Experiência Profissional e o Ingresso Dos Jovens Recém-Formados No Mercado de Trabalho ..
Experiência Profissional e o Ingresso Dos Jovens Recém-Formados No Mercado de Trabalho ..
Experiência Profissional e o Ingresso Dos Jovens Recém-Formados No Mercado de Trabalho ..
Resumo
O jovem recém-formado ao investir no capital humano espera ingressar no mercado de trabalho e colocar em
prática tudo aquilo que aprendeu nos bancos universitários, porém, ele se depara com uma outra realidade, a
dificuldade de inserção profissional. A geração de empregos pelo mercado de trabalho não depende só da
expansão económica, mas também das acções a serem implementadas, pois a natureza das regulamentações do
mercado de trabalho podem facilitar ou dificultar a capacidade de geração de emprego para os jovens recém-
formados sem experiência profissional. Facto que nos faz questionar: Quais são as acções levadas a cabo pelos
principais intervenientes para garantir que os jovens recém-formados sem experiência profissional ingressem no
mercado de trabalho? Na perspectiva de compreender se as acções adoptadas pelos principais intervenientes
do mercado de trabalho garantem a empregabilidade dos jovens recém-formados sem experiência profissional.
Em termos metodológicos, foi utilizada uma abordagem qualitativa. Onde, constatou-se que, as acções levadas
a cabo pelos principais intervenientes do mercado de trabalho não garantem a empregabilidade dos jovens
recém-formados, e enquanto não existir uma lei que os proteja, continuará sendo um grande desafio o ingresso
destes.
Abstract
The young graduate, when investing in human capital, hopes to enter the job market and put into practice
everything he learned in university banks, however, he is faced with another reality, the difficulty of professional
insertion. The generation of jobs by the labor market depends not only on economic expansion, but also on the
actions to be implemented, as the nature of the labor market regulations can facilitate or hinder the ability to
generate employment for young graduates with no experience. professional. Fact that makes us question: What
are the actions taken by the main players to ensure that young graduates without professional experience enter
the labor market? With a view to understanding whether the actions taken by the main labor market players
guarantee the employability of young graduates without professional experience. In methodological terms, a
qualitative approach was used. Where, it was found that, the actions carried out by the main labor market players
do not guarantee the employability of young graduates, and as long as there is no law to protect them, their
entry will continue to be a major challenge.
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Keywords: Professional Experience; Newly Graduated; and Labor Market.
Introdução
Actualmente, o diploma universitário não é mais uma garantia de emprego, uma vez que as inúmeras
exigências do mercado de trabalho colaboram para o discurso da empregabilidade (Felisberto, 2001).
O principal interesse em elaborar este estudo prendeu-se a actual situação que o nosso país se
encontra devido ao aumento de jovens desempregados com formação superior. Entretanto, apesar do
governo ter publicado a versão final da política de emprego em 2016 com linhas de orientação para o
ingresso dos jovens no mercado de trabalho, ainda se tem verificado uma elevada taxa de desemprego
por parte destes estimado em (56.8%) (Relatório Workshop sobre a Juventude Moçambicana e Crise
Económica – Alternativas Criativas, 2017).
O presente estudo foi realizado na cidade de Quelimane, e compreendeu o período de 2015 – 2019. A
população de estudo incluiu: o Instituto Nacional de Emprego – Quelimane (INEPQ); Organizações não
Governamentais (ONG's); Conselho Provincial da Juventude – Quelimane (CPJQ); e os Jovens que
concluíram o nível de licenciatura no ano 2015, com idades compreendidas entre os 26 - 30 anos, sem
experiência profissional, no campo das ciências sociais e que até ao período de referência tentaram
sem sucesso ingressar no mercado de trabalho, e residentes na cidade de Quelimane.
Pretendeu-se com este estudo, compreender se as acções adoptadas pelos principais intervenientes
do mercado de trabalho (o Governo, as Instituições de Ensino Superior, Sector Privado e a Sociedade
Civil) garantem a empregabilidade dos jovens recém-formados sem experiência profissional. De
seguida, procurou-se identificar e discutir políticas adoptadas pelo Governo para garantir a
empregabilidade dos jovens recém-formados; entender dos empregadores como os jovens recém-
formados podem ingressar no mercado de trabalho sem experiência profissional; e perceber dos
jovens recém-formados que acções levam a cabo para contornar a falta de experiência profissional.
