Questoes 2023 - 4 Ano
Questoes 2023 - 4 Ano
Questoes 2023 - 4 Ano
ÁREA CIVEL
EMPRESARIAL - XXXVI
O Estado Beta, em agosto de 2021, ajuizou execução fiscal contra Maria, com vistas a
cobrar Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor (IPVA) atrasado de veículo
registrado em nome dela referente aos anos de 2015 a 2020, no valor total de R$ 15.000,00
(recordando-se que, neste Estado, o fato gerador do IPVA ocorre no dia 1º de janeiro e o
vencimento em 31 de março de cada ano). A execução fiscal encontra-se em curso perante
a 1ª Vara de Fazenda Pública da Comarca do Município Alfa e, em agosto de 2021, já
houve o primeiro despacho de citação determinando a citação por Correios de Maria.
Ocorre que Maria faleceu em junho de 2021, mas mesmo assim a execução fiscal foi contra
ela proposta, constando seu nome na Certidão de Dívida Ativa (CDA). Em razão do óbito,
por óbvio, Maria não pode ser encontrada, tendo sido frustradas tanto a tentativa de citação
por Correios efetuada em setembro de 2021, como a tentativa de citação por oficial de
justiça em outubro de 2021, mas sem que houvesse informação nos autos de que ela havia
falecido. Sua citação acabou sendo realizada por edital em dezembro de 2021, sendo
decretada pelo juízo a penhora do próprio automóvel, em fevereiro de 2022.
José, inventariante do espólio de Maria, somente tomou ciência da existência da citação por
edital e da penhora do automóvel em setembro de 2022, e procura você, como advogado(a),
para fazer a defesa do espólio nos próprios autos da execução fiscal.
Diante dos fatos narrados e da longa passagem do tempo desde a citação e a penhora,
apresente a defesa adequada nos próprios autos da execução fiscal diretamente ao juiz de 1º
grau.
ADMINISTRATIVO XXXV
Brian, cidadão americano não naturalizado, que não é eleitor no Brasil, mas reside
regularmente no país há mais de dez anos, ajuizou ação popular em face da concessionária
Vadeboa S/A. e do Município Alfa, poder concedente, perante a Vara da Fazenda Pública
no próprio Município, com vistas a anular o ato de aumento do valor da tarifa de transporte
de ônibus intramunicipal.
O demandante assevera que as tarifas foram majoradas de forma desproporcional, no
montante de vinte por cento, de modo que se tornaram mais onerosas do que as cobradas
nos municípios vizinhos, situação violadora da razoabilidade, considerando que o
Município Alfa é o mais pobre da respectiva região. Alega, ainda, afronta ao princípio da
isonomia, na medida em que Vadeboa S/A. também é a concessionária responsável pelo
serviço de transporte junto ao Município Beta e lá pratica preços muito menores.
Devidamente citada, os representantes da concessionária, na última sexta-feira, procuram
você, para, na qualidade de advogado(a), apresentar a medida judicial de defesa dos
interesses da sociedade empresária Vadeboa S/A, tendo fornecido documentação
demonstrativa de que o novo valor decorre do fato de que as tarifas estavam sem aumento
havia mais de três anos e foi feito com o fim de amortizar os efeitos da inflação, apesar da
previsão contratual de reajuste anual, e que a majoração foi efetuada nos exatos parâmetros
estabelecidos no contrato de concessão, consoante estudo técnico fundamentado. Os
representantes afirmam, ainda, estarem convictos de que a lide é temerária e de que o
demandante agiu de má-fé, na medida em que já tentou causar prejuízos à demandada
anteriormente.
Redija a peça adequada, mediante exposição de todos os argumentos jurídicos pertinentes.
CIVIL XXXV
Jorge, empresário, decide delegar a gestão de seus bens imóveis a Miguel. Assim o faz, por
via de contrato, no qual outorga poderes gerais a Miguel, de modo a extrair os melhores
resultados financeiros na administração dos bens. Estipulou-se que, a cada operação de
gestão que resultasse lucrativa, o outorgado teria direito à remuneração de 5% (cinco por
cento) sobre a receita gerada.
