PavilhãoAtlantico Contempraneo PDF
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“À procura a fórmula mais que perfeita” 1
5 6
“Contudo, o desenho não é para Siza uma linguagem autónoma; trata-
Vittorio Gregotti, sobre Álvaro Siza Vieira, Imaginar a evidência, Laterza & Figli S.p.a.,
Roma,1998.
7 8
ÍnDIcE:
Introdução 12
conclusão. 49
bIblIogrAfIA 51
9 10
InTRODUçÃO
O Pavilhão de Portugal foi projectado por Álvaro Siza Vieira, entre os anos
1995 e 1997/8, para a Exposição Mundial de 1998 em Lisboa, Portugal.
11 12
A ExPOsIçÃO UnIVERsAL DE LIsbOA, ExPO’98 – O “nAscER DE Um mOnUmEnTO”.
13 14
A exposição Universal de Lisboa destacou o papel dos oceanos na história e exposições foram posteriormente inutilizadas após realização do evento.
desenvolvimento dos povos e lança internacionalmente o nome de Portugal, A intenção da cidade de Lisboa foi, integrar todas as áreas das exposições
que em paralelo realizou um interessante projecto de renovação urbana e numa envolvente de futuros desenvolvimentos da cidade. Esta dinâmica
ambiental dum espaço ribeirinho. A área destinada ao desenvolvimento da organizativa criou novas zonas de desenvolvimento urbano positivo.
Exposição foi uma zona de grande deterioração ambiental nas margens do
E assim, o Plano Director da Exp’98, optou por um esquema urbano muito
petróleo, entre outras, desenvolvia actividades altamente poluentes. Por claro, desenvolvido ao longo de uma zona arbórea e com contacto e relação
esta razão, a organização da Expo não apenas consideraram recuperar essa com a água do mar. E o acesso principal seria feito através de um Edifício
grande área envolvente das docas de Lisboa, mas também tiveram como bem no centro do complexo da Expo’98.
objectivo recuperá-la e transformá-la numa área de grande dinâmica para
o desenvolvimento posterior da cidade de Lisboa. Aliado a essa dinâmica,
os organizadores do evento decidiram que não queriam seguir o exemplo da Expo: o Pavilhão de Portugal, Projectado por Álvaro Siza Vieira.
de outras exposições, realizadas noutros países, das quais, as zonas das
O Pavilhão de Portugal
15 16
bREVE cROnOLOGIA DO: “nAscER DE Um mOnUmEnTO”.
Em 1998 foi atribuída a Portugal a realização da Feira Mundial, ou Feira 2. Siza A., Moura, E. S.,
Internacional, mais conhecida por “Expo’98”, cujo tema foi: “Os oceanos: um Pavilhão de Portugal,
património para o futuro”, e realizou-se em Lisboa, Portugal, de 22 de Maio CRITÉRIO - PRODUÇÃO
a 30 de Setembro de 1998. GRÁFICA, LDA, Lisboa, 1998,
pág. 5
Poucos anos antes, em 1994, Simonetta Luz Afonso, directora geral do
Instituto Português de Museus, cargo que desempenhou até 1996, recebeu
3. Pergunta que António
um telefonema de António Mega Ferreira, comissário executivo da Expo’98,
Mega Ferreira fez a
Simonetta L. Afonso -
na Expo ‘98? 3 retirado da edição: Siza
A., Moura, E. S., Pavilhão
de Portugal, CRITÉRIO -
que muito lhe agradou: os Oceanos e a celebração da viagem de Vasco da PRODUÇÃO GRÁFICA, LDA,
Gama! 4 Lisboa, 1998, pág. 5
Estava, então, lançado o repto que iria dar início ao nascer de monumento 2,
para servir de espaço cerimonial da inauguração da Feira Mundial: Expo’98. 4. Manifestação do efeito
de admiração, e prazer,
De entre dois caminhos a seguir, para intencionar o conjunto de conceitos
e ideias para ir ao encontro do tema, do fácil que era o de juntar o vasto se expressou na interjeição