É crucial referir que, a presente pesquisa foi realizada observando uma metodologia qualitativa,
baseada principalmente nas entrevistas levadas a cabo sobre a amostra definida, na pesquisa
bibliográfica e documental.
Fundamentação Teórica
Experiência Profissional
Para Brandão (1999), a experiência profissional está relacionada a indivíduos ou equipes de trabalho,
integrando aspectos técnicos, cognitivos, sociais e afectivos relacionados ao trabalho, compreendendo
conhecimentos, habilidades e atitudes ou comportamentos que permitirão o desenvolvimento da
organização no cumprimento de sua missão.
Por sua vez, Zarifian (2003), considera experiência profissional como sendo a colocação de recursos
em acção em uma situação prática numa entidade legalmente concebida, não somente aqueles
recursos que possuímos ou adquirimos, mas aqueles que sabemos como colocar em acção.
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Pois, é uma inteligência prática das situações que, apoiando-se em conhecimentos adquiridos,
transforma-os à medida que a diversidade das situações aumenta, isto é, quanto mais tempo a exercer
uma determinada actividade mais experiência profissional o indivíduo adquire ou deveria adquirir.
Recém-formado
No entender de Ucama (2014), os recém-formados não são aqueles que simplesmente acabam de se
formar. Mas aqueles que estão a procura do primeiro emprego, com a formação que obteve.
Todavia, Bourdieu (2006), considera que os recém-formados têm a seguinte particularidade: estes
procuram emprego, e possuem as perspectivas relacionadas com o futuro, fazer o ensino superior
significa modificar as condições adversas, sendo assim uma oportunidade de conseguir um emprego
que considere ser melhor, gerando expectativas de melhores condições de trabalho.
Empregabilidade
Por seu turno, Gentili (1999), considera que a empregabilidade constitui por um lado, o conjunto de
qualificações que garantam o ingresso no mercado trabalho, por outro, são condições que as entidades
empregadoras têm de contratar.
Mercado de Trabalho
Conforme Silva e Sambu (2013), o mercado de trabalho é a relação de oferta e demanda de postos de
emprego, específico em determinada região ou contexto social. Consiste numa relação intrínseca entre
o espaço e tempo, pela qual se origina dentro das organizações, as oportunidades de emprego,
motivado pela abertura de vagas.
Na visão de Ucama (2014), o mercado de trabalho actual não consiste somente na oferta e procura do
trabalho, mas nas dificuldades para o seu ingresso. O actual mercado de trabalho, é turbulento,
exigente e agressivo, onde é difícil encontrar emprego. Nesse caso em concreto, os recém-formados
não reúnem requisitos exigidos.
Portanto, não é aquele mercado de trabalho que, mesmo o estudante do primeiro ano é chamado para
trabalhar. Mas sim, aquele que rejeita um formado (graduado) que concluiu o curso em tempo recorde
e com êxito, por não ter experiência profissional.
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Teoria do Capital Humano
A teoria do capital humano tem origem desde as ideias desenvolvidas pelos autores clássicos,
aprimorada por Theodore Schultz (1971), que é considerado o principal formulador desta teoria que
surgiu da preocupação em explicar os ganhos da produtividade gerada pelo factor humano na
produção.
1. O trabalho corresponde mais do que um factor de produção, devendo ser considerado um tipo
de capital: o capital humano que é tão mais produtivo quanto maior for sua qualidade, e esta
é dada pela intensidade de treinamento técnico-científico que cada trabalhador adquire ao
longo de sua vida;
2. O componente da produção que decorre da instrução, é um investimento em habilidades e
conhecimentos que aumenta as rendas futuras semelhantes a qualquer outro investimento
em bens de produção;
3. A melhoria do bem-estar dos menos favorecidos não depende somente da terra, das máquinas
ou da energia, depende principalmente do conhecimento e da colocação deste em uma acção
prática;
4. Todas as habilidades são inatas ou adquiridas e devem ser aperfeiçoadas por meio de acções
específicas que levam ao enriquecimento do capital intelectual. Desta forma, cada pessoa seria
capaz de aumentar seu conhecimento através de investimentos voltados à formação
educacional e profissional de cada indivíduo;
5. O aspecto quantitativo não determina a produtividade, mas sim o lado qualitativo que é o que
realmente atribui valor, melhorando o produto e o trabalho em uma sociedade; e
6. A educação é o pressuposto do desenvolvimento económico já que a existência de uma
população educada fornece um tipo de trabalho para o crescimento económico, bem como do
indivíduo, que, ao educar-se, estaria valorizando a si próprio, na mesma lógica em que se
valoriza o capital.
