Parecer Aposentadoria Policiais
Parecer Aposentadoria Policiais
Parecer Aposentadoria Policiais
ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO
PARECER Nº JL - 04
ADOTO , para os fins do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, nos
termos do Despacho do Consultor-Geral da União nº 502/2020/GAB/CGU/AGU, o Parecer nº
00004/2019/CONSUNIAO/CGU/AGU, e submeto-o ao EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA
REPÚBLICA, para os efeitos do art. 40, § 1º, da referida Lei Complementar, tendo em vista a relevância da
matéria versada.
Em 09 de junho de 2020.
JOSÉ LEVI MELLO DO AMARAL JÚNIOR
Advogado-Geral da União
DESPACHO N. 00502/2020/GAB/CGU/AGU
NUP: 00400.001823/2019-68
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4. Emenda Constitucional nº 47/2005, por sua vez, conferiu nova redação ao § 4º do art. 40 da
Constituição, promoveu algumas alterações às regras de transição estabelecidas nas emendas
constitucionais anteriores, e ampliou o contingente de servidores elegíveis às aposentadorias especiais,
mantendo, contudo, a possibilidade de aposentadoria com requisitos e critérios diferenciados.
5. Com a mais recente alteração nas regras da previdência dos servidores, por meio da
promulgação da Emenda Constitucional nº 103/2019 (publicada em 13/11/2019), houve relevante
modificação da denominada aposentadoria especial, pois a delegação à lei complementar limitou-se aos
requisitos relacionados à idade e tempo, excepcionada a situação descrita no artigo 5º outrora
mencionado.
8. O Tribunal de Contas da União, responsável por apreciar, para fins de registro, a legalidade das
concessões de aposentadorias dos servidores, ao enfrentar as mesmas questões ora analisadas, no bojo
do Acórdão nº 379/2009-Plenário, firmou compreensão segundo a qual " a Lei Complementar 51, de
1985, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988, e pelas Emendas Constitucionais nºs 20, de
1998, 41, de 2003, e 47, de 2005, continuando, por conseguinte, válida e eficaz, enquanto não for ab-
rogada, derrogada ou modificada por nova lei complementar federal, subsistindo, portanto, a regra de
previsão de aposentadoria especial de que trata a referida lei complementar " .
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Complementar 51/1985, fazendo jus, portanto, à integralidade (última remuneração) e paridade, nos
termos anteriormente consignados por esta Secretaria, consoante se denota do item 37 da instrução
anterior (pág. 26, peça 5)."
A Lei Complementar nº 51/1985 foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988, consoante
o entendimento do Supremo Tribunal Federal;
Os proventos devem ser integrais e paritários, na forma prevista pela legislação complementar
federal."
11. Percebe-se, pois, que, tanto a integralidade - aqui considerada aquela expressa na LC 51/85
-, como a paridade, prevista na lei nº 4.878/65 (cuja recepção depreende-se do julgado pelo STF no MS
21331 e RE 458555), foram reconhecidas pelo TCU, no exercício de sua competência constitucional de
apreciar a legalidade dos atos de concessão de aposentadoria, e pelo STF, que ainda reapreciará a
questão no tema 1019 - Repercussão Geral no Recurso Extraordinário 1.162.672.
12. Nesse particular, corroborando grande parte da premissa aqui desenvolvida, o Procurador-
Geral da República apresentou manifestação no bojo do RE 1.162.672, afetado em regime de repercussão
geral, por meio da qual propôs a fixação da seguinte tese: "o servidor público policial civil que preencheu
os requisitos para a aposentadoria especial prevista na Lei Complementar 51/1985 tem direito ao cálculo
de seus proventos com base na regra da integralidade, independentemente do cumprimento das regras
de transição especificadas nos arts. 2º e 3º da EC 47/2005, por enquadrar-se na exceção prevista no art.
40, § 4º, inciso II, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional 103/2019, atinente
ao exercício de atividade de risco".
13. Importante ressaltar que a tese exposta no parecer em exame, além de estar amparada em
importantes precedentes judiciais nele relacionados, e em julgados do TCU e do STF aqui reportados, foi
reforçada pela promulgação da Emenda Constitucional 103/2019, com regra específica para os policiais
mencionados no seu artigo 5º, e menção expressa à LC 51/85, evidenciando, uma vez mais, o acerto das
conclusões a que chegou o douto parecerista.
14. Não obstante, conforme também já ressaltado, eventual decisão em sentido contrário no RE
1.162.672, submetido à sistemática da repercussão geral, pode impactar na tese ora exposta, além de
estarem resguardadas as atribuições constitucionais do TCU no momento da análise, para fins de registro,
da legalidade das concessões de aposentadorias dos servidores, como destacado no início pelo eminente
Consultor da União.
16. Nestes termos, submeto as manifestações desta Consultoria-Geral da União a vossa análise
para que, em sendo acolhidas, sejam encaminhadas à elevada apreciação do Excelentíssimo Senhor
Presidente da República para os fins dos art. 40, § 1º, e art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de
fevereiro de 1993.
(assinado eletronicamente)
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PARECER N. 00004/2020/CONSUNIAO/CGU/AGU
NUP: 00400.001823/2019-68
1) Os policiais civis da União, ingressos nas respectivas carreiras até 12/11/2019 (data anterior a
vigência da EC nº 103/2019), fazem jus à aposentadoria com base no artigo 5º da Emenda Constitucional
nº 103/2019, com proventos integrais (totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se
der a aposentadoria), nos termos artigo 1º, II, da Lei Complementar nº 51/1985, e paridade plena, com
fundamento no art. 38 da Lei nº 4.878/1965.
2) Os policiais civis da União, ingressos nas respectivas carreiras a partir de 13/11/2019 (com a
vigência da EC nº 103/2019), fazem jus à aposentadoria com base no artigo 10, §2º, I, com proventos
calculados pela média aritmética e reajustados nos termos estabelecidos para o Regime Geral de
Previdência Social, conforme artigo 26, todos da Emenda Constitucional nº 103/2019, bem como
passaram a se submeter ao Regime de Previdência Complementar da Lei nº 12.618/2012.
I - DO RELATÓRIO
3. Defende, também, que a interpretação sistemática das referidas Leis, assim como da EC nº
103/2019, conduziria ao entendimento de que "os servidores policiais ingressos sob a vigência dos
referidos dispositivos, serão aposentados voluntariamente com 'proventos integrais', assim entendido (TCU
e Judiciário) como a totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se der a
aposentadoria, e com paridade, desde que atendidos os requisitos de tempo de contribuição e tempo de
exercício no cargo de natureza policial estabelecidos pela Lei Complementar nº 51/85".
4. Afirma, ainda, que esse já era o entendimento do Poder Judiciário, antes mesmo da referida
emenda, conforme julgamentos exarados pelo Supremo Tribunal Federal na ADI 3817/DF e no RE 567110,
e comungados pelo Tribunal de Contas da União no Acórdão nº 379, de 2009, e pela Advocacia-Geral da
União, conforme NOTA nº 33/2011/DEAEX/CGU/AGU-JCMB.
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5. Por último, aduz que mesmo antes da EC nº 103/2019 já havia interpretação no sentido da
"não aplicabilidade da PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR aos policiais federais que ingressaram após a
edição da Lei 12.618".
6. O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal - SINPOL-DF , por meio do Ofício
005/2020 (Seq. 14), apresentou pedido idêntico ao da FENAPEF, no sentido de que houvesse
manifestação da Advocacia-Geral da União a respeito da interpretação sobre a integralidade e paridade
dos vencimentos de aposentadoria dos policiais, organizados e mantidos pela União, dentre eles, a Polícia
Civil do Distrito Federal.
9. Por conta dessa atividade de risco, a aposentadoria do policial sempre mereceu tratamento
jurídico diferenciado pela legislação constitucional. Essa previsão de aposentadoria diferenciada foi
contemplada no art. 156, "d", da Constituição de 1937, no art. 100, § 2º, da Constituição de 1967, no art. 103
da Emenda Constitucional nº 1 de 1969 e no art. 40, § 4º, II, da Constituição Federal de 1988.
10. Narra que a Lei Complementar nº 51/1985 traz a regra da integralidade para os policiais e a
Lei nº 4.878/1965, recepcionada com status de lei complementar, traz a regra da paridade para os
servidores federais policiais.
11. Assim, afirma que a aposentadoria do policial civil é dotada dos benefícios relativos
à integralidade (proventos correspondentes ao último remuneração da ativa) e à paridade (reajustes
vinculados à remuneração dos servidores), previstos, respectivamente, pela Lei Complementar nº 51/1985,
alterada pela Lei Complementar nº 144/2014 e Lei nº 4.878/1965 (artigo 38), dotada de status de lei
complementar, conforme posicionamento do Tribunal de Contas da União quando da elaboração do
Acórdão nº 2835/2010-TCU-Plenário.
12. Por fim, narra que, com a atual reforma da previdência, a EC nº 103/2019 estabeleceu
expressamente em seu art. 5º, aos policiais civis da União que tenham ingressado na carreira até a data de
entrada da referida emenda, a sua jubilação na forma da Lei Complementar nº 51, de 20 de dezembro de
1985, observando-se, contudo, a idade mínima de cinquenta e cinco anos para ambos os sexos ou o
disposto no seu §3º.
13. A Diretoria de Gestão de Pessoas da Polícia Rodoviária Federal se manifestou por meio
da NOTA TÉCNICA Nº 22/2020/DISB/CRH/CGAP/DGP (Seq. 26, Anexo 5) e afirmou, em acréscimo aos
demais argumentos já apresentados, que:
(i) "no que se refere ao cálculo e ao reajuste dos benefícios do regime próprio de previdência
social da União, o artigo 26 da EC nº 103/2019 trouxe regramento temporário com base na média
aritmética simples dos salários de contribuição e das remunerações adotados como base para
contribuições a regime próprio de previdência social, correspondentes a 100% (cem por cento) do período
contributivo desde a competência julho de 1994 ou desde o início da contribuição, se posterior àquela
competência, e estabeleceu, no parágrafo 2º, quanto dessa média corresponderá ao valor do benefício,
bem como aos casos em que essa forma será aplicável (...) De análise, verifica-se que o artigo 5º não foi
incluído nos casos constantes do parágrafo 2º do artigo 26."
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(ii) "ao contrário do previsto nas regras de transição constantes nos artigos 4º e 20 da EC nº
103/2019, o artigo 5º não designa forma de cálculo e revisão dos benefícios. Na verdade, o texto legal
estabelece que o servidor policial civil e o ocupante de cargo de agente federal penitenciário ou
socioeducativo, que tenha ingressado na respectiva carreira até a data de entrada em vigor da referida
Emenda Constitucional, poderá se aposentar nos termos da Lei Complementar nº 51/1985".
(iii) "o artigo 1º da Lei n º 10.887, de 18 de junho de 2004, que passou a regular, dentre outros, o
parágrafo 3º do artigo 40 da Constituição Federal, com redação conferida pela Emenda Constitucional nº
41, de 19 de dezembro de 2003, e estabeleceu a consideração da média aritmética simples das maiores
remunerações, utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de previdência a que
esteve vinculado, correspondentes a 80% (oitenta por cento) de todo o período contributivo desde a
competência julho de 1994 ou desde a do início da contribuição, se posterior àquela competência,
provavelmente foi revogado de forma tácita à partir da vigência da Emenda Constitucional nº 103, de 12 de
novembro de 2019".
(iv) "com a revogação tácita da referida normativa e diante da falta de regramento específico na
nova Emenda, o cálculo de proventos voltariam a ter a sua conotação original, qual seja a totalidade da
remuneração do servidor no cargo efetivo em que se der a aposentadoria. Quanto ao reajuste dos
benefícios, restaria assegurada a paridade plena entre os proventos dos inativos e a remuneração dos
policiais em atividade, com fundamento na Lei n. 4.878/1965, regra especial, ressaltamos, que regula a
carreira dos policiais civis da União".
(v) "no que se refere à submissão dos policiais ingressos entre 04/02/2013 e 12/11/2019 ao
Regime de Previdência Complementar, resta esclarecer que não há qualquer tipo de previsão. De análise
dos fundamentos previstos aos policiais civis da União, quais sejam os artigos 5º e 10, § 2º, I, §4º,
cumulados com a forma de cálculo prevista no artigo 26, é de fácil conclusão que a norma trouxe
limitação somente para aqueles que tenham ingressado na respectiva carreira após a data de entrada em
vigor da Emenda Constitucional, 13/11/2019, especificando, de forma expressa, a limitação ao teto do
RGPS e com cálculo dos proventos com base na média das contribuições."
