Estudos Taxonomicos Filogeneticos e Biossistematicos em Mansoa DC Bignonieae Bignoniaceae
Estudos Taxonomicos Filogeneticos e Biossistematicos em Mansoa DC Bignonieae Bignoniaceae
Estudos Taxonomicos Filogeneticos e Biossistematicos em Mansoa DC Bignonieae Bignoniaceae
FEIRA DE SANTANA – BA
2010
Ficha Catalográfica – Biblioteca Central Julieta Carteado
_____________________________________________
Profa. Dra. Ana Maria Giulietti
Universidade Estadual de Feira de Santana
Membro da banca
_____________________________________________
Profa. Dra. Reyjane Patrícia de Oliveira
Universidade Estadual de Feira de Santana
Membro da banca
____________________________________________
Prof. Dr. Eduardo Leite Borba
Universidade Federal de Minas Gerais
Membro da banca
___________________________________________
Prof. Dr. Marcos Antonio de Assis
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Membro da banca
_____________________________________________
Prof. Dr. Luciano Paganucci de Queiroz
Universidade Estadual de Feira de Santana
Orientador e Presidente da Banca
Feira de Santana – BA
2010
“A minha Mãe e ao meu esposo, as
pessoas mais importantes da minha
vida, dedico.”
“Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem se
atreve.....”
Charles Chaplin
AGRADECIMENTOS
“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um
AGRADECIMENTOS
RESUMO
ABSTRACT
INTRODUÇÃO GERAL……….................................................................................1
CONCLUSÃO GERAL………..............................................................................289
ANEXOS..............................................................................................................293
RESUMO
INTRODUÇÃO GERAL
cápsula septicida.
Os problemas taxonômicos encontrados em Bignoniaceae já haviam sido
evidenciados por Gentry (1980) e Lohmann (2006), os quais consistem em dois
fatores principais: falta de material completo, com flores e frutos, nos herbários
e pela complexidade morfológica dos táxons.
para Santa Catarina. Também tem sido referido em trabalhos polínicos como
Bove (1994), Gentry & Tomb (1979), Gentry (1980) e Silvestre (1984).
Recentecemente dois trabalhos foram realizados com uma abordagem
química, os quais investigaram o perfil químico de duas espécies de Mansoa
(Silva et al. 2007 e Souza-Filho et al. 2009).
Assim, um problema a ser resolvido em relação à sistemática de Mansoa
diz respeito à sua delimitação dentro da tribo Bignonieae. Portanto, este
trabalho tem como objetivos: delimitar Mansoa em relação aos gêneros
relacionados na tribo Bignonieae, a partir de uma hipótese filogenética;
construir uma hipótese filogenética para o gênero a partir de caracteres
moleculares; revisar taxonomicamente o gênero Mansoa, estabelecendo limites
interespecíficos mais precisos e revisando a nomenclatura; analisar
conjuntamente a hipótese filogenética com as informações biogeográficas com
a finalidade de estabelecer hipóteses sobre a história evolutiva do gênero. Para
tanto foram utilizadas várias abordagens apresentadas nos seguintes
Capítulos:
Capítulo I: são descritas cinco espécies novas para a América do Sul;
Referências
APG III. 2009. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for
the orders and families of flowering plants: APG II. Botanical Journal of the
Linnean Society, 161: 105-121.
Barroso, G.M.; Guimarães, E.F.; Ichaso, C.L.F.; Lima, H.C.de & Peixoto, A.
L. 1986. Sistemática de Angiospermas do Brasil. Vol.3. Imp. Editora da
Universidade Federal de Viçosa, Viçosa.
Bureau, L.E. & Schumann, K.M. 1896. Bignoniaceae. In Martius, Eichler &
Urban. (eds.). Flora Brasiliensis 8(2):1-451.
Lohmann, L.G. & Ulloa, C.U. 2007. in: Bignoniaceae in iPlants Prototype
Checklist. http://www.iplants.org. (accessed 20 January 2008).
Olmstead, R.G.; Zjhra, M.L.; Lohmann, L.G.; Grose, S.O. & Eckert, A.J.
2009. A Molecular Phylogeny and Classification of Bignoniaceae. American
Journal of Botany. 96: 1731-1743.
7
Silva, D.M.; Freitas, J.D.; Costa, A.L.S.; Freitas, M.L.; Oliveira, C.T. &
Sant’Ana, A.E.G. 2007. Análises de compostos fixos e voláteis de extratos
apolares de Mansoa hirsuta DC. (Bignoniaceae). Anais da 30ª Reunião Anual
da Sociedade Brasileira de Química, 2 pp.
Souza-Filho, A.D.S.; Guillon, G.M.S.P.; Zoghbi, M.G.B. & Cunha, R.L. 2009.
Análise comparativa do potencial alelopático do extrato hidroalcoólico e do óleo
essencial de folhas de cipó d’alho (Bignoniaceae). Planta Daninha, Viçosa,
Minas Gerais. 27: 647-653.
Capítulo I
“As coisas são semelhantes: isto faz a Ciência possível; as coisas são
diferentes: isto faz a Ciência necessária.” (Levis & Lewontin 1985)
Introduction
Mansoa DC. is a Neotropical genus of Bignoniaceae distributed from
Mexico to Argentina, occurring in tropical rain forests or seasonal enviroments,
and includes 12 species, most from Brazil. Mansoa belongs to the tribe
New Taxa of Mansoa 10
Species descriptions
externally, ca. 1/3 of base area glabrous, ca. 2/3 of median-apical area
pubescent, multicellular trichomes, free portion of the dorsal stamens 2.5 - 3.0
cm long., free portion of the ventral stamens 1.9 - 2.2 cm long., connective not
prominent, glabrous, thecae 3 mm long., free portion of staminode 0.9 - 1 cm
long.; nectariferous disc 2 - 2.5 × 3 - 3.5 mm, annular-pulvinate, ovary 5 - 5.5 ×
2 - 2.5 mm, cylindrical, lepidote, the ovules 2 - seriate in each locule, style 2.5 -
2.7 cm long., stigma 3 - 3.5 mm, lanceolate. Capsule 38 - 40 × 2.8 - 3.0 cm,
linear-subcilyndrical, apex acuminate, margin straight, base truncate, valves
coriaceous to woody, lepidote, with prominent midrib; calyx caducous. Seeds
not seen. Figure 1.
Aug. 1969, J. Schunke V. 3362, fr., (NY). SURINAME: Head water of the river
Mapane, about 150 miles South of Paramaribo, 12 April 1953, N. Guppy & L.
Lindeman 66 fl. (NY).
CONSERVATION STATUS. Data Deficient (DD) (IUCN 2001). This plant was
included in this category by the need for better assessment of subjects in their
natural environments. The most recent herbarium material examined consists of
more than 20 years of collecting.
VERNACULAR NAME. Ajo sacha (Huánuco, Loreto – Peru), Ajo sacha macho
(San Martin - Peru).
ETYMOLOGY. The epithet honours Alwin H. Gentry, who first collected the
species and made important contribution to the knowledge of Bignoniaceae.
A B
C D
in which Gentry made a remark "sp. nov. aff alliaceum ", indicating the
possibility of it being a new species.
NOTES. Mansoa ivanii is characterized by young leaflets with acute apex and
mature emarginate, inflorescence multiflorous and congested, calyx 5 - lobed
with vein prominent, corolla with widely opened throat, laciniae with cuspidate
New Taxa of Mansoa 17
Plant not viscous. Odor not reported. Liana; brachlets terete, striated, attached
streaks, pubescent, simple and peltate glandular trichomes, without lenticels,
interpetiolar area without nectaries. Pseudostipules absent. Leaves 2 - 3 -
foliolate; petiole 2.5 - 3 cm, puberulous, simple and glandular trichomes; leaflets
New Taxa of Mansoa 19
5.9 - 6.5 × 3.2 - 3.5 cm, coriaceous, ovate, apex acute, mucronulate, margin
entire, revolute, base cordate, palmiveined, venation prominent on the abaxial
surface, concolours, adaxial surface pubescent, simple trichomes, abaxial
surface tomentose, simple trichomes and sessile glandular trichomes, nectaries
absent; petiolules central e lateral 5 - 8 mm, puberulous, simple trichomes and
glandular trichomes; tendril not seen. Inflorescence ca. 45 cm long, thyrsoid,
terminal, lax, multiflorous; puberulous peduncle, peltate glandular trichomes.
Calyx 2.8 - 3.1 × 1.2 cm, green, papyraceous, cylindrical, 5 - lobed, lobes
conspicuos, prominent veins of sepals, elongated only on floral button,
puberulous with multicellular trichomes and peltate glandular trichomes,
nectaries absent; corolla 8 - 8.5 × 3 - 5 cm, membranaceous, infundibuliform,
purple, with tube whitish externally, ca. 2/3 of the region median-basal glabrous,
ca. 1/3 of the apical region puberulous, peltate glandular trichomes, laciniae
with rounded apex; stamens inserts; free portion of the dorsal stamens 3 - 3.5
cm long., free portion of the ventral stamens 2.3 - 2.5 cm long., connective
prominent, pubescent, multicellular trichomes, thecae 5 - 6 mm long., free
portion of staminode 5 - 6 mm; nectariferous disc 2 - 2,2 × 4 - 4,2 mm, ring,
ovary 4 - 4.3 × 2 - 2.2 mm, cylindrical, lepidote, the ovules 2-seriate in each
locule, style 4.5 - 4.9 cm long., stigma 4 - 5 mm long., lanceolate. Capsule not
seen. Figure 3.
flowering season in order to recollect it, but the same was not found, and the
site was replaced by a storage bin.
ETYMOLOGY. The species is related to the size of the calyx to be very long
about 1/3 the size of the corolla.
venation 3-veined from the base, venation prominent on the abaxial surface,
concolorous, adaxial and abaxial surfaces puberulous, simple trichomes and
sessile glandular trichomes, extra-floral nectaries in the basal region between
the primary and secondary veins; central petiolules 2.8 - 3 cm, lateral petiolules
1.2 - 1.6 cm, tomentose, trichomes simple; trifid tendril. Inflorescence thyrsoid,
axillary, lax, multiflorous; peduncle tomentose, peltate glandular trichomes.
Calyx 6 - 17 × 5 - 7 mm, green, chartaceous, campanulate, 5 - lobed, vein
prominent lobes of sepals, elongated or not, pubescent externally, peltate
glandular trichomes and simple trichomes, nectaries absent; corolla 4.5 - 5 ×
2.5 - 3 cm, membranaceous, tubular-campanulate, purple, with basal portion of
the tube whitish, externally, ca. of 2/3 of the basal-median region glabrous, ca.
of 1/3 of the apex region puberulous, trichomes multicellular, stamens inserts,
free portion of the dorsal stamens 1.8 - 2.3 cm long., free portion of the ventral
stamens 1.3 - 1.5 cm long., connective elongate, pubescent, multicellular
trichomes, thecae 4 - 4.5 mm long., free portion of staminode 6 - 7 mm long.;
nectariferous disc 1 - 1.4 × 3 - 4 mm, ring, ovary 4 - 4.3 × 1 - 1.2 mm,
cylindrical, pubescent, the ovules 4 - seriate in each locule; style 2.2 - 2.4 cm
long., stigma 2 - 3 mm long., lanceolata. Capsule 20.5 - 22 × 1 - 3 cm, apex
acuminate, with irregular margin re-entrances, base acuminate; pubescent
valves, peltate glandular trichomes, irregularly prominent midrib, calyx
persistent. Seeds not seen. Figure 4. Plate 1 G, H.
Plant not viscous. Without garlic odor. Liana; branchlets terete, striate,
detachable streaks, glabrous, without lenticells, nodes without interpetiolar
nectaries fields. Pseudostipules 2 - 2.3 mm long., obovate, apex acute, margin
entire, revolute, base truncate, puberulous, simple trichomes. Leaves 2 – 3 -
foliolate; petiole 1.5 - 2 cm long., puberulous, simple trichomes; leaflets 2.4 - 4.5
× 2 - 2.8 cm, papyraceous, ovate to elliptic, apex acute to rounded or slightly
emarginate, sometimes mucronulate, margin entire to irregularly dentate, flat,
base cuneate, 3 - nerved from the base, vein conspicuous on the abaxial
surface, concolorours, adaxial surface glabrous to puberulous or the sparsely
lepidote, simple trichomes or sessile glandular trichomes, abaxial surface
glabrous to lepidote, sessile glandular trichomes, extra-floral nectaries in the
basal region between the primary and secondary veins; petiolules central 1.5 -
1.8 cm long., petiolules lateral 5 - 6 mm long., puberulous, simple trichomes;
trifid tendril. Inflorescence thyrsoid, terminal and axillary, lax, few flowers;
peduncles puberulous, simple trichomes. Calyx 4 - 4.5 × 4 4.5 mm, green to
New Taxa of Mansoa 26
Belmonte e Jatí, 13 May 1978, E. P. Heringer 735, fl., (IPA, UB). Minas Gerais:
Manga, L. V. Costa 513, fl., (BHCB), Matias Cardoso, sentido Manga, Parque
Lagoa do Cajueiro, 22 April 2006, D. S. Carneiro-Torres, F. França & E. Melo
743, fl. (HUEFS). Rio Grande do Norte: Touros, July 1961, D. Andrade-Lima
s/n, st., (RB). Pernambuco: Buíque, Parque Nacional de Catimbau, Vale do
Catimbau, 23 Sept. 2004, A. M. Miranda 4480, fl. (HST); Salgueiro, Fazenda
Cedro, base da serra, 8 July 1981, J. E. de Paula & H. Alves1485, fr. (UB);
Sertânia, Br 110, estrada Moderna – Ibimirim, 513m, 8º28’40,2”S 37º31’17”W,
29 June 2007, M. M. Silva-Castro, D. S.Carneiro-Torres, R. M. Santos & F. A.
Viera 1235, fl., (HUEFS). Piauí: Caracol, Catuaba, 20 March 2002, R. Barros
s/n, fl., (HUEFS 67199, TEPB, SP); São Braz do Piauí, ca. 35 km SW de São
Raimundo Nonato, 615 m, 9º2’47”S 43º1’19”, 11 March 2005, L. P. Queiroz, J.
A. Costa, T. S. Nunes & J. G. Nascimento 10102, fl., (HUEFS).
NOTES. Mansoa paganuccii shows the branches with detachable striae, nodes
without interpetiolar nectaries fields, leaflets with margin irregularly toothed,
calyx truncated to minute 5 - toothed, corolla purple, hair and elongated
New Taxa of Mansoa 28
Acknowledgements
The authors acknowledge the IEF (Instituto Estadual de Florestas - Minas
Gerais) the staff of the PERD (Parque Estadual do Rio Doce), in the person of
Geovane Tavares, for permission collect and support into the park. Ivan Farias
Castro by drawings and by support in field. The Instituto do Milênio do Semi-
árido (IMSEAR) in finantial support in the travel field. Daniela Santos Carneiro
Torres by edition of the maps, Cássio van den Berg by help with Latin
diagnosis.
New Taxa of Mansoa 29
References
IUCN (2001). IUCN Red List Categories and Criteria: Version 3.1. IUCN
Species Survival Commission. IUCN, Gland, Switzerland and Cambridge, U.K.
Continued appendix 1
Espécies fruit formate long fruit apex fruit margin fruit seed odor pollen
M. alliacea ovate-oblong 38-40 cm roundend curve no alate galic pantocolpate
M. gentryi linear- 8,5 cm acuminate straight alate galic pantocolpate
subcilyndrical
M. ×caatinguensis --------------- ---------- ------------ ------- ---------- no pantossincolpate
M. hirsuta linear-flattened 12-17 cm acute to acuminate with irregular alate galic pantossincolpate
constrictions
M. ivanii linear-cilyndrical 21-25 cm acuminate with irregular no see onion pantossincolpate
constrictions
M. longicalyx unknow -------- --------------- -------------- no see no related pantossincolpate
M. minensis linear-flattened 20-22 cm acuminate straight alate galic pantossincolpate
M. paganuccii linear-flattened 12-21 cm acute with irregular alate no pantossincolpate
constrictions
33
Capítulo II
“As grandes obras são executadas, não pela força, mas pela perseverança.”
(J. Johnson)
Introdução
A B C
D E F
G
H I
Material e Métodos
Amostragem
Foram coletados espécimes de Mansoa hirsuta, M. paganuccii e dos
supostos híbridos ao longo da área de distribuição, nos estados da Bahia, Piauí
e Ceará (Figura 2). Foram amostradas 26 populações, sendo 12 de Mansoa
hirsuta, 11 de M. paganuccii e três do provável híbrido, correspondendo a 447
indivíduos, com uma média aproximada de 17 indivíduos por população
(Tabela 1).
Hibridação Natural em Mansoa 39
42º36’29”W
18 HMC BA - Morro do 11º29’58”S 20 MMSC 1437
Chapéu 41º18’44”W
19 HMO BA – Morpará 11º35’51”S 19 MMSC 1384
43º17’4”W
20 HOB BA - Oliveira dos 12º22’0”S 19 MMSC 1388
Brejinhos 42º54’0”W
21 HPA BA – Palmeiras 12º45’0”S 18 MMSC 1395
41º30’0”W
22 HSR BA - Serra do 14º13’45”S 17 MMSC 1407
Ramalho 43º 52’1”W
23 HSS BA - Sento Sé 10º29’10”S 20 CC 384
41º16’11”W
Supostos híbridos
24 CSE BA – Seabra 12º26’58”S 12 MMSC 1147
42º10’50”W
25 CIG BA – Igaporã 13º43’50”S 9 MMSC 1459
42º36’30”W
26 CMO BA – Morpará 11º35’51”S 7 MMSC 1387
43º17’4”W
Extração de DNA
O DNA de cada amostra foi extraído de folhas ou flores de acordo com o
protocolo modificado de Doyle & Doyle (1987). As amostras foram maceradas
com ajuda de areia lavada e autoclavada. O DNA total extraído foi analisado
qualitativamente e quantitativamente através de eletroforese em gel de agarose
a 1,0%.
