à entrevista realizada
com a gestora da Escola Gama e Melo, pudemos perceber que ainda faltou um conhecimento
mais abrangente sobre as praticas do bullying.
Portanto, nós enquanto educadores, devemos estar preparados para oferecer uma gama
de conhecimentos que incluam, não somente as informações curriculares, mas que retrate a
questão dos valores como: respeito à diversidade, convivência, solidariedade, tolerância e
amor ao próximo.
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REFERÊNCIAS

CHALITA, Gabriel. Pedagogia da Amizade – Bullying: o sofrimento das vítimas e dos


agressores/ Gabriel Chalita – São Paulo: Editora Gente, 2008.

FANTE, Cleo. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a
paz. Campinas, SP: Verus Editora, 6ª edição – 2011.

GUARESCHI, Pedrinho A; SILVA, Michele Reis da. Bullying: mais sério do que se
imagina. Porto Alegre. EDIPURS, 2008.

MIRANDA, Simão de. Previna o bullying: Jogos para uma cultura de paz/Simão de
Miranda, Miriam Dusi. Campinas, SP: Papirus, 2011.

PEREIRA, Sônia Maria de Souza. Bullying e suas implicações no ambiente


escolar. São Paulo: Paulos, 2009.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullying: mentes perigosas nas escolas. Rio de Janeiro:
Editora FONTANAR, 2009.

SILVA, Nelson Pedro. Indisciplina e bullying: soluções ao alcance de pais e professores /


Nelson Pedro – Silva. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

TIBA, Içami. Disciplina na medida certa: Novos paradigmas. São Paulo: Integrare
Editora, 2006.

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