Miguel, então, decide vender um apartamento de Jorge, em nome deste, porque Maria fez
uma oferta para pagamento de preço apenas 10% abaixo do mercado, colocando-se à
disposição para o pagamento à vista, no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).
Miguel, então, em nome de Jorge, firmou, com Maria, instrumento particular de
compromisso de compra e venda, recebendo um sinal de R$ 20.000,00 (vinte mil reais).
Ato contínuo, comunicou a Jorge acerca da transação finalizada, informando que irá
transferir o valor da venda, com a dedução de sua remuneração, compensando os valores.
Revoltado, Jorge esbraveja com Miguel, acusando-o de prometer a venda de um imóvel que
não era para ser alienado, ressaltando que os poderes que lhe foram outorgados não
abrangiam o direito de alienar imóveis. Pediu lhe que desfizesse o negócio, deixando claro
que ele não tem poder para vender seus imóveis, uma vez que não tem interesse em se
desfazer deles.
Miguel aceita a crítica, comunicando que conseguiu desfazer a operação contratual com
Maria, mas informou que lhe é devido o valor de 5% da venda (R$ 50.000,00), pelo esforço
despendido, fazendo incidir a cláusula de remuneração. Afirma, ainda, que teve de devolver
o sinal, em dobro, para Maria, totalizando R$ 40.000,00 (quarenta mil reais). Solicita,
assim, o depósito de R$ 90.000,00 (noventa mil reais) em sua conta.
Indignado, Jorge não efetua o pagamento, revogando os poderes concedidos a Miguel. Dias
depois, recebe mandado de citação da 1ª Vara Cível da Comarca de Curitiba, para integrar
o polo passivo da Ação de Cobrança movida por Miguel.
Na qualidade de advogado(a) de Jorge, elabore a peça processual cabível para tutelar os
interesses de seu cliente, indicando requisitos e fundamentos nos termos da legislação
vigente
CONSTITUCIONAL - XXXV
O Estado Alfa, com o declarado objetivo de uniformizar a atividade e zelar pela qualidade
do serviço de transporte coletivo municipal, de modo a proteger os interesses do
consumidor, promulgou a Lei nº XX, que entrará em vigor dentro de 30 (trinta) dias.
De acordo com o Art. 1º desse diploma normativo, o serviço de transporte coletivo
municipal prestado em cada Município situado no território do Estado deverá atender ao
extenso rol de especificações previstas nos incisos desse preceito, que variavam desde o
tamanho e o conforto dos veículos até o número mínimo de linhas e de veículos em
circulação nos finais de semana. O Art. 2º dispôs sobre as normas gerais para a licitação do
serviço, que poderiam ser suplementadas pelos Municípios, de modo a atender às
peculiaridades locais. Por fim, o Art. 3º determinou que o Art. 1º da Lei nº XX deveria ser
imediatamente aplicado aos contratos de concessão em curso, realizando-se as adaptações
que se fizessem necessárias na prestação do serviço.
O Partido Político Beta, com representação na Câmara dos Deputados e que defende
fortemente o liberalismo econômico, fez severas críticas à Lei estadual nº XX, pois, ao seu
ver, além de ser flagrantemente inconstitucional, a sua implementação poderia levar à ruína
econômica das sociedades empresárias que se dedicam à exploração dessa atividade, que
teriam seus custos potencializados e seriam obrigadas a paralisar o seu funcionamento.
Com isso, o efeito seria contrário àquele preconizado pelos idealizadores da lei, pois o
usuário do serviço, ao invés de ser beneficiado, seria severamente prejudicado.
Considerando a narrativa acima, na condição de advogado(a) do Partido Político Beta,
elabore a peça processual cabível de controle concentrado de constitucionalidade, de modo
que seja realizado o cotejo da Lei estadual nº XX com a Constituição da República, perante
o órgão constitucional diretamente incumbido de sua guarda.