e precioso património do tempo dos Descobrimentos e fazer uma grande que Simonetta fez a si
exposição, Simonetta ambicionou seguir o segundo caminho, o mais própria - retirado da edição:
difícil: desenvolver o tema de forma abrangente e universalista, aproveitar Siza A., Moura, E. S., Pavilhão
de Portugal, CRITÉRIO -
a ocasião para “deixar alguma coisa que perdurasse além da efemeridade
PRODUÇÃO GRÁFICA, LDA,
Lisboa, 1998, pág. 5
las a conhecer ao grande público, usar as novas tecnologias e trazer à luz da
ribalta peças novas do tempo dos Descobrimentos” 5. E entendeu, assim, “dar
ao público a ideia de um país com um passado que sabe preparar o futuro” 6. 5. Siza A., Moura, E. S.,
Pavilhão de Portugal,
O projecto teve, assim, uma amplitude que importava a constituição de uma CRITÉRIO - PRODUÇÃO
equipa capaz de aproximar a ideia do tema à concretização na realidade, e GRÁFICA, LDA, Lisboa, 1998,
para isso já sabia que o arquitecto seria Álvaro Siza Vieira, “com quem nunca pág. 5
tinha trabalhado e cuja obra muito admirava” 7.
6, 7, 8. Siza A., Moura, E.
Os dois encontram-se em Lisboa em 1995, onde Álvaro Siza Vieira apresenta S., Pavilhão de Portugal,
CRITÉRIO - PRODUÇÃO
“ GRÁFICA, LDA, Lisboa, 1998,
localização simbólica, à luz!” 8. pág. 6
17 18
9. Siza A., Moura, E. S., criar o efeito pretendido, e de acordo com a ideia que Siza pensara apresentar Desenho 2, Siza A., Moura,
Pavilhão de Portugal, a Souto Moura, para esses espaços expositivos, do Pavilhão de Portugal, tal E. S., Pavilhão de Portugal,
CRITÉRIO - PRODUÇÃO como expressou: “ CRITÉRIO - PRODUÇÃO
GRÁFICA, LDA, Lisboa, 1998, GRÁFICA, LDA, Lisboa, 1998,
pág. 26 na capacidade do espaço de receber várias intervenções. Quando escolhi este pág. 16
A
solução arquitectónica a que chegámos para a implantação dos conteúdos foi
aquela que nos permitia um edifício que ia ter uma função transitória (e depois
10
. Desenho 3. A. Siza Vieira
após ter sido presenteada com os belíssimos desenhos de Álvaro Siza Vieira,
expressa ao mundo “O NASCER DE UM MONUMENTO”.
19 20
21 22
DAs InfLUêncIAs Em sIzA VIEIRA.
11. Siza A., Moura, E. S., “... um desejo que acompanhou sempre a concepção do Pavilhão de Portugal, de Coloco a origem das hipóteses no papel do tema: Oceanos e celebração da 12. Siza A., Moura, E. S.,
Pavilhão de Portugal, viagem de Vasco da Gama, que na época dos Descobrimentos teve num Pavilhão de Portugal,
CRITÉRIO - PRODUÇÃO barco, em meu entender na Nau, embarcação imponente e de grande CRITÉRIO - PRODUÇÃO
GRÁFICA, LDA, Lisboa, 1998, país com um passado que sabe preparar o futuro. porte, símbolo da grandeza marítima de Portugal no auge da Carreira da GRÁFICA, LDA, Lisboa, 1998,
págs. 6 e 7 ... Acrescentei, ainda, que queria que o visitante, depois de ter visto o pavilhão Índia. E terá servido como ponto de partida para a criação dos desenhos pág. 16
por fora, entrasse na exposição, esquecesse que estava num edifício e viajasse do projecto, como referiu Siza Vieira: “.
connosco! São as imagens que materializam as ideias e que o vão conduzir, 13. Siza A., ULISBOA, Revista
da Universidade de Lisboa,
da doca. Como se fosse um barco.” 12. “Um barco atracado é uma coisa bem
01, Dezembro de 2016,
presente.” 11 agarrada a um molhe, uma coisa que, por si, não tem a estabilidade total, mas
págs. 11
.” 13.