[...]
19. Ora, qual seria a lógica de se dispor que tais servidores têm direito a um tempo menor de
contribuição, associado a uma expectativa fomentada pela legislação de que deixem o serviço público
ainda com idade mediana (embora não seja tão baixa para continuar executando à altura o difícil mister
das atividades policiais), se se equiparar tais servidores aos demais, que podem e devem permanecer no
cargo mais tempo para fazerem jus à aposentadoria?
21. Faz todo sentido, assim, que a Constituição tenha previsto a edição de lei complementar
própria para regular tais aposentadorias. Sob o ponto de vista do jurista Ives Gandra da Silva Martins, citado
no voto proferido pelo Ministro Valmir Campelo, no âmbito do Acórdão nº 2.835/2010-PL:
Esse é exatamente o caso dos autos. O §4º do art. 40 CF foi introduzido para assegurar
tratamento previdenciário proporcional ao risco assumido por servidores públicos no desempenho de
atividades essenciais à segurança e à ordem públicas, em observância, aliás, aos princípios da igualdade
(substantiva), da proporcionalidade (material) e da dignidade da pessoa humana, igualmente prestigiados
pela Constituição Federal (art. 1º - III e 5º caput e LIV CF).
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23. Num paralelo rápido, a situação fática e jurídica dos servidores policiais da União é mais ou
menos parecida com os militares das Forças Armadas, que também devem deixar o serviço ativo mais
cedo e, também por isso, têm direito a uma "aposentadoria" regulada por regras próprias (inclusive,
alteradas concomitantemente à discussão da atual EC nº 103/2019).
[...]
15. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN se manifestou por meio do PARECER SEI
Nº 7113/2020/ME (Seq. 46) , que concluiu o seguinte:
18. Assim, pelas considerações consignadas na presente manifestação, esta PGFN, na qualidade
de órgão jurídico de assessoramento e consultoria jurídica do Ministério da Economia, que possui
competência para se manifestar sobre previdência, nos termos do inciso X do art. 31 da Lei nº 13.844, de
2019, entende-se que há possibilidade de mais de um entendimento jurídico sobre as regras aplicáveis
para a aposentadoria dos policiais civis federais.
19. Com isso, sem afastar o risco jurídico inerente ao campo interpretativo, haveria viabilidade
jurídica do entendimento no sentido de que os policiais civis federais possuem integralidade e paridade
até o advento da Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019, diante da controvérsia
judicial e administrativa que envolve a matéria e considerando o alcance possível do disposto no art. 5º, da
referida emenda.
16. A Secretaria de Previdência do Ministério da Economia trouxe, por meio da Nota SEI nº
3/2020/CGACI/SRPPS/SPREV/SEPRT-ME (Seq. 46), os impactos das aposentadorias concedidas aos
policiais civis da União com base no art. 5º da Emenda Constitucional nº 103/2019. Em complementação
ao Despacho de aprovação da referida Nota, o Secretário Especial de Previdência e Trabalho relembra o
histórico da tramitação da atual reforma da previdência em relação aos policias civis da União. Veja-se um
trecho do citado Despacho:
[...]
3. Para melhor analisar o alcance e os efeitos da referida alteração, é necessário fazer breve
histórico sobre a tramitação não apenas da EC nº 103/2019, por meio da Proposta de Emenda
Constitucional (PEC) nº 6/2019, mas também da proposta anterior, a PEC nº 287/2016.
5. Durante a tramitação da referida PEC houve acordo com alguns representantes dos policiais
federais, que resultou no retorno da previsão da aposentadoria especial por risco e em regra de transição
específica para os policiais, prevendo que aqueles que tivessem ingressado no serviço público até a
instituição do regime de previdência complementar (04 de fevereiro de 2013, no caso da União), poderiam
se aposentar com integralidade e paridade, observada a idade mínima de 55 anos e tempos mínimos de
contribuição e atividade policial. Essas regras foram incorporadas no substitutivo apresentado à Comissão
Especial pelo relator da proposta, o Deputado Arthur Maia, em 09 de maio de 2017.
8. O relator da PEC nº 6/2019, o Deputado Samuel Moreira, diante do impasse entre o texto
enviado pelo Executivo e a reivindicação dos policiais, apresentou substitutivo no qual optou por alterar a
regra de transição dos policiais, mantendo a idade mínima, de 55 anos, porém estabelecendo que as
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demais condições de aposentadoria daqueles que ingressassem até a data de entrada em vigor da
Emenda Constitucional deveriam se dar "na forma da Lei Complementar nº 51, de 20 de dezembro de
1985" (LC nº 51/1985).
9. Durante a votação em plenário na Câmara dos Deputados houve acordo entre as bancadas
para incluir no art. 5º, que trata da aposentadoria dos policiais, uma segunda regra de transição (§ 3º),
possibilitando a redução da idade mínima para 53 anos (homem) ou 52 anos (mulher), desde que cumprido
tempo de contribuição equivalente ao faltante para atingir o tempo mínimo (pedágio de 100%), mas
também observadas as demais condições da Lei Complementar nº 51/1985.
11. Assim, o histórico de tramitação das propostas demonstra que o objetivo inicial do Poder
Executivo, de eliminar qualquer referência à LC nº 51/1985, não prevaleceu, e o texto da EC nº 103/2019
faz referência direta ao referido diploma, para todos policiais que ingressaram no serviço público até a
entrada em vigor da referida emenda.
12. Essa referência deixa expressa a intenção do constituinte derivado de manter a aplicação da
referida lei complementar para os policiais que ingressaram antes da entrada em vigor da EC nº 103/2019.
Esse parece ter sido o objetivo claro do Poder Legislativo ao incluir o mencionado dispositivo no texto
constitucional - o acordo celebrado partiu do pressuposto de que a referência à LC nº 51/1985 seria
suficiente para uma nova interpretação jurídica sobre a questão. Consequentemente, permanece a dúvida
jurídica, que é objeto de controvérsia no Poder Executivo Federal e no Poder Judiciário, sobre o alcance da
expressão "proventos integrais" constante da Lei Complementar nº 51/1985.
13. Dessa forma, considerando todo o histórico de debates legislativos ocorridos na tramitação
das PEC nº 287/2016 e 6/2019 e a expressa manutenção da referência às regras de aposentadoria da Lei
Complementar nº 51/1985 pelo artigo 5oda EC nº 103/19, há novos elementos fáticos e jurídicos que
demandam a reanálise do tema pela Advocacia-Geral da União, destacando-se inclusive a conclusão do
Parecer 7113/2020/ME (7970787) no sentido de que "há possibilidade de mais de um entendimento
jurídico sobre as regras aplicáveis para a aposentadoria dos policiais civis federais" . Importante também
a pacificação do tema no âmbito do Poder Executivo Federal, garantindo segurança jurídica para as partes
e redução da judicialização do tema.
17. O referido tema é controverso nesta Consultoria-Geral da União, tendo manifestações tanto
pela integralidade e paridade, como pela sua extinção com a promulgação das Emendas Constitucionais
nºs 41/2003 e 47/2005.
a) o direito dos servidores policiais à integralidade da aposentadoria está garantido no art. 1º,
inciso I, da Lei Complementar nº 51/85, que foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 e serve de
fundamento legislativo infraconstitucional para a regulamentação do §4º do art. 40 da Constituição
Federal;
b) o art. 38 da Lei nº 4.878/65 permanece em vigor, mantendo o direito dos servidores policiai à
paridade na aposentadoria, sendo esse dispositivo o atual fundamento normativo a regulamentar o
reajuste das suas aposentadorias previsto no §17 do art. 40 da Constituição Federal;
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c) não há direito adquirido à contagem de tempo fictício ou à regra do art. 1º, inciso II, da Lei nº
3.313/57 (25 anos de tempo de serviço) para aqueles servidores policiais que ingressaram na Polícia após
a Lei Complementar nº 51/85, ou mesmo àqueles que, na entrada em vigor desse diploma legislativo, já
estavam em atividade mas ainda não haviam preenchido os requisitos da Lei n 3.313/57."
3. Aos servidores ingressos a partir de 4/2/2013 "Aplica-se o limite máximo estabelecido para
os benefícios do regime geral de previdência social às aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo
regime de previdência da União de que trata o art. 40 da Constituição Federal, observado o disposto na Lei
nº 10.887, de 18 de junho de 2004, aos servidores e membros referidos no caput do art. 1º desta Lei que
tiverem ingressado no serviço público" (art. 3º, caput da Lei n. 12.618/12);
III - A Lei Complementar nº 51, de 1985, assegura o direito a proventos integrais, mas não a
integralidade;
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22. Com a atual reforma da previdência, o tema novamente é encaminhado a esta Consultoria-
Geral da União, tendo em vista que a EC nº 103/2019 estabeleceu expressamente em seu art. 5º a
aplicação da Lei Complementar nº 51/1985 aos policiais civis da União.
II - DO MÉRITO
II. 1 - Considerações iniciais e da Repercussão Geral do tema no Supremo Tribunal Federal - STF
23. Inicialmente, insta esclarecer que a presente análise limita-se tão somente aos policiais civis
da União, compreendidos os expressamente elencados no artigo 5º da Emenda Constitucional nº
103/2019 (policiais civis dos órgãos a que se referem o inciso XIV do caput do art. 21, o inciso IV do caput
do art. 51, o inciso XIII do caput do art. 52 e os incisos I a III do caput do art. 144, todos da Constituição
Federal), cujas aposentadorias especiais foram regulamentadas pela Lei Complementar nº 51/1985 e pela
Lei nº 4.878/1965.
24. Outrossim, cumpre observar que o tema em análise é objeto de repercussão geral no
Supremo Tribunal Federal (tema 1019 - Repercussão Geral no Recurso Extraordinário 1.162.672), que teve a
seguinte ementa:
25. Na referida repercussão geral, o cerne da controvérsia consiste em definir, à luz do art. 40, §§
1º, 3º, 4º, 8º e 17, da Constituição Federal e das disposições normativas das Emendas Constitucionais nº
41/03 e nº 47/05, se o servidor público que exerce atividade de risco (no caso concreto, trata-se de
policial civil) e que preencha os requisitos para a aposentadoria especial tem, ou não, direito ao cálculo
dos proventos com base nas regras da integralidade e da paridade , independentemente da observância
das normas de transição constantes das referidas emendas constitucionais.
27. Ademais, tais regras de aposentadoria ainda deverão ser submetidas ao crivo do órgão de
controle externo (Tribunal de Contas da União) que, nos termos do artigo 71, inciso III, da Constituição,
verificará, no caso concreto individualizado, o preenchimento dos requisitos legais para a concessão da
aposentadoria dos policiais civis da União.
28. Essa verificação da legalidade realizada pelo Tribunal de Contas da União tem por finalidade
o aperfeiçoamento do ato de aposentadoria. Por ser um ato complexo , a obtenção regular de
aposentadoria depende de duas manifestações de vontade advindas de órgãos diferentes: da autoridade
do órgão de origem do servidor e do Tribunal de Contas. Assim, tais regras de aposentadoria (com
paridade e integralidade) somente serão aperfeiçoadas no mundo jurídico após as duas manifestações.
29. Os Regimes Próprios de Previdência dos Servidores Públicos - RPPS estão previstos no
artigo 40 da Constituição Federal, o qual estabeleceu critérios gerais para a aposentadoria dos servidores
públicos, bem como definiu critérios diferenciados de aposentadoria para determinadas atividades de
risco ou que prejudiquem a saúde ou a integridade física.
30. Essa aposentadoria diferenciada foi denominada aposentadoria especial, que segundo
Sérgio Pinto Martins é "um benefício de natureza extraordinária, tendo por objetivo compensar o trabalho
do segurado que presta serviços em condições adversas à sua saúde ou que desempenha atividade com
riscos superiores aos normais."1
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31. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, foi garantido no citado art. 40 uma
aposentadoria diferenciada aos policiais civis, em razão de exercerem uma atividade perigosa (de risco). A
redação original do art. 40, §1º, da Constituição, permitiu o estabelecimento de exceções (sem qualquer
delimitação de idade, tempo de serviço/contribuição, cálculo, reajuste, etc.), por lei complementar, às
regras gerais para os servidores em exercício de atividades consideradas penosas, insalubres ou
perigosas:
III - voluntariamente:
a) aos trinta e cinco anos de serviço, se homem, e aos trinta, se mulher, com proventos integrais;
b) aos trinta anos de efetivo exercício em funções de magistério, se professor, e vinte e cinco, se
professora, com proventos integrais;
c) aos trinta anos de serviço, se homem, e aos vinte e cinco, se mulher, com proventos
proporcionais a esse tempo;
d) aos sessenta e cinco anos de idade, se homem, e aos sessenta, se mulher, com proventos
proporcionais ao tempo de serviço.