Amplificação do DNA
As regiões ISSR foram amplificadas via reação da polimerase em cadeia
(Polymerase Chain Reaction – PCR) em termociclador Perkin Elmer Gene Amp
9700. A reação de amplificação foi realizada em um volume final de 18 µL
contendo 1× buffer, 2,5 Mm de MgCl2, 0,2 mM de dNTPs, 0,5 mM de primers,
1,0 unidade de Taq polymerase (Phoneutria) e DNA genômico (1 µL). Foram
testados 20 primers de ISSR dos quais foram selecionados os seis mais
Hibridação Natural em Mansoa 42
polimórficos: AW3, GOOFY, OMAR, TERRY, UBC 898 e UBC 901 (Tabela 1),
descritos e amplificados a partir de protocolo modificado de Wolfe et al. (1998).
Os parâmetros da reação de amplificação seguiram uma denaturação inicial de
94oC por 1,5 minutos, seguidos de 35 ciclos de denaturação a 94oC por 40 seg,
anelamento a 45oC por 45 segundos e extensão a 72oC por 1,5 minutos, e um
ciclo final de 94oC por 45 segundos, 44oC por 45 segundos e 72oC por 7
minutos para finalização da amplificação dos fragmentos resultantes dos ciclos
anteriores.
Sequência Bandas
Primer (5’→3’) Tamanho (pb) Número
OMAR (GAG)4RC 200-1900 20
TERRY (GTG)3GGTGRC 180-1800 25
AW3 (GT)6RG 190-1850 19
GOOFY (GT)6 YG 190-2000 22
UBC 898 (CA)6RY 210-1700 21
UBC 901 (GT)6YR 250-1400 22
Total 129
Média 21,5
Hibridação Natural em Mansoa 43
Resultados
Variabilidade Genética
Os seis primers utilizados geraram 129 loci polimórficos para todas as
populações. Bandas com pouca intensidade e de difícil identificação foram
excluídas da análise. O número de fragmentos variou de 19 (primer AW3) a 27
(primer OMAR) com uma média de 22 loci por primer (Tabela 2). O tamanho
dos fragmentos variou de 180 a 2.000 pares de bases (Figura 3).
Mansoa paganuccii apresentou 119 bandas das quais 18 foram
exclusivas, em M. hirsuta foram detectadas 106 bandas e 9 exclusivas e, o
suposto híbrido apresentou 77 bandas, nenhuma exclusiva. As populações que
apresentaram alelos exclusivos foram: de Mansoa paganuccii, Carinhanha e
Campos Sales e Nova Santa Rita (1 alelo cada) e Igaporã (2 alelos), de M.
hirsuta: Palmeiras (2 alelos) (Tabela 3).
O número de loci gerados por população variou de 46 (POB) a 76 (PMO)
em Mansoa paganuccii, de 43 (HOB) a 64 (HCS) em M. hirsuta, e de 43 (CMO)
a 64 (CSE) no suposto híbrido, a média geral foi de 59,69 alelos por população
analisada. O grau de polimorfismo variou entre 17,83% (POB) e 52,71% (PMO)
nas populações de M. paganuccii; entre 30,23% (HOB e HSS) e 48,06% (HMC)
nas populações de M. hirsuta, e entre 24,81% (CMO) e 44,96% (CSE) nas
populações do suposto híbrido (Tabela 3). A heterozigosidade média esperada
dentro das populações (He) em M. paganuccii variou de 0,059 (POB) a 0,158
(PMO). Entre as populações de M. hirsuta a He variou de 0,096 (HBM) a 0,127
(HIP); no suposto híbrido a variação foi de 0,093 (CMO) a 0,144 (CSE) (Tabela
3).
Mansoa paganuccii apresentou índices de polimorfismo (P) 43,20% e
heterozigosidade média esperada (He) 0,121; M. hirsuta apresentou P 37,86%
e He 0,106; o suposto híbrido apresentou P 35,14% e He 0,115 (Tabela 3).
A diversidade genética total (HT) entre todas as populações foi de 0,1853
e a diversidade genética dentro das populações (HS) de 0,1118 (Tabela 4).
Hibridação Natural em Mansoa 45
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27
1600 pb
:
1.200 pb
.
800 pb
.
500 pb
.
.
.
.
..
.
100 pb
M. hirsuta
HBA 55 0 36,43 0,109
HBM 57 0 32,56 0,096
HCS 64 0 38,76 0,106
HFRP 54 0 34,88 0,103
HGO 63 0 41,86 0,111
HIP 63 0 44,19 0,127
HMC 66 0 48,06 0,119
HMO 60 0 42,64 0,108
HOB 43 0 30,23 0,083
HPA 55 2 34,11 0,101
HSR 58 0 40,31 0,113
HSS 47 0 30,23 0,099
Média -- -- 37,86 0,106
Total 106 -- -- --
Hibridação Natural em Mansoa 46
Suposto híbrido
CSE 64 0 44,96 0,144
CIG 50 0 35,66 0,108
CMO 43 0 24,81 0,093
Média -- -- 35,14 --
Total 77 0 -- --
P HT HS GST FST
Estruturação Genética
A Análise Molecular de Variância (AMOVA) realizada com as 26
populações detectou maior variação dentro (58%) do que entre as populações
(42% - Tabela 5), enquanto que a estruturação genética entre as populações
foi de 0,3967 (GST) (Tabela 4).
Em Mansoa hirsuta a variação encontrada dentro das populações foi de
59% e entre as populações foi de 41%. Para essas populações o valor de
estruturação foi 0,3557. Na análise realizada com as populações de M.
paganuccii detectou-se uma variação entre as populações de 36%, dentro das
populações de 64%, estruturação genética de 0,3348. A análise realizada com
as populações dos supostos híbridos revelou uma variação genética de 36%
Hibridação Natural em Mansoa 47
Similaridade Genética
Entre as populações de Mansoa paganuccii a maior identidade genética
ocorreu entre as populações de Igaporã (PIG) e Carinhanha (PCN) (0,936) e a
menor entre as populações de Carinhanha (PCN) e Oliveira dos Brejinhos
(POB) (0,838).
Nas populações de Mansoa hirsuta, a maior identidade genética ocorreu
entre as populações de Gentio do Ouro (HGO) e Ipupiara (HIP) (0,963) e a
menor entre as populações de Morro do Chapéu (HMC) e Sento Sé (HSS)
(0,852).
Nas populações do híbrido a maior identidade genética ocorreu entre as
populações de Igaporã (CIG) e Morpará (CMO) (0,911) e a menor entre as
populações de Morpará (CMO) e Seabra (CSE) (0,879).
Entre as populações de M. hirsuta e o suposto híbrido a maior identidade
genética foi entre as populações de Gentio do Ouro (HGO) e Igaporã (CIG)
(0,913) e a menor entre as populações de Campos Sales (HCS) e Seabra
(CSE) (0,839), com identidade genética média entre as populações desses
táxons de 0,969. Entre as populações de M. paganuccii e o suposto híbrido a
maior identidade genética foi entre as populações de Igaporã (PIG e CIG)
(0,956), e a menor entre Brotas de Macaúbas (PBM) e Morpará (CMO) (0,848),
com identidade genética média entre as populações de 0,975. Entre as
populações de M. paganuccii e M. hirsuta a maior identidade genética foi entre
as populações Campos Sales (PCS) e de Morro do Chapéu (HMC) de 0,928 e
a menor entre as populações de Oliveira dos Brejinhos (POB) e Sento Sé
(HSS) de 0,825, com identidade genética média entre as populações desses
táxons de 0,983 (Tabelas 6 e 7) .
Hibridação Natural em Mansoa 48
Relações fenéticas
Na primeira análise realizada (Figura 5; agrupamento UPGMA) foi
evidenciada a formação de dois grandes grupos, o primeiro contendo as
populações de Mansoa paganuccii e uma população do suposto híbrido (CIG),
e o segundo composto pelas populações de M. hirsuta e outras duas
populações do suposto híbrido (CMO e CSE), que formaram um pequeno
agrupamento antes de se reunirem às populações de M. hirsuta. Não foi
observado um padrão geográfico de agrupamentos preferenciais. Entretanto, a
única população do suposto híbrido (CIG) presente no agrupamento de M.
paganuccii ficou agrupada com a população do mesmo município, Igaporã
(PIG). Na segunda análise (Figura 6; agrupamento Neighbour-joinging - NJ)
também foi evidenciada a formação de dois grandes grupos, o primeiro
contendo todas as populações de M. hirsuta, e o segundo composto pelas
Hibridação Natural em Mansoa 49
P - 0,026 0,017
H 0,983 - 0,031
C 0,975 0,969 -
Hibridação Natural em Mansoa 50
0,25
0,2
0,15
0,1
Coordinate 2
0,05
-0,05
-0,1
-0,15
-0,2
-0,2 -0,16 -0,12 -0,08 -0,04 0 0,04 0,08 0,12 0,16
Co o rdinate 1
POB
PBM
PCN
CIG
PMO
PIG
PSB
PCS
PCA
PIP
CSE
CMO
PNRS
HGO
PCGP
HBA
HFRP
HCS
HMC
HIP
HOB
HSR
HPA
HSS
HMO
HBM
100
Discussão
Conclusões
Agradecimentos
Os autores expressam seus sinceros agradecimentos a Dra. Teonildes
Sacramento Nunes pela ajuda com os programas.
Hibridação Natural em Mansoa 63
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Apêndice 1. Matriz de identidade (abaixo) e distância genética de Nei (acima)
(Nei Unbiased Genetic Distance) entre as 26 populações de Mansoa. Em
negrito os valores de maior e menor identidade encontrados entre as
populações de cada táxon e entre os três táxons (Ver Tabela 1 para os nomes
das populações).
Hibridação Natural em Mansoa 71
Tabela 6. Matriz de identidade (abaixo) e distância genética de Nei (acima) (Nei Unbiased Genetic Distance) entre as 26 populações de
Mansoa. Em negrito os valores de maior e menor identidade encontrados entre as populações de cada táxon e entre os três táxons (Ver
Tabela 1 para os nomes das populações).
PBM PCA PCGP PCN PCS PIG PIP PMO PNSR POB PSB CIG CMO CSE HBA HBM HCS HFRP HGO HIP HMC HMO HOB HPA HSR HSS
PBM 0,090 0,127 0,143 0,115 0,160 0,075 0,101 0,149 0,130 0,104 0,131 0,146 0,162 0,150 0,183 0,193 0,186 0,184 0,158 0,151 0,169 0,134 0,150 0,140 0,125
PCA 0,916 0,065 0,108 0,080 0,084 0,071 0,093 0,098 0,078 0,120 0,069 0,130 0,115 0,110 0,126 0,135 0,123 0,145 0,132 0,117 0,092 0,116 0,107 0,108 0,126
PCGP 0,912 0,925 0,117 0,098 0,120 0,103 0,107 0,133 0,102 0,131 0,092 0,158 0,152 0,141 0,179 0,183 0,158 0,187 0,167 0,143 0,137 0,150 0,143 0,146 0,143
PCN 0,932 0,916 0,924 0,028 0,120 0,103 0,090 0,114 0,122 0,139 0,122 0,139 0,119 0,121 0,163 0,189 0,117 0,175 0,144 0,129 0,111 0,141 0,131 0,124 0,138
PCS 0,881 0,938 0,910 0,908 0,104 0,085 0,090 0,091 0,116 0,133 0,107 0,136 0,116 0,117 0,152 0,185 0,123 0,177 0,148 0,115 0,105 0,127 0,126 0,121 0,151
PIG 0,901 0,903 0,912 0,936 0,909 0,071 0,071 0,080 0,096 0,142 0,087 0,170 0,165 0,135 0,145 0,152 0,125 0,144 0,133 0,136 0,075 0,119 0,120 0,104 0,150
PIP 0,920 0,898 0,900 0,927 0,894 0,931 0,038 0,078 0,082 0,066 0,066 0,128 0,127 0,105 0,124 0,116 0,125 0,120 0,125 0,098 0,091 0,106 0,095 0,108 0,119
PMO 0,897 0,889 0,911 0,875 0,882 0,866 0,880 0,070 0,084 0,067 0,072 0,123 0,120 0,092 0,129 0,148 0,117 0,128 0,092 0,088 0,087 0,096 0,093 0,095 0,093
PNSR 0,882 0,921 0,934 0,893 0,921 0,908 0,905 0,903 0,097 0,130 0,094 0,153 0,112 0,105 0,159 0,182 0,142 0,171 0,141 0,118 0,124 0,139 0,125 0,148 0,174
POB 0,864 0,879 0,888 0,838 0,890 0,851 0,847 0,931 0,895 0,110 0,073 0,175 0,120 0,122 0,138 0,140 0,124 0,153 0,126 0,114 0,110 0,134 0,105 0,119 0,140
PSB 0,885 0,912 0,902 0,877 0,912 0,901 0,876 0,879 0,934 0,897 0,111 0,163 0,158 0,147 0,173 0,175 0,177 0,157 0,153 0,136 0,144 0,147 0,137 0,160 0,134
CIG 0,902 0,901 0,900 0,927 0,916 0,956 0,922 0,885 0,913 0,867 0,914 0,132 0,097 0,102 0,140 0,138 0,129 0,138 0,141 0,104 0,090 0,112 0,107 0,121 0,139
CMO 0,848 0,883 0,874 0,858 0,867 0,888 0,861 0,864 0,877 0,859 0,879 0,911 0,128 0,121 0,116 0,155 0,109 0,166 0,162 0,158 0,110 0,156 0,155 0,104 0,141
CSE 0,869 0,901 0,857 0,856 0,896 0,854 0,850 0,847 0,897 0,856 0,891 0,886 0,879 0,093 0,128 0,152 0,131 0,146 0,150 0,119 0,143 0,153 0,135 0,125 0,165
HBA 0,870 0,886 0,899 0,894 0,914 0,901 0,869 0,871 0,879 0,872 0,869 0,903 0,908 0,876 0,090 0,143 0,091 0,122 0,081 0,045 0,088 0,076 0,105 0,104 0,103
HBM 0,875 0,852 0,872 0,863 0,866 0,873 0,858 0,855 0,838 0,839 0,841 0,863 0,854 0,849 0,895 0,108 0,068 0,129 0,132 0,104 0,092 0,132 0,103 0,092 0,122
HCS 0,870 0,888 0,900 0,874 0,896 0,892 0,881 0,858 0,883 0,869 0,871 0,885 0,887 0,839 0,930 0,896 0,111 0,071 0,166 0,161 0,116 0,176 0,119 0,129 0,146
HFRP 0,840 0,862 0,882 0,870 0,884 0,889 0,868 0,843 0,868 0,834 0,853 0,900 0,894 0,858 0,910 0,878 0,908 0,102 0,100 0,097 0,082 0,113 0,068 0,083 0,126
HGO 0,911 0,910 0,911 0,909 0,917 0,916 0,912 0,880 0,890 0,862 0,879 0,913 0,887 0,884 0,931 0,935 0,920 0,933 0,128 0,144 0,126 0,134 0,094 0,118 0,108
HIP 0,888 0,898 0,910 0,900 0,913 0,907 0,882 0,887 0,883 0,890 0,884 0,901 0,880 0,880 0,937 0,937 0,922 0,925 0,963 0,072 0,112 0,076 0,105 0,107 0,084
HMC 0,861 0,901 0,887 0,888 0,928 0,873 0,875 0,866 0,883 0,859 0,865 0,874 0,848 0,844 0,916 0,867 0,909 0,923 0,932 0,931 0,095 0,066 0,092 0,103 0,104
HMO 0,859 0,886 0,882 0,881 0,901 0,891 0,862 0,838 0,885 0,831 0,859 0,889 0,890 0,873 0,898 0,875 0,890 0,913 0,914 0,919 0,901 0,097 0,094 0,064 0,127
HOB 0,871 0,884 0,878 0,869 0,895 0,879 0,866 0,839 0,890 0,828 0,850 0,886 0,887 0,870 0,885 0,870 0,885 0,893 0,914 0,902 0,887 0,973 0,079 0,088 0,071
HPA 0,866 0,864 0,867 0,861 0,872 0,867 0,846 0,829 0,854 0,832 0,836 0,868 0,859 0,853 0,912 0,877 0,903 0,875 0,898 0,902 0,887 0,907 0,890 0,078 0,093
HSR 0,881 0,898 0,898 0,891 0,912 0,890 0,876 0,865 0,885 0,873 0,882 0,896 0,892 0,878 0,933 0,886 0,925 0,906 0,911 0,931 0,920 0,923 0,898 0,937 0,088
HSS 0,883 0,870 0,861 0,875 0,845 0,860 0,854 0,832 0,831 0,825 0,833 0,861 0,851 0,864 0,877 0,901 0,878 0,861 0,904 0,928 0,852 0,891 0,867 0,881 0,914
72
Capítulo III
Introdução
Material e Métodos
gentryi: Peru, Loreto, Alto Amazonas, Río Pastaza, una hora arriba de la boca
del Lago Rimachi, ambas margenes, 25.I.1979, fl., 4º20’S 76º35’W, 200 m, C.
