Atlas SC Solos CAP7
Atlas SC Solos CAP7
Atlas SC Solos CAP7
Solos
DOI 105965/9788583020783220167141
® Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (voo de 2010)
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CAPÍTULO VII
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CAPÍTULO VII
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[Embrapa Solos, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 46]
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Elaboração:
Elaboração : PedroDaniel
Geógrafo Agripino
Luiz Alexandre Heberle
Sagaz e Marco Aurélio
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Colaboração/editoração: Geógrafo
Estado do Planejamento Luiz H. F. Pimenta
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® Detalhe de foto de Markito, acervo SANTUR
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e forma resumida é apresentado o No mapa, somente a ordem de solo domi- somente mais tarde (Potter et al., 2004).
mapa de solos com a distribuição nante em cada mancha é indicada, sem Nestes mapeamentos os solos foram clas-
das principais “ordens” de solo distinção das várias categorias que podem sificados ainda na nomenclatura antiga. A
ocorrentes no estado de Santa Catarina. ocorrer em cada ordem e tampouco das partir de 1999 foi adotado no Brasil um
Trata-se de um mapa compilado, obtido a outras ordens de solo que podem ocorrer novo sistema de classificação de solos,
partir das informações do Levantamento associadas à ordem dominante; por outro denominado Sistema Brasileiro de Clas-
de Reconhecimento dos Solos do estado lado, as fases de relevo também não são sificação de Solos (SiBCS). Neste texto, os
de Santa Catarina, elaborado pela Empresa informadas, o que restringe o uso das solos foram classificados segundo a última
CAPÍTULO VII
Brasileira de Pesquisa Agropecuária informações para finalidades mais especí- versão do SiBCS (Santos et al., 2013). O
(EMBRAPA) em parceria com a Empresa ficas de planejamento e interpretação das SiBCS prevê a classificação dos solos com
de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural limitações e potencialidades dos solos para base na identificação dos horizontes diag-
de Santa Catarina (EPAGRI) com escala diferentes usos. nósticos de superfície e de subsuperfície, e
original de 1:250.000 (Potter et al., 2004), de um conjunto de atributos diagnósticos,
sendo representado neste Atlas na escala Espera-se que a publicação possa contri- sendo estruturado em seis níveis categó-
aproximada de 1:1.111.000. buir para a divulgação do conhecimento ricos, que são: Ordem, Subordem, Grande
sobre a distribuição e a diversidade dos Grupo, Subgrupo, Família e Série. Apesar
A classificação dos solos foi feita conforme solos catarinenses, bem como para a atua- de já estarem definidos os conceitos para
critérios constantes na última edição do lização dos usuários quanto ao sistema os quatro primeiros níveis (falta definir as
SiBCS (Sistema Brasileiro de Classificação taxonômico oficialmente recomendado no famílias e as séries), no presente texto a
de Solos) publicada pela EMBRAPA (Santos Brasil para a denominação e classificação identificação dos solos é indicada no mapa
et al. 2013). De acordo com o SiBCS, os dos solos. apenas para o nível de Ordem, com exceção
solos brasileiros são classificados a partir dos NEOSSOLOS, que foram subdivididos
Solos
do enquadramento em seis níveis cate- Solos do estado de em Subordens.
góricos, na seguinte hierarquia: ordem, Santa Catarina
subordem, grande grupo, subgrupo, No primeiro nível categórico, estão previstas
família e série, dos quais quatro (ordem, O território catarinense apresenta grande 13 (treze) ORDENS de solo, indicadas a
subordem, grande grupo e subgrupo) já diversidade de solos, os quais estão distri- seguir, em ordem alfabética: ARGISSOLOS,
estão definidos no SiBCS. buídos acompanhando as variações de lito- CAMBISSOLOS, CHERNOSSOLOS, ESPO-
logia e de relevo. Mais de 50% da área do DOSSOLOS, GLEISSOLOS, LATOSSOLOS,
Considerando a diversidade do público estado é ocupada por solos desenvolvidos LUVISSOLOS, NEOSSOLOS, NITOSSOLOS,
usuário, a complexidade do tema e a de rochas efusivas da Formação Serra ORGANOSSOLOS, PLANOSSOLOS, PLINTOS-
pequena escala de apresentação do mapa, Geral (basalto e riodacitos), correspon- SOLOS E VERTISSOLOS.