Das palavras expressas no relato de Simonetta Luz Afonso, para descrever 14. Siza A., Moura, E. S.,
o “nascer de um monumento”, transmitem-me com clareza a ideia da Pavilhão de Portugal,
construção de um edifício que se iria materializar e transformar num aos desenhos de Siza, pois o arquitecto constrói sonhos, onde cada desenho CRITÉRIO - PRODUÇÃO
seu produz uma visão que enche os sentidos, e mostram a genuinidade GRÁFICA, LDA, Lisboa, 1998,
dos gestos que delinearam toda a magnitude da obra idealizada. E deixam pág. 17
dos Descobrimentos. ver que o resultado não foi procurado com racionalidade absoluta, apenas
E assim, estabeleço o objectivo de fornecer através de investigação resultante poético e com função própria e emotiva para a efeméride, isto é, com os
desenhos foi encontrada a génese do Pavilhão de Portugal.
1
e seu projecto, outros projectos e obras de referência e que expressem
Imagem 2. Vista aérea do Pavilhão de Portugal. Desenho 4, A. Siza Vieira. “Atracar o edifício como um barco”. 14
23 24
15, 16. Na sequência da Assim, com ferramentas para expressar os objectivos deste trabalho 17. Na sequência da entrevista,
entrevista, Jorge Figueira, apresento vários desenhos e esquissos elaborados por Siza Vieira. Estes
onde considerou que o livro complexidade e contradição é transportada da antiguidade clássica para a Jorge Figueira, onde considerou
de Ventury defende uma
transmitem uma organização que atribuem uma matriz, que deram que o livro de Ventury defende
arquitectura “complexa e uma arquitectura “complexa e
presença, em pensamento, do Partenon, na Acrópole de Atenas, Grécia, que
Neste sentido, os desenhos, não são apenas desígnios transformados em
também a arquitectura de era visto como o maior monumento cultural da história da humanidade, também a arquitectura de
composições executadas com perfeição e sentido estético, mas sim, são Siza ser uma arquitectura de
Siza ser uma arquitectura de onde a sua entrada imponente com o seu frontão ornado com esculturas
como elementos teóricos que podem ser compreendidos como uma fase complexidade e contradição”
complexidade e contradição” decorativas, que eram considerados um dos pontos altos da arte grega,
Figueira, J. Reescrever o Pós- conceptual da organização espacial. E que vão permitir estabelecer os Figueira, J. Reescrever o Pós-
vislumbram a ideia do monumental pórtico do Pavilhão (Imagem 4). E moderno, sete entrevistas,
moderno, sete entrevistas,
também, já dentro do pensamento pós-moderno, pelo formalismo clássico EQUAÇÕES DE ARQUITECTURA
EQUAÇÕES DE ARQUITECTURA transferiu para desenhar o “monumento” ideal e perfeito.
DAFNE EDITORA, Porto, 9 de de Aldo Rossi, que entendo fazer-se representar no Pavilhão de Portugal DAFNE EDITORA, Porto, 9 de
Fevereiro de 2017, págs. 22 e (Imagem 3), com os pilares dos contrafortes do pórtico que sustentam a Fevereiro de 2017, págs. 22 e
O Pavilhão de Portugal denota ser um edifício que se pode considerar o 24
24 “pala”, e têm muita semelhança com os do Cemitério de Modema desse
“rescrever o pós-moderno”, tal é a sua importância e relevância teórica
17. Siza A., Moura, E. S., onde:
Pavilhão de Portugal, CRITÉRIO
formalismo suave e imponente. “… O Rossi é um pouco desigual nas suas
- PRODUÇÃO GRÁFICA, LDA, realizações, mas por várias razões, mas os seus melhores edifícios têm a magia
Lisboa, 1998, págs. 6 e 7 , A. Siza
- é convicto no modo como defende Rossi e descreve Ventury como: “uma
Vieira 17.