Diaz & J. Ruiz 911 (NY); Tall Forest at Pucallpa, 1.XII.1965, st., 200 m,
J.Schunke V. 985 (NY); Suriname, s/l, head water of the river Mapane, about
150 miles South of Paramaribo, 12.IV.1953, fl., N.Guppy & L.Lindeman 66 (NY);
M. glaziovii: Brasil, Bahia, Amargosa, área das Duas Barras, 19.X.2007, fl.,
14º9’66”S 39º49’44”W, 625 m, J.L.Paixão et al. 1390 (HUEFS); Espírito Santo,
Itarana, Jatiboca, Fazenda Stuhr, 7.VIII.2002, fl., L.Kollman 5690 (HUEFS);
Minas Gerais, Coronel Pacheco, Estação experimental de Café, 9.XI.1940, fl.,
E.P.Heringer 334 (HUEFS); M. hirsuta: Brasil, Bahia, Morro do Chapéu, Sítio
Arqueológico do Rodrigão, 27.V.2005, fl., 11º29’38”S 41º19’36”W, 910 m,
F.França et al. 5192 (HUEFS), Seabra, 51 km de Seabra, 9.IV.2007, fl.,
12º26’58”S 42º10’50”W, 1.016 m, M. M. Silva-Castro et al. 1148 (HUEFS);
Tanque Novo, ca. 26 km do entroncamento de Igaporã-Tanque Novo,
22.IV.2008, fl., 13º36”59”S 42º33’19”W, M.M.Silva-Castro 1460 (HUEFS),
Formosa do Rio Preto, Br 135, estrada de Barreiras para Formosa do Rio
Preto, Gameleira, Fazenda Boa Esperança, 24.IV.2008, fl., 11º17”50”S
44º59’34”W, M.M.Silva-Castro 1466; M. hymenaea: Brasil, Rio de Janeiro,
Cabo Frio, Sistema de Dunas Dama Branca, zona de areia ativa, 5.II.1986, fl.,
D.Araújo 7208 (GUA); M. ivanii: Brasil, Bahia, Caetité, Abaíra estrada para
Catolés, ca. 3 km do entroncamento da estrada Abaíra-Piatã, fl., 13.VII.2008,
14º9’57’S 42º18’20”W, 610 m, M.M.Silva-Castro & I.F.Castro 1469 (IHUEFS);
M. lanceolata: Brasil, Bahia, s/m, 50 km leste da rodovia Camacã – Porto
Seguro, córrego de pedra, 13.IV.1965, fl., R.P.Belém & M.Magalhães 847 (UB);
Rio de Janeiro, s/m, s/l, s/d, Wilgre s/n (NY 483560); M. longicalyx: Brasil,
Bahia: Caetité, estrada para Brejinho das Ametistas, 29.IV.2001, fl., 14º7’33”S
42º26’3”W, 726m, C.Correia et al. 51 (HUEFS); M. sagotii: México. Campeche,
Tapachula, Región Soconusco, Pto. Madero, Playa Linda, 12.III.1992, fl.,
A.A.Vázquez 94AA (MEXU); Chiapas, Cintalapa, thorn Forest near and
northwest of Cintalapa along road to Colonia Francisco I. Madero, 30.XII.1980,
fl., 560 m, D.E.Breedlove 48997 (MEXU); F.Miranda 6810 (MEXU); M.
minensis: Brasil, Minas Gerais: Marliéria, Parque Estadual do Rio Doce,
estrada para o restaurante, 2.IX.2008, fl., fr., 19º46’49”S 42º37’09”W, 311 m,
Palinotaxonomia de Mansoa 78
Resultados
Tabela 1. Dados morfométricos (em µm) dos grãos de pólen das espécies de
Mansoa (Bignoniaceae) com tipo polínico colpado.
Espécie/Espécime Diâmetro Lúmen Aréolas
Exina Sexina Nexina DG/DA
x FV diâm. diâm.
M. alliacea
M.J.Jasen-Jacobs 3355 53,50 42,50-62,50 4,90 5,00 3,5 1,00 33,67 1,59
M.F.Prevost 3342 49,10 45,00-60,00 3,70 3,80 2,10 1,55 35,00 1,40
J.Revilla 3619 47,70 42,50-62,50 3,70 4,00 2,90 1,10 29,20 1,63
M. angustidens
W.A.Engler 835 42,00 40,00-50,00 3,80 3,60 2,60 1,00 14,50 2,90
W.A.Engler 1000 45,40 37,50-52,50 4,70 3,10 1,85 1,25 15,80 2,88
A.Vasques 25 45,01 42,50-55,00 3,60 2,35 1,15 1,20 18,10 2,48
M. ×caatinguensis
M.M.Silva-Castro 1147 52,40 45,00-57,50 4,60 4,10 1,60 1,15 16,75 3,12
M.M.Silva-Castro 1459 44,60 37,50-50,00 2,15 3,20 2,75 1,60 16,50 2,70
M. difficilis
E. Melo 4405 50,30 40,00-62,50 5,50 3,20 1,35 1,85 20,90 2,40
M.S.F.Silvestre 70 47,60 40,00-50,00 4,50 3,20 2,10 1,10 19,70 2,41
R.Simão-Biachini 1239 53,40 47,50-57,50 3,80 2,10 1,20 2,20 18,50 2,88
M. gentryi
C. Diaz 911 47,40 37,50-55,00 4,90 3,90 2,90 1,00 23,90 1,99
J. Schunke 985 54,50 47,50-67,50 4,60 3,80 2,80 1,00 26,00 2,09
N. Guppy 66 53,20 45,00-65,00 4,80 3,80 3,00 1,30 30,80 1,72
M. glaziovii
E.P.Heringer 334 46,90 37,50-57,50 4,70 3,30 1,90 1,10 19,30 2,43
Kolmann 5690 44,60 40,00-52,50 4,10 3,20 1,60 1,50 18,00 2,47
J.L.Paixão 1396 43,00 37,50-50,00 4,60 2,90 1,75 1,15 16,70 2,57
M. hirsuta
F.França 5192 48,30 47,50-60,00 4,20 2,50 1,20 1,30 17,60 2,74
M.M.Silva-Castro 1148 54,30 42,50-62,50 5,10 3,90 1,55 1,95 16,90 3,21
M.M.Silva-Castro 1460 48,30 42,50-57,50 2,50 3,10 1,55 1,55 15,50 3,11
M.M.Silva-Castro 1466 51,40 47,50-65,00 3,90 2,50 1,25 0,85 16,00 3,21
M. hymenaea
D.Araújo 7208 58,95 45,00-50,00 3,90 4,00 2,10 1,30 25,20 2,33
M.ivanii
M.M.Silva-Castro 1469 56,80 50,00-65,00 2,80 3,20 1,60 1,60 21,70 2,62
M. lanceolata
R.P.Belém 847 59,70 52,50-67,50 4,60 5,20 4,00 1,20 27,70 2,15
Wilgre s/n 50,70 42,50-57,50 4,00 4,00 3,00 1,00 25,83 1,96
M. longicalyx
C.Correia 51 49,60 42,50-57,50 3,90 2,50 1,35 1,35 20,10 2,46
M. sagotii
A.A.Vasques 94AA 53,10 45,00-62,50 5,70 4,80 3,15 1,65 26,90 1,97
D.E.Breedlove 48997 52,50 42,50-57,50 5,10 3,50 2,40 1,10 25,10 2,09
F.Miranda 6810 49,00 40,00-57,50 3,70 3,30 1,75 1,55 20,60 2,37
M. minesis
M.M.Silva-Castro 1475 44,20 37,50-50,00 5,35 3,30 1,80 0,95 21,20 2,08
W.P.Lopes s/n 47,60 42,50-52,50 4,00 2,70 1,65 1,05 21,10 2,25
G.E.Valente 189 55,90 37,50-57,50 4,50 3,70 2,60 1,10 22,20 2,51
M. onohualcoides
A. Fernandes s/n 39,10 37,50-52,50 3,80 4,00 2,55 1,15 19,10 2.04
M. paganuccii
S. Leal 59 52,90 47,50-62,50 4,20 3,00 1,50 1,50 20,50 2,58
E.B.Miranda 816 56,87 52,50-62,50 3,80 3,90 2,85 1,50 19,50 2,91
M.M.Silva-Castro 1231 41,40 35,00-52,50 3,30 4,00 1,80 1,80 14,80 2,79
M. verrucifera
F.J.Breteler 3849 43,50 37,50-50,00 4,60 3,40 2,20 1,20 18,00 2,41
R.T.Ortiz 1212 46,20 37,50-52,50 4,20 3,60 3,30 1,00 15,20 3,03
D. White 89 34,40 30,00-42,50 4,25 4,00 2,50 1,50 15,40 2,33
x- média; FV- faixa de variação; DG/DA- diâmetro do grão de pólen/diâmetro da aréola.
Palinotaxonomia de Mansoa 82
Tabela 2. Dados morfométricos (em µm) dos grãos de pólen das espécies Mansoa (Bignoniaceae) com tipo
polínico colporado
Espécie/Espécime Polar ve Equatorial ve Equatorial vp Lúmen
x FV x FV x FV diâm. Exina Sexina Nexina
M. standleyi
A. Raynal-Roques 20086 57,00 47,50-67,50 54,10 40,00-65,00 65,00 47,50-77,50 3,40 2,90 1,90 1,00
J. Schunke 3692 57,60 53,20-70,00 55,70 45,00-62,50 58,40 42,50-67,50 3,10 4,60 2,95 1,65
J. Schunke 6799 50,10 40,00-52,50 60,00 37,50-72,50 62,60 45,00-75,00 3,50 4,80 2,70 1,20
M. parvifolia
B.A.Krukoff 4799 59,80 52,50-60,00 44,60 40,00-47,50 59,60 52,50-65,00 4,30 3,80 3,25 1,00
G.Tessmann 4524 50,00 45,00-52,50 37,20 35,00-42,50 49,40 42,50-52,50 3,60 3,60 2,60 1,00
B.Berlin 828 50,15 42,50-57,50 51,55 42,50-62,50 51,10 45,00-60,00 5,20 4,40 3,45 1,00
x- média; FV- faixa de variação; DG/DA- diâmetro do grão de pólen/diâmetro da aréola.
Palinotaxonomia de Mansoa 83
A B C D
E F G H
I J K L
M N O P
Q R S T
A B C D
E F G H
I J K L
M N O P
Q R S T
A B C
D E F
G H I
J K L
A B C
D
E F
G H I
J K L
Discussão
Circunscrição de Mansoa
Em estudos prévios, Silvestre (1984) reconheceu que Mansoa era um
gênero euripolínico com grãos de pólen tricolpados e pantocolpados, entretanto
naquela época Mansoa apresentava a delimitação proposta por Gentry, na qual
as espécies de Pachyptera estavam incluídas em Mansoa. Nas atuais
circunscrições de Mansoa e Pachyptera há ocorrência de grãos de pólen 3-
aperturados nos dois gêneros, sendo que em Mansoa esse é o tipo polínico
menos comum, e em Pachyptera só há registro para P. ventricosa (A.H.Gentry)
L.G.Lohmann (Gentry & Tomb 1979). Com base em dados moleculares esses
dois gêneros não são irmãos (Lohmann 2006).
Os grãos de pólen triaperturados, sejam tricolpados ou tricolporados, são
os mais comuns entre os membros da família, sendo encontrados também em
Lundia, Piriadacus, Pleonotoma e Tanaecium (Bignonieae), geralmente com
exina microrreticulada ou psilada (Gentry & Tomb 1979; Gentry 1980). Porém,
quando presentes em Mansoa, a exina é reticulada, diferindo assim dos
gêneros citados anteriormente. Pyrostegia venusta (Gentry & Tomb 1979;
Silvestre 1984), espécie relacionada à Mansoa (Lohmann 2006), apresenta o
mesmo tipo polínico 3-aperturado encontrado em Mansoa.
Os tipos polínicos pantocolpado e pantossincolpado são predominantes
em Mansoa, porém em Bignoniaceae eles são menos comuns. Para o tipo
pantocolpado só há registro para algumas espécies de Anemopaegma,
Bignonia (como Cydista) e Mansoa (Gentry & Tomb 1979; Gentry 1980). Já o
tipo pantossincolpado foi registrado para Catalpa, Chilopsis, Sparattosperma e
Delostoma, pertencentes a outras tribos de Bignoniaceae, bem como, em
Adenocalymma, Neojobertia e Anemopaegma pertencentes à Bignonieae
(Gentry & Tomb 1979).
Em Anemopaegma, gênero proximamente relacionado à Mansoa, os
grãos de pólen foram referidos por Gomes (1955), Fabris (1965), Salgado-
Palinotaxonomia de Mansoa 92
Agradecimentos
Os autores expressam seus sinceros agradecimentos a Ricardo Landim
Bormann de Borges pelo auxílio no processo de acetólise do material, a Gisele
Pinto Rocha e Ricardo Vilas Boas pelas eletromicrofotografias.
Palinotaxonomia de Mansoa 96
Referências
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Palynology 143: 1-81.
Capítulo IV
“A classificação por descendência não pode ser inventada por biólogos, ela
pode apenas ser apenas descoberta.” (Theodosius Dobzhansky)
Abstract: Mansoa DC. is a genus of the tribe Bignonieae with 17 species and
one hybrid distributed in the Neotropics. The phylogeny of the genus was
studied based on sequences of DNA regions ITS/5.8S nuclear and plastid trnL-
F spacer. It were analyzed individually and combined the two regions by the
Filogenia Molecular de Mansoa 100
INTRODUÇÃO
MATERIAL E MÉTODOS
Amostragem taxonômica
Neste trabalho, foram incluídos 15 dos 18 táxons pertencentes à Mansoa
(Silva-Castro Capítulo V). Mansoa angustidens (DC.) Bureau & K. Schum., M.
gentryi M.M. Silva-Castro & L.G. Lohmann, M. longicalyx M.M.Silva-Castro não
foram incluídas porque não ter sido possível recoletá-las e a extração de DNA
a partir de material herborizado foi insatisfatória.
Também foram incluídos representantes de 14 dos 21 clados da tribo
Bignonieae propostos por Lohmann (2006): [“volcano-gland” (5 espécies);
“Gardnerodoxa-Neojobertia” (1); Pleonotoma (2); Lundia (3); Pithecoctenium
(3); Anemopaegma (4); Pyrostegia (1); “Mimetic” (3); “Cat’s-claw” (3);
“Bromeliad” (1); “True Arrabidaea” (7); Cuspidaria (4)], assim como, três
Filogenia Molecular de Mansoa 103
cada primer (10 µM), 0,5 µL de BSA (albumina bovina sérica), 0,25 µL de Taq
DNA polimerase 5U/µL e 1 µL de DNA genômico. A PCR foi realizada seguindo
o seguinte protocolo: denaturação inicial de 94oC por 2 min, 36 ciclos de
denaturação de 94oC por 1 min, anelamento a 50 oC por 1 min, extensão a
72oC por 2 min e, após uma extensão final a 72 oC por 3 min.
A purificação foi feita com reação enzimática com enzima Exonuclease I
(EXO) e Shrimp Alkaline Phosphatase (SAP) da USB (Cleveland, Ohio, USA)
ou através do método de purificação por precipitação com PEG
(polietilenoglicol).
Após a purificação, o DNA foi quantificado em gel de agarose a 1%, sua
concentração e peso molecular foram inferidos com a utilização de um
marcador conhecido (Low DNA Mass Ladder – Invitrogen Corporation) e
sequenciado.
Todas as sequências obtidas nesse trabalho serão depositadas no
GenBank.
Análise filogenética
As matrizes de ITS e trnL-F foram analisadas separadamente e de forma
combinada através dos métodos de Máxima Parcimônia e Bayesiana. Os
terminais ausentes na análise nuclear ou plastidial foram excluídos da análise
combinada, exceto seis terminais de Mansoa (M. alliacea (Lam.) A.H.Gentry,
dois espécimes de M. ×caatinguensis M.M.Silva-Castro, M. glaziovii Bureau &
Filogenia Molecular de Mansoa 105
Teste de incongruência
A análise de incongruência entre as diferentes regiões (nrDNA e cpDNA),
foi realizada através do ILD (Incongruence Lenght Difference Test - Farris et al.
1995), realizada no PAUP 4.0b10 (Swofford 2008).
Otimização de Caracteres
Foi estudada a evolução de 39 caracteres (Apêndice 2), sendo 38
morfológico e um químico. A reconstrução dos estados ancestrais destes
caracteres foi realizada com base em sua otimização na topologia obtida para o
clado G da análise combinada de ITS + trnL-F. Os caracteres foram otimizados
através do Winclada 1.00.08 (Nixon 2002), usando otimização acctran.
Os caracteres morfológicos foram amostrados com base no exame de
coleções de herbário. Os caracteres químicos foram obtidos com base na
extração de óleo essenciais por hidrodestilação em aparelho Clevenger para
duas espécies de Mansoa (M. hirsuta e M. paganuccii), as quais foram
analisadas por cromatografia de fase gasosa acoplada a um detector de
ionização em chama (CG/DIC) bem como, através da cromatografia de fase
gasosa acoplada a espectrometria (CG/EM), para quatro espécies (M.
hymenaea 2, M. hirsuta, M. paganuccii e M. standleyi) (Silva-Castro et al. in
prep.). Os dados de habitat foram extraídos de etiquetas de espécimes de
herbário. Todos os caracteres foram tratados como não ordenados.
A caracterização polínica foi obtida a partir de Silva-Castro (dados não
publicados - Capítulo III).
A confecção dos mapas foi realizada através do software Arcview GIS 3.2
(ESRI 1999).
Filogenia Molecular de Mansoa 107
RESULTADOS
Em Mansoa o nível de variação na região de ITS foi bem mais alto do que
o encontrado em trnL-F. A matriz de ITS apresentou um número maior de sítios
variáveis e o número de mutações por sítio foi quase o triplo do apresentado na
matriz de trnL-F. Como consequência, o ITS apresentou um número superior
de caracteres informativos (220 ITS/101 trnL-F). Segundo Bakker et al. (2000)
a região de ITS normalmente apresenta taxas evolutivas mais altas do que as
regiões de espaçadores plastidiais.
Os valores de CI e RI obtidos na análise de ITS foram menores do que
àqueles obtidos na análise de trnL-F, provavelmente um reflexo do grande
número de indels ou de um maior número de mudanças por caráter (van den
Berg et al. 2002). Dados similares foram encontrados por Oliveira (2006) em
Olyreae (Poaceae) com sequências de ITS e trnD-T.