a indicação dos tipos de solo é de caráter dendo à metade oeste. Na metade leste a
genérico, limitando-se, na maior parte dos maioria dos solos é formada sobre rochas Algumas dessas ordens não ocorrem, ou
casos, a identificação das principais Ordens sedimentares, granitos e rochas metamór- têm inexpressiva ocorrência no estado
de solo. No caso dos solos da ordem NEOS- ficas, com pequena parcela ocupada por de Santa Catarina, tais como: LUVIS-
SOLOS (solos mais jovens), devido a maior solos formados sobre sedimentos incon- SOLOS, PLANOSSOLOS, PLINTOSSOLOS e
diversidade de tipologias, os solos são dife- solidados de origem aluvial, coluvial ou VERTISSOLOS.
renciados também ao nível de Subordens. eólica. As formas de relevo variam desde
o plano, notadamente na planície costeira, A seguir são definidas, de forma resumida,
1
Engenheiro Agrônomo (2007) pela Universidade Fe- as principais ordens (e subordens, quando
até o forte ondulado e montanhoso. Na
deral de Santa Catarina, Mestre em Planejamento Ter- pertinente) de solo que estão indicadas
maior parte do estado predominam os
ritorial e Desenvolvimento Sócioambiental (2011) e como classes dominantes no mapa de solos
relevos ondulados (declives entre 8 a 20%)
doutorando em Ciência do Solo pela Universidade do de Santa Catarina.
e fortemente ondulados (declives entre 20
Estado de Santa Catarina.
e 45%).
ARGISSOLOS
2
Doutor em Ciência do Solo (1992) pela Universidade
Os mapeamentos de solo do território
Federal do Rio Grande do Sul, Professor Titular do De-
catarinense foram feitos nas décadas de Uma das classes de solo mais comuns em
partamento de Solos e Recursos Naturais do Centro
1970 (UFSM e SUDESUL, 1973) e de 1990, regiões tropicais e subtropicais é consti-
de Ciências Agroveterinárias da Universidade do Es-
cujo mapa e relatório foram publicados tuída por solos em geral muito intemperi-
tado de Santa Catarina.
® Jaime A. Almeida
saturação de bases baixa e/ou caráter
alítico na maior parte do horizonte B.
No SiBCS, a ordem dos ARGISSOLOS é
CAPÍTULO VII
ARGISSOLOS BRUNO-ACINZENTADOS.
Os ARGISSOLOS VERMELHO-AMARELOS
(Fotografia 1a) e AMARELOS (Fotografia
1b) ocorrem predominantemente na
região das Serras do Leste Catarinense,
acompanhando o complexo cristalino
do estado. Os ARGISSOLOS VERMELHOS
(Fotografia 1c) ocorrem principalmente
no Litoral Sul do estado, sendo desen-
volvidos de rochas sedimentares. Muitos
desses solos apresentam alta relação
textural entre os horizontes B e A, resul-
tando em horizontes superficiais com
menor conteúdo de argila e maior de
areia do que o B. Desse modo, apresentam
estrutura mais fraca e de menor estabi-
lidade no horizonte A, tornando-os mais
susceptíveis à erosão hídrica. Como são
solos característicos de relevos ondu-
lados, ou mesmo fortemente ondulados,
® Jaime A. Almeida
alumínicos).
CAPÍTULO VII
possuem horizonte A chernozêmico o
horizonte B incipiente deve apresentar
argila de atividade baixa e/ou saturação
de bases baixa (Santos et al., 2013). O hori-
® Jaime A. Almeida
zonte B incipiente (requisito do Cambis-
solo) geralmente é pouco espesso, com
estrutura fraca ou moderada, muitas vezes
apresenta fragmentos de rocha, calhaus ou
matacões, e com frequência ainda possui Fotografia 3 – Paisagem de CAMBISSOLO HÍSTICO de altitude, município de Bom Jardim da Serra.
minerais primários em estágios inci-
pientes de alteração.