Schultz (1971), afirma que a via mais rápida de desenvolvimento é o aprimoramento do nível
educacional humano. A conclusão deste autor é a de que o elevado grau de escolaridade dos
trabalhadores corresponde ao elevado nível de produtividade, sendo a educação, neste sentido, um
investimento que deve ser feito pautando por uma educação de qualidade.
De acordo com o Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social de Moçambique (2016), em sua
política de emprego, concretamente no primeiro pilar (Desenvolvimento do Capital Humano)
apresenta algumas medidas sobre a empregabilidade, com o intuito a promover o aumento de
capacidades, competências e habilidades dos trabalhadores, de modo a disponibilizar-se mão-de-obra
qualificada e capaz de assegurar elevados níveis de produção e de produtividade, orientada nas
seguintes linhas de acção:
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b) Promover programas especiais de formação para jovens, dirigidos ao saber fazer,
especialmente nas áreas económicas prioritárias;
c) Incentivar e promover a capacitação contínua dos trabalhadores;
d) Assegurar a expansão da rede de educação, em particular, a das escolas profissionais e dos
institutos técnicos, orientados para vocações que permitam maximizar o uso de recursos locais
e a promoção de emprego; e
e) Alargar o apoio a programas e a acções de estágios pré-profissionais e profissionais, e
introduzir programas ocupacionais.
Por seu turno, Chiavenato (2003), considera que o capital humano é constituído por pessoas que fazem
parte de uma organização, ou seja, significa talentos que precisam ser mantidos e desenvolvidos. Mais
do que isso, o capital humano significa capital intelectual.
Contudo, este estudo baseou-se nos pressupostos apresentados por Shultz (1971), e nas medidas
estabelecidas na política de emprego de Moçambique. Pois, quando um individuo investe na sua
formação espera contribuir para o seu desenvolvimento, assim como do país e do mundo.
Importa inicialmente referir que, os dados colectados no Instituto Nacional de Emprego – Quelimane
(INEPQ), mostraram que, actualmente, o sector que gera mais emprego é o privado, destacando-se os
sectores do comércio, indústria transformadora, agricultura, construção civil e serviços. A seguir
analisam-se os resultados em função dos objectivos específicos definidos.
De acordo com o INEPQ, as políticas e linhas de acção de emprego e empregabilidade dos jovens
recém-formados, são:
1. Política de Emprego;
2. Política da Juventude; e
3. Regulamento de Estágios Pré-profissionais.
a) Apelar às empresas e outros, de modo a prover o primeiro emprego aos jovens recém-
graduados e com deficiência;
b) Aumento dos acordos dos estágios pré-profissionais;
c) Identificar oportunidades e investir na formação, dentro e fora do país, de jovens para sectores
de actividade com potencial para contribuir para o uso de novas tecnologias e ocupação em
novas profissões;
d) Garantir, sempre que possível e em função das condições objectivas do Estado, o primeiro
emprego após formação;
e) Promover incentivos de natureza fiscal e social que encorajam o empreendedorismo juvenil;
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f) Promover a ocupação dos tempos livres dos jovens através do incentivo à organização de
campos de férias, realização de concursos inovadores;
g) Instituir programas profissionais de indução, de informação e de orientação profissional, para
ajudar os jovens a adquirirem as informações necessárias e relevantes para a tomada de
decisões informadas sobre as escolhas relativas à transição para o trabalho; e
h) Promover a criação de incubadoras de empresas para os jovens.
Essas políticas e acções não garantem a empregabilidade dos jovens recém-formados, porque a
colaboração entre o Governo, Sector Privado, Instituições de Ensino Superior e Sociedade Civil é muito
fraca, e consequentemente a implementação destas é extremamente deficiente.