§ 1º - Lei complementar poderá estabelecer exceções ao disposto no inciso III, "a" e "c", no
caso de exercício de atividades consideradas penosas, insalubres ou perigosas.
"Art. 40 - Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter
contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.
§ 1º - Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão
aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma do § 3º:
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no
serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes
condições:
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos
de idade e trinta de contribuição, se mulher;
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com
proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
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[...]
34. Insta destacar que, caso o Constituinte Reformador quisesse excepcionar apenas a idade e
tempo de contribuição, ele utilizaria a mesma técnica estabelecida no § 5º do art. 40 da Constituição, no
qual empregou a expressão "requisitos de idade e de tempo de contribuição" para a aposentadoria dos
professores. Veja-se:
36. Neste ponto, impende destacar que a EC nº 41/2003 não estabeleceu qualquer regra de
transição, com direito à paridade e à integralidade, para os servidores com direito à aposentadoria
especial, como previu para a aposentadoria comum dos servidores. Tal fato reforçou a tese de que as
regras da aposentadoria especial foram outorgadas ao legislador complementar, sem que houvesse a
necessidade de observância das normas de transição constantes da referida emenda constitucional. Por
oportuno, convém destacar que o espírito da norma em não estabelecer regra de transição às
aposentadorias especiais é reforçado pelo reconhecimento da aplicação da teoria do silêncio eloquente
na situação jurídica sob análise.
37. Segundo Regina Maria Macedo Nery Ferrari, "o silêncio eloquente é identificado na hipótese
da lacuna descoberta, ou seja, quando o constituinte, consciente da necessidade de uma regulação,
resolveu omiti-la, o que significa dizer que, efetivamente, pretendeu retirar do universo da norma
constitucional a regulação da matéria." ( ) "no silêncio eloquente existe uma manifestação de vontade, por
exclusão.2Ou seja, se a EC nº 41/2003 não previu em sua regra de transição a aposentadoria especial, é
porque o Constituinte Reformador quis excepcioná-la da aposentadoria geral dos servidores, garantindo
um tratamento diferenciado por lei complementar.
38. Partindo desse pressuposto interpretativo, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que o
silêncio eloquente afasta a analogia, que se aplica apenas e tão somente quando, na lei, houver lacuna:
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lei ordinária estender, ou não, a competência da Justiçado Trabalho a outras controvérsias decorrentes da
relação de trabalho, ainda que indiretamente, em consequência, e não havendo lei que atribua
competência a Justiça Trabalhista para julgar relações jurídicas como a sob exame, e competente para
julga-la a Justiça Comum [...] 8. ( STF. 1ª Turma. RE n. 130.552 / SP. Relator min. Moreira Alves. J. 4/6/1991,
DJ, 28/6/1991.(destaques nossos)
I - portadores de deficiência;
III - cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física.
40. Verifica-se que EC nº 47/2005 foi criada para estabelecer novas regras transitórias mais
favoráveis aos servidores, a fim de garantir uma aposentadoria com proventos integrais e paridade plena.
Novamente não foi estabelecida qualquer regra de transição, com paridade e integralidade, para os
servidores com direito à aposentadoria especial, mas o Constituinte Reformador deixou expresso a
ressalva da necessidade de edição de lei complementar para a definição dos requisitos e critérios
diferenciados da aposentadoria especial.
41. Com a atual reforma da previdência, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 103/2019
(publicada em 13/11/2019), que novamente delegou para a lei complementar a regulamentação da
aposentadoria especial, mas desta vez limitou os requisitos diferenciados para os policiais somente em
"idade e tempo", o que não havia feito nas emendas anteriores:
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargos efetivos terá
caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente federativo, de servidores ativos,
de aposentados e de pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial.
[...]
§ 4º-B. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e
tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente penitenciário,
de agente socioeducativo ou de policial dos órgãos de que tratam o inciso IV do caput do art. 51, o inciso
XIII do caput do art. 52 e os incisos I a IV do caput do art. 144.
42. Para os policiais civis da União que ingressaram até a entrada em vigor da EC nº 103/2019 ,
o art. 5º da EC nº 103/2019 trouxe uma regra diferenciada, determinando expressamente a aplicação da
Lei Complementar nº 51/1985 , observada a idade mínima de 55 (cinquenta e cinco) anos para ambos os
sexos ou o disposto no §3º. Veja-se:
Art. 5º O policial civil do órgão a que se refere o inciso XIV do caput do art. 21 da Constituição
Federal, o policial dos órgãos a que se referem o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art.
52 e os incisos I a III do caput do art. 144 da Constituição Federal e o ocupante de cargo de agente federal
penitenciário ou socioeducativo que tenham ingressado na respectiva carreira até a data de entrada em
vigor desta Emenda Constitucional poderão aposentar-se, na forma da Lei Complementar nº 51, de 20
de dezembro de 1985, observada a idade mínima de 55 (cinquenta e cinco) anos para ambos os sexos ou
o disposto no § 3º.
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§ 2º Aplicam-se às aposentadorias dos servidores dos Estados de que trata o § 4º-B do art. 40
da Constituição Federal as normas constitucionais e infraconstitucionais anteriores à data de entrada em
vigor desta Emenda Constitucional, enquanto não promovidas alterações na legislação interna relacionada
ao respectivo regime próprio de previdência social.
§ 3º Os servidores de que trata o caput poderão aposentar-se aos 52 (cinquenta e dois) anos de
idade, se mulher, e aos 53 (cinquenta e três) anos de idade, se homem, desde que cumprido período
adicional de contribuição correspondente ao tempo que, na data de entrada em vigor desta Emenda
Constitucional, faltaria para atingir o tempo de contribuição previsto na Lei Complementar nº 51, de 20 de
dezembro de 1985.
43. Veja-se que o referido art. 5º não trouxe a delimitação do que a lei complementar poderia
estabelecer, como foi feito para o § 4º-B do art. 40, determinando a aplicação irrestrita da Lei
Complementar nº 51/1985, exceto com relação à observância da idade mínima de 55 anos ou, conforme o
caso, a regra de transição disposta no § 3º do art. 5º.
44. No art. 10, § 2º, inciso I, da EC nº 103/2019, foi prevista uma regra de transição para
os policiais civis da União que venham a ingressar na carreira após a entrada em vigor do referido
normativo constitucional . Veja-se:
Art. 10. Até que entre em vigor lei federal que discipline os benefícios do regime próprio de
previdência social dos servidores da União, aplica-se o disposto neste artigo.
(...)
I - o policial civil do órgão a que se refere o inciso XIV do caput do art. 21 da Constituição
Federal, o policial dos órgãos a que se referem o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art.
52 e os incisos I a III do caput do art. 144 da Constituição Federal e o ocupante de cargo de agente federal
penitenciário ou socioeducativo, aos 55 (cinquenta e cinco) anos de idade, com 30 (trinta) anos de
contribuição e 25 (vinte e cinco) anos de efetivo exercício em cargo dessas carreiras, para ambos os sexos;
45. Ao contrário do art. 5º, o art. 10, § 2º, inciso I, da mesma EC nº 103/2019 não determina a
aplicação da LC nº 51/1985 aos policiais civis da União que venham a ingressar após a entrada em vigor
do referido normativo constitucional , deixando a entender que tais servidores não terão direito de se
jubilarem com proventos integrais.
I - voluntariamente, com proveitos integrais, após 30 (trinta) anos de serviço, desde que conte,
pelo menos 20 (vinte) anos de exercício em cargo de natureza estritamente policial;
Art. 2º - Subsiste a eficácia dos atos de aposentadoria expedidos com base nas Leis nºs. 3.313,
de 14 de novembro de 1957, e 4.878, de 3 de dezembro de 1965, após a promulgação da Emenda
Constitucional nº 1 de 17 de outubro de 1969.
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48. Veja-se que a referida Lei Complementar apenas tratou das regras de elegibilidade (ou seja,
dos "requisitos de idade e tempo") e de cálculo (integralidade), uma vez que os critérios de reajuste
(paridade) já estavam definidos no artigo 38 da Lei nº 4.878/1965, conforme será demonstrado no item
abaixo ("Da Paridade - Lei nº 4.878, de 3 de dezembro de 1965").
1. A CR/88, em seu art. 40, § 4º, só admite a aposentadoria especial de servidor público, pelo
efetivo exercício em condições insalubres ou que coloquem em risco a integridade física do servidor.
2. Não há que se falar em aposentadoria especial dos servidores da polícia civil do Estado de
Santa Catarina, nos termos da Lei Complementar Estadual nº 51/85, que não foi recepcionada pela
CR/88.
3. Recurso desprovido.(RMS 14.976/SC, Rel. Ministro PAULO MEDINA, SEXTA TURMA, julgado
em 26/04/2005, DJ 16/05/2005, p. 417)
1. Inexistência de afronta ao art. art. 40, § 4º, da Constituição da República, por restringir-se a
exigência constitucional de lei complementar à matéria relativa à aposentadoria especial do servidor
público, o que não foi tratado no dispositivo impugnado.
3. O art. 1º da Lei Complementar Federal n. 51/1985 que dispõe que o policial será aposentado
voluntariamente, com proventos integrais, após 30 (trinta) anos de serviço, desde que conte pelo menos
20 anos de exercício em cargo de natureza estritamente policial foi recepcionado pela Constituição da
República de 1988. A combinação desse dispositivo com o art. 3º da Lei Distrital n. 3.556/2005 autoriza a
contagem do período de vinte anos previsto na Lei Complementar n. 51/1985 sem que o servidor público
tenha, necessariamente, exercido atividades de natureza estritamente policial, expondo sua integridade
física a risco, pressuposto para o reconhecimento da aposentadoria especial do art. 40, § 4º, da
Constituição da República: inconstitucionalidade configurada.
51. A ementa do referido acórdão deixou expressa a recepção do artigo 1º da LC nº 51/1985 que
previa a integralidade dos proventos dos servidores que completassem 30 anos de serviço e 20 anos de
exercício em cargo de natureza estritamente policial. Ressalta-se que o referido julgado ocorreu após a
promulgação da Emenda Constitucional nº 41/2003, que extinguiu a paridade e a integralidade para os
servidores civis, o que reforça o argumento de que o Constituinte Reformador quis excepcionar os critérios
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de aposentadoria dos servidores que exercem atividades sujeitas a condições especiais do regime de
previdência aplicável aos demais servidores. Ademais, o referido entendimento do Supremo Tribunal
Federal foi reiterado em outros julgamentos. Veja-se:
4. Agravo regimental DESPROVIDO.(RE 843406 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma,
julgado em 28/04/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-091 DIVULG 15-05-2015 PUBLIC 18-05-2015)
52. Reafirmando a vigência da LC nº 51/1985, em 2014 foi editada a Lei Complementar nº 144,
de 15 de maio de 2014, que atualizou a redação da LC nº 51/1985, mantendo a regra da integralidade aos
servidores policiais:
Art. 1ºA ementa da Lei Complementar nº51, de 20 de dezembro de 1985, passa a vigorar com a
seguinte redação:
"Dispõe sobre a aposentadoria do servidor público policial, nos termos do § 4odo art. 40 da
Constituição Federal."
Art. 2ºO art. 1oda Lei Complementar nº51, de 20 de dezembro de 1985, passa a vigorar com a
seguinte redação:
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a) após 30 (trinta) anos de contribuição, desde que conte, pelo menos, 20 (vinte) anos de
exercício em cargo de natureza estritamente policial, se homem;
b) após 25 (vinte e cinco) anos de contribuição, desde que conte, pelo menos, 15 (quinze) anos
de exercício em cargo de natureza estritamente policial, se mulher." (NR)
53. Embora a LC nº 51/1985 seja hierarquicamente inferior às ECs nº 41/2003 e nº 47/2005, seu
ingresso no mundo jurídico teve por escopo a regulamentação da aposentadoria especial dos policiais
civis, conforme determinação do próprio texto constitucional (art. 40, §4º). Assim, havendo o exercício da
atividade de risco, o servidor que exerce a atividade policial não se submeteu aos requisitos do art. 40, §
3º, da Constituição, incluído pela EC nº 41/2003, nem ao art. 3º da EC nº 47/2005, sob pena de retirar a
eficácia da LC nº 51/1985, que previu expressamente o direito à integralidade nos proventos dos policiais.
Vejam-se as normas constitucionais referenciadas:
Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter
contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos
e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste
artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão
aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
(...)