CIVIL - XXXIV
Para adquirir um carro de luxo da marca Tenz, Alexandre aceitou o contrato de compra e
venda imposto pela Concessionária Alfa, no qual havia cláusula estipulando que eventual
conflito entre as partes seria solucionado por arbitragem.
Duas semanas após a aquisição, Alexandre sofreu um acidente decorrente de uma falha no
sistema de airbag do veículo, que, por sorte, não lhe custou a vida. Fato é que, três meses
após o acidente, a Concessionária Alfa realizou o recall de alguns veículos da marca Tenz,
dentre os quais estava o veículo adquirido por Alexandre.
Assim que soube desse recall, Alexandre ajuizou uma ação pelo procedimento comum
contra a Concessionária Alfa, visando reaver o valor pago na compra do veículo e uma
indenização pelos prejuízos decorrentes do acidente de carro.
A Concessionária Alfa apresentou uma contestação genérica, na qual não impugnou os
argumentos apresentados por Alexandre, gerando presunção de veracidade sobre esses, e
tampouco mencionou a existência de cláusula compromissória no contrato de compra e
venda.
Após a apresentação de réplica, o MM. Juízo da 5ª Vara Cível de Maceió intimou as partes,
de ofício e com fundamento no Art. 10 do CPC, para se manifestarem sobre a eventual
ausência de jurisdição do Poder Judiciário em virtude da existência de cláusula
compromissória existente no contrato de compra e venda.
Alexandre não apresentou manifestação, enquanto a Concessionária Alfa defendeu que
somente um tribunal arbitral escolhido pelas partes possuiria competência para solucionar a
controvérsia sub judice.
Em seguida, o MM. Juízo da 5ª Vara Cível de Maceió acolheu a preliminar de convenção
de arbitragem e extinguiu o processo, sem resolução de mérito, na forma do Art. 485, inciso
VII, do CPC.
A sentença foi publicada em 01/07/2021, quinta-feira, sendo certo que não possui omissão,
obscuridade ou contradição.
Considerando apenas as informações expostas, elabore, na qualidade de advogado(a) de
Alexandre, a peça processual cabível para defesa dos interesses de seu cliente, que leve o
tema à instância superior, indicando seus requisitos e fundamentos, nos termos da
legislação vigente. O recurso deverá ser datado no último dia do prazo para apresentação.
Desconsidere a existência de feriados nacionais ou locais.
CONSTITUCIONAL - XXXIV
João, pessoa de muita fé, com estrita observância das regras legais vigentes, construiu um
templo para que pudesse realizar as reuniões de oração afetas à religião que professava.
Em razão da seriedade de sua atividade, as reuniões passaram a ser frequentadas por um
elevado quantitativo de pessoas, as quais também passaram a organizar, no interior do
templo, no intervalo das orações, as denominadas “reuniões de civilidade”. Nessas
reuniões, eram discutidos temas de interesse geral, especialmente a qualidade dos serviços
públicos, daí resultando a criação de um “boletim”, editado pelo próprio João, no qual era
descrita a situação desses serviços, principalmente a respeito de suas instalações, do nível
do atendimento e do tempo de espera.
Na medida em que tanto as reuniões como o boletim passaram a ter grande influência junto
à coletividade, ocorreu o aumento exponencial das cobranças sobre as autoridades
constituídas. Em razão desse quadro e da grande insatisfação de alguns gestores, o Prefeito
Municipal instaurou um processo administrativo para apurar as atividades desenvolvidas no
templo. Por fim, decidiu cassar o alvará concedido a João, que deverá paralisar
imediatamente todas as atividades, sob pena de aplicação de multa. Ao fundamentar sua
decisão, ressaltou que: (i) o alvará de localização somente permitia a realização de
atividades religiosas no local; (ii) as reuniões não foram antecedidas de autorização
específica; e (iii) o boletim não fora legalizado junto ao Município, sendo, portanto, ilícito.