lufada de ar fresco” .15
Analisando com outro panorama, em “detalhe” ponderado, mais sereno,
os desenhos e esquissos de Siza Vieira, percebo que a arquitectura do
Pavilhão de Portugal é uma arquitectura de continuidade no sentido de que
em Siza uma linguagem “maneirista”, que já em si nascera, mas que se
o arquitecto procura (re)transformar os aspectos funcionais, construtivos
reescreveu na Arquitectura contemporânea. Como diz Siza: “Pós Modernos
e estéticos, para dar lugar a uma inovadora e contemporânea estrutura,
somos todos… Na sequência de uma viagem aos Estados Unidos dos arquitectos
cuja essência vai ao encontro de uma nova geração de edifício protocolar,
que participavam, apareceu para mim o livro de Venturi, Complexity and
onde a simplicidade predomina e impinge-lhe um cunho pós-modernista
contradiction in architecture, que realmente me impressionou, muitíssimo, que
reescrito na singeleza dos seus traços, sensíveis à amplitude a que se liga o
me marcou muito”16.
respeito pelo local e sua envolvente e a história que Portugal transmite ao
i
mundo.
Se observar com atenção os desenhos, Siza usa, de certa forma,
singularidades espectaculosas, isto é, formas arquitectónicas que denotam
uma intenção de vontades, uma espécie de caprichos que, em si, parecem
Desenho 5. A. Siza Vieira, A inevitabilidade dos caprichos 17. Imagem 3. Imagem 4. Imagem 5.
25 26
19. http://cvc.instituto-camoes.pt/ Embora não tenha documentos objectivos que possam dar a entender as Da mesma forma, embora aqui já possa fundamentar com alguma 20. Siza A., Moura, E. S.,
navegaport/c15.html Pavilhão de Portugal, CRITÉRIO
referências que Siza Vieira utilizou para o edifício, eu julgo que me posso comprovação do próprio autor do projecto, a pala (cobertura de directriz
- PRODUÇÃO GRÁFICA, LDA,
apoiar na ideia de que, materializando o tema do Pavilhão de Portugal num parabólica), com uma espessura de 20 centímetros em betão armado pré- Lisboa, 1998, pág. 23
pensamento meditativo pessoal: esforçado, leva à referência com os toldos das barracas que existem nas
praias. Pois, Siza Vieira, como sendo natural de Matosinhos, uma cidade que 21. Siza A., Moura, E. S.,
Pavilhão de Portugal, CRITÉRIO
- PRODUÇÃO GRÁFICA, LDA,
junto ao que parece um cais, ou a um lado duma doca, na imagem dessa as praias e conhecia bem esses toldos. Onde debaixo deles criavam-se
Lisboa, 1998, pág. 22
embarcação, num sentido pós-moderno rescrito. Pois, o edifício foi ambientes de sociabilidade entre as pessoas, dando referência ao desenho
construído em duas estruturas, sendo uma a Praça Cerimonial, que é um
espaço aberto e protegido por uma enorme pala de betão, de construção ser uma hipótese, tal como diz numa entrevista: “Não sei se a pala surgiu
arquitectónica inovadora e progressista, e o Pavilhão de Portugal como analogia dos toldos da praia, considerando a proximidade da água. Não
propriamente dito, com cave e dois pisos, que se desenvolve em torno de sei 20
.
um pátio interior. Subindo uma escada a partir de um átrio, atravessa-se
uma sucessão de espaços, que formam um dos lados do andar do pátio, De qualquer modo, passe as reminiscências e referências conceptuais, a
salas que abrem em varanda corrida para a fachada poente (virada para a ideia da pala é segundo Siza Vieira: “A pala é de betão e tem 20 centímetros.
doca). Esta está protegida por um enorme e ligeiro pórtico junto a água, que Sólida. A forma física da pala obedece ao cálculo do cair natural de uma tela. Se
pala, que corre ao longo desta fachada. tratam os engenheiros. Tenho a ideia da pala e pergunto aos engenheiros se é
- Analogamente, a Nau, e neste caso de grande porte como a que Vasco da que se podia fazer.