§ 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão
consideradas as remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de
previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
(...)
II - que exerçam atividades de risco; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
III - cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
(...)
EC nº 47/05
Art. 3º Ressalvado o direito de opção à aposentadoria pelas normas estabelecidas pelo art. 40
da Constituição Federal ou pelas regras estabelecidas pelos arts. 2º e 6º da Emenda Constitucional nº 41,
de 2003, o servidor da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e
fundações, que tenha ingressado no serviço público até 16 de dezembro de 1998 poderá aposentar-se
com proventos integrais, desde que preencha, cumulativamente, as seguintes condições:
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II - vinte e cinco anos de efetivo exercício no serviço público, quinze anos de carreira e cinco
anos no cargo em que se der a aposentadoria;
III - idade mínima resultante da redução, relativamente aos limites do art. 40, § 1º, inciso III,
alínea "a", da Constituição Federal, de um ano de idade para cada ano de contribuição que exceder a
condição prevista no inciso I do caput deste artigo.
Parágrafo único. Aplica-se ao valor dos proventos de aposentadorias concedidas com base neste
artigo o disposto no art. 7º da Emenda Constitucional nº 41, de 2003, observando-se igual critério de revisão
às pensões derivadas dos proventos de servidores falecidos que tenham se aposentado em conformidade
com este artigo.
54. Neste ponto, importante fazer uma interpretação sistemática do texto constitucional, uma
vez que a norma não pode ser vista de forma isolada, pois o direito existe como sistema de normas
ordenadas e com certa sincronia. Conforme ensinamento de Carlos Maximiliano:
"Confronta-se a prescrição positiva com outra de que proveio, ou que da mesma dimanaram,
verifica-se o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, e deste modo se obtém
esclarecimentos preciosos. O preceito, assim submetido a exame, longe de perder a própria
individualidade, adquire realce maior, talvez inesperado. Com esse trabalho de síntese é mais bem-
compreendido".3
56. Ao estabelecer no art. 40, §1º, da Constituição, que o cálculo dos proventos de
aposentadoria dos servidores públicos em geral seria disciplinado pelos §§ 3º e 17 do mesmo artigo, e, ao
mesmo tempo, ao excetuar dessa regra geral os servidores abrangidos pelo §4º também do mesmo artigo
(abrangidos pela aposentadoria especial), o Constituinte Reformador explicitou que entre os critérios de
concessão de aposentadoria especial, a serem disciplinados em lei complementar, estaria incluída
também a sua forma de cálculo.
59. Sobre essa diferenciação dos referidos regimes, sendo um regulado por lei ordinária e outro
por lei complementar, vale a pena colacionar trecho do voto do Ministro Revisor Valmir Campelo, que foi
acolhido pela maioria dos Ministros no Acórdão nº 2835/2010, Plenário, do Tribunal de Contas da União:
[...]
25. E pelo critério da especialidade, a norma específica prevalece sobre a norma geral, não
cabendo, portanto, no tocante aos policiais em referência, a aplicação da ordem de maior abrangência
(§ 3º do art. 40) e de sua regulamentação (Lei n. 10.887/2004). Mesmo porque, sendo esta última uma lei
ordinária, não poderia ela dispor sobre matéria reservada à lei complementar, sob pena de incidir no vício
de inconstitucionalidade. Daí o alcance de seus dispositivos está delimitado de maneira exaustiva no art.
1º, cuja redação importa repetir:
Lei n. 10.887/2004
Art. 1º No cálculo dos proventos de aposentadoria dos servidores titulares de cargo efetivo de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas
autarquias e fundações, previsto no § 3º do art. 40 da Constituição Federal e no art. 2º da Emenda
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Constitucional n. 41, de 19 de dezembro de 2003, será considerada a média aritmética simples das
maiores remunerações, utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de
previdência a que esteve vinculado, correspondentes a 80% (oitenta por cento) de todo o período
contributivo desde a competência julho de 1994 ou desde a do início da contribuição, se posterior àquela
competência. (destaques do revisor).
26. Penso que a omissão verificada aí quanto ao § 4º do art. 40 (regime especial) não foi
involuntária, mas sim resultado da interpretação de que o cálculo das aposentadorias especiais de que
trata esse dispositivo (§ 4º do art. 40) está mesmo a cargo de leis complementares específicas.
27. Recorde-se que o Poder Executivo já tentou incluir, mediante medida provisória, o § 4º do
art. 40 na regulamentação constante da Lei n. 10.887/2004 , mas a ideia foi rejeitada na sequência pelo
Congresso Nacional.
28. Falo da Medida Provisória n. 431/2008, cujo art. 171 assim dispunha:
Art. 171. O art. 15 da Lei n. 10.887, de 18 de junho de 2004, passa a vigorar com a seguinte
redação:
29. Posteriormente, ao se converter na Lei n. 11.784/2008, tal regramento recebeu redação que
não contempla referência ao § 4º, como se vê:
Art. 171. O art. 15 da Lei n. 10.887, de 18 de junho de 2004, passa a vigorar com a seguinte
redação:
Art. 15. Os proventos de aposentadoria e as pensões de que tratam os arts. 1º e 2º desta Lei
serão reajustados, a partir de janeiro de 2008, na mesma data e índice em que se der o reajuste dos
benefícios do regime geral de previdência social, ressalvados os beneficiados pela garantia de paridade de
revisão de proventos de aposentadoria e pensões de acordo com a legislação vigente. (destaques do
revisor).
30. Eis aí outra evidência de que as concessões amparadas pelo § 4º do art. 40 devem se a ter
às leis complementares específicas, como orienta a Carta Magna.
32. Vale dizer, trata-se de instrumento hábil a disciplinar a hipótese de incidência da exceção
constitucional, restando admitido pelo TCU sua completa compatibilidade com o Diploma Maior, para ter
garantida a permanência de sua eficácia, pelo princípio da recepção.
[...] (destacou-se)
60. Sabendo-se que não existem palavras inúteis, veja-se que o Constituinte Reformador, ao
permitir exceções às regras gerais de jubilamento dos servidores, estabeleceu para a lei complementar
não só os requisitos, como também os critérios para concessão de aposentadoria especial, inexistindo,
portanto, óbice à previsão de integralidade fixada na LC nº 51/1985. Veja-se que, caso não fosse a intenção
do Constituinte excepcionar a referida aposentadoria especial, ele não utilizaria duas expressões distintas
(requisitos e critérios diferenciados) para afastar a regra geral.
61. Ademais, caso o Constituinte Reformador quisesse excepcionar apenas a idade e tempo de
contribuição , ele utilizaria a mesma técnica utilizada no §5º do mesmo art. 40, no qual se utilizou da
expressão "requisitos de idade e de tempo de contribuição" para a aposentadoria dos professores.
[...]
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77. Aqui também quero pedir vênias para divergir do relator, pois entendo que a exceção
prevista no § 4º do art. 40 só pode ser vista como representativa de um todo, conferindo, de forma
autônoma, tratamento diferenciado aos beneficiários de aposentadoria especial, em relação aos demais
abrangidos pelo regime de que trata o art. 40, seja quanto às condicionantes para a existência do direito,
seja no tocante ao cálculo do valor devido.
78. Digo isso após fazer a interpretação sistemática da matriz constitucional reproduzida na
sequência, considerando inclusive a técnica de produção legislativa indicada na Lei Complementar nº
95/1998.
79. Para esse fim, separei o art. 40 em conjuntos com dispositivos afins, de onde se extraem os
conceitos sobre requisitos e critérios , para usar a definição que o próprio texto constitucional cuidou de
expressar, atento às boas regras de hermenêutica, segundo as quais as normas não possuem palavras
inúteis:
Constituição Federal
"Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter
contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos
e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste
artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41/2003).
Requisitos de aposentadoria
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão
aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 20/1998).
(...)
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no
serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes
condições: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/1998).
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos
de idade e trinta de contribuição, se mulher; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/1998).
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com
proventos proporcionais ao tempo de contribuição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
20/1998) - Obs: a conclusão de que as exigências do inciso III, alíneas "a" e "b", se referem a requisitos
advém da redação do §5º seguinte. (...)
Critérios de aposentadoria
§ 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão
consideradas as remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de
previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na forma da lei . (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41/2003) - Obs : a conclusão de que esse cálculo diz respeito a critérios decorre da
leitura do §8º seguinte. (...)
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III- cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47/2005)
80. Por aí se nota claramente que os §§ 3º, 8º e 17 do art. 40 guardam perfeita harmonia entre si,
ao se reportarem exclusivamente às aposentadorias de que cuida o § 3º , deixando propositadamente de
fazer alusão às aposentadorias previstas no § 4º , num evidente reconhecimento de que estas últimas são
regulamentadas por lei complementar , não só quanto às condicionantes para a existência do direito,
como também no tocante ao cálculo do benefício, não sendo demais repetir, em resumo, o que traduzem
os comandos do art. 40, acima transcritos:
a ) o § 1º, inciso III, c/c o § 5º: definição de requisitos , fixando os parâmetros para a existência do
direito, mediante o atendimento de idade e tempo de contribuição;
[...]
63. Os votos de alguns Ministros dos Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI nº 3.817,
deixam clara a possibilidade de se permitir a adoção de critérios e requisitos diferenciados aos policiais
civis. Veja-se:
A Constituição de 1988 definiu novo regime constitucional para os servidores públicos, fixando
alguns parâmetros para a exceção à regra geral de aposentadoria, o que também haveria de ser
pormenorizado pelo legislador complementar.
[...]
[...]
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EMENTA Mandado de injunção. Aposentadoria especial de servidor público policial. Artigo 40, §
4º, da Constituição Federal. Lei Complementar nº 51/1985. Inexistência de omissão legislativa. Agravo não
provido.
2. Havendo norma incidente sobre a situação concreta do impetrante, num ou noutro sentido,
que ampare o exercício do direito à aposentadoria especial, em plano obviamente diferenciado dos
servidores públicos em geral, submetidos às previsões do art. 40 da Constituição Federal e demais regras
de transição, carece a parte de interesse na impetração, uma vez ausente qualquer omissão a ser sanada.
3. Agravo regimental não provido.(MI 2283 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno,
julgado em 19/09/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-210 DIVULG 22-10-2013 PUBLIC 23-10-2013)
65. Ademais, em decisão ocorrida em 26/08/2016, o Ministro Celso de Mello negou provimento
ao RE nº 983.955/RO, em que se discutia o direito à integralidade e à paridade, por entender que o
acórdão recorrido estava em consonância com o entendimento da Suprema Corte. O referido Recurso
Extraordinário acompanhou o entendimento exarado no processo nº 0007487-87.2014.8.22.0601, pela E.
Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, assim ementado:
66. O Tribunal de Contas da União (TCU), órgão responsável pela apreciação da legalidade dos
atos concessórios de aposentadorias e pensões no âmbito do Poder Executivo Federal (artigo 71, inciso III,
da Constituição Federal), enfrentou o tema no Acórdão nº 379/2009, Plenário, no qual entendeu que a LC
nº 51/1985 foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 em todos os seus termos, inclusive na
expressão "proventos integrais".