Ao ser formalmente notificado do inteiro teor da decisão, a ser imediatamente cumprida,
João, que estava impedido de exercer suas atividades sob pena de receber uma multa,
procurou você, como advogado(a), para ajuizar a ação constitucional cabível.
Elabore a peça processual cabível
PENAL - XXXIV
Rodrigo foi denunciado pelo crime de homicídio simples consumado, com a causa de
aumento prevista na primeira parte do Art. 121, § 4º, do CP, perante o Tribunal do Júri da
Comarca de São Paulo. De acordo com o que consta na denúncia, no dia 26 de dezembro de
2019, em uma boate localizada na cidade de São Paulo, Rodrigo teria desferido um soco na
barriga de João, além de ter lhe dado um empurrão, que fez com que a vítima caísse em
cima da garrafa de vidro que segurava. O corte gerado foi a causa eficiente da morte de
João, conforme consta do laudo acostado ao procedimento. Rodrigo teria sido encaminhado
por seus amigos ao hospital após os fatos, pois se mostrava descontrolado, não tendo
prestado socorro à vítima, por isso, sendo imputada a causa de aumento da primeira parte
do Art. 121, § 4º, do CP.
Diante da inicial acusatória, Rodrigo procurou seu (sua) advogado(a), narrando que, no dia
dos fatos, câmeras de segurança registraram o momento em que uma pessoa desconhecida,
de maneira furtiva, teria colocado substâncias entorpecentes em sua bebida, o que teria
causado uma embriaguez completa. Rodrigo teria ficado descontrolado e, em razão disso,
sem motivação, teria desferido um soco na barriga de João, empurrando-o em seguida
apenas para que, dele, se afastasse, nem mesmo percebendo que a vítima estaria com uma
garrafa de cerveja nas mãos. Destacou sequer saber por que quis lesionar João, mas
assegurou que o resultado morte não foi pretendido e nem aceito pelo mesmo, que precisou,
inclusive, ser submetido a tratamento psicológico em razão dos fatos. Apresentou laudo do
hospital, elaborado logo após o ocorrido, constatando que estaria completamente
embriagado em razão da ingestão daquela substância entorpecente que teria sido colocada
em sua bebida, bem como que, naquele momento, era inteiramente incapaz de entender o
caráter ilícito dos fatos.
Após recebimento da denúncia, citação e apresentação de defesa, foi designada audiência
de instrução e julgamento, na primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri, para
oitiva das testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu. Os policiais
responsáveis pelas investigações e pela oitiva dos envolvidos, arrolados como testemunhas
pelo Ministério Público, informaram ao magistrado que se atrasariam para o ato judicial,
pois estavam em importante diligência. Não querendo fracionar a colheita da prova, o
magistrado determinou a oitiva das testemunhas de defesa antes das de acusação, apesar do
registro do inconformismo da defesa. Ao final, o réu foi interrogado. As provas colhidas
indicaram que a versão apresentada por Rodrigo ao seu advogado era totalmente
verdadeira. Considerando que foi constatado o desferimento do soco e do empurrão por
parte de Rodrigo em João, após manifestação das partes, o juiz pronunciou o acusado nos
termos da denúncia.
Intimado, o Ministério Público se manteve inerte. Rodrigo e sua defesa técnica foram
intimados da decisão em 05 de abril de 2021, segunda-feira.
Considerando apenas as informações expostas, apresente, na condição de advogado(a) de
Rodrigo, a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração,
expondo todas as teses jurídicas de direito material e processual aplicáveis. A peça deverá
ser datada do último dia do prazo para interposição, devendo ser considerado que segunda a
sexta-feira são dias úteis em todo o país.