Gama utilizou na época dos Descobrimentos, “com castelos de proa e de popa, Estudaram inúmeras hipóteses, foram falando comigo para, em conjunto,
dois, três ou quatro mastros, com duas ou três ordens de velas sobrepostas, eram estudarmos as possibilidades. Não é a pala que vai diferenciar o Pavilhão de
imponentes e de armação arredondada. Tinham velas latinas no mastro da ré,
de três ou quatro cobertas, castelos de popa de três pavimentos (tolda, alcáçova associada a um edifício com janelas iguais. É isso que lhe dá carácter” 21.
Imagem 6. Pavilhão de Portugal. Imagem 7. Nau Imagem 8. Toldo da Praia. Desenho 6. A. Siza Vieira
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RELAçÃO cOm O RIO, O mAR E A ÁGUA nomeadamente nas construções sobre as margens do estreito de Bósforo
com as Yali (Imagem 11), que na língua turca designa uma casa que defronta
22. Siza A., ULISBOA, Revista
da Universidade de Lisboa, 01,
Dezembro de 2016, págs. 11
um corpo d’água, e a aproximação directa com a água. E onde o pôr do sol
sEmELHAnçA ARqUITEcTónIcA
Imagem 9. Pavilhão de Portugal Imagem 10. Veneza, Itália Imagem 11. Bósforo, Istambul, Turquia.
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à EDIfIcAçÃO DE UmA ObRA ImPOnEnTE
Pegando nas palavras de Jorge Figueira, do livro Reescrever o Pós-Moderno, 23. Figueira, J. Reescrever o
Pós-moderno, sete entrevistas,
quando escreve: “Fazer arquitectura não é fácil; fazer arquitectura com este
EQUAÇÕES DE ARQUITECTURA
grau de intensidade, ao longo de cinco décadas e meia, não se consegue sem uma DAFNE EDITORA, Porto, 9 de
enorme resiliência mental e cultural” 23, entendo aqui a grande capacidade Fevereiro de 2017, págs. 18 e 19
imaginativa de Siza Vieira, quando se centra na elaboração de um projecto
24. Siza A., ULISBOA, Revista
de arquitectura com a magnitude do Pavilhão de Portugal, tanto mais que da Universidade de Lisboa, 01,
acresce, ainda, ao edifício, um enorme valor e simbolismo que representa o Dezembro de 2016, págs. 9
sentido Cultural de Nação de Portugal perante o mundo.
Por isso, O arquitecto, no meu entender, não pretendeu criar apenas 25. Figueira, J. Reescrever o
Pós-moderno, sete entrevistas,
um edifício bem construído, mas sim gerar um património que desse ao EQUAÇÕES DE ARQUITECTURA
país, perante o mundo, o valor do reconhecimento do papel que Portugal DAFNE EDITORA, Porto, 9 de
desenvolveu na época dos Descobrimentos. Fevereiro de 2017, págs. 18 e 19
E assim, Siza Vieira, ao idealizar esse património, serviu-se da sua experiência
mental e cultural acumulada, para encontrar modelos a seguir, ou pontos
de apoio iniciais para a construção do Pavilhão de Portugal.
Na elaboração do Programa, este indicava que teria que ter dupla função,
isto é, seria primeiro um edifício para evocar a efeméride da Expo’98 e, no
termino do evento, seria reaproveitado para novas funções de utilidade.