Assim, a capacidade de absorção dos jovens recém-formados, é muito baixa. Este cenário, de acordo
com o Relatório do Módulo da Força de Trabalho do Instituto Nacional de Estatística (2016), contribuiu
para a elevada taxa de desemprego no país (20,7%).
Dados obtidos dos nossos entrevistados, o INEPQ, dão conta que, os cursos com maior procura no
mercado de trabalho na cidade de Quelimane, são: electricidade; mecânica; estatística, saúde;
contabilidade e auditoria; secretariado executivo; desenvolvimento comunitário; corte costura;
construção civil; informática, em suma, cursos técnicos.
Constatou-se que, não existe alinhamento entre as áreas de formação e as exigências do mercado de
trabalho, há muito défice na componente saber fazer (prática), isto acontece pela fraca colaboração
existente entre os principais intervenientes do mercado de trabalho. De acordo com o Relatório da
Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – UNESCO (2017), as dinâmicas do
mercado de trabalho são algumas das causas do elevado índice de desemprego que o país vive. Existe
um desalinhamento entre aquilo que se ensina nas Instituições de Ensino Superior e aquelas que são
as exigências das entidades empregadoras.
Para além da exigência de experiência profissional, os factores que contribuem para índices elevados
de desemprego dos jovens, mesmo com formação superior, são:
1. Ausência de uma lei que proteja os jovens recém-formados em busca do primeiro emprego,
isso faz com que as entidades empregadoras recrutem usando critérios que de certa forma,
dificultam o ingresso dos recém-formados no mercado de trabalho;
2. Muita procura de vagas de emprego, porém, pouca oferta;
3. Falta de indústrias manufactureiras;
4. Instabilidade política;
5. Nepotismo;
6. Falta de transparência;
7. O facto de o Estado estar a recrutar apenas em algumas áreas e em números reduzidos;
8. Contratação de mão-de-obra estrangeira;
9. Falta de informação no que tange as oportunidades de emprego;
10. Fraca articulação entre os principais intervenientes no que diz respeito a empregabilidade dos
jovens recém-formados;
11. Desalinhamento entre os cursos de formação e a exigência do mercado de trabalho; e
6
12. Avanço tecnológico.
Conforme o Segundo Relatório de Revisão de Moçambique (2019), os principais factores que levam ao
desemprego dos jovens em Moçambique, são:
O exposto acima supracitado, salienta uma das razoes que deve despertar ao Governo a urgência de
intervir com acções que de facto garantam a empregabilidade dos jovens recém-formados, para que
num futuro breve, não tenhamos défice de mão-de-obra qualificada e consequentemente ao invés de
mais nacionais desempregados, tenhamos mais nacionais empregados.
Todavia, a exigência de anos de experiência profissional é um dos critérios que algumas entidades
empregadoras utilizam para absorver mão-de-obra estrangeira. Daí que, garantir uma política de
cooperação internacional em que são levados alguns moçambicanos para serem formados e depois
alocados nas empresas nacionais, seria uma mais-valia para os moçambicanos, não só porque nos
custaria menos pagar um nacional, mas também porque nos tornaríamos menos dependentes, e isso
eleva a posição de qualquer país, sobretudo os que estão em vias de desenvolvimento.
Outros empregadores entrevistados, estão cientes de que ter anos de experiência profissional não
significa necessariamente saber fazer. Mas, geralmente os que têm experiência profissional garantem
eficiência e eficácia, principalmente para as posições-chave, e além disso, o investimento para
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capacitar alguém com experiência profissional é menos relativamente ao de alguém sem esse
requisito.
Ademais, estes mostraram claramente que enquanto não existir uma lei que proteja os jovens recém-
formados em busca do primeiro emprego, constitui um grande desafio a entrada destes no mercado
de trabalho. Porém, podem estes ingressar por via de estágios pré-profissionais e profissionais, auto-
emprego e trabalhos voluntários que ajudam a desenvolver o know how (saber fazer) do próprio jovem
que consequentemente incrementa a sua empregabilidade.
Porém, são poucas as entidades empregadoras que contratam jovens recém-formados sem
experiência profissional. Pois, para elas, a componente prática pouco se faz sentir nos formados do
ensino superior, os que fazem o ensino técnico médio tendem a ser uma mais-valia para as entidades
empregadoras porque são munidos de prática, comparativamente aos do ensino superior, tornando-
se até certo ponto viáveis em termos de custo benefício.