São solos em que a profundidade pode do Meio Oeste e Oeste catarinense são
variar bastante, em geral entre 50 a 120 cm. Eutróficos (de alta fertilidade natural), CHERNOSSOLOS
A coloração, textura e fertilidade química enquanto os desenvolvidos de rochas sedi-
Solos
também são muito variáveis, dependendo mentares do Alto e Médio Vale do Itajaí Compreendem grupamento de solos mine-
das condições locais e do material do qual são geralmente Distróficos ou Alumínicos rais, com horizonte A do tipo chernozê-
se originaram. (de baixa fertilidade em condições natu- mico, com argila de atividade alta e alta
rais). Ocorrem principalmente em relevos saturação por bases, com ou sem acumu-
Segundo o SiBCS, os Cambissolos ondulados ou fortemente ondulados, não lação de carbonato de cálcio.
subdividem-se ao nível de subordem em: raro associados com afloramentos de
CAMBISSOLOS HÍSTICOS, CAMBISSOLOS rochas. Das 13 ordens previstas no SiBCS, os CHER-
HÚMICOS, CAMBISSOLOS FLÚVICOS e NOSSOLOS representam o grupamento
CAMBISSOLOS HÁPLICOS. Os CAMBISSOLOS HÚMICOS possuem o de solos com maior fertilidade química
horizonte A superficial escuro e espesso natural, embora geralmente apresentem
A classe dos CAMBISSOLOS tem alta (Fotografia 2) e ocorrem nas regiões de algumas restrições ao uso agrícola mais
expressão geográfica no estado de Santa maior altitude e mais frias do estado, que intensivo, tais como excessiva pedregosi-
Catarina, distribuindo-se por quase todas favorecem maior acumulação da matéria dade e, ou limitações por ocorrerem em
as regiões sobre diferentes litologias, orgânica. São sempre distróficos ou alumí- formas de relevo muito acidentadas.
tais como rochas sedimentares, granitos, nicos (de baixa fertilidade natural) embora
gnaisses e basalto. As subordens domi- possuam geralmente boas propriedades Para as modalidades de Chernossolos
nantes são constituídas por CAMBIS- físicas. As regiões de maior ocorrência são com mais de 75 cm de espessura, o hori-
SOLOS HÁPLICOS e CAMBISSOLOS nos planaltos de Irani e São Joaquim, sobre zonte A chernozêmico deve apresentar,
HÚMICOS. rochas efusivas e no planalto Norte Catari- dentre outras características, pelo menos
nense, sobre rochas sedimentares. 25 cm, cor escura associado a um bom teor
Os CAMBISSOLOS HÁPLICOS são conside- de matéria orgânica e alta saturação por
rados os solos mais comuns dessa ordem Os CAMBISSOLOS HÍSTICOS (Fotografia bases (V≥65%). A maior parte dos Cher-
e geralmente possuem horizonte A mode- 3), embora não tenham sido individu- nossolos de Santa Catarina apresenta
rado ou proeminente. Podem apresentar alizados no mapa como classe de solo um horizonte B do tipo incipiente (CHER-
fertilidade alta ou baixa, dependendo do dominante, ocupam expressivas áreas do NOSSOLOS HÁPLICOS) ou do tipo textural
substrato e do grau de evolução do solo. estado, notadamente na borda da escarpa (com acumulação de argila), constituindo
A grande maioria dos Cambissolos da Formação Serra Geral, entre Urubici e os CHERNOSSOLOS ARGILÚVICOS. Nos
Háplicos das “encostas basálticas” Bom Jardim da Serra. dois casos, esses horizontes devem apre-
Espodossolos
® Jaime A. Almeida
fície do solo, ou até 400 cm se a soma dos
horizontes A + E ou a soma do horizonte
hístico (com menos de 40 cm) + hori-
zonte E ultrapassar 200 cm de profun-
didade (Santos et al., 2013). O horizonte Fotografia 4 – CHERNOSSOLO HÁPLICO, município de Descanso.
B espódico é geralmente identificado
pelo acúmulo de matéria orgânica, ou de
compostos de ferro, sozinhos ou combi- Para o estado a ordem dos ESPODOS-
Gleissolos
nados, com cor variando do castanho SOLOS possui distribuição pouco expres-
claro a muito escuro (Fotografia 5 e Foto- siva, no entanto, é a ordem predominante Solos constituídos por material mineral com
grafia 6). numa porção norte da Planície Costeira (no horizonte glei iniciando-se dentro dos primeiros
entorno de Araquari), ocorrendo associada 50 cm da superfície, ou dentro de 150 cm
No Sistema Brasileiro de Classificação aos NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS. São quando ocorrerem imediatamente abaixo de
de Solos (SiBCS), a ordem dos ESPO- formados a partir de sedimentos marinhos, horizonte A ou E, ou de horizonte hístico com
DOSSOLOS é subdividida em ESPODOS- sendo as subordens dominantes constituídas espessura insuficiente para definir a classe dos
SOLOS HUMILÚVICOS, ESPODOSSOLOS ESPODOSSOLOS HUMILÚVICOS (B espódico Organossolos (Santos et al., 2013).