9. Acórdão:
9.1 firmar o entendimento no sentido de que a Lei Complementar 51, de 1985, foi
recepcionada pela Constituição Federal de 1988, e pelas Emendas Constitucionais nºs 20, de 1998, 41,
de 2003, e 47, de 2005, continuando, por conseguinte, válida e eficaz, enquanto não for ab-rogada,
derrogada ou modificada por nova lei complementar federal, subsistindo, portanto, a regra de previsão
de aposentadoria especial de que trata a referida lei complementar;
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9. Acórdão:
9.2.1. a Lei Complementar nº 51/1985, recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e pelas
Emendas Constitucionais nºs 20/1998, 41/2003 e 47/2005 - conforme reconhecido pelo TCU, mediante o
Acórdão nº 379/2009-Plenário, e pelo STF, por meio da ADI nº 3.817 -, estabelece os requisitos e os
critérios diferenciados para a aposentadoria especial dos policiais, garantidos pelo § 4º do art. 40 da
Constituição Federal, com a redação dada pela EC nº 47/2005, devendo ser entendidas como requisitos
as condicionantes para a existência do direito, e compreendida como critério a forma de cálculo do valor
devido;
9.2.3. prevalece na espécie a Lei Complementar nº 51/1985, que é norma de natureza especial,
regulamentadora do § 4º do art. 40 da CF, devendo ser adotado, para fins de aplicação da aludida LC nº
51/1985, o sentido que sempre teve o termo "com proventos integrais", nela contido (art.1º, inciso I),
significando que os proventos corresponderão à totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo
em que se der a aposentadoria, conceito que vem sendo preservado pelo legislador desde a Constituição
Federal de 1946 (art. 191, § 2º) até hoje, passando por outros 14 dispositivos constitucionais ou
infraconstitucionais, a saber: art. 178 da Lei 1.711/1952; art. 1º, inciso II, da Lei3.313/1957; art. 101, inciso I, da
CF/1967; art. 102, inciso I, da EC nº 1/1969; art. 1º, inciso I, da Lei Complementar nº 51/1985; art. 40, incisos I
e III - "a" e "b" (redação original), art.93, inciso VI (redação original), e art. 53 do ADCT, todos da CF/1988;
arts. 186, 189 e 195 da Lei nº 8.112/1990;art. 40, § 3º, com a redação dada pela EC nº 20/1998, da CF/1988;
art. 6º da EC nº 41/2003; e art. 3º da EC nº 47/2005, respeitado o disposto no inciso XI do art. 37 da
Constituição Federal;
9.2.4. ante o reconhecimento da vigência do art. 38 do estatuto jurídico dos policiais civis da
União e do Distrito Federal - a Lei especial nº 4.878/1965, que prevalece sobre a Lei geral nº 10.887/2004
-, está legalmente assegurada a paridade plena entre os proventos dos inativos e a remuneração dos
policiais em atividade, existindo o direito a que seja estendida aos aposentados toda revisão promovida na
remuneração dos ativos, inclusive quaisquer benefícios ou vantagens que lhes forem posteriormente
concedidas, mesmo quando decorrentes da reclassificação do cargo em que se deu a aposentadoria;
[...]
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EXAME DE MÉRITO
4. Delimitação
5. Repercussões do Acórdão 3.408/2010 - TCU - Plenário sobre a instrução aposta às págs. 18-
36, da peça 5.
5.1 De início, convém consignar que nos autos do TC 020.225/2006-7 foi proferido pelo Tribunal
o Acórdão 3.408/2010 - TCU - Plenário. O voto do Ministro-Relator foi no seguinte sentido:
13. Na sessão de Plenário datada de 27/10/2010, esta Corte de Contas prolatou o Acórdão
2.835//2010 - TCU - Plenário, no âmbito do TC 020.320/2007/-4, cujo relator foi o eminente Ministro-
Substituto Marcos Bemquerer Costa, em que se discutiu se o valor dos proventos das aposentadorias
fundamentadas na Lei Complementar 51/85 seria fixado ou não em observância aos ditames da EC
41/2003 regulamentada pela Lei 10.887/2004, isto é, pela média das remunerações.
14. Nessa assentada, a Corte de Contas, acolhendo o voto revisor do Ilustre Ministro Valmir
Campelo, assim decidiu:
9.2.1. a Lei Complementar 51/1985, recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e pelas
Emendas Constitucionais nºs 20/1998, 41/2003 e 47/2005 - conforme reconhecido pelo TCU, mediante o
Acórdão 379/2009-Plenário, e pelo STF, por meio da ADI nº 3.817 -, estabelece os requisitos e os critérios
diferenciados para a aposentadoria especial dos policiais, garantidos pelo § 4º do art. 40 da Constituição
Federal, com a redação dada pela EC nº 47/2005, devendo ser entendidas como requisitos as
condicionantes para a existência do direito, e compreendida como critério a forma de cálculo do valor
devido;
9.2.3. prevalece na espécie a Lei Complementar 51/1985, que é norma de natureza especial,
regulamentadora do §4º do art. 40 da CF, devendo ser adotado, para fins de aplicação da aludida LC nº
51/1985, o sentido que sempre teve o termo com proventos integrais , nela contido (art. 1º, inciso I),
significando que os proventos corresponderão à totalidade da remuneração do servidor no cargo
efetivo em que se der a aposentadoria, conceito que vem sendo preservado pelo legislador desde a
Constituição Federal de 1946 (art. 191, § 2º) até hoje, passando por outros 14 dispositivos constitucionais ou
infraconstitucionais, a saber: art. 178 da Lei 1.711/1952; art. 1º, inciso II, da Lei 3.313/1957; art. 101, inciso I, da
CF/1967; art. 102, inciso I, da EC nº 1/1969; art. 1º, inciso I, da Lei Complementar 51/1985; art. 40, incisos I e
III - a e b (redação original), art. 93, inciso VI (redação original), e art. 53 do ADCT, todos da CF/1988;
arts. 186, 189 e 195 da Lei 8.112/1990; art. 40, § 3º, com a redação dada pela EC nº 20/1998, da CF/1988;
art. 6º da EC nº 41/2003; e art. 3º da EC nº 47/2005, respeitado o disposto no inciso XI do art. 37 da
Constituição Federal; (...)".
[...]
5.2. Desse modo, não há mais razão para a manutenção do sobrestamento destes autos,
tendo em vista que já houve a deliberação (Acórdão 3408/2010 - Plenário) que se aguardava nos autos
do TC 020.225/2006-7 acerca da questão envolvendo a discussão se os proventos dos policiais
aposentados, nos termos da Lei Complementar 51/1985, após a publicação da Medida Provisória
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167/2004, convertida na Lei 10.887/2004, estariam sujeitos à média das remunerações. O entendimento
firmado foi no sentido de que (Acórdãos 2.835/2010 e 2.966/2010 - Plenário) aos proventos destes
inativos não se aplica a média das remunerações.
5.3. Superada a questão de que não estão sujeitos à média das remunerações os proventos dos
policiais que se inativam com base na Lei Complementar 51/1985, fazendo jus, portanto, à integralidade
(última remuneração) e paridade, nos termos anteriormente consignados por esta Secretaria, consoante se
denota do item 37 da instrução anterior (pág. 26, peça 5).(destacou-se)
69. Em recente consulta ao Tribunal de Contas da União, realizada em 2020 pela Câmara dos
Deputados acerca da possibilidade de cômputo do tempo de serviço prestado às Forças Armadas como
atividade de risco, para fins de contagem do tempo especial, exigido pela Lei Complementar 51/1985, para
a aposentadoria voluntária do servidor policial, o Ministro Relator João Augusto Ribeiro Nardes destacou
em seu voto o entendimento firmado no Acórdão 2.835/2010-TCU-Plenário:
[...]
5. Considerando que a matéria em discussão tem por fundamento a citada Lei Complementar
nº 51/1985, que dispõe sobre a aposentadoria do servidor público policial, notadamente o seu artigo 1º,
torna-se adequado transcrevê-lo a seguir:
I - revogado.
a) após 30 (trinta) anos de contribuição, desde que conte, pelo menos, 20 (vinte) anos de
exercício em cargo de natureza estritamente policial, se homem;
b) após 25 (vinte e cinco) anos de contribuição, desde que conte, pelo menos, 15 (quinze) anos
de exercício em cargo de natureza estritamente policial, se mulher.
70. Com a atual reforma da previdência, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 103/2019
(publicada em 13/11/2019), que estanca as divergências até então existentes, sedimentando o direito à
integralidade das aposentadorias dos policiais civis da União. O art. 5º da EC nº 103/2019 previu
expressamente que o policial civil da União que tenha ingressado até a entrada em vigor do referido
normativo constitucional poderá se aposentar na forma da Lei Complementar nº 51/1985. Veja-se o
referido artigo:
Art. 5º O policial civil do órgão a que se refere o inciso XIV do caput do art. 21 da Constituição
Federal, o policial dos órgãos a que se referem o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art.
52 e os incisos I a III do caput do art. 144 da Constituição Federal e o ocupante de cargo de agente federal
penitenciário ou socioeducativo que tenham ingressado na respectiva carreira até a data de entrada em
vigor desta Emenda Constitucional poderão aposentar-se, na forma da Lei Complementar nº 51, de 20
de dezembro de 1985, observada a idade mínima de 55 (cinquenta e cinco) anos para ambos os sexos ou
o disposto no § 3º.
§ 2º Aplicam-se às aposentadorias dos servidores dos Estados de que trata o § 4º-B do art. 40
da Constituição Federal as normas constitucionais e infraconstitucionais anteriores à data de entrada em
vigor desta Emenda Constitucional, enquanto não promovidas alterações na legislação interna relacionada
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§ 3º Os servidores de que trata o caput poderão aposentar-se aos 52 (cinquenta e dois) anos de
idade, se mulher, e aos 53 (cinquenta e três) anos de idade, se homem, desde que cumprido período
adicional de contribuição correspondente ao tempo que, na data de entrada em vigor desta Emenda
Constitucional, faltaria para atingir o tempo de contribuição previsto na Lei Complementar nº 51, de 20 de
dezembro de 1985.
71. Neste ponto, importa destacar a tramitação legislativa que resultou na elaboração do art. 5º
da EC nº 103/2019, para demonstrar a vontade do Constituinte Reformador em garantir o direito à
integralidade e à paridade aos policiais civis da União.
72. Esse histórico da referida tramitação serve como um reforço na interpretação sobre o
conteúdo e o alcance do citado art. 5º. Nos termos do voto do Ministro Celso de Mello no julgamento da
ADI 2010, "o argumento histórico, no processo de interpretação constitucional, não se reveste de caráter
absoluto. Qualifica-se, no entanto, como expressivo elemento útil de indagação das circunstâncias que
motivaram a elaboração de determinada norma inscrita na Constituição, permitindo o conhecimento
das razões que levaram o constituinte a acolher ou rejeitar as propostas que lhe foram submetidas."
74. Veja-se, portanto, que o Constituinte Reformador quis garantir a regra de integralidade e de
paridade aos policiais civis da União ao incluir a norma de transição do art. 5º da EC nº 103/2019, cujo
texto foi acordado com o Governo Federal para garantir a aprovação da atual reforma da previdência.
75. Diferentemente das demais emendas da Constituição Federal de 1988, para os policiais civis
da União que venham a ingressar após a EC nº 103/2019, este normativo constitucional restringiu a
aposentadoria diferenciada para os policiais em somente idade e tempo (art. 40, § 4º-B, CF), e não previu a
aplicação da LC nº 51/85 (art. 10, § 2º, inciso I, da EC nº 103/2019), retirando a regra da integralidade e
paridade para os novos servidores policiais civis.
[...]
Art. 40 (...)
(...)
§ 4º-B. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e
tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente penitenciário,
de agente socioeducativo ou de policial dos órgãos de que tratam o inciso IV do caput do art. 51, o inciso
XIII do caput do art. 52 e os incisos I a IV do caput do art. 144.
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24. Não se pode deixar de reconhecer, entretanto, que essa última Emenda Constitucional
introduziu uma nuance, que se extrai da interpretação conjugada dos §§ 4º e 4º-B em relação aos
dispositivos antecedentes. Antes, delegava-se ao Congresso Nacional a instituição de "requisitos e critérios
diferenciados". Agora, a delegação parece mais restrita, pois o § 4º vedou a instituição de "requisitos e
critérios diferenciados", com a ressalva, no § 4º-B, apenas à estipulação dos "requisitos" idade e tempo de
contribuição diferenciados para a aposentadoria de servidores integrantes das carreiras referenciadas.
Art. 5º O policial civil do órgão a que se refere o inciso XIV do caput do art. 21 da Constituição
Federal, o policial dos órgãos a que se referem o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art.
52 e os incisos I a III do caput do art. 144 da Constituição Federal e o ocupante de cargo de agente federal
penitenciário ou socioeducativo que tenham ingressado na respectiva carreira até a data de entrada em
vigor desta Emenda Constitucional poderão aposentar-se, na forma da Lei Complementar nº 51, de 20 de
dezembro de 1985, observada a idade mínima de 55 (cinquenta e cinco) anos para ambos os sexos ou o
disposto no § 3º.
28. Diz-se limitada, porque, antes, a LC nº 51/1985 não impunha um limite mínimo de idade para
que o servidor pudesse se aposentar, exigindo tão somente um tempo mínimo de contribuição e um
tempo mínimo de exercício de atividade estritamente policial, ao passo que, a partir de agora, impõe-se a
idade de 55 anos como limite mínimo. Ademais, igualou-se a idade mínima entre homens e mulheres.
Consta ainda a regra de transição prevista no § 3º do próprio art. 5º, que atinge apenas os servidores que
se encontravam muito próximos de aposentar quando da promulgação da EC nº 103/2019:
Art. 5º (...)
§ 3º Os servidores de que trata o caput poderão aposentar-se aos 52 (cinquenta e dois) anos de
idade, se mulher, e aos 53 (cinquenta e três) anos de idade, se homem, desde que cumprido período
adicional de contribuição correspondente ao tempo que, na data de entrada em vigor desta Emenda
Constitucional, faltaria para atingir o tempo de contribuição previsto na Lei Complementar nº 51, de 20 de
dezembro de 1985.