Análises moleculares
Os resultados do alinhamento das matrizes e das análises estão
sumarizados na Tabela 1. O teste de incongruência entre as matrizes de ITS e
trnL-F indicou a congruência entre esse conjuntos de dados (P=0,21). Com
base nisso foi realizada uma análise combinada com essas duas matrizes.
As análises de dados combinados apresentaram melhor resolução e
maiores valores de Boostrap e de probabilidade posterior do que as análises
individuais de ITS e trnL-F (Figuras 1 e 2) para a maioria dos clados. Por isso
elas são apresentadas aqui com mais detalhes (Figura 3). As análises de
Máxima Parcimônia e Bayesiana dos dados combinados resultaram em
topologias muito semelhantes. A tribo Bignonieae foi sustentada como
monofilética (BS 98 PP 100). Três clados principais foram recuperados. O
clado A (BS 99 PP 100) inclui os representantes de Neojobertia, Pleonotoma e
Adenocalymma, exceto A. trichocladum (clado D) e P. castelnaei (irmã dos
clados B e C). O clado B (BS 85 PP 100) reúne representantes de Lundia e
Tanaecium compondo o subclado E (BS 86 PP 87) e de Cuspidaria,
Dolichandra unguiscati, Fridericia platyphylla e Adenocalymma trichocladum
Filogenia Molecular de Mansoa 108
Figura 1. Umas das 5.000 árvores mais parcimoniosa obtida com base na
matriz de ITS (L= 1.223, CI=0,4767, RI=0,6741) para 54 táxons de
Bignoniaceae. Os números abaixo dos ramos indicam valores de
Bootstrap (%-1.000 replicações) e de probabilidade posterior,
respectivamente. As setas indicam os pontos de colapso na árvore de
consenso estrito.
Filogenia Molecular de Mansoa 110
Figura 2. Umas das 5.000 árvores mais parcimoniosa obtida com base na
matriz de trnL-F (L= 337, CI=0,7602, RI=0,8103) para 45 táxons de
Bignoniaceae. Os números abaixo dos ramos indicam os valores de Bootstrap
(%-1.000 replicações) e da probabilidade posterior, respectivamente. As setas
indicam os pontos de colapso na árvore de consenso estrito.
Filogenia Molecular de Mansoa 111
DISCUSSÃO
A B C
D E F
G H I
J K L
A B
Figura 5. Parte de umas das 64 árvores mais parcimoniosa da análise combinada das matrizes de ITS e trnL-F, com
marcação dos caracteres morfológicos. A. Tipo de gavinha; B. Tipo de nervação; C. Morfologia polínica; D. Nectário foliar; E.
Tipo de conectivo; F. Nectário interpeciolar.
Filogenia Molecular de Mansoa 117
(Continuação da Figura 5)
C
D
Filogenia Molecular de Mansoa 118
(Continuação da Figura 5)
E F
Filogenia Molecular de Mansoa 119
e o segundo no clado J. Assim, com base nos resultados obtidos nas presentes
análises M. hymenaea (encontrada na Mata Atlântica) é um táxon distinto do
encontrado na Mesoamérica, contradizendo a proposta de Gentry (1973; 1979).
Mansoa alliacea e M. standleyi foram incluídas em análise de ndhF (Lohmann
2006), mas M. alliacea não formou um clado com M. standleyi, uma vez que M.
standleyi surgiu em um posicionamento mais externo na filogenia de Mansoa
enquanto que M. alliacea surgiu como irmã de M. difficilis, porém com suporte
mais baixo (64/64/98; BS/LM/BA), do que no relacionamento encontrado neste
trabalho.
Mansoa parvifolia aparece isolada no clado K. Essa espécie é muito
similar morfologicamente a Amphilophium bauhinioides (Bureau & Baill.)
L.G.Lohmann, ambas apresentam ramos tênues que crescem aderidos em
troncos de árvores e gavinhas simples terminadas em disco adesivo (Figuras
4C; 5A), caracteres não compartilhados com as outras espécies de Mansoa.
Gentry (1973) ao descrever essa espécie posicionou-a em Pachyptera e
posteriormente em Mansoa (Gentry 1979) por causa dos caracteres
reprodutivos, flor lilás e fruto linear, similares aos de Mansoa. Neste trabalho e
no realizado por Lohmann (2006), o posicionamento deste táxon em Mansoa é
sustentado, o que confirma a proposta de Gentry (1973).
O clado K apresenta como sinapomorfias o conectivo alongado e
pubescente e grão de pólen pantossincolpado. Inclui Mansoa verrucifera,
espécie que foi incluída em Onohualcoa por Gentry (1973) por causa das
valvas verrucosas, cálice com nervuras das sépalas alongadas e onduladas e
flores com corola rósea. Gentry (1976) transferiu essa espécie para Mansoa
pelo fato de ter encontrado uma espécie nova no nordeste do Brasil (M.
onohualcoides) que compartilhava o mesmo tipo de cápsula o que levou o
autor (Gentry 1976) a considerar que os caracteres morfológicos que definiam
Onohualcoa não eram suficientes para sua permanência como um gênero
monoespecífico. Neste estudo e no realizado por Lohmann (2006), o
posicionamento de M. verrucifera em Mansoa é sustentado, corroborando a
proposta de Gentry (1976), embora, não apareça como uma espécie
relacionada à M. onohualcoides.
Filogenia Molecular de Mansoa 121
compostos estavam presentes tanto nas espécies que exalavam odor de alho,
quanto nas espécies que apresentam odor de cebolinha, mas, ausentes na
espécie sem o odor (Silva-Castro et al. in prep.).
Chiang et al. (2006) reconheceu que o odor do alho (Allium sativum L.)
também é resultante de conjunto de compostos sulfurados, sendo dissulfeto de
dialila, trissulfeto de dialila e dissulfeto de alilopropil, os principais. Para
Bautista et al. (2005) o desenvolvimento do dissulfeto de dialila na família
Alliaceae, provavelmente se deu como um mecanismo de defesa contra
predadores.
A presença do odor de alho foi relatada para outros táxons em
Angiospermas. Gallesia integrifolia (Spreng.) Harms. (Phytollacaceae) é
conhecida com o nome popular de “pau-d’alho” pelo odor presente na “casca”
do tronco das árvores (Akisue et al. 1986). Carvalho (2007) relata presença de
um odor suave de alho nas folhas e “casca” do tronco de Cordia alliodora
Cham. (Boraginaceae). No entanto, não foi encontrado registro do composto
responsável por tal odor nas duas espécies. Jirovetz et al. (2002) realizou um
trabalho com Hua gabonii Pierre ex Willd. (Huaceae) no qual eles
reconheceram 18 compostos responsáveis pelo odor de alho na planta, entre
eles os mesmos encontrados em Mansoa e Allium.
Em Mansoa a presença dos compostos sulfurados ocorreu em três
momentos distintos (Figura 6): o primeiro evento envolveu o agrupamento 1,
onde todas as espécies que compõe esse clado apresentam tais compostos. A
segunda aquisição ocorreu no agrupamento 2, apenas na espécie M.
hymenaea. O terceiro evento foi no agrupamento 3, em M. hirsuta, M. ivanii, M.
minensis e M. onohualcoides, nesse clado, é possível observar uma perda
secundária desses compostos nas espécies M. glaziovii e M. ×caatinguensis.
Na descrição original de Mansoa e Pachyptera (Candolle 1838; 1845) o
odor de alho não foi reportado com o caráter de nenhum dos dois gêneros.
Esse caráter foi primeiro referido para Pseudocalymma por Gentry (1973), o
qual foi transferido para Pachyptera. Quando Gentry (1979) sinonimizou
Pachyptera a Mansoa esse passou a ser um caráter exclusivo de Mansoa e, na
circunscrição proposta por Lohmann & Ulloa (2007) as espécies que migraram
para Pachyptera também não apresentam esse caráter.
Filogenia Molecular de Mansoa 125
Considerações Biogeográficas
Figura 7. Parte de umas das 72 árvores mais parcimoniosa obtida com base
na análise combinada das matrizes de ITS de trnL-F com informação do tipo
vegetacional.
Filogenia Molecular de Mansoa 128
REFERÊNCIAS
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Filogenia Molecular de Mansoa 137
Van den Berg, C; Ryan, A.; Cribb, P.J. & Chase, M.W. 2002. Molecular
phylogenetics of Cymbidium (Orchidaceae: Maxillarieae): sequences data
from internal transcribed spacers (ITS) of nuclear ribossomal DNA and
plastidial matK. Lindleyana 17(2): 102-111.
Van Ee, B.; Jelinski, N.; Berry, P.E. & Hipp, A.L. 2006. Phylogeny and
Biogeography of Croton alabamensis (Euphorbiaceae), a rare shrub from
Texas and Alabama, using DNA sequence and AFLP data. Molecular
Ecology. 15. 2735-2751.
Zjhra, M.L.; Sytsma, K.L. & Olmstead, R.G. 2004. Delimitation of Malagasy
tribe Coleeae and implications for fruit evolution in Bignoniaceae inferred
from a chloroplast DNA phylogeny. Plant Systematics and Evolution 245:
55-67.
Filogenia Molecular de Mansoa 138
10. Margem dos folíolos: [0]. sempre inteira; [1]. variável, inteira a
irregularmente dentada ou serreada;
18. Ápice do cálice: [0]. truncado; [1]. 5-dentado; [2]. 2-3-lobado; [3]. 5-lobado;
21. Nervura do cálice alongada no ápice: [0]. não; [1]. sim; [2]. apenas no
botão floral; [3]. variando de não a sim;
Filogenia Molecular de Mansoa 143
25. Tipo de tricoma da região mediana da corola: [0]. tector; [1]. glandular;
[2]. ausente;
27. Tricoma glandular nas lacínias da corola: [0]. não; [1]. sim;
29. Cor da corola: [0]. lilás a roxa; [1]. rósea; [2]. amarela; [3]. alaranjada;
30. Ápice das lacínias da corola: [0]. agudo; [1]. arredondada; [2]. truncado a
emarginado;
31. Posição dos estames: [0]. insertos; [1]. subexsertos; [2]. exsertos;
34. Margem do fruto: [0]. curva; [1]. reta; [2]. Com constrições irregulares;
36. Nervura central do fruto: [0]. imergente; [1]. inconspícua; [2]. proeminente;
[3]. costela;
38. Tipo polínico: [0]. zonocolpado; [1]. 3-4colporado; [2]. pantocolpado; [3].
pantossincolpado;
39. Odor da planta: [0]. sem odor; [1]. com odor similar ao alho;
144
Capítulo V
Introdução
Bignoniaceae é a família de lianas melhor representada nas Américas
Central e do Sul, apresentando 827 espécies distribuídas em 82 gêneros
(Lohmann & Ulloa 2007). É predominantemente neotropical e com pequena
representação nas regiões temperadas (Barroso et al. 1986). O Brasil foi
considerado por Gentry (1980) como centro de diversidade do grupo, com
muitos táxons endêmicos. Atualmente, encontra-se subdividida em oito tribos:
Bignonieae, Coleeae, Crescentieae, Eccremocarpeae, Jacarandeae,
Oroxyleae, Tourrentieae e Tecomeae (Olmstead et al. 2009).
A tribo Bignonieae, à qual Mansoa faz parte, concentra o maior número
de espécies de lianas, subarbustos e arbustos, compreendendo um total de 21
gêneros e cerca de 360 espécies (Lohmann & Ulloa 2007). A tribo tem sido
sustentada como monofilética com base em dados moleculares (Spangler &
Olmstead 1999; Lohmann 2006).
Revisão Taxonômica de Mansoa 147
Mansoa foi descrito por Candolle (1838) e seu nome foi designado em
homenagem a Antonio Luiz Patrício da Silva Manso, botânico brasileiro e autor
de trabalhos com plantas medicinais (Sandwith & Hunt 1974). Atualmente,
Mansoa inclui 17 espécies e um híbrido (Silva-Castro & Queiroz, dados não
publicados) distribui-se na América Tropical, do sul do México até o norte da
Argentina.
Mansoa é definido pelos ramos estriados; folhas bi a trifolioladas;
gavinha trifurcada no ápice; inflorescências racemosas ou tirsóides; corola
rósea a roxa ou amarelo-esbranquiçada; disco nectarífero conspícuo; cápsula
linear-achatada a linear-cilíndrica ou ovado-oblonga (Gentry 1979); grãos de
pólen pantocolpados, pantossincolpados ou 3-4-colporados, com superfície
reticulada, dispersos em mônades (Silva-Castro, Capítulo III).
Mansoa foi reconhecido por Gentry (1973) como um dos gêneros de
taxonomia mais complexa da tribo Bignonieae. Ao longo de sua história
taxonômica, sua circunscrição passou por várias alterações, como:
sinonimizações, transferência ou inclusão de espécies oriundas de outros
gêneros ou inclusão de gêneros. Isso decorria da falta de caracteres
diagnósticos para o gênero, bem como, pela grande sobreposição de
caracteres vegetativos entre as espécies de vários gêneros de Bignonieae, e a
grande plasticidade fenotípica, o que dificulta a delimitação de espécies
relacionadas.
Esse trabalho constitui a primeira revisão taxonômica do gênero e teve
como principais objetivos: reavaliar a circunscrição de Mansoa e de suas
espécies e reconhecer caracteres morfológicos úteis para caracterização e
delimitação das espécies.
Material e Métodos
Foram analisadas acervos de 41 herbários (ALCB, BHCB, C, CEN,
CEPEC, CESJ, CTES, CVRD, EAC, EAP, F, GUA, HAS, HRB, HST, HUEFS,
IAC, IAN, IBGE, INPA, IPA, LPB, MBML, MEXU, MG, NY, PEFR, PMSP, QCA,
RB, SCZ, SI, SP, SPF, UB, UFP, VEN, VIC), acrônimos de acordo com
Holmgren & Holmgren (http://sweetgum.nybg.or/ih/) (Anexo I).
Coletas de material botânico foram realizadas no Brasil, Panamá e
Honduras, totalizando 17 expedições com 132 dias de campo, realizadas de
2006 a 2009 (ver anexos III e IV), onde os espécimes foram analisados em
seus ambientes naturais.
As decisões nomenclaturais foram tomadas com base nas análises dos
tipos nomenclaturais, além das 800 exsicatas de Mansoa e na observação dos
espécimes em seus ambientes naturais.
Resultados e Discussão
Morfologia de Mansoa
A B
C D
E F
100 µm 100 µm 20 µm
A B C
40 µm 100 µm 100 µm
D E F
10 µm
100 µm G H 20 µm I
100 µm J 20 µm
K 20 µm L
Odor – Mansoa tem sido caracterizado como um gênero que apresenta odor
de alho, no entanto, através de observação de campo foi visto que esse odor é
variável. Foi percebido odor similar ao de alho em Mansoa hirsuta, M.
hymenaea, M. onohualcoides, odor de cebola em M. ivanii, odor de cebolinha
em M. standleyi e M. sagotii. Mansoa paganuccii, M. glaziovii e M. difficilis não
apresentam tais odores.
Existem duas grandes dificuldades na delimitação das espécies de
Mansoa, a primeira relacionada à grande variação morfológica associada a
uma ampla distribuição geográfica, o que pode ser visto em espécies Mansoa
sagotii, M. verrucifera, M. hirsuta e M. difficilis e, a segunda, diz respeito a
espécies que são muito similares, com muita sobreposição de caracteres, o
que dificulta a delimitação das mesmas. Os dois casos estão associados,
principalmente, às estruturas vegetativas, sendo de extrema importância a
avaliação de material reprodutivo e, em campo, a observação de diferentes
indivíduos e/ou populações o que contribui muito para definir os limites
morfológicos.
Considerando a variação e/ou sobreposição de caracteres morfológicos
das espécies de Mansoa, foi importante definir alguns aspectos da biologia e
morfologia, úteis para os estudos taxonômicos.
Revisão Taxonômica de Mansoa 162
Tratamento Taxonômico
tirsóide
I. Seção Pseudocalymma
Mansoa sect. Pseudocalymma (Sandwith & Kuhlmann) M.M.Silva-
Castro & L.P.Queiroz comb. nov. Lianas com odor de alho ou cebolinha;
ramos cilíndricos a quadrangulares, área interpeciolares com campos de
nectários. Folhas 2-folioladas; folíolos elípticos, margem inteira; inflorescência
tirso ou racemo, cálice campanulado, truncado a 5-dentado, corola lilás a roxa,
estames com conectivos não alongados e glabros; cápsula linear-achatada,
linear-cilíndrica ou ovado-oblonga, não verrucosa. Espécie tipo: Mansoa
alliacea (Lam.) A.H.Gentry.
Composta por quatro espécies encontradas nas florestas tropicais
úmidas da América Central e norte da América do Sul.
A B
C D
E F
Notas: Bignonia alliacea Lam. Foi descrita com base em uma coleção estéril
de Aublet s.n. (P) da Guiana Francesa. Este material apresenta folíolos
grandes, elípticos com base abruptamente atenuada, nervação triplinérvia e
sem nectários extraflorais nas axilas das nervuras primárias e secundárias
(Gentry 1973).
Sandwith (1937) elevou Pseudocalymma ao nível de gênero, propondo a
nova combinação P. alliaceum (Lam.) Sandwith, o qual foi definido como um
Revisão Taxonômica de Mansoa 173
Adenocalymma sagotii Bureau & K.Schum. in Mart., Fl. Bras. 8(2): 110.
1896. Tipo: Guiana Francesa, Sagot 418 (Holótipo K!; Isótipo US foto!). Sin.
nov.
Adenocalymma hosmeca Pittier, Contr. U.S. Natl. Herb 18: 256. 1917.
Tipo: Costa Rica, Guanacaste, O. Jiménez 374 (Holótipo US foto!). Sin. nov.
Petastoma tonduzianum Kraenzl., Repert. Spec. Nov. Regni Veg. 17: 56.