FERRIHUMILÚVIOS e ESPODOSSOLOS com acumulação de matéria orgânica, Foto-
FERRILÚVICOS. No Brasil essa ordem grafia 5) e ESPODOSSOLOS FERRIHUMILÚ- Ocorrem geralmente em relevos planos,
apresenta maior expressividade na região VICOS (acumulação de matéria orgânica com em ambientes de várzeas ou planícies
Amazônica e região do Alto Rio Negro. compostos de ferro, Fotografia 6). aluvionais, onde a saturação do solo com
CAPÍTULO VII
frequentemente encontrados no estado de
Santa Catarina. É comum sua ocorrência em
associação aos ORGANOSSOLOS.
Solos
® Daniel A. Heberle
Latossolos
de platôs mais elevados, com relevo suave alta porosidade, friabilidade e aeração,
ondulado. prevalência de perfis profundos, os
tornam com boa aptidão para uso inten-
® Jaime A. Almeida
® Jaime A. Almeida
Fotografia 8 – LATOSSOLO BRUNO, município de Vargeão. Fotografia 9 – LATOSSOLO VERMELHO, município de Major Vieira.
soma (S) e saturação por bases (V%) e losa, às vezes cascalhenta e, até pedregosa. conteúdo de carbono e na granulometria
Solos
alta capacidade de adsorção de fósforo Em alguns lugares, o horizonte A pode ser em profundidade, fruto das diferenças
pelos óxidos de ferro e alumínio. húmico, rico em matéria orgânica. Estes constitutivas do material constituinte dos
solos ocorrem principalmente nas áreas depósitos (Fotografia 11).
NEOSSOLOS mais íngremes do estado de Santa Cata-
rina, como por exemplo na escarpa da Os NEOSSOLOS REGOLÍTICOS (Fotografia
Os NEOSSOLOS são solos que se carac- Serra Geral. Apresentam baixo potencial 12) são solos que guardam certa simila-
terizam pelo pequeno grau de evolução para uso com lavouras anuais, sendo mais ridade com os NEOSSOLOS LITÓLICOS,
pedogenética. Nesses solos, a sequência recomendados para pastagens, devido ocorrendo em geral associados a estes.
de horizontes é do tipo A/R, A/C/R, A/C/ às limitações pela pequena espessura, São solos que possuem o horizonte A
Cr/R, ou ainda, no caso dos solos arenosos baixa capacidade de retenção de água e sobre um horizonte C ou Cr, geralmente
mais espessos A/C1/C2...Cn seguido ou alta susceptibilidade à erosão hídrica em misturado com pedras, calhaus e mata-
não da rocha e não apresentam qualquer função da forte declividade. cões, nos quais o contato com a rocha
tipo de horizonte B diagnóstico. ocorre a uma profundidade maior do que
Apresentam variada condição de fertilidade 50 cm. Podem apresentar textura e ferti-
O Sistema Brasileiro de Classificação de natural, ocorrendo desde as modalidades lidade muito variáveis, dependendo do
Solos (SiBCS) identifica quatro subordens: de NEOSSOLOS Litólicos Eutróficos, material originário.
NEOSSOLOS LITÓLICOS, NEOSSOLOS Distróficos e Alumínicos. Uma das áreas
FLÚVICOS, NEOSSOLOS REGOLÍTICOS e de maior ocorrência de NEOSSOLOS Litó- Os NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS são
NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS. Destes, licos Eutróficos (mais férteis) é na região solos minerais poucos evoluídos, de
todos podem ser encontrados no terri- Oeste do estado, onde são desenvolvidos textura arenosa e que não apresentam
tório catarinense. na área das encostas basálticas. qualquer tipo de horizonte B diagnóstico.