Este órgão entende que, os jovens recém-formados devem estar cientes que: o SUCESSO é = 90% +
10%, onde 10% é responsabilidade do Governo: criar oportunidades; os restantes 90% pertencem aos
jovens que por sua vez, devem ter em consideração: trabalho, integridade, respeito, paciência,
determinação, foco, persistência; perseverança e saber fazer.
Para Menezes e Torquato (2006), os jovens recém-formados necessitam obter a ciência de que
somente a formação académica não garante a empregabilidade, outras condições devem ser
observadas, como a actualização, o aperfeiçoamento, a aprendizagem de outros idiomas e cursos
profissionalizantes.
Existe um discurso conservador que culpa os próprios jovens por não conseguirem ingressar no
mercado de trabalho. Esse discurso defende que faltam aos jovens as qualificações exigidas pelo
mercado de trabalho. A maior parte dos jovens, devido à actual conjuntura do mundo do trabalho,
considera os outros jovens como ameaça na luta pela manutenção, ou mesmo na conquista, do posto
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de trabalho. Assim, ganha força o individualismo do “cada um por si” (Organização Internacional do
Trabalho, 2009).
A falta de acesso ao mercado de trabalho por parte dos jovens provoca uma situação de desperdício
da potencial contribuição dos jovens ao desenvolvimento do país e do mundo. Deste modo, a
Organização Internacional do Trabalho (2009), considera que uma das principais acções a ser levada a
cabo pelo Governo é fortalecer as políticas voltadas para a juventude, com o propósito de contemplar
sua heterogeneidade.
No que concerne a exigência de experiência profissional, por um lado, constitui uma grande barreira
para o ingresso no mercado de trabalho, pois eleva o índice de desigualdade na medida em que
somente os que têm experiência profissional têm maior probabilidade de manter e/ou trocar de
emprego em relação aqueles que estão em busca do primeiro emprego.
Por outro, devido a complexidade de certas áreas de actividade é importante que as entidades
empregadoras exijam anos de experiência profissional. Não obstante, pelo facto de não existir uma lei
que protege os recém-formados, é um grande desafio o ingresso no mercado de trabalho.
Os jovens entrevistados, consideram que: (i) o Governo deve criar uma lei que proteja os recém-
formados em busca do primeiro emprego, e criar mais oportunidades de trabalho; (ii) as entidades
empregadoras devem repensar sobre os anos de experiência profissional exigidos, pois dificultam o
ingresso no mercado de trabalho; (iii) as Instituições de Ensino Superior devem colaborar com as
entidades empregadoras de modo a perceber quais são as exigências do mercado de trabalho e por
conseguinte adequar os seus currículos as mesmas.
Procurando melhorar o seu currículo, muitos jovens formados que se encontram fora do mercado de
trabalho, se engajam nas seguintes actividades:
Importa realçar que, hodiernamente, não se pode fazer um curso apenas com ideia de terminar e
procurar por um emprego, mas também, em gerar o auto-emprego. Os conhecimentos que se vão
buscar nos bancos escolares devem servir de base para poder desenvolver próprios negócios e
consequentemente gerar oportunidades de trabalho.
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Não obstante, nota-se que, a maior parte dos jovens, não têm:
Fé;
Propósito de vida;
Capacidade de definir prioridades;
Humildade;
Responsabilidade;
Proactividade;
Criatividade; e
Inovação.
Entretanto, para além da exigência de experiência profissional entre outros factores que contribuem
para índices elevados de desemprego por parte dos jovens, mesmo com formação superior, a ausência
dos factores acima mencionados, também colaboram para que estes não consigam ingressar no
mercado de trabalho.
Conclusões
Com a realização do presente estudo, tornou-se possível concluir que, as acções adoptadas pelos
principais intervenientes não garantem a empregabilidade dos jovens recém-formados em busca do
primeiro emprego, pois há deficiência na implementação e controlo das mesmas. Além disso, é muito
fraca a colaboração existente entre os principais intervenientes do mercado de trabalho, e isso
contribui bastante para a não implementação das políticas criadas pelo Governo, assim como no
desalinhamento entre as áreas de formação e as exigências do mercado de trabalho.