PENAL - XXXIII
Breno, 19 anos, no dia 03 de novembro de 2017, quando estava em uma festa em que era
proibida a entrada de menores de 18 anos, conheceu Carlos. Após ingerirem grande
quantidade de bebida alcoólica, Breno conta para Carlos que estava portando uma arma de
fogo e que tinha a intenção de subtrair o dinheiro da loja de conveniência de um posto de
gasolina. Carlos concorda, de imediato, com o plano delitivo, desde que ficasse com
metade dos bens subtraídos.
A dupla, então, comparece ao local, anuncia o assalto para o único funcionário presente e,
no exato momento em que abriram o caixa onde era guardado o dinheiro, são abordados por
policiais militares, que encaminham a dupla para a Delegacia. Em sede policial, foi
constatado que Carlos era adolescente de 16 anos e que tinha se valido de documento falso
para ingressar na festa em que conheceu Breno. A arma de fogo foi apreendida e
devidamente periciada, sendo identificado que estava municiada e que era capaz de efetuar
disparos. Houve, ainda, a juntada da Folha de Antecedentes Criminais de Breno, onde
constava a existência de 03 inquéritos policiais em que figurava como indiciado em
investigações relacionadas a crimes patrimoniais, além de 05 ações penais em curso, duas
delas com condenações de primeira instância, pela suposta prática de crimes de roubo
majorado, em nenhuma havendo trânsito em julgado.
Antes do oferecimento da denúncia, o Ministério Público solicitou que fossem realizadas
diligências destinadas à obtenção da filmagem do estabelecimento onde os fatos teriam
ocorrido, razão pela qual houve relaxamento da prisão de Breno. Após conclusão das
diligências, sendo acostado ao procedimento a filmagem que confirmava a autoria delitiva
de Breno, em 05 de junho de 2019, Breno foi denunciado pelo Ministério Público, perante a
1ª Vara Criminal da Comarca de Florianópolis/SC, órgão competente, como incurso nas
sanções penais do Artigo 157, § 2º, inciso II e § 2º-A, inciso I, do Código Penal e do Art.
244-B da Lei no 8.069/90, na forma do Art. 70 do Código Penal.
Após regular processamento, durante audiência de instrução e julgamento, o magistrado
optou por perguntar diretamente para as testemunhas de acusação e defesa, não
oportunizando manifestação das partes, tendo a defesa demonstrado seu inconformismo
com a conduta. A vítima confirmou os fatos narrados na denúncia, destacando que ficou
muito assustada porque Breno e Carlos eram muito altos e fortes, parecendo jovens de
aproximadamente 25 anos de idade, além de destacar que havia cerca de R$ 5.000,00 no
caixa do estabelecimento que seriam subtraídos se não houvesse a intervenção policial. O
réu, em seu interrogatório, permaneceu em silêncio.
Após apresentação de manifestação derradeira pelas partes, foi proferida sentença
condenatória nos termos da denúncia, conforme requerido pelo Ministério Público. Na
primeira fase, fixou o magistrado a pena base dos crimes de roubo e corrupção de menores
acima do mínimo legal, em razão da personalidade do réu, que seria voltada para prática de
crimes, conforme indicaria sua folha de antecedentes criminais, restando a pena do roubo
em 4 anos e 06 meses de reclusão e 12 dias multa e da corrupção em 01 ano e 02 meses de
reclusão. Na segunda fase, não foram reconhecidas agravantes e nem atenuantes. Na
terceira fase, a pena base do crime de corrupção de menores foi confirmada como
definitiva, enquanto a pena de roubo foi aumentada em 2/3, em razão do emprego de arma
de fogo, diante das previsões da Lei nº 13.654/18, restando a pena definitiva do roubo em
07 anos e 06 meses de reclusão e 20 dias multa, já que não foram reconhecidas causas de
diminuição de pena. O regime inicial fixado foi o fechado, em razão da pena final de 8 anos
e 8 meses de reclusão e 20 dias multa (Art. 70, parágrafo único, CP).
O Ministério Público, intimado da sentença, manteve-se inerte.
Você, como advogado(a) de Breno, é intimado(a) no dia 03 de dezembro de 2019, terça-
feira, sendo o dia seguinte útil em todo o país, bem como todos os dias da semana seguinte,
exceto sábado e domingo.
Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado de Breno, redija a
peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando
todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para
interposição.
PENAL - XXXII
Carlos, primário e de bons antecedentes, 45 anos, foi denunciado como incurso nas sanções
penais dos artigos 302 da Lei nº 9.503/97, por duas vezes, e 303, do mesmo diploma legal,
todos eles em concurso material, porque, de acordo com a denúncia, “no dia 08 de julho de
2017, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, na direção de veículo automotor, com imprudência
em razão do excesso de velocidade, colidiu com o veículo em que estavam Júlio e Mário,
este com 9 anos, causando lesões que foram a causa eficiente da morte de ambos”. Consta,
ainda, da inicial acusatória que, “em decorrência da mesma colisão, ficou lesionado Pedro,
que passava pelo local com sua bicicleta e foi atingido pelo veículo em alta velocidade de
Carlos”.
As mortes de Júlio e Mário foram atestadas por auto de exame cadavérico, enquanto Pedro
foi atendido em hospital público, de onde se retirou, sem ser notado, razão pela qual foi
elaborado laudo indireto de corpo de delito com base no boletim de atendimento médico.
Pedro nunca compareceu em sede policial para narrar o ocorrido e nem ao Instituto Médico
Legal, apesar de testemunhas presenciais confirmarem as lesões sofridas.
No curso da instrução, foram ouvidas testemunhas presenciais, não sendo Pedro localizado.
Em seu interrogatório, Carlos negou estar em excesso de velocidade, esclarecendo que
perdeu o controle do carro em razão de um buraco existente na pista. Foi acostado exame
pericial realizado nos automóveis e no local, concluindo que, realmente, não houve excesso
de velocidade por parte de Carlos e que havia o buraco mencionado na pista. O exame
pericial, todavia, apontou que possivelmente haveria imperícia de Carlos na condução do
automóvel, o que poderia ter contribuído para o resultado.
Após manifestação das partes, o juiz em atuação perante a 3ª Vara Criminal da Comarca de
São Gonçalo/RJ, em 10 de julho de 2019, julgou totalmente procedente a pretensão
punitiva do Estado e, apesar de afastar o excesso de velocidade, afirmou ser necessária a
condenação de Carlos em razão da imperícia do réu, conforme mencionado no exame
pericial.
No momento da dosimetria, fixou a pena base de cada um dos crimes no mínimo legal e,
com relação à vítima Mário, na segunda fase, reconheceu a agravante prevista no Art. 61,
inciso II, alínea h, do CP, pelo fato de ser criança, aumentando a pena base em 3 meses.
Não havendo causas de aumento ou diminuição, reconhecido o concurso material, a pena
final ficou acomodada em 04 anos e 09 meses de detenção. Não houve substituição da pena
privativa de liberdade por restritiva de direitos em razão do quantum final, nos termos do
Art. 44, inciso I, do CP, sendo fixado regime inicial fechado de cumprimento da pena, com
fundamento na gravidade em concreto da conduta. O Ministério Público foi intimado e
manteve-se inerte.
A defesa técnica de Carlos foi intimada em 18 de setembro de 2019, quarta-feira, para
adoção das medidas cabíveis.
Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Carlos,
redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração,
apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do
prazo para interposição, considerando que de segunda a sexta-feira são dias úteis em todos
os locais do país.
Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para
dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere
pontuação
PENAL – XXIX
Guilherme foi condenado definitivamente pela prática do crime de lesão corporal seguida
de morte, sendo-lhe aplicada a pena de 06 anos de reclusão, a ser cumprida em regime
inicial fechado, em razão das circunstâncias do fato.
Após cumprir 01 ano da pena aplicada, Guilherme foi beneficiado com progressão para o
regime semiaberto. Na unidade penitenciária, o apenado trabalhava internamente em busca
da remição. Durante o cumprimento da pena nesse regime, veio a ser encontrado escondido
em seu colchão um aparelho de telefonia celular.