1921. Tipo: Costa Rica, Guanacaste, Tonduz 13830 (Holótipo CR; Isótipos BM,
K, P, US foto!, NY foto!) Sin. nov.
estames insertos, porção livre dos estames dorsais 3-3,6 cm compr., porção
livre dos estames ventrais 2-2,4 cm compr., conectivo não alongado, glabro,
tecas 4-4,5 mm compr., porção livre do estaminódio 4-6 mm compr.; disco
nectarífero 1,5-2 × 4-4,3 mm, anelar; ovário 2,5-3 × 0,8-1 mm, cilíndrico,
lepidoto, 2 séries de óvulos por lóculo; estilete 2,5-2,8 cm compr., estigma 3-4
mm compr., lanceolado. Cápsula 25-32 × 1,5-2 cm, linear-achatada, ápice
acuminado, margem reta, base truncada; valvas cartáceas, não estriadas, não
verrucosas, lepidotas, nervura proeminente, formando 1 costela; cálice caduco.
Semente 1,1-2 × 4-4,5 cm, transversalmente elíptica, delgada, paleácea,
núcleo seminífero divididos em duas porções reniformes, castanho, alas 1,5-1,8
cm larg., hialinas, amareladas.
18.VI.1985, fl., 18º34’N 95º4’W, 200 m, S. Sinaca C. 147 (MEXU), lote 67,
5.XI.1985, fr., 18º34’N 95º4’W, 200 m, S. Sinaca C. 338 (MEXU) Camino a
Cerro Lazaro Cardenas, 6.IX.1986, fl., 18º34’N 95º4’W, 180 m, S. Sinaca C.
910 (MEXU), Laguna Escondida, 2,5 km NO de la Estación de Biología Tropical
Los Tuxtla, 14.VII.1989, fl., 18º34’N 95º4’W, 180 m, S. Sinaca C. 1525 (MEXU);
Ozuluama, 2 km de Ozuluama, por el camino a la Laja, 07.XII.1960, fr., F.
Chiang 229 (MEXU); Pánuco, 1km N of hwy, Mex. 70, on gravel road N
towards Est. Méndez, 6,2 km W of Canoas junction and 12 km NNW of Pánuco,
24.X.1981, fl., 22º10’N 98º12’W, 50 m, M. Nee 22320 (MEXU). TABASCO,
Balancán, Colonia El Carmen, Balancán, II.1999, fl., C. M. Burelo R. 55
(MEXU), 22.II.1999, fr., C. M. Burelo R. 57 (MEXU); Cárdenas, km 21 de la
carretera del Golfo de Cárdenas – Coatzcoalcos, 02.XII.1981, fl., S. Zamudio R.
140 (MEXU). PANAMÁ. Panamá, Colon, VI.2009, st., M. M. Silva-Castro et al.
1543 (HUEFS). PERU. LAMBAYEQUE, Purculla ad Olmos, 2.400 m,
29.IX.1961, fl., F. Woytkowski 6793 (NY). TUMBES, Zarumilla, Distrito de
Matapalo. Collected in quebrada Faical about 500m east of El Caucho, Bosque
nacional de Tumbes: Región de “Bosque seco subtropical” (sensu Tosi, 1960)
cerca de Campo Verde, 2. I.1968, 600-800 m, fl., D. R. Simpson & J. Schunke
V. 535 (NY). VENEZUELA, LARA, Duaca, 23.IX.1923, fl., 725 m, H. Pittier
11204 (NY).
Pseudocalymma standleyi Steyerm., Publ. Field. Mus. Nat. Hist., Bot. Ser.
23: 235. 1947. Pachyptera standleyi (Steyerm.) A.H.Gentry, Brittonia 25:
236.1973. Tipo: Guatemala, Quetzaltenango, Steyermark 33533 (Holótipo F!;
Isótipos F, US!).
Figura 11
235 (NY). EQUADOR. NAPO, Parque Nacional Yasuni, Pozo petrolero Daimï
2. 00o55’S 76o11’W, 200 m, 26.V.1988, fl., C. E. Céron & F. Hurtado 4154 (NY),
C. E. Céron & F. Hurtado 4242 (NY), MORONA SANTIAGO, El Centro Shuar
Kankaim, (Cangaimine) Rio Kankaim (Cangaimine), 20k WNW del Taisha,
21.IX.1985, st., 2o20’S 77o41’W, 500 m, D. Shiki RBAE160 (NY). PASTAZA,
Environs of Quihuaro, a Huaorani village 40 minutes east of Puyo by plane, 9-
19.I.1991, 1º20’S 77º10’W, 270 m, King 951 (F, NY). GUIANA, Rio Demerara,
IV.1894, fl., fr., Jenman 6752 (NY), Upper Essequibo Region, Rewa River, near
camp 2 at foot of Spider Mountains, Forest on light brown sand, 22.IX.1999, fl.,
3º8’N 58º32’W, 200-500 m, M. J. Jansen-Jacobs 6065 (NY), 22.IX.1999, fr., M.
J. Jansen-Jacobs 6079 (NY); Bolívar, Raul Leoni, bosque secundário a 12 km
do Rio Chiguao via Las Bonitas, III.1987, fl., 06º46’N, 63º5’W, 280 m, A.
Fernandez 4052 (NY). GUIANA FRANCESA. Saul, La Fumée MT. Trail. Non-
flooded moist forest, ca. 250m alt. Photo of flower picked up from the ground,
VIII.1988, fr., 3o37’N 53o12’W, 250 m, S. Mori et al. s/n (NY); Piste de Saint-
Elie-Interfluve Sinnamary-Counamama Piste du PK 20, 24.III.2000, fl., 5o20’N
53o0’W, M. F. Prévost 3831 (NY), 23.II.1978, fl., 5o19’N 53o2’ W, A. Raynal-
Roques 20086 (NY). PANAMÁ. Bocas del Toro, Campamento Forestal, Boca
Chica, IRHE, 22.II.1980 st., M. D. Correa et al. 3579 (NY), Panamá, near
Archaeological site at Edge of Madden Lake, 9.IV.1972, fl., A. Gentry 5027
(NY). PERU. sem localidade, Mounth of Rio Apaya, on high land s/d, fl., G.
Tessmann 4900 (NY); Oserato/Tambo, 5.VIII.1963, st., G. Weiss 164 (F).
AMAZONAS, Condorcanqui, El Cenepa, comunidade de San Antonio, bosque
de ribeira, Rio Cenepa, 22.VI.1997, fl., 4º29’30”S 78º10’30”W, 300 m, R.
Vázquez et al. 24110 (F, NY); Huampami, ca. 5 km E of Chávez Valdívia,
24.VII.1978, st., 4º30’S 78º30’W, 200-250 m, E. Ancuash 1086 (F), Puca
Urquillo (Bora), Río Ampiyacu, house garden (huerto), 1.XI.1990, st., J.
McCann 81 (F). HUANUCO, Leôncio Prado, Rupa Rupa, Tingo Maria and
environs, road to Castillo Alto, 5.VII.1978, fl., T. Plowman & M. Ramírez R.
7598 (F). LORETO, s/l, explorama Inn, 1 km S de Indiana, Rio Amazonas,
remnant patch de mature forest on alluvial soil, 18.VI.1986, st., 3º30’S 73º1’W,
130 m, A. Gentry et al. 54699 (NY), explorama inn Tourist Camp. Indiana, on
Rio Amazonas below Iquitos, 3º28’S 72º50’W, 130 m, 4.I.1991, st., A. Gentry et
Revisão Taxonômica de Mansoa 189
al. 72064 (NY); Aguaytía, woods to north of house, Don Diogenes del Águila,
30.VI.1960, fl., M. E. Mathias & D. Taylor 5054 (NY); Balsapuerto, V.1933, fl.,
220 m, G. Klug 3096 (NY); Coronel, Iparia, 20.IX.1968, fl., J. Schunke V. 2806
(NY); Iquitos, III-IV.1930, st., L. Williams 8102 (F), Rio Nanay, 4º55”S 73º45”W,
22.X.1991, st., J. Chota Inuma 46 (NY), cerca a Nina Rumi, 11.I.1977, fl., J.
Revilla 2112 (F, NY); Quebrada de Pucaurquillo - Pevas, Bosque primário,
27.X.1980, fl., A. Del Castillo & R. Perez 2745 (NY); Maynas, Ecuador border,
1-2 km from Puerto Peru, military post 8 km from mouth of Río Gueppi, tributary
of Río Putumayo), non inundated lowland forest, 18.V.1978, st., 200 m, A.
Gentry et al. 22058 (F); trail toward río Itaya, left side of Rio Amazonas, just
below mouth of Río Ucayali, 12.X.1980, st., 4o20’S 72o30’W, A. Gentry et al.
30007 (F), Allpahuayo, km 20, Iquitos - Nauta, ca. 35 km Southwest of Iquitos,
3º50’S 73º 25’W, 130 m, 16.II.1987, fl., A. Gentry et al. 55996 (F, NY); 22 de
julio (Rio Itaya), 13.II.1982, fl., 3º50’S 73º20’W, 120 m, R. Vázquez 2889 (NY),
Tres vueltas de Morona Cocha, vicinity of Iquitos, 21.X.1976, st., J. Revilla 1607
(F), Rio Nanay, cerca a Nina Rumi, 11.I.1977, J. Revilla 2112 (NY);
Mishuyacu, near Iquitos, I.1930, fl., G. Klug, 777 (NY). PASCO, Oxapampa,
Iscosacin, House Garden, 10o12’S 75o13’W, 340 m, 24.VI.1982, fl., D. Smith
2102 (NY). SAN MARTIN, Chazuta, Río Huallaga, IV.1935, fl., 260 m, G. Klug
4138 (F, NY); Lamas, km 66 of Tarapoto-yurimaguas road, trail E of road to
Nuevo Triunfo just N of bridge over Rio Tioyacu, Tropical wet forest on red
clay., 6º18’S 76º18’W, 20 m, 27.IV.1986, st., Knapp et al. 7249 (NY); Mariscal
Caceres, Tocache, Tocache Nuevo, 15.I.1970, fl., J. Schunke V. 3692 (INPA,
NY), em bosque alto, quebrada de Saule Chico, margem direita do Rio
Huallaga, 9.IX.1970, fr., J. Schunke V. 4372 (INPA, NY), Santa Rosa de
Mishollo (margem direita del Río Mishollo), 11.VIII.1973, fl., J. Schunke V. 6799
(F, NY), Quebrada de Ishichimi, cerca a Tocache, 1.X.1999, st., 400-500 m, J.
Schunke V. 14655 (F). SURINAME. in forest near camp at Jandé creek, 1/2h,
by Cano below Kabel Suriname, 22.VII.1953, fl., R. J. C. Linderman 4453 (NY).
VENEZUELA. BOLÍVAR, El Palmar, 1-10 km W from Rio Grande, E of El
Palmar, roadside, 6.VII.1975, st., A. Gentry & P. Barry 15009 (VEN); Sifontes,
3 km NE del Campto, CVG-Las Flores, 14. IX.1989, fl., M. Colella & G. Molina
1441 (NY); Tumeremo, Tumeremo to Anacoco, (north side of Cuyuni River) 53
Revisão Taxonômica de Mansoa 190
Habitat e fenologia: É uma espécie típica das áreas mais úmidas das florestas
tropicais úmidas. (Gentry 1973). Foi encontrada com flores de janeiro a
setembro e com frutos de julho a setembro.
Nomes vernáculos: ajo de monte (Oserato - Peru), ajo sancha (San Martins,
Loreto - Peru), bejuco de ajo (Delta Amacuro – Venezuela), bosgonofroe
(Suriname), cipó de alho (Brasil), hembra e sacha-ajo (Peru), Wiyagei (Pastaza
- Equador), santarísi, sitíropana, sitírosi (Oserato – Peru).
Figura 12
lepidotas, nervura não proeminente, não formando uma costela mediana, cálice
caduco. Semente 2-2,3 x 6-6,5 cm, transversalmente elípticas, delgada,
paleácea, núcleo seminífero cordado, amarelado, alas 2-2,4 cm larg., hialinas,
amareladas.
Figura 11. Mansoa parvifolia. A. detalhe dos ramos apicais; B. detalhe dos
ramos basais; C. detalhe dos folíolos apicais; D. gavinhas; E. detalhe da
inflorescência; F. cálice. G. corola aberta com androceu; H. conectivo; I.
gineceu; J. corte transversal do ovário; K. fruto. A, C,D: Killip & Smith 23664;
E-I: Hamilton & Davidse 2799; B, K: Gentry 68601.
Revisão Taxonômica de Mansoa 195
Notas: Gentry (1973) publicou Pachyptera parvifolia A.H. Gentry e em 1980 fez
a sinonimização de Pachyptera à Mansoa propondo a nova combinação M.
parvifolia (A. Gentry) A. Gentry. A inclusão dessa espécie em Pachyptera e
posteriormente em Mansoa aumentou significantemente o conceito do gênero,
mas, apesar de ser uma espécie com caracteres particulares, ao descrevê-la
Gentry julgou que a alternativa mais conveniente seria incluí-la em Pachyptera
do que criar um novo gênero monoespecífico. Em trabalhos de filogenia
realizados por Lohmann (2006) e Silva-Castro (Capítulo IV) essa espécie
encontra-se posicionada entre as Mansoa.
Nas publicações acima referidas Gentry cita que essa espécie tinha sido
muito coletada na sua fase juvenil de Honduras à Bolívia, mas, que apenas
duas coleções floridas foram verificadas, o tipo da Colômbia e um espécime da
Revisão Taxonômica de Mansoa 196
Mansoa sect. Mansoa M.M.Silva-Castro & L.P.Queiroz. sect. nov. Lianas com
odor de alho, cebola ou sem odor; ramos cilíndricos a subquadrangulares.
Folhas 2-3-folioladas; folíolos com margens inteiras a irregularmente dentadas;
inflorescência tirso ou racemo, cálice campanulado a cilíndrico, truncado, 5-
dentado, 2-3-lobado ou 5-lobado, corola rósea ou lilás a roxa raro amarelo-
esbranquiçada (M. lanceolata) estames com conectivo alongado e pubescente,
exceto M. hymenaea que é glabro e não alongado; cápsula linear-achatada,
margens retas ou com constrições irregulares, verrucosas ou não. Espécie
tipo: Mansoa hirsuta DC.
Seção composta por 13 táxons. Mansoa verrucifera se distribui do
México ao norte da América do Sul, Mansoa difficilis ocorre na Argentina,
Paraguai, Bolívia e mata Atlântica do Brasil, as demais endêmicas do Brasil de
áreas de mata ou caatinga.
6. Mansoa angustidens (DC.) Bureau & K.Schum. in Martius, Fl. Bras. 8 (2):
200.1896.
Revisão Taxonômica de Mansoa 197
Cuspidaria angustidens DC., Prodr. 9: 179. 1845. Tipo: Brasil, Pará “in sylvis
brasiliae ad flum. Hinga prov. Paraensis”, Martius s.n. (Holótipo M, foto!).
Adenocalymma asperulum Bureau & K.Schum. in Martius, Fl. Bras. 8(2): 113.
1896. Tipo: “habitat in Brasília australoire loco haund accuratius adnotato”,
Glaziou 11231 (B†).
Figura 13
1-1,2 × 3-3,3 mm, anelar; ovário 4-4,3 × 1-1,2 mm, cilíndrico, lepidoto, 2 séries
de óvulos por lóculo; estilete 3-3,3 cm compr., estigma 3-3,5 mm compr.,
lanceolado. Cápsula 21,5-22 × 1,5-2 cm, linear-achatada, ápice acuminado,
margens com constrições irregulares, base truncada; valvas cartáceas, não
estriadas, não verrucosas, pubérulas, tricomas tectores simples, nervura
proeminente, não formando costela; cálice caduco. Semente 1-1,3 × 4-4,5 cm,
transversalmente elíptica, delgada, paleácea, núcleo seminífero arredondado,
castanho, alas 1-1,2 cm larg., hialinas, castanho-claras.
Notas: Mansoa angustidens foi descrita por Candolle (1845) como Cuspidaria
angustidens com base na coleção de Martius s.n. (M), provavelmente devido
ao prolongamento das nervuras das sépalas.
Essa espécie tem sido confundida em herbário com M. difficilis, devido
às semelhanças nas partes vegetativas com o formato dos folíolos, porém,
difere por caracteres do cálice e principalmente pelas cápsulas. Em M.
angustidens as nervuras das sépalas não são proeminentes, o cálice apresenta
nectários no ápice, as cápsulas são lineares com constrições irregulares e as
Revisão Taxonômica de Mansoa 201
valvas não são estriadas, enquanto M. difficilis, as nervuras das sépalas são
proeminentes no ápice, o cálice não apresenta nectários, as cápsulas tem
margens retas e as valvas são estriadas longitudinamente.
Mansoa angustidens não ocorre simpatricamente com M. difficilis, ela é
restrita à Amazônia do Brasil, enquanto M. difficilis ocorre em área de floresta
Atlântica do Ceará ao Rio Grande do Sul no Brasil, bem como, no Paraguai,
Bolívia e Argentina.
O material tipo de Adenocalymma asperulum Bureau & K.Schum.
Glaziou 11231, o curador do herbário B informou que o mesmo deve ter sido
destruído na segunda guerra.
A B
C D
E F
Estado de conservação: A IUCN não engloba híbrido, por isso não foi
enquadrado em nenhum de seus critérios, no entanto, as espécies parentais
não estão em risco de extinção e ambas estão amplamente distribuídas no
semi-árido brasileiro.
8. Mansoa difficilis (Cham.) Bureau & K.Schum. in Martius, Fl. Bras. 8.(2):
201. 1896.
Bignonia difficilis Cham., Linnaea 7: 714. 1832. Cydista difficilis (Cham.) Miers,
Proc. Roy. Hort. Soc. London 3: 192.1863. Tipo: Brasil, Sellow (Holótipo LE;
Isótipos BR !, K-Benth.!, K-Hook.!, US !).
Mansoa laevis DC., Prodr. 9: 182.1845. Brasil, Bahia, Blanchet 1625 (Holótipo
G !).