29. Assim, observadas essas novas regras, o disposto na LC nº 51/1985 (basicamente o instituto
da integralidade), que, salvo outro entendimento, não pode ser interpretada dissociadamente do art. 38 da
Lei nº 4.878/1965 (paridade), continua valendo, mas exclusivamente para os servidores que ingressaram
nas carreiras policiais da União até a data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional.
30. Deve-se entender que tais leis continuaram vigendo e que os institutos da integralidade e
da paridade deveriam continuar valendo, por não ter sido editada após as EC's nºs 41/2003 e 47/2005, a
lei complementar a que se referia o vigente § 4º do art. 40 da Constituição, bem como pelo fato dessas
Emendas não terem, de forma explícita, definido regras de transição (até a edição da exigida lei
complementar), como agora previu a EC nº 103/2019, e muito menos imposto de forma expressa o fim do
direito à paridade e à integralidade para as aposentadorias especiais previstas no § 4º do art. 40.
31. Com efeito, para os policiais que ingressarem após a EC nº 103/2019, a própria Emenda
trouxe regras próprias de transição, diferentes daquelas previstas na LC nº 51/1985, conforme se infere do
art. 10, § 2º, inciso I, da EC nº 103/2019:
Art. 10. Até que entre em vigor lei federal que discipline os benefícios do regime próprio de
previdência social dos servidores da União, aplica-se o disposto neste artigo.
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(...)
I - o policial civil do órgão a que se refere o inciso XIV do caput do art. 21 da Constituição
Federal, o policial dos órgãos a que se referem o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art.
52 e os incisos I a III do caput do art. 144 da Constituição Federal e o ocupante de cargo de agente federal
penitenciário ou socioeducativo, aos 55 (cinquenta e cinco) anos de idade, com 30 (trinta) anos de
contribuição e 25 (vinte e cinco) anos de efetivo exercício em cargo dessas carreiras, para ambos os sexos;
32. Em síntese, até que entre em vigor a lei complementar a que se refere o § 4º-B do art. 40 da
Constituição, os policiais integrantes dos quados da União, que ingressarem nas respectivas carreiras
após a vigência da EC nº 103/2019 , poderão aposentar-se se cumprirem, cumulativamente, as seguintes
condições:
c) contar com 25 anos de efetivo exercício em cargo de natureza policial, para ambos os sexos.
32. Aqui, pode-se constatar as seguintes diferenças da regra de transição prevista no art. 5º em
relação ao art. 10, § 2º, inciso I, da EC nº 103/2019:
a) no art. 5º, ao se instituir um direito aos policiais que ingressaram antes da vigência da
Emenda, com base na LC nº 51/1985, embora se tenha igualado a idade mínima para os servidores de
ambos os sexos a 55 anos, não se igualou o tempo mínimo de contribuição vinculado ao cargo de natureza
estritamente policial, pois na LC nº 51/1985 exige-se da servidora policial um tempo menor, de 15 anos, em
relação aos policiais homens, de 20 anos. Ou seja, os servidores que ingressaram antes da EC nº 103/2019
continuam obrigados a comprovar, se homem, 20 anos, e, se mulher, 15 anos de atividade estritamente
policial;
Pode-se abstrair disso que os arts. 5º e 10, § 2º, inciso I, da EC nº 103/2019 trouxeram regras de
transição independentes entre si para os servidores policiais da União que tenham ingressado antes ou
após a vigência da EC nº 103/2019.
[...]
77. Por fim, cumpre esclarecer que a expressão "proventos integrais" estabelecida na LC nº
51/1985 não pode ser interpretada em contraposição aos proventos proporcionais, conforme entendido no
PARECER n. 00083/2017/DECOR/CGU/AGU desta Consultoria-Geral da União. A expressão "proventos
integrais" sempre foi utilizada pela legislação como sendo a totalidade da remuneração do servidor no
cargo efetivo em que se der a aposentadoria . Veja-se:
art. 40, incisos I e III - "a" e "b" (redação original), art. 93, inciso VI (redação original), e art. 53,
inciso V, do ADCT, todos da CF/1988;
art. 3º da EC nº 47/2005.
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78. Além dos citados artigos, destaca-se o artigo 6º da EC nº 41/2003, que expressamente
define o que se entende por proventos integrais:
Art. 6º Ressalvado o direito de opção à aposentadoria pelas normas estabelecidas pelo art. 40
da ConstituiçãoFederal ou pelas regras estabelecidas pelo art. 2º desta Emenda, o servidor da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, que tenha ingressado
no serviço público até a data de publicação desta Emenda poderá aposentar-se com proventos integrais,
que corresponderão à totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se der a
aposentadoria , na forma da lei, quando, observadas as reduções de idade e tempo de contribuição
contidas no § 5º do art. 40 da Constituição Federal, vier a preencher, cumulativamente, as seguintes
condições:
79. Na EC nº 47/2005, ao estabelecer novas regras transitórias mais favoráveis aos servidores, a
fim de garantir uma aposentadoria com paridade e integralidade, foi previsto no artigo 3º a expressão
"proventos integrais":
Art. 3º Ressalvado o direito de opção à aposentadoria pelas normas estabelecidas pelo art. 40 da
Constituição Federal ou pelas regras estabelecidas pelos arts. 2º e 6º da Emenda Constitucional nº 41, de
2003, o servidor da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e
fundações, que tenha ingressado no serviço público até 16 de dezembro de 1998 poderá aposentar-se
com proventos integrais, desde que preencha, cumulativamente, as seguintes condições:
80. Assim, a referida expressão não pode ser utilizada como "cumprimento integral das regras
estabelecidas, em contraposição aos proventos proporcionais" como entendido no referido PARECER n.
00083/2017/DECOR/CGU/AGU.
82. Destarte, conclui-se que os policiais civis da União que tenham ingressado até a entrada em
vigor da EC nº 103/2019, ou seja, até o dia 12/11/2019, quando da implementação dos
requisitos, possuem direito à integralidade , correspondente à totalidade da remuneração do servidor no
cargo efetivo em que se der a aposentadoria, nos termos do art. 5º da referida Ementa Constitucional e da
Lei Complementar nº 51/1985.
83. A Lei nº 4.878, de 03 de dezembro de 1965, que trata do atual regime disciplinar do policial
civil da União, instituiu em seu art. 38 a regra de revisão do provento do policial inativo quando houver (a)
modificação geral dos vencimentos dos funcionários policiais civis em atividade, ou (b) reclassificação do
cargo que o funcionário policial ocupava ao aposentar-se.
84. A questão a ser debatida trata da vigência ou não da Lei nº 4.878/1965, em especial no que
se refere ao seu art. 38, em razão de novos normativos legais e constitucionais editados após sua edição.
85. A referida Lei foi instituída sob a égide da Constituição Federal de 1946, que em seu artigo
191, §4º, delegou à lei ordinária o estabelecimento de critérios diferenciados para aposentadoria especial.
86. Com base neste artigo, foi instituída a Lei nº 4.878/1965, que, ao dispor sobre o regime
jurídico peculiar dos funcionários policiais civis da União e do Distrito Federal, estabeleceu em seu artigo
38 os critérios de revisão de sua aposentadoria especial. Veja-se:
Lei nº 4.878/1965
"Art. 38. O provento do policial inativo será revisto sempre que ocorrer:
www.in.gov.br/web/dou/-/despacho-do-presidente-da-republica-262005801 29/42
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88. Considerando que não houve edição de lei complementar para fixar os critérios de revisão, a
Lei Ordinária nº 4.878/1965 (art. 38) passou a ter status de lei complementar pelo critério da recepção
(compatibilidade material), tal como ocorrido com o Código Tributário Nacional (Lei Ordinária nº
5.172/1966) e com o Código Eleitoral (Lei Ordinária nº 4.737/1965).
REVOGADOS PELA LEI 8.112/1990, LEI GERAL QUE UNIFICOU O REGIME JURÍDICO DOS
SERVIDORES CIVIS DA UNIÃO, DE SUAS AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES.- O REFERIDO ESTATUTO CONFERE
AO SECRETARIO DE SEGURANÇA PUBLICA COMPETÊNCIA PARA ORDENAR A INSTAURAÇÃO DE
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR PARA APURAR IRREGULARIDADES NA CONDUTA DOS
POLICIAIS CIVIS.
1. A tese de violação do art. 1.022 do CPC/2015 não merece prosperar, porquanto o acórdão
recorrido fundamentou, claramente, o posicionamento por ele assumido, de modo a prestar a jurisdição
que lhe foi postulada, resolvendo todas as questões levantadas pelo recorrente.
www.in.gov.br/web/dou/-/despacho-do-presidente-da-republica-262005801 30/42
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2. Sendo assim, não há que se falar em omissão, obscuridade, contradição ou erro material do
aresto. O fato de o Tribunal a quo haver decidido a lide de forma contrária à defendida pela parte
recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ela propostos, não configura omissão ou
qualquer outra causa passível de exame mediante a oposição de embargos de declaração.
1. A lei federal nº 4.878/65 não foi recepcionada integralmente na ordem jurídica posterior à
Constituição de 1988. 2. Na aferição da responsabilidade administrativa é de se levar em consideração os
fatos vinculados à atividade funcional do servidor público. 3. A inadimplência em dívidas contraídas na vida
privada do Policial não constitui causa legítima para fundamentar a sua punição disciplinar, não sendo fato
prestante para ser dirimido em Processo Administrativo ou Sindicância. 4. Apelação e remessa oficial
improvidas" (fl. 254). Sustenta o recorrente, com fundamento no art. 102, III, a, violação aos arts. 1º, III e 5º,
LV, da Constituição Federal. Aduz, em síntese, que os incisos V, VI e XXXV, do artigo 43, da Lei nº 4.878/65,
teriam "o condão de assegurar o bom desempenho da função policial, tendo inclusive, uma função
preventiva quanto à possibilidade de envolvimento criminal do Policial Federal" (fl. 267).
sanção administrativa. Como disse, a imputação de falta disciplinar ao servidor público deve quedar na
sua esfera funcional, para que assim possa o imputado se defender. (...). De mais a mais, não há de se
confundir o dever de probidade no serviço público, com noções movediças de honra da instituição, ou
imagem do policial federal , conforme argumenta a apelante. A vingar este entendimento, sobrepor-se-
ia a qualidade do servidor público, de caráter acidental e transitória, à individualidade do ser humano,
perene e intransponível, ensachando, pois, uma indevida e autoritária intervenção do Estado na vida do
cidadão (...)" (fls. 248-251). É como bem acentuou o parecer da representante do Ministério Público, Cláudia
Sampaio Marques (fls. 287-291): "(...) 9. A conduta praticada pelo recorrido, consistente especificamente na
ausência de quitação de dívida caráter civil, de natureza exclusivamente particular, efetivamente não tem o
condão de caracterizar infração disciplinar de modo a trazer-lhe como conseqüência a punição pretendida
pela Recorrente, cujo argumento basilar consiste na incompatibilidade do comportamento (distorcido) do
Recorrido em sua vida privada (inadimplemento de obrigação de natureza civil) e a condição por ele
ostentada de policial federal. 10. O desvirtuamento na vida particular do Recorrido, ainda que alvo de
severas críticas pela Administração por não se coadunar com postura exigível do agente público em geral,
e ainda que se trate de conduta repulsiva e certamente passível de repreensão pelo modo e via
adequados, não se mostra apto a lastrear a pretendida punição disciplinar, pois em momento algum
verificou-se que a prática - embora reprovável - ocorrera no exercício da função pública ou em razão dela.
(...)" (fls. 289-290).
3. Ante o exposto, nego seguimento ao recurso (arts. 21, § 1º, do RISTF, 38 da Lei nº 8.038, de
28.5.90, e 557 do CPC). Publique-se. Int.. Brasília, 9 de julho de 2009. Ministro CEZAR PELUSO Relator (RE
458555, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 09/07/2009, publicado em DJe-151 DIVULG
12/08/2009 PUBLIC 13/08/2009)
91. Da leitura do artigo 38 da Lei nº 4.878/1965, verifica-se que se trata de uma quase repetição
normativa do que já previa o art. 193 da Constituição de 1946, no que foi seguida pela Constituição de 1967,
pela Emenda Constitucional nº 1, de 17 de outubro de 1969 e pela Constituição de 1988, em sua redação
originária, todas preceituando o direito à paridade enquanto critério de reajuste dos proventos de
aposentadoria. Veja-se:
Constituição de 1946
Art 193 - Os proventos da inatividade serão revistos sempre que, por motivo de alteração do
poder aquisitivo da moeda, se modificarem os vencimentos dos funcionários em atividade.