Sua sequência de horizontes é repre-
Os NEOSSOLOS LITÓLICOS (Fotografia Os NEOSSOLOS FLÚVICOS apresentam o sentada por um horizonte A seguido de
10) são os solos mais rasos, com espes- horizonte A assentado sobre sucessivas vários subhorizontes identificados por
sura geralmente variando de 10 a 50 cm. camadas de deposição de sedimentos C1, C2, C3 etc., todos de classe textural
O horizonte A assenta diretamente sobre o recentes, geralmente de origem aluvial areia ou areia franca. O conteúdo de areia
C ou sobre a rocha. Podem apresentar uma (horizontes C1, C2, C3, etc.). Normal- geralmente supera os 90% na maioria
textura que vai de arenosa a muito argi- mente possuem distribuição irregular no dos horizontes.
® Jaime A. Almeida
Fotografia 12 – NEOSSOLO REGOLÍTICO, município de Irani.
® Sérgio Shimizu
Solos
Fotografia 13 – NEOSSOLO QUARTZARÊNICO, município de Balneário Barra do Sul. Fotografia 14 – NITOSSOLO BRUNO, município de Lebon Régis.
os NITOSSOLOS VERMELHOS, os quais Apresentam bom potencial para utili- permanecer elevado grande parte do ano,
são desenvolvidos principalmente sobre zação agrícola, devido principalmente as condições anaeróbicas restringem os
rochas efusivas da Formação Serra Geral. ao fato de serem solos profundos e de processos de mineralização da matéria
estarem localizados em relevos favoráveis orgânica e limitam o desenvolvimento
Os NITOSSOLOS BRUNOS (Fotografia 14) às atividades mecanizadas. pedogenético, conduzindo à acumulação
ocorrem principalmente nas regiões de expressiva de restos vegetais. Os Orga-
altitudes mais elevadas, tais como nos nossolos formados nesse ambiente são
municípios de Lages, Campo Belo, Curi-
Organossolos chamados de ORGANOSSOLOS HÁPLICOS
tibanos, Fraiburgo, Catanduvas e Ponte (Fotografia 16), ou, mais raramente,
Serrada. Já os NITOSSOLOS VERMELHOS Compreende solos pouco evoluídos, quando apresentam alto conteúdo de
(Fotografia 15) geralmente ocorrem em com preponderância de características compostos de enxofre, de ORGANOSSOLOS
cotas mais baixas, ao longo das encostas e devidas ao material orgânico, de coloração TIOMÓRFICOS.
dos vales, sendo muito frequente sua ocor- preta, cinzenta muito escura ou brunada,
rência na área das “Encostas Basálticas”. resultantes de acumulação de resíduos Em ambientes de clima úmido, frio e de
Enquanto os NITOSSOLOS BRUNOS são vegetais, em graus variáveis de decompo- vegetação altomontana, as condições de
sempre Distróficos ou Alumínicos (baixa sição, em condições de drenagem restrita baixa temperatura favorecem o acúmulo
fertilidade natural), os NITOSSOLOS (ambientes mal a muito mal drenados), ou de material orgânico pela redução da
VERMELHOS admitem maior variação em ambientes úmidos e frios de altitudes atividade biológica. Nesses ambientes, as
de fertilidade, ocorrendo também moda- elevadas, saturados com água por apenas condições de distrofismo e elevada acidez
lidades Eutróficas (melhor fertilidade poucos dias durante o período chuvoso podem também restringir a transformação
natural). O relevo onde ocorrem esses (Santos et al., 2013). da matéria orgânica. Os Organossolos
solos varia do suave ondulado ao ondu- formados nesta condição são denomi-
lado, podendo mais raramente ocorrer no Em ambientes sujeitos a forte hidro- nados de ORGANOSSOLOS FÓLICOS (Foto-
fortemente ondulado. morfismo, em virtude do lençol freático grafia 17).
® Daniel A. Heberle
® Rodrigo Teske
Solos
Fotografia 15 – NITOSSOLO VERMELHO, município de São José do Cerrito. Fotografia 16 – ORGANOSSOLO HÁPLICO, município de Araquari.
CAPÍTULO VII
SANTOS, H. G.; JACOMINE, P. K. T.; ANJOS,
L. H. C.; OLIVEIRA, V. A.; LUMBRERAS, J.
F.; COELHO, M. R.; ALMEIDA, J. A.; CUNHA,
T. J. F.; OLIVEIRA, J. B.. Sistema Brasileiro
de Classificação de Solo. 3 ed. Brasília:
Embrapa, 2013.
Solos