Siza Vieira refere que nos primeiros esquissos o pavilhão estava projectado
como que junto a um molhe, o que quer dizer que estava em linha com o mar.
tiradas naquele sítio” 24. Com isto, a grande capacidade e “enorme resiliência
mental e cultural” 25 do arquitecto, para encontrar soluções, vagueia pela
história da arquitectura, mas encontrando pontos de relação pós-moderna
33 34
O Pavilhão de Portugal (imagem 12), é uma construção em duas estruturas: Na procura das referências ideais, denoto na construção do pavilhão que 26. Siza A., ULISBOA, Revista
um grande espaço coberto e um edifício, construídos como um todo. O Siza Vieira parece ter em Oscar Niemeyer, uma ligação arquitectónica, da Universidade de Lisboa, 01,
Dezembro de 2016, págs. 10
espaço com a cobertura serve como recepção, como se fosse o um hall nomeadamente na cobertura da Praça Cerimonial (pala). Pois esse arquitecto
de grandes dimensões, e o edifício serve para albergar os elementos de transforma as curvas em poesia, onde a sua plasticidade transmite uma
referência às exposições programadas, entre outros eventos culturais. serenidade formal, mas ao mesmo tempo deixa transparecer a beleza e
A referência arquitectónica mais próxima ao projecto do edifício, que o encanto sereno do espaço. Tal como a pala de que Siza projectou para
encontro, parece estar no Museu de Arte de São Paulo, Brasil, projectado o pavilhão, esse sentimento está presente e desperta um sentimento de
por Lina Bo Bardi (Imagem 13), sendo uma arquitectura simples mas que leveza que faz esquecer o “pesado” betão da sua construção Imagens 14 e
apresenta características de monumental, e que com as suas dimensões 15).
têm alguma analogia. Se repararmos que está elevado do chão a uma altura
quase coincidente com a pala do Pavilhão do Atlântico. E que todo o edifício “...em determinada altura, era um coberto em curvas, um bocadinho à maneira
está suportado em dois enormes pilares em cada extremidade, a relação do Brasil [referência à Marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo, de Oscar
aos pórticos, com os seus contrafortes que sustentam a pala do edifício Niemeyer]. Rapidamente vi que para isso tinha de ter colunas de suporte, o que
do pavilhão, parece evidente. E a praça em baixo tem alguma relação de condicionava as tais cerimónias de recepção. E daí surgiu a ideia da cobertura.
referência com o espaço cerimonial projectado por Siza Vieira. No entanto Essa ideia surgiu em conjunto com o engenheiro dessa fase do anteprojecto, o
talvez não seja uma melhor referência devido ao facto de o edifício se engenheiro Cecil Balmond” 26.
apresentar como uma arquitectura brutalista, neste caso a brasileira,
Imagem 12. Pavilhão de Portugal Imagem 13. Museu de Arte de São Paulo, Brasil Imagem 14. Pavilhão de Portugal, a Pala. Imagem 15. Parque Ibirapuera, Brasil.
35 36
37 38
O PROGRAmA E O SEU PROjEcTO
27. Siza A., Moura, E. S., “Um arquitecto, normalmente, trabalha com um programa e uma série de
Pavilhão de Portugal, CRITÉRIO condicionantes. Uma das condicionantes é o sítio. O facto de ser uma paisagem
- PRODUÇÃO GRÁFICA, LDA,
Lisboa, 1998, pág. 13
natural ou o interior de uma cidade tem as suas implicações, mas é também
aqui que se procura o estímulo para iniciar o trabalho. A primeira ideia com
possibilidades de ser desenvolvida, tendo em vista determinados objectivos e
limitada por certas condicionantes, é muitas vezes impossível de se materializar.