No que diz respeito as políticas adoptadas pelo Governo para garantir o ingresso dos jovens recém-
formados no mercado de trabalho, foram identificadas as seguintes: a política de emprego; política da
juventude; e regulamento de estágios pré-profissionais.
Após a discussão em torno destas, concluiu-se que, o Governo deve criar uma lei que proteja os recém-
formados em busca do primeiro emprego.
Quanto a visão dos empregadores sobre como os jovens recém-formados podem ingressar no
mercado de trabalho sem experiência profissional, concluiu-se que, podem estes ingressar por via de
estágios pré-profissionais e profissionais, auto-emprego e trabalhos voluntários.
No que concerne as acções levadas a cabo pelos jovens recém-formados para contornar a falta de
experiência profissional, são: aprender outros idiomas, nomeadamente: inglês e língua local; estágios
profissionais; tirar carta de condução de viaturas e motos; e fazer cursos profissionalizantes.
Constatou-se que, existe convergência entre as acções sugeridas pelos empregadores e as que são
levadas a cabo pelos jovens, mas devido a exigência de anos de experiência profissional, muita procura
de vagas de emprego, porém, pouca oferta, e ausência de uma lei que proteja os recém-formados em
busca do primeiro emprego, constitui um grande desafio o ingresso destes no mercado de trabalho.
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Assim, com vista a melhorar esta situação que enferma os jovens, consequentemente o país e o
mundo, sugere-se:
Maior consciência na prática dos nossos actos, a fim de tornar o mundo num lugar cada vez
melhor;
Forte colaboração entre o Governo, as Instituições de Ensino Superior, Sector Privado e a
Sociedade Civil no que tange a criação e implementação de políticas públicas de
empregabilidade dos jovens recém-formados.
Ao Governo:
As Entidades Empregadoras:
Reflexão em torno dos anos de experiência profissional exigidos, face ao contexto actual;
Maior abertura de estágio profissional para os jovens recém-formados, sendo que está é a
porta de entrada no mercado de trabalho e é a partir dele que os recém-formados podem ter
a sua primeira experiência de trabalho; e
Considerar o estágio como experiência profissional na sua veracidade, de modo a permitir que
os recém-formados consigam ingressar no mercado de trabalho.
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As Instituições de Ensino Superior:
Referências Bibliográficas
Brandão, H. P. (1999). Gestão baseada nas Competências: um estudo sobre competências profissionais
na indústria bancária. Dissertação (Mestrado) – Universidade de Brasília, Brasil.
Chiavenato, I. (2003). Administração de Recursos Humanos: fundamentos básicos. (5ª. ed.). São Paulo,
Brasil: Atlas.
Felisberto, R. F. T. (2001). Tenho um Diploma Universitário, mas não tenho Emprego: histórias de vida
de pessoas que vivem a experiência do desemprego. Dissertação de Mestrado em Psicologia.
Universidade Federal de Santa Catarina, SC.
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Gentili, P. (1999). O Conceito de Empregabilidade - Seminário Nacional sobre Avaliação do Plano
Nacional de Qualificação do Trabalhador. São Paulo, Brasil: Unitrabalho.
Menezes, J. A., & Torquato, B. M. L. (2006). Banco de Oportunidades para Recém-formados. São Paulo,
Brasil.
Schultz, T. W. (1971). O Capital Humano: Investimentos em Educação e Pesquisa. Rio de Janeiro, Brasil:
Zahar Editores.
Silva, P. R., & Sambu, N. L. (2013). Tendências Contemporâneas do Mercado de Trabalho: Um Estudo
sobre Recrutamento e Selecção de Pessoas. São Paulo, Brasil.
Zarifian, P. (2003). O Modelo da Competência: trajectória histórica, desafios actuais e propostas. São
Paulo, Brasil: Senac.
Documentos
Organização Internacional do Trabalho – OIT (2009). Trabalho Decente e Juventude no Brasil. Brasília,
Brasil.
Organização Internacional do Trabalho – OIT (2013). Guia para a Formulação de Políticas Nacionais de
Emprego – Departamento de Políticas de Emprego. Brasília, Brasil.
Relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – UNESCO (2017).
Maputo, Moçambique.
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Legislação
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