Constituição de 1967
§ 2º - Os proventos da inatividade serão revistos sempre que, por motivo de alteração, do poder
aquisitivo da moeda, se modificarem os vencimentos dos funcionários em atividade.
(...) § 1º Os proventos da inatividade serão revistos sempre que, por motivo de alteração do
poder aquisitivo da moeda, se modificarem os vencimentos dos funcionários em atividade.
(...)
92. Dessa forma, pode-se afirmar que a paridade prevista no artigo 38 da Lei nº 4.878/1965 foi
recepcionada, seja por não haver entendimento jurisdicional quanto à sua não-recepção/invalidade,
devendo ser presumida a sua vigência, seja em razão da sua compatibilidade material com os sucessivos
textos constitucionais.
www.in.gov.br/web/dou/-/despacho-do-presidente-da-republica-262005801 32/42
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Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter
contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e
dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste
artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
[...]
94. Veja-se que a Emenda Constitucional nº 41/2003 não proibiu a paridade4, mas tão somente a
retirou do texto constitucional, delegando ao legislador ordinário a forma de reajustamento. E, em relação
aos policiais civis, conforme § 4º do artigo 40 (com redação dada pela EC 20/1998), manteve-se o
reajustamento por lei complementar (requisitos e critérios diferenciados), que, no caso, é o disposto no
artigo 38 da Lei nº 4.878/1965 (recepcionado materialmente como lei complementar).
95. Neste ponto, imperioso esclarecer que a Lei nº 10.887/2004, que regulamentou a Emenda
Constitucional nº 41/2003, somente estabeleceu os critérios e requisitos da aposentadoria prevista no §3º
do art. 40 da Constituição Federal, não regulando o regime das aposentadorias especiais do §4º do
mesmo artigo, que determinou a regulação por lei complementar:
Art. 1ºNo cálculo dos proventos de aposentadoria dos servidores titulares de cargo efetivo de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas
autarquias e fundações, previsto no § 3º do art. 40 da Constituição Federal e no art. 2º da Emenda
Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, será considerada a média aritmética simples das
maiores remunerações, utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de
previdência a que esteve vinculado, correspondentes a 80% (oitenta por cento) de todo o período
contributivo desde a competência julho de 1994 ou desde a do início da contribuição, se posterior àquela
competência.
§ 2º A base de cálculo dos proventos será a remuneração do servidor no cargo efetivo nas
competências a partir de julho de 1994 em que não tenha havido contribuição para regime próprio.
§ 3º Os valores das remunerações a serem utilizadas no cálculo de que trata este artigo serão
comprovados mediante documento fornecido pelos órgãos e entidades gestoras dos regimes de
previdência aos quais o servidor esteve vinculado ou por outro documento público, na forma do
regulamento.
§ 5º Os proventos, calculados de acordo com o caput deste artigo, por ocasião de sua concessão,
não poderão ser inferiores ao valor do salário-mínimo nem exceder a remuneração do respectivo servidor
no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria.
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Art. 2º Aos dependentes dos servidores titulares de cargo efetivo e dos aposentados de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas
autarquias e fundações, falecidos a partir da data de publicação desta Lei, será concedido o benefício de
pensão por morte, que será igual:
I - à totalidade dos proventos percebidos pelo aposentado na data anterior à do óbito, até o
limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social, acrescida de 70%
(setenta por cento) da parcela excedente a este limite; ou
Parágrafo único. Aplica-se ao valor das pensões o limite previsto no art. 40, § 2º , da Constituição
Federal.
(...)
Art. 15. Os proventos de aposentadoria e as pensões de que tratam os arts. 1º e 2º desta Lei
serão reajustados, a partir de janeiro de 2008, na mesma data e índice em que se der o reajuste dos
benefícios do regime geral de previdência social, ressalvados os beneficiados pela garantia de paridade de
revisão de proventos de aposentadoria e pensões de acordo com a legislação vigente. (Redação dada pela
Lei nº 11.784, de 2008) (Vide ADIN nº 4.582, de 2011)
96. O artigo 15 da Lei nº 10.887/2004 regula os reajustes das aposentadorias dos servidores da
regra geral, em nada dispondo sobre o reajuste das aposentadorias especiais concedidas com base no §4º
do art. 40 da Constituição.
97. Ademais, o entendimento do direito à paridade pelos servidores policiais civis da União foi
consolidado no Acórdão nº 2835/2010, proferido pelo Plenário do Tribunal de Contas da União. Veja-se
específico trecho sobre a paridade:
[...]
9.2.4. ante o reconhecimento da vigência do art. 38 do estatuto jurídico dos policiais civis da
União e do Distrito Federal - a Lei especial nº 4.878/1965, que prevalece sobre a Lei geral nº 10.887/2004
-, está legalmente assegurada a paridade plena entre os proventos dos inativos e a remuneração dos
policiais em atividade, existindo o direito a que seja estendida aos aposentados toda revisão promovida na
remuneração dos ativos, inclusive quaisquer benefícios ou vantagens que lhes forem posteriormente
concedidas, mesmo quando decorrentes da reclassificação do cargo em que se deu a aposentadoria;
[...]
Art. 40.[...]
§ 4º-B. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e
tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente penitenciário,
de agente socioeducativo ou de policial dos órgãos de que tratam o inciso IV do caput do art. 51, o inciso
XIII do caput do art. 52 e os incisos I a IV do caput do art. 144.
99. Para os servidores policiais civis da União que ingressaram até a entrada em vigor da EC nº
103/2019, o art. 5º da EC nº 103/2019 trouxe uma regra diferenciada, determinando expressamente a
aplicação da Lei Complementar nº 51/1985, observada a idade mínima de 55 (cinquenta e cinco) anos para
ambos os sexos ou o disposto no §3º. Veja-se:
Art. 5º O policial civil do órgão a que se refere o inciso XIV do caput do art. 21 da Constituição
Federal, o policial dos órgãos a que se referem o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art.
52 e os incisos I a III do caput do art. 144 da Constituição Federal e o ocupante de cargo de agente federal
www.in.gov.br/web/dou/-/despacho-do-presidente-da-republica-262005801 34/42
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penitenciário ou socioeducativo que t enham ingressado na respectiva carreira até a data de entrada em
vigor desta Emenda Constitucional poderão aposentar-se, na formada Lei Complementar nº 51, de 20
de dezembro de 1985, observada a idade mínima de 55 (cinquenta e cinco) anos para ambos os sexos ou o
disposto no § 3º.
§ 2º Aplicam-se às aposentadorias dos servidores dos Estados de que trata o § 4º-B do art. 40
da Constituição Federal as normas constitucionais e infraconstitucionais anteriores à data de entrada em
vigor desta Emenda Constitucional, enquanto não promovidas alterações na legislação interna relacionada
ao respectivo regime próprio de previdência social.
§ 3º Os servidores de que trata o caput poderão aposentar-se aos 52 (cinquenta e dois) anos de
idade, se mulher, e aos 53 (cinquenta e três) anos de idade, se homem, desde que cumprido período
adicional de contribuição correspondente ao tempo que, na data de entrada em vigor desta Emenda
Constitucional, faltaria para atingir o tempo de contribuição previsto na Lei Complementar nº 51, de 20 de
dezembro de 1985.
100. Veja-se que o referido art. 5º excepcionou o § 4º-B do art. 40, determinando a aplicação
irrestrita da Lei Complementar nº 51/1985, com a observância da idade mínima de 55 anos ou a regra de
transição disposta no § 3º do art. 5º. No entanto, ficou silente quanto à aplicação da regra do artigo 38 da
Lei nº 4.878/1965.
101. Sucede que, ao excepcionar o §4º-B do art. 40, instituindo o regime especial de previdência
para os servidores policiais civis da União com base na Lei Complementar nº 51/1985, o artigo 5º da
Emenda Constitucional nº 103/2019, por consequência lógica, permitiu o reajuste dos proventos pelo
artigo 38 da Lei nº 4.878/1965, pois caso contrário, estaríamos criando um regime de aposentadoria sem
qualquer revisão.
102. Um regime jurídico de previdência é composto por requisitos de tempo (idade e/ou de
tempo de contribuição), critérios de cálculo, bem como a forma de reajuste dos proventos. Se fosse
negada a aplicação do artigo 38 da Lei nº 4.878/1965, estaríamos criando uma forma de aposentadoria
com proventos integrais, mas sem qualquer reajuste, implicando perda do poder aquisitivo no decorrer do
tempo.
103. Ademais, o texto original da Constituição Federal de 1988, bem como todas as Emendas
Constitucionais que dispuseram sobre reformas previdenciárias, a exemplo das Emendas à Constituição nº
20/1998, nº 41/2003 e nº 47/2005, sempre trataram os institutos da paridade e integralidade como
interdependentes, em contraponto a outros "pacotes" de regimes com diferentes formas de cálculo e
atualização dos benefícios, como média de remuneração e reajuste anual pela média inflacionária. Essa
relação pode ser verificada com a vigência da EC 41/2003:
104. Veja-se que não coexistem regimes híbridos entre tais parâmetros, com integralidade e
reajuste anual ou média remuneratória como base de cálculo e paridade. Isso porque a Emenda
Constitucional nº 41/2003, ao extinguir a regra da integralidade no serviço público, também o fez quanto à
paridade. Dessa forma, pode-se concluir que a paridade existe por conta da integralidade , não sendo
viável a aplicação dos institutos de forma separada.
www.in.gov.br/web/dou/-/despacho-do-presidente-da-republica-262005801 35/42
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105. Como prova do alegado, para os servidores policiais civis da União que venham a ingressar
após a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 103/2019, o artigo 10, §2º, I, da referida Emenda
trouxe regras próprias de transição, diferentes daquelas previstas na LC nº 51/1985, não mais trazendo a
regra da integralidade. Para esses servidores foi previsto no artigo 26 da referida Emenda a forma de
reajuste dos proventos igual a do Regime Geral de Previdência Social:
Art. 26. Até que lei discipline o cálculo dos benefícios do regime próprio de previdência social
da União e do Regime Geral de Previdência Social, será utilizada a média aritmética simples dos salários
de contribuição e das remunerações adotados como base para contribuições a regime próprio de
previdência social e ao Regime Geral de Previdência Social, ou como base para contribuições decorrentes
das atividades militares de que tratam os arts. 42 e 142 da Constituição Federal, atualizados
monetariamente, correspondentes a 100% (cem por cento) do período contributivo desde a competência
julho de 1994 ou desde o início da contribuição, se posterior àquela competência.
§ 1º A média a que se refere o caput será limitada ao valor máximo do salário de contribuição do
Regime Geral de Previdência Social para os segurados desse regime e para o servidor que ingressou no
serviço público em cargo efetivo após a implantação do regime de previdência complementar ou que
tenha exercido a opção correspondente, nos termos do disposto nos §§ 14 a 16 do art. 40 da Constituição
Federal.
§ 5º O acréscimo a que se refere o caput do § 2º será aplicado para cada ano que exceder 15
(quinze) anos de tempo de contribuição para os segurados de que tratam a alínea "a" do inciso I do § 1º do
art. 19 e o inciso I do art. 21 e para as mulheres filiadas ao Regime Geral de Previdência Social.
§ 7º Os benefícios calculados nos termos do disposto neste artigo serão reajustados nos
termos estabelecidos para o Regime Geral de Previdência Social.
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107. Assim, pode-se concluir que os policiais civis da União, ingressos nas respectivas carreiras
até 12/11/2019 (data anterior a vigência da EC nº 103/2019), quando da implementação dos requisitos,
fazem jus à aposentadoria com base no artigo 5º da Emenda Constitucional nº 103/2019, com proventos
integrais (totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se der a aposentadoria), nos
termos artigo 1º, II, da Lei Complementar nº 51/1985, e paridade plena, com fundamento no art. 38 da Lei
nº 4.878/1965.
108. Já os policiais civis da União, ingressos nas respectivas carreiras a partir de 13/11/2019,
quando da implementação dos requisitos, fazem jus à aposentadoria com base no artigo 10, §2º, I, com
proventos calculados pela média aritmética e reajustados nos termos estabelecidos para o Regime Geral
de Previdência Social, conforme artigo 26, todos da Emenda Constitucional nº 103/2019.
Art. 40 - Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter
contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.
[...]
§ 15 - Observado o disposto no art. 202, lei complementar disporá sobre as normas gerais para a
instituição de regime de previdência complementar pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, para
atender aos seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo.