O diretor do estabelecimento penitenciário, ao tomar conhecimento do fato por meio dos
agentes penitenciários, de imediato reconheceu na ficha do preso a prática de falta grave,
apenas afirmando que a conduta narrada pelos agentes, e que teria sido praticada por
Guilherme, se adequava ao Art. 50, inciso VII, da Lei nº 7.210/84.
O reconhecimento da falta pelo diretor foi comunicado ao Ministério Público, que
apresentou promoção ao juízo da Vara de Execuções Penais de São Paulo, juízo este
competente, requerendo a perda de benefícios da execução por parte do apenado. O juiz
competente, analisando o requerimento do Ministério Público, decidiu que, “considerando a
falta grave reconhecida pelo diretor da unidade, impõe-se: a) a regressão do regime de
cumprimento de pena para o fechado; b) perda da totalidade dos dias remidos; c) reinício da
contagem do prazo de livramento condicional; d) reinício da contagem do prazo do
indulto.”
Ao ser intimado do teor da decisão, em 09 de julho de 2019, terça-feira, Guilherme entra
em contato, de imediato, com você, na condição de advogado(a), esclarecendo que nunca
fora ouvido sobre a aplicação da falta grave, apenas tendo conhecimento de que a
Defensoria se manifestou no processo de execução após o requerimento do Ministério
Público.
Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Guilherme,
redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração,
apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do
prazo para interposição, considerando que, em todos os locais do país, de segunda a sexta-
feira são dias úteis.
TRABALHO – XXXVI
TRABALHO – XXXV
Em sentença prolatada pela 89ª Vara do Trabalho de Floriano/PI, nos autos da reclamação
trabalhista número 0101010-50.2021.5.22.0089, movida por Benício Pérolas contra a
Transportadora Rapidinha Ltda., o pedido foi julgado procedente em parte nos seguintes
termos:
(i) não foi conhecida a prejudicial de prescrição parcial porque suscitada pela sociedade
empresária em razões finais, e não na contestação, ocorrendo, na ótica do magistrado,
preclusão;
(ii) foi indeferida a anulação do pedido de demissão feito pelo ex-empregado, em
10/02/2021, após 10 anos de trabalho, porque o autor não provou qualquer vício na sua
manifestação de vontade;
(iii) foi deferido o pagamento de 1 hora extra diária, com adicional de 50% (cinquenta por
cento), pelo intervalo interjornada desrespeitado, pois o juiz se convenceu que o autor
trabalhava de segunda a sexta-feira, das 8 às 20 h, com intervalo de 1 hora para refeição;
(iv) foi indeferido o pagamento do 13º salário de 2019, porque a empresa comprovou
documentalmente nos autos, a quitação regular deste direito;
(v) foi deferida a reintegração do autor ao emprego, porque ele comprovou ser, à época,
dirigente, com mandato em vigor, de uma associação desportiva criada pelos empregados
da Transportadora Rapidinha Ltda.;
(vi) foi deferido o depósito do FGTS na conta vinculada para o período de 5 meses no qual
o autor ficou afastado pelo INSS em auxílio por incapacidade temporária previdenciária
(antigo auxílio-doença comum, código B-31), período em que a empresa não recolheu o
FGTS;
(vii) foi indeferido o pedido de férias 2018/2019, em razão da grande quantidade de faltas
injustificadas que o trabalhador teve no período aquisitivo, comprovada documentalmente
nos autos;
(viii) foi deferida a integração da ajuda de custo à remuneração do autor, porque ela era
paga mensalmente pela empresa, conforme se verificou dos contracheques que foram
juntados aos autos;
(ix) foi deferida, de julho de 2020 a fevereiro de 2021, a equiparação salarial do autor com
o empregado Raul Flores Raras, que exercia a mesma função do reclamante e atuava na
filial da empresa localizada em Goiás;
(x) foi deferido o pagamento de insalubridade desde a sua supressão, porque, em que pese
ter havido comprovadamente a reclassificação da atividade pelo órgão competente durante
o contrato de trabalho, o juiz entendeu que havia direito adquirido porque o trabalhador já
contava com essa verba no seu orçamento, além de ofensa ao princípio da irredutibilidade
salarial; e
(xi) foram deferidos honorários advocatícios em favor do advogado do reclamante, na
ordem de 30% (trinta por cento) sobre o valor da liquidação e de 15% (quinze por cento)
em favor do advogado da empresa sobre os pedidos julgados improcedentes.