Cydista praepensa Miers, Proc. Roy. Hort. Soc. London 3: 190. 1863.
Chodanthus praepensus (Miers) Sandwith, Kew Bull. 8: 465. 1953. Tipo: Prov.
St. Paulo and Rio, South Brazil, Wier 95 (Holótipo K!)
Revisão Taxonômica de Mansoa 206
Adenocalymma splendens Bureau & K.Schum. in Martius, Fl. Bras. 8(2): 115.
1896. Chodanthus splendens (Bureau & K.Schum.) Hassl., Bull. Herb. Boissier,
II, 6: 142. 1906. Tipo: Lectótipo (aqui designado) Brasília australiore locis haud
accuratius adnotatis: Glaziou 2644 (Lectótipo C!); síntipos restantes: Glaziou
4106, 4718 (C!).
Mansoa acuminatissima Bureau & K.Schum. in Martius, Fl. Bras. 8(2): 200.
1896. Tipo: Brasil, Bahia, “habitat in província Brasiliae Bahia ad ripas fluvil
Una, floret Augusto”, Riedel s.n. (B†).
Figura 16
Figura 16. Mansoa difficilis. A. ramo florífero; B. cálice; C. corola aberta com
androceu; D. conectivo; E. gineceu; F. corte transversal do ovário; G. fruto; H.
semente. A-F: R. Simão-Bianchini 1239; G-H: F. O. Zuloaga 5413.
Revisão Taxonômica de Mansoa 209
26.IV.1962, fl., G. Hastchbach 9107 (HAS), Rio Santa Ana, 27.III.1979, fl., G.
Hatschbach 42217 (C); Enéas Marques, 11.X.1974, fl., G. Hatschbach 35159
(C); Guairá, Parque Nacional das Sete Quedas, a 5 km do centro da cidade de
Guairá, na entrada mata secundária, ao lado da estrada em direção às
cataratas, 10.XI.1980, fl., J. Fontella 1173 (HUEFS, RB); Guaraniaçú, BR 277,
6 km L de Guaraniaçu, 17.X.1986, fl., G. Hatschbach & A. C. Cervi 50654 (C);
Lobato, fazenda Remanso, Irmãos Ferraz, 19.VII.1962, fl., J. C. Gomes 272
(RB, HUEFS); Londrina, Fazenda Figueira-Paiquerê, 13.III.2003, fr.,
23º32’27”S 50º58’32”W, M. C. Lovato et al. 389 (ESA), floresta dos irmãos
Godoy, beira da estrada de acesso a floresta, 18.IX.1985, fl., F. Chagas et al.
861 (FUEL, VIC); Morretes, Rio Sagrado de Cima, 30.V.1968, fl., G.
Hatschbach 19280 (C); Paracatu, 20.X.1970, fl., G. Hatschbach 24973 (C);
Paranavaí, s/d, fl., s/c (MBM, HUEFS); Rolândia, Fazenda Bela Vista,
5.V.1998, fr., E. M. Francisco & O. C. Pavão s/n (VIC 29324, Fuel 22039); São
Pedro do Ivaí, Fazenda Barbacena, 11.XI.2003, fl., O. S. Ribas et al. 5529 (C,
ESA, HUEFS, MBM, RB, SP); Santa Helena, São Clemente, 9.XII.1977, fl., G.
Hatschbach 40565 (C, CTES,MBM). RIO DE JANEIRO, s/l Glaziou 12990 (F);
Barra de São João, 3.II.1970, st., S.P.S. s/n (HUEFS 126763, RB 146282);
Cabo Frio, Armação de Búzios, beira da estrada para Búzios, perto da praia de
Una, 18.VII.1981, fl., fr. D. S. Souza & P. Pedrosa 501 (GUA), cidade das
Meninas Cambuabas, 5.VII.1944, fl., C. Carcerelli 92 (RB, SP); Itatiaia, Parque
Nacional de Itatiaia, estrada saindo da guarita próximo ao Véu da Noiva,
16.V.2007, fl., V. F. Mansano et al. 07-394 (HUEFS, RB); Niterói, forest
remnant on hill just E of Rio Bonito, between Niterói and Silva Jardim,
19.I.1985, 22º45’S 42º40’W, st., A. Gentry & E. Zardini 49712 (RB); Petrópolis,
Carangola, II.1944, fl., O. C. Góes & D. Constantino 95 (RB, SP); Rio de
Janeiro, Botafogo, 1914, fl., J. G. Kuhlmann s.n. (SP 22754), Jardim Botânico
do Rio de Janeiro, 1950. J. C. Gomes s/n (HUEFS 130928, RB 77491), Parque
Nacional de Itatiaia, km 5. 28.V.1949, fl., P. Occhionii 1218 (RB, SP); Horto
Florestal, 22.VI.1993, fr., R. Marquete et al. 1034 (HUEFS, RB), Jardim
Botânico do Rio de Janeiro, 13.III.1951, fl., J. C. Gomes s/n (HUEFS 130935,
RB, 73067); Silvestre, Palácio do Arcebispo, 21.VII.1959, fl., A. P. Duarte 4928
(HUEFS, RB). RIO GRANDE DO SUL, Derrubadas, Parque Estadual de
Revisão Taxonômica de Mansoa 211
Notas: Mansoa difficilis foi descrita por Chamisso (1832) como Bignonia
difficilis com base em coleção de Sellow do Brasil. Miers (1863) posicionou-a
em Cydista. Bureau & Schumann (1896) incluíram-na em Mansoa.
Segundo Sandwith & Hunt (1974) o nome “difficilis” faz alusão a sua
grande plasticidade morfológica, o que reflete nos problemas taxonômicos
relacionados a essa espécie. Com base nisso, percebe-se que a complexidade
taxonômica de M. difficilis já havia sido detectada desde sua descrição. Ao
longo de sua história taxonômica ocorreram várias sinonimizações e, como
consequência, ampliação em sua delimitação.
O material tipo de Bignonia difficilis é uma liana com folíolos elípticos a
ovais, flores com cálice 5-dentado, com dentes inconspícuos e com pequeno
prolongamento das nervuras das sépalas e sem frutos. Bureau & Schumann
(1896) ampliaram a delimitação de M. difficilis com a inclusão de M. laevis,
passando a englobar espécimes com cálice truncado, com prolongamento das
nervuras das sépalas e fendido unilateralmente. Com base na observação de
grande número de exsicatas, verificou-se que alguns espécimes de São Paulo
e Paraná apresentavam esses caracteres. Também foi verificado que Mansoa
difficilis (em sua delimitação segundo Chamisso 1832) e Mansoa laevis
apresentavam 4-séries de óvulos por lóculo e vegetativamente eram
inseparáveis. Para esse trabalho foi aceita a delimitação de Bureau &
Schumann (1896), ficando M. difficilis definida como uma liana com folíolos
elípticos a ovais, flores com cálice truncado a 5-dentado, nervura das sépalas
Revisão Taxonômica de Mansoa 214
9. Mansoa glaziovii Bureau & K.Schum. in Martius, Fl. Bras. 8(2): 203. 1896.
Tipo: Lectótipo (aqui designado) Brasil, “habitat in Brasília australiore loco
haud accuratius adnotato: Glaziou 12991 (lectótipo P – material com etiqueta
amarrada ao espécime; isolectótipos K, P, US); sintipo restante: Glaziou 14120
(C!, foto P! ).
Figura 17
Notas: Essa espécie foi descrita por Bureau & Schumann (1896) com base nas
coleções de Glaziou (12991, 14120). Caracteriza-se pelos folíolos dentados,
glabros a esparsadamente lepidotos, cálice 2-3-lobado, com nervura das
lacínias diminutamente alongadas, folíolos verde-acizentados quando
desidratados. Apresenta variação no tamanho foliar, os ramos basais têm
folíolos maiores e ramos apicais têm folíolos menores, pode ser confundido
caso seja coletado apenas uma parte da planta, basal ou apical, também no
mesmo indivíduo podem ser encontrados folíolos dentados e inteiros.
Os exemplares Scudeller 534 e 561, coletados no Parque Estadual do
Rio Doce em Marliéria, apresentam uma observação na etiqueta “forte odor”,
mas não especificava de que tipo. Em coleta na mesma localidade foi
verificado que essa espécie não apresenta odor de alho, nem de cebola,
apenas um odor adocicado típico das flores quando estão receptivas. A referida
pesquisadora pode ter se confundido com a M. minensis que ocorre na mesma
localidade e que apresenta forte odor de alho, caso ela estivesse se referindo
ao odor de alho.
A espécie mais similar a M. glaziovii é M. hirsuta. Ambas tem cálice 2-3-
lobados com prolongamento das nervuras das lacínias, mas diferem pelo odor,
M. glaziovii não tem odor de alho e M. hirsuta tem forte odor de alho. Também
não ocorrem simpatricamente, M. hirsuta é típica da caatinga e M. glaziovii
ocorre em áreas de mata no Brasil.
Revisão Taxonômica de Mansoa 219
10. Mansoa hirsuta DC. Prodr. 9: 182. 1845. Tipo: “in Brasiliâ boreali ad Rio
Sancti Francisci”, Blanchet 2913 (Holótipo G foto!; F foto!, K foto!)
Figura 18
Notas: Mansoa hirsuta foi descrita por Candolle (1845) com base na coleção
de Blanchet 2913, às margens do Rio São Francisco.
É uma espécie fácil de ser reconhecida pelo cálice 2-3-lobado com
prolongamento das nervuras das lacínias e forte odor de alho que libera
quando seus os ramos são rompidos. Apesar da facilidade de ser reconhecida
ela apresenta grande variabilidade morfológica nas partes vegetativas, os
Revisão Taxonômica de Mansoa 225
Figura 19
Notas: Candolle (1845) descreveu Bignonia hymenaea DC. com base em uma
coleção de Blanchet 1434 (G, P) coletada na floresta Atlântica do Rio de
Janeiro, Brasil. O material tipo de Bignonia hymenaea é uma liana com folíolos
Revisão Taxonômica de Mansoa 228
13. Mansoa lanceolata (DC.) A.H. Gentry Annals of Missouri Botanical Garden
66: 780.1979. publ. 1980.
Tabebuia lanceolata DC., Prodr. 9: 213.1845. Brasil, Rio de Janeiro,
Guillermin 97. Anemopaegma lanceolatum (DC.) Bureau ex K. Schum. in Engl.
& Prantl, Nat. Pflanzenfam. 4 (3b): 215 (1894). (Lectótipo: MO foto!;
Isolectótipo P) designado por Gentry (1976).
Bignonia xanthinum Mart. ex Bureau, Vidensk. Meddel. Naturhist. Foren.
Kjøbenhavn 1983: 3. 1894, nomen nudum pro syn. Hanburyophyton xanthinum
Bureau, Vidensk. Meddel. Naturhist. Foren. Kjøbenhavn 1983: 3. 1894, nomen
nudum.
Figura 21
Lianas sem odor de alho; ramos não viscosos, cilíndricos, estriados, estrias
aderidas, glabros, sem lenticelas, área interpeciolar sem nectários. Pseudo-
estípulas ausentes. Folhas 2-3-folioladas; pecíolo 2,5-3 cm compr.,
pubescente, tricomas tectores simples, sem nectários; folíolos 10-11 × 3-3,5
Revisão Taxonômica de Mansoa 234
A B
C D
E F
Notas: Mansoa lanceolata (DC) A. Gentry foi descrita por Candolle (1838)
como Tabebuia lanceolata com base nas coleções de Lund 1834 e Guillemin
1839 para o estado do Rio de Janeiro, Brasil. Bureau (1894) estudando a
coleção de Glaziou (4106, 4119, 4713, 6647 e 6814) reconheceu o gênero
Hanburyophyton com a única espécie H. xanthinum, esse nome foi escolhido
por já ter sido citado por Martius como Bignonia xanthina, mas não foi
publicado. Assim como a espécie, o gênero não foi formalmente descrito, não
apresentavam uma diagnose, e foram tratados como nomen nudum (Gentry
1979). Neste mesmo trabalho Bureau, sinonimizou Tabebuia lanceolata à
Hanburyophyton xanthinum. Em 1896, Bureau & Schumann transferiu o
espécime tratado como Tabebuia lanceolata para Anemopaegma como A.
lanceolatum (DC.) Bureau & K. Schum. e, em 1980 Gentry posicionou-a em
Mansoa.
O posicionamento em Anemopaegma era pertinente por M. lanceolata ter
caracteres compatíveis com Anemopaegma. Em sua descrição original,
Candolle, descreveu-a com corola branca como base nas informações de
Guillemin, no entanto, Gentry (1980), especulou que a cor da corola era creme-
amarelada como é comum em Anemopaegma. Esse é um caracter anômalo e
completamente fora do plano de Mansoa, já que todas as outras espécies têm
corola lilás a roxa ou rósea. Porém, a sua inclusão em Mansoa foi baseada em
dados palinológicos e dos frutos, os grãos de pólen de M. lanceolata são
Revisão Taxonômica de Mansoa 238
Notas: Essa espécie está sendo descrita (Capítulo I) com base no material de
C. Correia 51. Caracteriza-se pela inflorescência grande ca. 45 cm de
comprimento, multiflora e laxa, flores com corola grande 8 × 3-5cm, roxas,
membranáceas, cálice grande 2,8 – 3,1 × 1,2 cm, 5-lobado, nervuras
proeminentes, alongadas apenas no botão floral, conectivo alongado e piloso.
Conhecida apenas do material tipo. Essa espécie é vegetativamente
muito similar a Mansoa hirsuta, pelo formato e indumento dos folíolos, mas,
difere de todas as outras Mansoa pelo cálice cilíndrico, 5-lobado, ca. 1/3 do
tamanho da corola, correspondendo a cerca de 3 cm de comprimento. Outra
espécie de Mansoa que também tem o cálice grande é Mansoa standleyi, mas
não chega a 1,5 cm de comprimento e tem o ápice truncado. Não há referência
na etiqueta de coleta para odor.
Figura 26
Adenocalymma moritzii Urb., Repert. Spec. Nov. Regni Veg. 14: 308.
1916. Tipo: Venezuela, prope Palmar, Moritz s.n. (B†).
Setilobus vicentinus Kraenzl., Repert. Spec. Nov. Regni Veg. 17: 122.
1921. Tipo: St. Vicent, Caley s.n. (Holótipo K).
Figura 27
246, vicinity of Campinas, fl. 18.VII.1968, fl., E. Forero et al. 6340 (INPA, NY).
RONDÔNIA, Jarú, estrada de Porto Velho para Cuiabá, redondeza de Jarú,
16.VIII.1968, fl, E. Forero & B. L. Wrigley et al. 7115 (INPA, NY). BOLÍVIA. LA
PAZ, Alto Madidi, road 3-5 km NE of camp, 30.V.1990, st., 13º35’S 68º46’W,
290 m, A. Gentry et al. 70778 (MO, NY). SANTA CRUZ, Andrés Ibáñez, 12 km
E del Centro de Santa Cruz, camino a Cotoca, 5.IX.1989, fl., 17o46’S 63o4’W,
375 m, G. Coimbra S. 689 (NY), 11.VIII.1987, fl. 17o46’S 63o4’W, 375 m, M.
Nee 35621 (NY), 18.VIII.1987, fl., 17o46’S 63o4’W, 375 m, M. Nee 35660 (NY),
2-3 km, by dirt road SE of Santiago El Torno, 10.X.1999, fl., 18o1’S 63o22’W,
650-675 m, M. Nee 50156 (NY), Jardín Botánico de Santa Cruz, 12 km E of
Santa Cruz on road to Cotoca, 27.VII.2004, fl., 17o46’S 63o4’W, 375 m, M. Nee
52838 (NY); Cordillera, along new highway from Santa Cruz to Ibapó, 7,5 km S
of Basilio, 21.III.1998, fr., 18º11’S 63º11’W, 525 m, M. Nee 48746 (NY), narrow
valley with now slightly flowing stream through thin chaco woodland, on road
from Abapó to Camiri, 17 km by road SW of Rio Grande bridge at Puerto
Camacho, 3.XI.2000, fl., 19º1’S 63º24’W, 650 m, M. Nee 51099 (NY); Florida,
road between Yerba Buena and Tres Quebradas, 7 km from the main road
Santa Cruz and Valle Grande, 14.VIII.1991, fr., 1.400 m, P. Acevedo R. et al.
4588 (NY), canyon of rio Mairana, 3 km N of highway at Yerba Buena,
16.XII.1990, fr., 17º57’S 64º2’W, 1.150 m, M. Nee 40371 (NY), along nearly dry
tributary to Río Bermejo, 1,5 km NW (upstream) from junction with Río Piojeras
to form the Río Piraí, 13.VII.1994, fr., 18º11’S 63º34’W, 800 m, M. Nee 45200
(NY), Canyon along Rio Achira along highway from Santa Cruz to Samaipata, in
vicinity of Estância Cuevas, 18º12’S e 63º45”W, 1.300 m, 2.II.1998, fr., M. Nee
48240 (NY). COLÔMBIA. BOLÍVAR, Islã Baru, near Cartagena, 25.VIII.1986,
fr., 10º15’N 75º40’W, 10 m, A. Gentry & H. Cuadros 55586 (NY), Caracolicito,
13.I.1942, fl., R. R. Castañeda 40 (F). COSTA RICA: ALAJUELA, s/m, III.1942,
fl., A. M. Brenes 23267 (NY). EQUADOR. EL ORO, Santa Rosa entre Santa
Rosa e L Chorita, 27.VIII.1923, fl., 0-100 m, A. S. Hitchcock 21149 (NY).