39 40
A planta baixa do Pavilhão de Portugal apresenta a morfologia construtiva O principal aspecto para determinar a futura adaptabilidade do edifício,
que o arquitecto utilizou para determinar a tipologia dos espaços. Nela foi a utilização de um módulo de 5x7,5 metros, com a criação da grade
tipologia do edifício, isto é, que pode ser reescrita a sua forma e volumetria, piso térreo e do piso superior.
transformando-o num edifício multiuso. O projecto do pavilhão tinha a condicionante de coordenar diferentes
O edifício é construído por duas estruturas: uma praça coberta e outra por escalas de importância e de uso, pois deveria ser usado como espaço
que é o pavilhão. Julgo aqui que o arquitecto quis dar uma distinção diferente
a essas duas construções, não só pelo destino a que estava expresso no com um papel de expressão institucional de hospedagem e recepção de
dignitários estrangeiros para a Expo’98. Neste caso, os dois andares foram
A praça, que foi projectada para servir como zona de recepção e divididos em dois espaços em “L”, à volta do pátio central.
piso térreo com 4 metros de altura e piso superior com 5,5 metros - fazem
lembrar, reescrita, portanto, a construção dos “piano nobile” dos palácios
europeus clássicos.
43 44
Imagem 19. Planta do Piso 0.
45 46
DO LIVRO REEscREVER O Pós-mODERnIsmO
seleccione que problema ele quer resolver, uma vez que o arquitecto com
o seu modo de ver o mundo: o que determina como os problemas são
resolvidos.
47 48
cOncLUsÃO
O Pavilhão de Portugal, projecto criado com o intuito de realizar a Feira Um argumento que pode ser claro é que o Pavilhão de Portugal evidencia
Internacional de 1998, propor-se colocar os oceanos, a sua diversidade, a escola “regionalista crítica” da arquitetura pós-moderna, o que implica a
a sua função perante a comunidade internacional, foi o objectivo para
Portugal e para a cidade de Lisboa. estrutura, e inspira alguns dos elementos de construídos onde valoriza o
uso de materiais de construção locais e até vernáculares.
Foi desenhado por Álvaro Siza Vieira, e funcionou como a sede da Expo’98,
com o tema: “Os oceanos, um Património para o Futuro”. É um edifício de No caso do Pavilhão de Portugal, alguns materiais de construção locais e
volumetria horizontal, implantado paralelamente a uma doca e composto
por dois corpos: um edifício de dois pisos, para além da cave, e uma área Porta de pedra calcária portuguesa do edifício, a presença de azulejos verdes
monocromáticos (decoração tradicional) em alguns painéis de paredes
em dois pórticos: a Praça Cerimonial. externas, e as calçadas portuguesas (pequeno bloco granito trabalhado
à mão), e pavimentando sob o teto suspenso. Um logotipo da cidade de
Obra de feito contemporâneo, como o grande lençol de betão, combinam Lisboa completo com o navio caravela e os corvos estão embutidos na
com enorme constância com a referência histórica que os traços dela calçada.
encerram no ncontexto da efeméride.
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bIbLIOGRAfIA
tinhagufaduramente insuficiente
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NOMI
O trabalho claramenteinsuficiente estagnado desde a i entrega formal de
Janeiro não incorporando sequer as sugestõesde melhoria indicadas na
Nami
questãode Indulto érelevante e clara no entanto
O A priveiµ
otrunlho detém se combrevidade he questão das referências e
materna apontados
relevantes
J aepuina.nlnphunnm
apesarde se identificar Teórico
do de cista
As não AT exploradas ponto
de venturi por
vejase a analise do Gao
exemplo
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_de igual modo não foi realizado
integração das matérias
esforço de
bacionadas
nas aulas teóricas plenas
de pistões de
dezena do autor só
neste trabalho
é considerado de forma
directa ou
aja
textuais ao Panthro
quando existem referências de
todo portanto uma oportunidade perdida
devem de A siga
suits
de conhecimento dos olhos
com outros
a dimensão
comparativa
desta batalha patética
them como objetivo
Hmm Como obter
completamente ignorada ou aja
é quase que sua
mas a
tão trazidos alguns exemplos e a
desenvolvimento
na reposta aos objetivos
trabalho pátio
do
Ashton
ultimate
Rs Anotará shenfiasta encontrada
a conteúdos
de
podem de 2020 visto que
Na versão janeiro sinifiatin
enchi avarem
esta casi nã
conteúdos ainda que
a miel de
tenha sido melhorado noutros aspectos