Diante disso, como advogado(a) da ré, redija a peça prático-profissional para a defesa dos
interesses do seu cliente em juízo, ciente de que a ação foi ajuizada em 28/06/2021 e que,
na sentença, não havia vício ou falha estrutural que comprometesse a sua integridade.
TRABALHO - XXXIV
TRABALHO - XXXIII
TRABALHO - XXXII
Érica Grama Verde trabalhou para a sociedade empresária Auditoria Pente Fino S.A. de
29/09/2011 a 07/01/2020, exercendo, desde a admissão, a função de gerente do setor de
auditoria de médias empresas. Na condição de gerente, Érica comandava 25 auditores,
designando suas atividades junto aos clientes do empregador, bem como fiscalizando e
validando as auditorias por eles realizadas. Érica recebia salário mensal de R$ 20.000,00
(vinte mil reais), acrescido de gratificação de função de R$ 10.000,00 (dez mil reais).
Érica pediu demissão, em 07/01/2020, e ajuizou reclamação trabalhista em 30/01/2020, na
qual postulou o pagamento de horas extras, alegando que trabalhava de segunda-feira a
sábado, das 8h às 20h, com intervalo de 1 hora para refeição, sendo que não marcava folha
de ponto. Érica requereu o pagamento da indenização de 40% sobre o FGTS, que não foi
depositada na sua conta vinculada, conforme extrato analítico do FGTS, que juntou com a
inicial. Ela afirmou, ainda, que a empresa não efetuou o recolhimento do INSS nos anos de
2018 e 2019, fazendo comprovação disso por meio do seu Cadastro Nacional de
Informações Sociais (CNIS), juntado com a petição inicial, no qual se constata que, nos
anos citados, não houve recolhimento previdenciário, pelo que requereu que a empresa
fosse condenada a regularizar a situação. Érica explicou e comprovou com os
contracheques que, a partir de 2018, passou a receber prêmios em pecúnia, em valores
variados, pelo que requereu a integração do valor desses prêmios à sua remuneração, com
reflexos nas demais verbas salariais e rescisórias, inclusive FGTS, e o pagamento das
diferenças daí decorrentes.
Érica informou que, desde o início de seu contrato, realizava as mesmas atividades que
Silvana Céu Azul, outra gerente do setor de auditoria de médias empresas, admitida na
Auditoria Pente Fino S.A. em 15/01/2009, já na função de gerente, mas que ganhava salário
10% superior ao da reclamante, conforme contracheques que foram juntados com a petição
inicial e evidenciam o salário superior da modelo. Uma vez que as atividades de Érica eram
desenvolvidas em prédio da sociedade empresária localizado ao lado de uma comunidade
muito violenta, tendo a empregada ouvido diversas vezes disparos de arma de fogo e
assistido, da janela de sua sala de trabalho, a várias operações policiais que combatiam o
tráfico de drogas no local, requereu o pagamento de adicional de periculosidade. Por fim,
Érica requereu o pagamento de honorários advocatícios de 20% sobre o valor da
condenação, conforme o Art. 85, § 2º, do CPC.
Diante da situação, você, como advogado(a) da sociedade empresária, deve elaborar a peça
processual adequada à defesa dos interesses de seu cliente, sabendo que a demanda foi
proposta perante a 200ª Vara do Trabalho de São Paulo sob o número 0101010-
50.2020.5.02.0200.