§ 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser
aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição
do correspondente regime de previdência complementar.
110. O referido §14 instituiu uma norma de eficácia limitada, que possibilitou aos entes federados
implantarem o teto do Regime Geral de Previdência Social, caso fosse criado o Regime de Previdência
Complementar.
111. No âmbito federal, a normatização desse dispositivo ocorreu com a edição da Lei nº
12.618/2012, que autorizou a criação de entidades fechadas de previdência complementar para os
Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Veja-se o artigo 1º da citada lei:
Art. 1º É instituído, nos termos desta Lei, o regime de previdência complementar a que se
referem os §§ 14, 15 e 16 do art. 40 da Constituição Federal para os servidores públicos titulares de cargo
efetivo da União, suas autarquias e fundações, inclusive para os membros do Poder Judiciário, do
Ministério Público da União e do Tribunal de Contas da União.
112. Assim, em 4 de fevereiro de 2013, com a publicação da Portaria nº 44/2013, que aprovou o
Regulamento do Plano Executivo Federal administrado pela Funpresp-Exe, todos os servidores públicos
do Poder Executivo, ingressos no serviço público a partir da citada Portaria, foram enquadrados no Regime
de Previdência Complementar.
113. Sucede que o Regime de Previdência Complementar foi previsto para os servidores
públicos em geral, pois, conforme já demonstrado nos Itens " Da previsão Constitucional da
aposentadoria especial do policial civil da União" e "Da Integralidade - Lei Complementar nº 51, de 20
de dezembro de 1985", a Constituição Federal, em seu artigo 40, § 4º, excepcionou expressamente os
requisitos e critérios de aposentadoria dos servidores que exercem atividade de risco das aposentadorias
dos demais servidores.Veja- se o §4º instituído pela EC nº 20/1998:
Art. 40.[...]
www.in.gov.br/web/dou/-/despacho-do-presidente-da-republica-262005801 37/42
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114. Ora, se a própria Constituição Federal excepcionou os servidores que exercem condições
especiais de trabalho, permitindo a adoção de requisitos e critérios diferenciados , não cabe ao legislador
infraconstitucional equipará-los ao regime previdenciário aplicável aos demais servidores.
115. Veja-se que o artigo 40, § 4º, da Constituição, remeteu as definições (requisitos e critérios)
da aposentadoria especial à lei complementar , não podendo uma lei ordinária (Lei nº 12.618/2012)
estabelecer condições ao regime especial de previdência aplicável aos policiais civis.
Pretende a parte autora com a presente ação coletiva que seja afastado o regime de previdência
complementar instituído pela Lei nº 12.618/12 e Portaria nº 44/2013 a seus filiados ingressos no serviço
público a partir de 04/02/2013, de forma que a contribuição previdenciária volte a incidir sobre a
remuneração total por eles percebida, bem como, que seja a Funpresp-Exe condenada a repassar à União as
quantias eventualmente já pagas a título de contribuição no regime de previdência complementar pelos
Delegados de Polícia Federal ingressos no serviço público após a publicação da Portaria nº 44/2013, com a
compensação de eventuais diferenças de valores.
Dessa forma, conforme já demonstrado na decisão em que foi apreciado o pedido de liminar, o
pedido autoral merece prosperar pois resta claro que os Delegados da Polícia Federal não se submetem
às regras de aposentadoria previstas na Constituição Federal.
A Constituição Federal, em seu artigo 40 § 4º, II, excepcionou expressamente os servidores que
exercem atividade de risco dos requisitos e critérios de aposentadoria dos demais servidores. Senão
vejamos:
Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter
contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos
e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste
artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
(...)
II que exerçam atividades de risco; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
III cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
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No caso dos Delegados de Polícia Federal é ainda mais evidente a inaplicabilidade do artigo 40,
§ 14 da Constituição Federal, regulamentado pela Lei nº 12.618/12 e Portaria nº44/2013, que criou o
regime complementar de previdência para os demais servidores não enquadrados nas exceções do artigo
40, § 4º e egressos no serviço público a partir de sua vigência. Isto porque já existe Lei Complementar, qual
seja, a de nº 51/85, e Lei recepcionada como complementar, a de nº 4.878/65, estabelecendo
expressamente os critérios e requisitos diferenciados para as aposentadorias daqueles. A propósito,
confiram-se os artigos 1º e 38 destas leis, respectivamente:
Art. 1ºO servidor público policial será aposentado: (Redação dada pela Lei Complementar nº
144, de 2014)
a) após 30 (trinta) anos de contribuição, desde que conte, pelo menos, 20 (vinte) anos de
exercício em cargo de natureza estritamente policial, se homem; (Incluído pela Lei Complementar nº 144,
de 2014)
b) após 25 (vinte e cinco) anos de contribuição, desde que conte, pelo menos, 15 (quinze)anos de
exercício em cargo de natureza estritamente policial, se mulher. (Incluído pela Lei Complementar nº 144,
de 2014)
Art. 38. O provento do policial inativo será revisto sempre que ocorrer:
EMENTA Mandado de injunção. Aposentadoria especial de servidor público policial. Artigo 40, §
4º, da Constituição Federal. Lei Complementar nº 51/1985. Inexistência de omissão legislativa. Agravo não
provido.
A Lei Complementar nº 51/1985, que trata da aposentadoria especial dos servidores públicos
policiais, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 (ADI 3.817/DF).
Havendo norma incidente sobre a situação concreta do impetrante, num ou noutro sentido, que
ampare o exercício do direito à aposentadoria especial, em plano obviamente diferenciado dos servidores
públicos em geral, submetidos às previsões do art. 40 da Constituição Federal e demais regras de
transição, carece a parte de interesse na impetração, uma vez ausente qualquer omissão a ser sanada.
Agravo regimental não provido.(MI 2283 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno,
julgado em 19/09/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-210 DIVULG 22-10-2013 PUBLIC 23-10-2013)
Registre-se, ainda, que o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela recepção da Lei
Complementar nº 51/85 mesmo depois da Emenda Constitucional nº 41/2003, que alterou o direito dos
servidores à integralidade dos proventos de aposentadoria quando do julgamento da ADI nº 3817 e do RE
567.110.
Ademais, a redação do artigo 40, § 4º da Constituição Federal foi dada pela Emenda
Constitucional nº 47/2005, posterior à Emenda nº 41/2003, o que reforça o argumento de que foi
intenção do legislador constituinte excepcionar os servidores que exercem atividades sujeitas a condições
especiais do regime de previdência aplicável aos demais servidores.
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Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido autoral, ratificando a tutela antecipada, com os
acréscimos da decisão do TRF1 de fls. 365/366, para afastar o regime de previdência complementar
instituído pela Lei nº 12.618/12 e pela Portaria nº 44/2013, aos servidores filiados da autora ingressos no
serviço público a partir de 04/02/2013, determinando,ainda, que a contribuição previdenciária por eles
devida tenha incidência sobre o total da remuneração por eles recebida.
117. No mesmo sentido foi decidido pelo Juízo da 16ª Vara Federal da Seção Judiciária do
Distrito Federal na ação coletiva nº 0047760-71.2014.4.01.3400, ajuizada pela Associação Nacional dos
Peritos Criminais Federais do Departamento de Polícia Federal - APCF:
118. E também foi decidido, liminarmente, pelo Juízo da 21ª Vara Federal da Seção Judiciária do
Distrito Federal na ação coletiva nº 45302-13.2016.4.01.3400, ajuizada pela Sindicato dos Policiais Federais
no Estado do Pará - SINPEF/PA:
Pelo exposto, DEFIRO o pedido de antecipação dos efeitos da tutela para determinar que seja
afastado o regime de previdência complementar aos filiados do autor, instituído pela Portaria nº
44/2013, e ingressos no serviço público a partir de 04/02/201 3, de sorte que a contribuição
previdenciária volte a incidir sobre a remuneração total por eles percebida.
119. A referida decisão liminar foi confirmada pelo Tribunal Regional da 1ª Região em sede de
Agravo de Instrumento (nº 0024013-05.2017.4.01.0000/DF e nº 0067174-02.2016.4.01.0000/DF).
120. Assim, insta esclarecer que todas as decisões acima continuam vigentes, afastando o
Regime de Previdência Complementar, instituído pela Lei nº 12.618/12 e pela Portaria nº 44/2013, aos
policiais civis substituídos que ingressaram no serviço público após a publicação dos referidos normativos
(04/02/2013).
121. Ademais, se realmente fossem aplicadas as regras da Lei nº 12.618/2012, o legislador não
teria editado a Lei Complementar nº 144, de 15 de maio de 2014, que trouxe nova redação à Lei
Complementar nº 51/1985, com a previsão do direito à integralidade das aposentadorias dos policiais civis.
Art. 40.[...]
§ 4º-B. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e
tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente penitenciário,
de agente socioeducativo ou de policial dos órgãos de que tratam o inciso IV do caput do art. 51, o inciso
XIII do caput do art. 52 e os incisos I a IV do caput do art. 144.
124. Para os servidores policiais civis da União que ingressaram até a entrada em vigor da EC
nº 103/2019 , o art. 5º da EC nº 103/2019 trouxe uma regra diferenciada, determinando expressamente a
aplicação da Lei Complementar nº 51/1985 , observada a idade mínima de 55 (cinquenta e cinco) anos
para ambos os sexos ou o disposto no §3º.
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125. Veja-se que o referido art. 5º excepcionou o §4º-B do art. 40, determinando a aplicação
irrestrita da Lei Complementar nº 51/85, com a observância da idade mínima de 55 anos ou a regra de
transição disposta no § 3º do art. 5º.
126. Ao contrário do referido art. 5º, o art. 10, §2º, I, da EC nº 103/2019 não determina a
aplicação da LC nº 51/1985 aos policiais civis da União que venham a ingressar após a entrada em vigor
do referido normativo constitucional , deixando a entender que tais servidores não terão o direito de se
jubilarem no regime de aposentadoria especial com direito à paridade e à integralidade.
127. Assim, ao não haver mais a regra de exceção, os policiais civis da União que venham a
ingressar após a entrada em vigor da EC nº 103/2019, passaram a se submeter ao Regime de Previdência
Complementar da Lei nº 12.618/2012.
III - DA CONCLUSÃO
i) Os policiais civis da União, ingressos nas respectivas carreiras até 12/11/2019 (data anterior a
vigência da EC nº 103/2019), quando da implementação dos requisitos, fazem jus à aposentadoria com
base no artigo 5º da Emenda Constitucional nº 103/2019, com proventos integrais (totalidade da
remuneração do servidor no cargo efetivo em que se der a aposentadoria), nos termos artigo 1º, II, da Lei
Complementar nº 51/1985, e paridade plena, com fundamento no art. 38 da Lei nº 4.878/1965.
ii) Os policiais civis da União, ingressos nas respectivas carreiras a partir de 13/11/2019 (com a
vigência da EC nº 103/2019), quando da implementação dos requisitos, fazem jus à aposentadoria com
base no artigo 10, §2º, I, com proventos calculados pela média aritmética e reajustados nos termos
estabelecidos para o Regime Geral de Previdência Social, conforme artigo 26, todos da Emenda
Constitucional nº 103/2019, bem como passaram a se submeter ao Regime de Previdência Complementar
da Lei nº 12.618/2012.
À consideração superior.
Notas
[1] MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da seguridade social. São Paulo: Atlas, 2009, p. 353.
[2] FERRARI, Regina Maria Macedo Nery. O silêncio da Administração Pública. Revista de Direito
Administrativo & Constitucional - A & C, Belo Horizonte, ano 13, n. 52, abr./jun. 2013. Disponível em:
http://www.revistaaec.com/index.php/revistaaec/article/viewFile/133/276. Acesso em 19/05/2020.
[3] Carlos. "Hermenêutica e Aplicação do Direito". 20ª Edição. Rio de Janeiro. Forense, 2011,
p.104.
[4] Lembrando que o artigo 7º da EC 41/2003 manteve o direito da paridade para aqueles
servidores da regra geral que já estavam fruindo do benefício na data de publicação da Reforma. Veja-se:
Art. 7º Observado o disposto no art. 37, XI, da Constituição Federal, os proventos de aposentadoria dos
servidores públicos titulares de cargo efetivo e as pensões dos seus dependentes pagos pela União,
Estados, Distrito Federal e Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, em fruição na data de
publicação desta Emenda, bem como os proventos de aposentadoria dos servidores e as pensões dos
dependentes abrangidos pelo art. 3º desta Emenda, serão revistos na mesma proporção e na mesma data,
sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo também estendidos aos
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