GUAYAS, Guayaquil, 22 km north de Guayaquil, on road to Daule, 1.I.1988, fl.,
100 m, C. H. Dogson & P. M. Dodson 17322 (NY), Julio Moreno, Cerro de
Isera, 23.VII.1962, st., C. Játiva & C. Epling 171 (NY). LOJA, Mangahurquillo,
floresta seca decídua, 80º17’59”W 4º3’20”S, 550 m, 3.X.2000, fr., J. E. Madsen
Revisão Taxonômica de Mansoa 261
et al. 7386 (NY). MORONA SANTIAGO, rio Yuquipa, 5 k ao sureste del Sevilla
Don Bosco y 10 k al sureste del Macas, suelo aluvial, com dos Shuares Jorge
Najamde y Abram Nantip, bosque primário pertubado y los alrededores,
18.III.1986, st., 2º22’S 78º12’W, 1.100 m, M.C. Baker 6765 (NY); El centro
Shuar Pampants, rio Kankaim (Cangaime), 9. IX.1985, st., 2º47’S 77º36’W, 300
m, A. Warush RBAE76 (NY). NAPO, 5 k SE of Las Sanchas, 300 m,
13.IV.1985, st., M. A. Baker et al. 5984 (NY), carretera Holin-Loreto, km 40-50,
al rededores de la comunidad Huamaní y del Rio Pucuno, 1-22.X.1988, fl.,
00º43’S 77º36’W, 1.200 m, F. Hurtado 540 (NY). COSTA RICA. ALAJUELA,
Cantón de Poás, cord. Central, Río Poás, ca. 1 km S de San Pedro, puente
sobre él río, 2.I.1993, fl.,fr., 10º4’00”N 84º14’45”W, 1.000 m, B. Hammel 18756
(F). PUNTARENAS, Osa Penisula near Rincon, 3-5 miles, 16.VII.197, st., A.
Gentry 1184 (F). SAN JOSE, Ciudad Colón, cantón de Mora, Zona Protectora
El Rodeo, Hacienda el Rodeo, Rio Jaris, 15.IX.1997, fr., O. Valverde 222 (F).
GUATEMALA. ESCUINTLA, Wooded barranco of Río Burrión, northeast of
Escuintla, 16.III.1941, fl., P.C.Standley 89586 (F); EL PETÉN, en foresta alta en
oriillando el camino para El Remate, km 69, Parque Nacional de Tikal, s/m,
9.VI.1970, fl., R. T. Ortíz 1212 (EAP, F, NY); UAXACTÚN, Péten, fl., H. H.
Bartlett 12567, IV.1931 (EAP, F). GUIANA. s/d, western extremity of Kanuku
mountains, in drainage of Takutu river, 4-22.III.1938, st., A. C. Smith 3084 (NY);
Northwestern slopes of Kanaku Mountains, in drainage of Moku-moku Creek
(Takutu tributary), 31.III-16.IV.1938, fl., 150-400 m, A. C. Smith 3370 (NY).
MÉXICO. CAMPECHE, a 3 km al este de Conhuas, a 50 al oeste de Xpujil,
sobre la carretera Escarcega-Chetumal, 10.XII.1983, fr., E. Cabrera & H. de
Cabrera 6264 (MEXU); Calakmul, a 8 km al NE de Conhuás, camino a
Nadzcaan, 19.II.2002, fl., 18º35’55”N 89º52’56”W, 170 m, E. Martínez 34966
(EAP, NY), Apiário II señor Tzeltal Mauricio Cruz Gutiérrez, 24.III.2005, fl.,
18º47’37,6”N 89º15’37,5”W, 173 m, E. Martínez 37516 (MEXU), 12 km al NO
de Conhuás, carretera Xpujil-Escárcega, 3.IV.2003, fl., 18º34’16”N 1º46’0”W,
161 m, D. Álvarez & C. Jiménez 4432 (RB, MEXU, NY); CHIAPAS, Hopelchén,
ca. 9 km NE of Bolonchén (central plaza) on Hwy 261 (Merida to Hopelchén)
13,75-15 km SW of the Yucatan State line, 11.III.1990, fl., 20o03”N 89o44’W,
100 m, A. C. Sanders et al. 9650 (NY, SCZ); Juarez, a large ruine, 21.III.1932,
Revisão Taxonômica de Mansoa 262
Habitat e fenologia: Segundo Gentry (1974) não é uma planta comum, mas,
está amplamente distribuída nas partes mais úmidas das florestas tropicais
úmidas, do Sul do México até a Venezuela, Guiana e Sul da Bolívia. Neste
trabalho foi encontrada, também, no Brasil (floresta Amazônica). Floresce de
janeiro a dezembro com pico de floração de março a maio, foi encontrada com
frutos de janeiro a março, de julho a outubro e dezembro.
Espécie incerta
visita ao herbário EAP foi verificado que o isótipo também não se encontra no
herbário. Portanto, durante esse trabalho foi verificado que ambos os tipos
estão desaparecidos.
Em visita a área original de coleta da mesma não foi encontrada até o
presente momento, tendo como registro apenas a descrição da espécie
(transcrita acima da obra original), não há desenho do tipo, na obra príncipes a
diagnose tem informação de “folhas alternas” e na descrição de “folhas
opostas”, provavelmente a diagnose está errada, já que em Bignonieae não há
indivíduos com folhas alternas.
Nesta revisão está sendo trata como espécie incerta.
Agradecimentos
Referências Bibliográficas
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Sandwith, N.Y. 1954. Contributions to the Flora of tropical America: LVI Further
Studies in Bignoniaceae. Kew Bulletin. 451-484.
Anexo I. Sumário do histórico taxonômico do gênero Mansoa, nomes e sinonimizações por diferentes autores em relação à sua
delimitação.
Candolle (1838; Bureau (1896) Sprague (1905) Fabris (1965) Gentry (1976) Gentry (1979) Lohmann (2006) Silva-
1840) Castro(2010)
Continuação do anexo I.
Candolle (1838; Bureau (1896) Sprague (1905) Sandwith (1968) Gentry (1976) Gentry (1979) Lohmann (2006) Silva-Castro(2010)
1840)
M.hymenaea (P. M. hymenaea M. hymenaea
hymenaeum)
M. kerere (P. kerere) P. kerere
M. lanceolata (A. M. lanceolata M. lanceolata
lanceolata)
M. ventricosa P. ventricosa
M. erythraea P. erythraea
M.×caatinguensis
M. gentryi
M. ivanii
M. minensis
M.paganuccii
M. sagotii
Revisão Taxonômica de Mansoa 273
Seção Parvifolia
(5) M.parvifolia
Seção Hirsuta
(6) M. angustidens
(7) M. ×caatinguensis
(8) M. difficilis
(9) M. glaziovii
(10) M. hirsuta
(11) M. hymenaea
(12) M. ivanii
(13) M.lanceolata
(14) M. longicalyx
(15) M. minensis
(16) M. onohualcoides
(17) M. paganuccii
(18) M. verrucifera
Acevedo R., P. 4588 (NY) (18), 7215 (NY) (3), Aguilar M., G. 3447 (EAP, SP)
(18), Alencar, M.E. 238 (HUEFS) (17), Alexiades, M. 423 (NY)(5), 898 (NY)
(2), Allen, P.H. 4442 (NY) (3), Álvarez, D. 4432 (18), 8227 (MEXU) (3), Alves,
J.L. 150 (UFP) (17), Amaral, I.L. 234 (SP) (1), 3042 (INPA)(6), Amorim, A.M.
2945 (SP) (17), Ancuash, E. 1086 (F) (4), Andrade, P.M. 316 (BHCB, F) (9),
Andrade-Lima 78-8352 (IPA) (17), 79-8746 (IPA) (17), Angélica s/n (EAC
12169); (17), Araújo, D. 6985, (GUA) (11), 7208 (GUA) (11), Araújo, F. S.1243
Revisão Taxonômica de Mansoa 276
(EAC) (10), s/n (EAC 22272) (17), 883 (EAC) (17), 958 (EAC) (17),
Aristeguieta, L. 6105 (NY) (18), Ayala, F. 2139 (NY) (2), 2745 (NY) (4),
Aymard G. 5388 (NY) (4).
Baker, M. A. 5984 (NY) (18), Baker, M.C. 6765 (NY) (18),Baleé, W.L. 2471
(NY) (1), 3037 (NY) (6), Barreto, K.D. 728 (ESA) (8), 1277 (ESA) (8), Barros,
R. s/n (HUEFS 67198,TEPB 17580) (17), s/n (HUEFS 67199, TEPB 17516)
(17), Bartlett, H.H. 12567 (EAP, F) (18), Bautista, H.P. 978 (GUA, HRB, MG)
(17), 3223 (HUEFS) (17), 3224 (HUEFS) (17), Belém, R.P. 847 (UB, NY) (13),
Berlin, B. 828 (NY) (5), Bernandi, L. 18226 (F) (8), Berry, P. 3338 (VEN) (18),
Bilby, R. 95 (INPA) (5), Blanco, C. 710 (VEN) (18), Bond, F.E. 256 (NY) (18),
Boone, W. 76 (MBML) (8), 244 (MBML) (8), Brade 20605 (NY, RB) (13),
Braga, P.I.S. s/n (BHCB 19427) (15), Branch, L.C. 51 (INPA) (1), Breedlove,
D.E. 9984 (F) (18), 48997 (MEXU) (3), Breteler, F.J. 3849 (NY, VEN) (18),
Brenes, A.M. 23267 (NY) (18), Britton, N.L. 9183 (NY) (1), Bunting, G.S.
13485 (NY) (18), Burelo R., C.M. 55 (MEXU) (3), 57 (MEXU) (3).
Cabrera, E. 1656 (NY) (18), 6264 (MEXU) (18), 8222 (MEXU) (18), 15604
(MEXU) (18), Calónico S., J. 22293 (MEXU) (18), Calzada, J.I. 339 (F, MEXU)
(18), 742 (F, MEXU, NY) (18), Camp, W.H. 3876 (NY) (3), Campos V., A. 5401
(MEXU) (18), Carcerelli, C. 92 (RB, SP) (8), Carneiro-Torres D.S. 743
(HUEFS) (17), 892 (HUEFS) (10), Carvalho, A.M. 2869 (HUEFS) (10),
Carvalho, A.T. 4 (UFP) (17), Carvalho, P.D. 391 (HUEFS) (10), Carvalho-
Sobrinho, J.G. 234 (HUEFS, JPB) (10), 520 (HUEFS) (17), 533 (HUEFS) (17),
Castañeda, R.R. 40 (F) (18), Castellanos, A. 25292 (GUA) (10), Castro,
A.S.F. s/n (EAC) (10), s/n (EAC 27433) (17), Castro 698 (EAC) (17), Castro,
R.M. 1271 (HUEFS) (17), 1286 (HUEFS) (17), Céron, C.E. 4154 (NY) (4), 4242
(NY) 4, Chagas, F. 861 (FUEL, VIC) (8), Chagas, J. s/n (INPA) (1), Chiang, F.
229 (MEXU) (3), 990 (MEXU) (3), Chota I., J. 46 (NY) (4), Cid, C.A. 3167
(INPA, R B, NY, SP) (1), Coe, I. s/n (EAC 22 894) (10), s/n (EAC 22897) (17),
Coimbra S., G. 689 (NY) (18), Costa, L. V. 513 (BHCB) (17), Colaço, M. 19
(HUEFS) (17), 49 (HUEFS) (17), Colella, M. 1441 (NY) (4), Constantino, L.
110 (HUEFS, RB) (8), Costa, A.L. s/n (ALCB 3886) (17), Correa A., M.D. 3579
Revisão Taxonômica de Mansoa 277
Elorsa C., M. 5905 (MEXU) (3), 6445 (MEXU) (3), 6538 (MEXU) (3), Egler, W.
A. 835 (IAN, MG, MO) (6), 1000 (MG) (6), Emperaire, L. 269 (RB, SP) (17),
Espinoza, R. 235 (NY) (4).
Falcão, I.A. 1041 (NY, RB, SP) (17), Farias, C. s/n (INPA 199.566) (1), Félix,
L.P. s/n (HST 9617, HUEFS 53583) (17), 7877 (HST) (17), Fernandes A. s/n
(EAC 6170) (10), s/n (EAC 12784) (16), s/n (EAC 6782) (17), s/n (EAC13325)
(17), s/n (EAC 16236) (17), s/n (EAC 14061) (17), 4052 (NY) (4), Fernandes,
H.Q.B. 1258 (MBML) (8), Ferreira, C. 6 (10), Ferreira, E. 760 (INPA) (5),
Ferreira, M.C. 1275 (HUEFS) (10), Ferreira, M.D. 39 (PMSP) (8), Ferreira,
M.P. 3224 (RB, SP) (17), Ferreira, V.F. 1178 (RB, SP) (8), Figueiredo, M.A.
s/n, (EAC26781) (10), s/n (EAC 16306) (17), s/n (EAC 16475) (17), Fisher,
G.L. s/n (NY) (3), Fontella, J. 1173 (HUEFS, RB) (8), Forero, E.1798 (NY) (5),
6340 (INPA, NY) (18), 7115 (INPA, NY) (18), França, G.S. 373 (HUEFS) (15),
França, F. 1690 (HUEFS) (10), 4672 (HUEFS) (17), 5192 (HUEFS) (10),
Francisco, E.M. s/n (VIC 29324, FUEL 22039) (8), Frazão, A. 3 (HUEFS, RB)
(8), Freitas, F.L.M. 1 (ESA) (8), Freitas, M. 20 (HUEFS) (10), Fróes, R.L. 1857
(NY) (16), 1970 (NY) (1), 11943 (NY) (6), Furtado, P.P. 219 (RB, SP) (8).
Revisão Taxonômica de Mansoa 278
Gallegos H., F. 629 (MEXU) (3), Gallindo, F. CEPE 517 (IPA) (10), Ganev, W.
306 (HUEFS, NY) (10), 632 (HUEFS, NY) (10), Gaumer, G.F. 1068 (C, F) (18),
2162 (C, F) (18), 23844 (F) (18), Gentry, A. 1184 (F) (18), 2769 (SCZ) (5),
5027 (NY) 4, 10327 (VEN) (18), 10396 (VEN) (18), 10699 (INPA, VEN) (4),
11189 (INPA) (18), 13142 (INPA) (6), 13161 (INPA, NY, MO) (6), 13169 (INPA,
NY) (6), 13175 (INPA, NY, MO) (6), 14404 (EAP) (18), 14964 (NY) (4), 15009
(VEN) (4), 15185 (NY) (5), 21891 (F) (18), 22058 (F) (4), 30007 (F) (4) 36043
(NY) (2), 49712 (RB) (8), 50116 (EAC) (17), 50149 (EAC, RB) (10), 54699 (NY)
(4), 55586 (NY) (18), 55996 (F, NY) (4), 68601 (NY) (5), 70778 (MO, NY) (18),
72064 (NY) (4), 72367 (NY) (3), Gerardo 5388 (NY, VEN) (4), Gilliard, E.T. s.n
(NY) (4), Glaziou 1082 (C) (8), 2644 (C) (8), 11252 (C) (8), 12968 (C) (8),
12990 (C, F) (8), 15252 (C) (8), 49712 (RB) (8), Godoi, J.V. 219 (HUEFS, SP)
(8), Goeldi, A. s/n (INPA 11231, MG) (6), Góes, O.C. 95 (RB, SP) (8),
Goldenberg, R. 357 (SPF) (8), Gomes, J.C. 272 (RB, HUEFS) (8), s/n (HUEFS
130928, RB 77491) (8), s/n (HUEFS 130935, RB, 73067) (8), Gonçalves, R.S.
24 (HUEFS) (17), González G., L. 215 (MEXU) (18), L. 1987 (MEXU) (3),
Guanchez, F. 2117 (VEN) (18), Guedes, M.L. 748 (ALCB) (10), 11057 (ALCB)
(10), 7789 (ALCB, HUEFS) (17), 7918 (ALCB, HUEFS) (17), Guppy, N. 66
(NY) (2).
Hamilton, C. 2799 (NY) (5), Hammel, B. 18756 (F) (18), Harley, R. M. 16738
(RB, SP) (17), 18944 (NY) (10), 20016 (IPA, NY) (10), 21282 (HUEFS, SP)
(17), 21547 (ALCB, HUEFS, SP) (17), 53804 (HUEFS) (10), Hastchbach, G.
9107 (HAS) (8), 16257 (MBM, VIC) (8), 52176 (BHCB, CTES, HRB, INPA,
MBM) (15), 19280 (C) (8), 22165 (C) (8), 24973 (C) (8), 35159 (C) (8), 40565
(C, CTES, MBM) (8), 42217 (C) (8), 42333 (AAU, CTES, MO, NY) (10), 46561
(C, HRB, MO) (17), 48140 (HRB, MBM) (8), 50441 (C, MBM) (12), 50452 (C,
MBM) (12), 50654 (C) (8), 52625 (C, HRB, MBM) (8), Hazlett, D. L. 8104 (EAP)
(5), Heringer, E.P. 334 (HUEFS, SP) (9), 735 (IPA, UB) (17), 737 (HUEFS, RB)
(9), 13088 (UB) (17), 1248 (HUEFS, RB) (9), 2646 (HUEFS, RB) (9), 2657 (RB,
SP) (9), 15184 (UB) (15), Hinton, G. B. 5832 (NY) (18), Hitchcock, A. S.
21149 (NY) (18), 21232 (NY) (3), Hoehne, F.C. 2136 (SP) (8), Hoehne, W.
Revisão Taxonômica de Mansoa 279
3142 (ESA, HUEFS, SPF) (8), Huber, J. s/n, (INPA 11230, UB 21831) (6),
Hurtado, F. 540 (NY) (18).
Ibarra M., G. 532 (MEXU) (18), 1986 (NY) (18), 3080 (MEXU) (18), 3085
(MEXU) (18), 3418 (MEXU) (18), Irwin, H. S. 31163 (UB) (10), Ivanauskas, N.
M. 306 (ESA) (8), 884 (ESA) (8), 890 (ESA) (9).
Jaccoud 66 (HUEFS, SP) (8), Jansen-Jacobs, M.J. 3355 (NY) (1), 6065 (NY)
(4), 6079 (NY) (4), Jardim, J.G. 1116 (CEPEC, NY) (9), 3204 (HUEFS, NY)
(17), 3238 (CEPEC, HUEFS, NY) (17), Jarenkow, J.A. 2760 (C, CESJ) (8),
Játiva, C. 171 (NY) (18), Jenman 6752 (NY) (4), Jong, W. De 146 (NY) (1),
Johnston, J. R. 77 (C) (18).
Kampf, E. s/n (ESA) (8), Kayap, R. 186 (NY) (2), Keller, H.A. 1619 (CTES) (8),
2001 (CTES) (8), 3061 (CTES) (8), 3238 (CTES) (8), Klein 9396 (ALCB) (8),
Killip, E. P. 23664 (NY) (5), 25305 (NY) (5), 28930 (NY) (5), King, S 951 (F,
NY) (4), Klug, G. 777 (NY) (4), 3096 (NY) (4), 4138 (F, NY) (4), Knapp 7249
(NY) (4), Knowles, O.H. 1580 (INPA) (1), Kock, S. 7999 (NY) (3), 83132 (NY)
(3), Kokke, P.A. 4453 (NY) (4), Kollmann, L. 2426A (HUEFS, MBML) (8), 4261
(HUEFS, MBML) (9), 5690 (HUEFS, MBML) (9), Kuhlmann, J.G. s/n (SP
22754) (8), s/n (HUEFS 130926, RB 16274) (11), Kuhlmann, M. s.n. (SP) (8),
4396 (SP) (8), 4610 (UB) (8), Krukoff, B.A. (16), 4799 (NY) (5), 7842 (NY) (4).
S. s/n (EAC 38436) (17), Lopes, W. P. 720 (HUEFS, MBML) (8), s/n (VIC
18511) (15), s/n, (VIC 18512) (15), s/n, (VIC 18513) (15), Lovato, M.C. 389
(ESA) (8), Lundell, C. L. 1424 (NY) (18), Lützelburg 1860 (RB, SP) (17).
McCann, J. 81 (F) (4), Madsen, J.E. 7386 (NY) (18), Magalhães, J.C. s/n (SP,
UB) (8), 847 (NY, UB) (13), Makino, H. 30 (HUEFS, SP) (8), Mansano, V.F.
07-394 (HUEFS, RB) (8), 6303 (HUEFS, RB) (11), Marles, R. EE19 (F) (1),
EE46 (F) (1), Marquete, R. 1034 (HUEFS, RB) (8), Martinelli, G. 16157 (RB,
SP) (17), Martinez, M. 21 (MEXU) (3), 2968 (MEXU) (3), 29856 (MEXU) (3),
35250 (MEXU) (3), Martínez E. 22314 (MEXU) (18), 34966 (EAP, NY) (18),
37236 (MEXU) (18), 37516 (MEXU) (18), Martins, P. s/n (EAC 6594) (17),
Maruñak, V. 192 (CTES) (8), Mathias, M.E. 5054 (NY) (4), Mattos, J. 17290
(HAS) (8), Matuda, E. s/n (SCZ) (3), 2679 (NY) (3), Maya J., S. 2994 (MEXU)
(18), Meira, J.A.A. 21129 (UEC, VIC) (8), Melo, E. 4405 (HUEFS) (8), 4571
(HUEFS) (10), 4588 (HUEFS) (10), Miranda, A.M. 1243 (HST) (17), 1487
(HST) (17), 2434 (HST) (17), 2909 (HST) (10), 2916 (HST) (10), 3974
(HST,HUFS) (10), 4480 (HST) (17), 4485 (HST) (17), Miranda, C.A. 287 (HRB)
(17), Miranda, E. B. 504 (HUEFS) (10), 656 (HST) (10), 816 (HUEFS) (17), 989
(HUEFS) (10), Miyagi, P.H. 142 (SPF) (8), Moraes, A.O. 101 (HUEFS) (17),
104 (HUEFS) (17), 119 (HUEFS) (17), 229 (HUEFS) (10), Moraes, M.V. 185
(HUEFS) (17), Morales, J. F. 6174 (NY) (5), Mori, S.13485 (CEPEC, NY) (17),
s.n (NY) (4).
Nascimento, J. (RB) (8), Nee, M. 22320 (MEXU) (3), 29894 (F, NY) (18),
35621 (NY) (18), 35660 (NY) (18), 38235 (LPB) (8), 40371 (NY) (18), 45200
(NY) (18), 48240 (NY) (18), 48746 (NY) (18), 50156 (NY) (18), 51099 (NY) (18),
52838 (NY) (18), Nevers, G. 7692 (MEXU, NY) (18), Nishimura, A. 62 (GUA)
(9), Nunes, T.S. 945 (HUEFS) (10), 983 (HUEFS) (10), Nunes, E. s/n
(EAC6469) (17), Nuñez, P. 9949 (NY) (5).
Occhionii, P. 1218 (RB, SP) (8), Oliveira, A.102 (HUEFS) (17), Oliveira, E.
1044 (IAN) (6), 6386 (MG) (6), Oliveira, M.R. s/n (EAC 20903) (16), Oliveira,
Revisão Taxonômica de Mansoa 281
M. V. M. 686 (HUEFS) (17), 705 (HUEFS) (17), Ortíz, R.T. 1212 (EAP, F, NY)
(18).
Pacheco, C. 8990 (UB) (8), Paixão, J.L. 1390 (HUEFS) (9), Palmer, E. 166
(NY) (3), Paschoaletti, L.F.G. 6 (HUEFS) (10), Paula, J.E. 1485 (UB) (17),
1857 (UB) (8), Pedersen, T.M. 4216 (C) (8), Pereira, E. 3257 (HB, HH,
HUEFS, MO, R, RB) (6), Pereira, R. 751 (IPA) (10), Pereira-Noronha, M. R.
1350 (SPF) (8), Pereira-Noronha, M. R. 1497 (SPF) (8), Pereira-Silva, G. 8445
(10), (CEN, HUEFS), 8455 (HUEFS) (10), Pfeiffer, G.C. 12 (CTES) (8),
Pietrobom-Silva, M.R. 3511 (SPF) (8), Pirani, J.R. 4503 (SPF) (8), Pires, J.M.
1214 (IAN) (6), 11262 (IAN) (6), Pipoly, J. 6935 (NY) (18), Pittier 5788 (NY)
(18), 8823 (NY) (18), 11100 (NY) (18), 11204 (NY) (3), 11727 (NY) (18), 11803
(NY) (18), 12385 (NY) (18), Plaumann 249 (RB, SP) (8), Plowman, T. 7598 (F)
(4), Prévost, M.F. 3831 (NY) (4), 3842 (NY) (1), Prieto, P. 213 (CTES) (8),
Pringle, C. 3898 (MEXU, NY) (3).
Queiroz, L. P. 274 (ALCB, HUEFS) (17), 427 (HUEFS) (17), 5118 (IAC,
HUEFS) (17), (HUEFS) (10), 710 (HUEFS) (10), 759 (ALCB, HRB, HUEFS)
(17), 2215 (HUEFS) (8), 3970 (HUEFS) (10), 4344 (HUEFS) (10), 5276
(HUEFS) (17), 5846 (HUEFS) (17), 6200 (HUEFS) (10), 7380 (HUEFS) (10),
7834 (HUEFS) (10), 7850 (HUEFS) (10), 10102 (HUEFS) (17), 10123 (HUEFS)
(17), 10859 (HUEFS) (10), (HUEFS) (8), 12634 (HUEFS) (8), 13064 (HUEFS)
(1), Quintana, G. 37 (LPB) (5).
Ramírez, A. 10616 (MEXU) (18), Ramos A., C.H. 2061 (MEXU) (3), Rapini, A.
1197 (HUEFS) (10), Raynal-Roques, A. 20086 (NY) (4), Rawitscher, F. s/n
(IAC 5049) (8), Renson, C. 73 (NY) (3), Revilla, J. 1607 (F) (4), 2112 (F, NY)
(4), 3619 (F) (1), Rezende, G.S.Z. s/n (HUEFS 130938, RB 447772) (11),
Ribas, O.S. 5529 (C, ESA, HUEFS, MBM, RB, SP) (8), Ribeiro, T. 420 (HRB)
(17), 431 (HUEFS, HRB) (10), Rietsema, J. 4506 (NY) (3), Rodrigues, E. 34
(INPA) (1), Rodrigues, R.R. s/n (ESA 1904) (8), Rodrigues, W.A. s/n (INPA)
(1), s/n (INPA 10941) (3), 261 (INPA, MG) (6), Rombots, J.E. 214 (IAC) (8),
Romero, M.E. 2710 (CTES) (8), Rose 14071 (NY) (3), Ruiz, T. 954 (VEN) (1).
Revisão Taxonômica de Mansoa 282
Sabino, M. s/n (CESJ 18.503) (9), Salas M., S. 1631 (MEXU) (3), 1639
(MEXU) (3), Sanders, A. C. 9650 (NY, SCZ) (18), Santos, G. 321 (MG) (1),
325 (MG) (6), Santos, M. 01 (RB) (13), Sarukhán, J. 2907 (MEXU) (3), 4498
(MEXU) (3), Sharp, A. J. 50 (NY) (3), Shiki, D. RBAE 160 (NY) (4), Schulz,
A.G. 19072 (CTES) (8), Schulz, J. P. 7598 (NY) (2), Schunke V., J. 985 (NY)
(2), 1551 (G, NY) (2), 2806 (NY) (4), 3362 (NY) (2), 3692 (INPA, NY) (4), 4372
(INPA, NY) (4), 6799 (F, NY) (4), 8499 (F) (2), 12373 (NY) (2), 14655 (F) (4),
Scudeller, V. V. 98, fl., (VIC) (15), 101, (VIC) (15), 135 (HUEFS, VIC) (9), 534
(HUEFS, VIC) (9), 560 (VIC) (9), 561 (HUEFS, VIC) (9), 558 (9), 573 (HUEFS,
VIC) (9), 628 (HUEFS, VIC) (9), 635 (VIC) (15), 636 (VIC) (15), 670 (15), Silva,
J.S. 283 (HUEFS, SP) (8), 461 (RB) (17), 641 (HUEFS, SP) (17), 671 (HUEFS,
SP) (17), Silva, M. 1859 (MG) (6), Silva, T. R. S. 91 (HUEFS) (17), 121
(HUEFS) (17), Silva-Castro, M. M. 202 (HUEFS) (10), 405 (HUEFS) (10), 674
(HUEFS) (10), 675 (HUEFS) (10), 1106A (HUEFS) (17), 1107 (HUEFS) (17),
1124 (HUEFS) (17), 1147 (HUEFS) (7), 1148 (HUEFS) (10), 1157 (HUEFS)
(17), 1228 (HUEFS) (17), 1231 (HUEFS) (17), 1234 (HUEFS) (7), 1235
(HUEFS) (17), 1248 (HUEFS) (16), 1249 (HUEFS) (16), 1259 (HUEFS), 1263
(HUEFS), 1268 (HUEFS) (16), 1260 (HUEFS) (8), 1261 (HUEFS) (11), 1262
(HUEFS) (11), 1265 (HUEFS) (11), 1266 (HUEFS) (11), 1267 (HUEFS) (11),
1272 (HUEFS) (8), 1332 (HUEFS) (9), 1333 (HUEFS) (9), 1387 (HUEFS) (7),
1409 (HUEFS) (17), 1441 (HUEFS) (17), 1458 (HUEFS) (17), 1459 (CEPEC,
HUEFS, HUESB, K, MO, NY, SPF) (7), 1469 (C, F, HUEFS, HUESB, MO, NY,
RB, SPF) (12), 1510 (HUEFS) (8), Silvestre, M.S.F. 46 (HUEFS, SP) (8), 70
(HUEFS) (8), 247 (HUEFS, SP) (8), 254 (HUEFS, SP) (8), Simá, P. 1804 (F)
(18), Simão-Bianchini, R. 1239 (HUEFS) (8), Simpson, D.R. 535 (NY) (3),
Smith, A. C. 3084 (NY) (18), 3355 (NY) (1), 3370 (NY) (18), Smith, C.L. 1386
(EAP) (3), Smith, D. 2102 (NY) (4), Smith, R. F. 7504 (VEN) (18), Sinaca C.,
S. 147 (MEXU) (3), 338 (MEXU) (3), 721 (MEXU) (18), 910 (MEXU) (3), 1525
(MEXU) (3), 1562 (MEXU) (18), 2321 (MEXU) (3), Sobral, M. 4740 (CTES, F)
(11), Solomon, J.C. 12430 (LPB) (1), Soto, J.C. 3701 (MEXU) (3), Souza, D.S.
501 (GUA) (8), Standley, P. C. 54364 (F) (5), P.C. 89586 (F) (18), Stapf,
Revisão Taxonômica de Mansoa 283
M.N.S. 446 (HUEFS) (8), Stephen 78 (NY) (3), Steyermark, J. A. 53973 (NY)
(3), 111801 (VEN) (18), Sucre, D. 5526 (RB) (8), 9230 (RB, SP) (17).
Valente, G. E. 188 (VIC) (15), 189 (HUEFS, VIC) (15), Valverde, O. 222 (F)
(18), Vanni, R. 919 (CTES) (8), 3203 (CTES) (8), Vasconcelos, D. s/n (INPA
11045) (3), Vasques, A. 25 (INPA) (6), Vázquez, A. A. 94AA (MEXU) (3),
Vázquez, R. 2889 (NY) (4),24110 (F, NY) (4), Vazquéz, F., 105 (F) (18),
Ventura, F. 14155 (MEXU) (3), Viana, F. A s/n (EAC12746) (10), Vicentini, A.
672 (INPA) (3), Vimercat, 343 (MBML) (8), Vital, D.M. 4863A (MG, MO) (8).
Waechter, J. 1400 (HAS) (8), Warush, A. RBAE76 (NY) (18), Webster, G.L.
(SCZ) (3), Weiss, G. 164 (F) (4), White, D. 89 (F) (18), Wilgre s/n (NY 483560)
(13), Williams, L. O. 7047 (RB) (17), 8102 (F) (4), Woytkowski, F. 6793 (NY)
(3).
Zamudio R., S. 140 (MEXU) (3), Zuloaga, F.O. 5413 (CTES) (8).
Revisão Taxonômica de Mansoa 284
Anexo V: Mapa com trajetória das viagens de campo para coleta de material
botânico realizada no Brasil durante este trabalho.
289
Conclusões Gerais
Uma subdivisão em três seções foi proposta para Mansoa com base nos
estudos realizados neste trabalho:
Mansoa seção Pseudocalymma – caracterizada pelas folhas 2-
folioladas, presença de nectários interpeciolares, corola subcarnosa, conectivo
inconspícuo e glabro e pelo odor de alho ou cebola: M. alliacea, M. gentryi, M.
macrocarpa e M. standleyi.
Mansoa seção Parvifolia – caracterizada pelos ramos tênues que
crescem aderidos aos troncos, gavinha simples terminada em disco adesivo,
corola membranácea, inflorescência fasciculada e grãos de pólen tricolporados:
M. parvifolia.
Mansoa seção Mansoa – caracterizada pelas folhas 2-3-folioladas,
corola membranácea, conectivo alongado e pubescente, grãos de pólen
pantossincolpados: M. angustidens, M. ×caatinguensis, M. difficilis, M. glaziovii,
M. hirsuta, M. hymenaea, M. ivanii, M. lanceolata, M. longicalyx, M. minensis,
M. onohualcoides, M. paganuccii e M. verrucifera.
Segundo os critérios da IUCN, 11 espécies foram consideradas como
não ameaçadas de extinção (M. alliacea, M. gentryi, M. macrocarpa, M.
standleyi, M. parvifolia, M. angustidens, M. difficilis, M. glaziovii, M. hirsuta, M.
paganuccii e M. verrucifera), quatro consideradas como em perigo (M.
hymenaea, M. lanceolata, M. minensis e M. onohualcoides), duas como
criticamente em perigo (M. ivanii e M. longicalyx) e apenas uma (M. gentryi)
com dados insuficientes para uma avaliação precisa.
Com base nos dados filogenéticos foi possível inferir a origem de
Mansoa em florestas tropicais úmidas da América Central ou Amazônica com
um evento de migração para o leste do Brasil, com migração para o Leste do
Brasil onde foram verificadas três colonizações independentes, uma para a
Floresta Atlântica e duas para a Caatinga. Neste processo foi observado um
declínio no número de espécies no sentido norte-sul, onde apenas M. difficilis
consegue alcançar a Argentina, o limite sul da distribuição do gênero.
As espécies de Mansoa apresentaram uma forte diversificação
influenciada por fatores ecológicos, concordante com o conceito de
conservação de nicho, onde as espécies que ocorrem na Floresta
Mesoamericana-Amazônica não ocorrem na caatinga, nem na Floresta
292
Atlântica, e vice-versa. Também foi possível inferir com base na filogenia que
Mansoa apresenta uma estruturação filogenética ecológica maior do que
geográfica.
Na caracterização polínica de Mansoa foram reconhecidos três tipos: 3-4-
colporados Mansoa parvifolia e M. standleyi; Pantocolpado encontrado na
seção Pseudocalymma: M. alliacea, M. gentryi e M. macrocarpa;
Pantossincolpado sinapomorfia da seção Mansoa: Mansoa angustidens, M. ×
caatinguensis, M. difficilis, M. glaziovii, M. hirsuta, M. hymenaea, M. ivanii, M.
lanceolata, M. longicalyx, M. minensis, M. onohualcoides, M. paganuccii e M.
verrucifera.
A continuidade de estudos envolvendo Mansoa é necessária para um
melhor entendimento das relações taxonômicas, filogenéticas e ecológicas do
grupo. Um trabalho sobre a composição do óleo essencial de Mansoa está em
andamento, mas existe a necessidade de investigação dos processos
relacionados à biologia reprodutiva e a polinização, bem como uma
caracterização dos nectários florais e extraflorais, relacionando-os à evolução
do grupo.
293
ANEXOS