Homolepis glutinosa

A Homolepis glutinosa, também conhecida popularmente como puxa-tripa, é uma planta herbácea pertencente à família Poaceae, do gênero botânico Homolepis. É nativa das regiões tropicais e subtropicais da América do Sul. É uma planta de presença comum em áreas úmidas ou sombreadas, como florestas, campos e margens de rios e lagoas.[1]

Homolepis glutinosa

Descrição

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A Homolepis glutinosa apresenta colmos eretos ou decumbentes, que podem alcançar até 2 metros de altura. As folhas são lineares a lanceoladas, com margens pubescentes. As inflorescências são panículas abertas ou estreitas, com espiguetas de até 1,1 cm de comprimento.[2]

As sementes da puxa-tripa possuem uma estratégia peculiar para dispersão: elas se aderem à pelagem de animais, como tatus e capivaras. Ao se deslocarem pela mata, esses animais transportam as sementes para novos locais, aumentando as chances de germinação e colonização de novas áreas. Tal estratégia para propagação das sementes recebe o nome de Zoocoria.

Descrição Botânica

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  • Dimensões: Em seu desenvolvimento máximo, pode chegar a cerca de 2 metros de altura.[2]
  • Folhas: As folhas são lineares com uma textura aveludada ao toque.[2]
  • Inflorescências: As inflorescências são panículas abertas ou estreitas, com espiguetas de até 1,1 cm de comprimento. Essas espiguetas contêm as flores, que são pequenas e discretas, típicas das gramíneas.[3]
  • Frutos: Após a polinização, as flores dão origem a frutos do tipo cariopse, que são pequenos grãos secos e indeiscentes, contendo a semente.[3]
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O seu nome popular, capim puxa-tripa, deriva do fato de que por apresentar sementes aderentes, estas se colavam nas barrigas das mulas e cavalos que circulavam sobre campos repletos dessas plantas. Ao puxar as hastes com as sementes deixavam a impressão de que os animais estariam arrastando suas entranhas pelo chão.[4]

Utilização

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O capim puxa-tripa era muito utilizado pelos povos pré-colombianos como forração para manutenção de trilhas abertas na mata fechada, sendo a mais notável destas o caminho do Peabiru.[5] Os indigenas promoviam intencionalmente a brotação desta vegetação por meio de semeadura, para que ao crescer, a cobertura vegetal impedisse o fechamento do caminho pela densa vegetação existente em muitos trechos atravessados pelas trilhas.[6]

Devido à sua rusticidade, esta planta encontra-se listada como uma das espécies recomendadas para a restauração ecológica em diversos biomas brasileiros.[7]

Propriedades medicinais

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Ainda há poucos estudos científicos que comprovem sua eficácia e segurança como planta medicinal. Alguns estudos in vitro e em animais demonstraram que a planta pode possuir propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e diuréticas. No entanto, são necessários mais estudos em humanos para confirmar esses resultados e determinar a dosagem adequada para cada caso.

Toxicidade

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Todas as partes desta planta contêm pequenas quantidades de ácido cianídrico,[2] que pode ser tóxico se ingerido em grandes doses. Sintomas de envenenamento por ácido cianídrico incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, tontura e desmaio. Em casos graves, pode levar à morte.

Estado de Conservação

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Embora seja uma espécie relativamente comum em seu habitat natural, a Homolepis glutinosa atualmente apresenta dispersão irregular[8] e pode estar ameaçada em algumas áreas devido à expansão agrícola e urbana. Considera-se importante realizar estudos mais aprofundados sobre a distribuição e abundância dessa espécie para garantir sua conservação a longo prazo.

Referências

  1. «Bem Vindo Consulta Publica». floradobrasil.jbrj.gov.br. Consultado em 4 de julho de 2024 
  2. a b c d Forest Service. «Poisonous Plants - Homolepis Glutinosa». USDA - Forest Service 
  3. a b MOCHIUTTI, Silas; CAPORAL, Francisco José Machado; GUGLIERI, Adriana; HIGA, Antonio Rioyei; BEHLING, Marcos (2009). «Comportamento de forrageiras nativas em sistemas silvipastoris com acácia-negra no Rio Grande do Sul.». Luziânia: Embrapa. Diálogo e integração de saberes em sistemas agroflorestais para sociedades sustentáveis: anais (7) 
  4. Donato, E. (1997). Sumé e Peabiru: mistérios maiores do século da descoberta. SP, Edições GRD. [S.l.]: GRD 
  5. Macedo, Beth (9 de março de 2024). «O tapete verde que mudou a história do mundo». Revista Natureza. Consultado em 4 de julho de 2024 
  6. Rocha, Arleto (2017). Caminhos de Peabiru: Histórias e Memória (PDF). Maringá: Hellograf 
  7. Barbosa, Luiz Mauro (2017). Lista de espécies indicadas para restauração Ecológica para diversas regiões do Estado de São Paulo (PDF). São Paulo: GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO • SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE • INSTITUTO DE BOTÂNICA 
  8. OLIVEIRA, Ana P. C. (2012). «FLORA VASCULAR NÃO-ARBÓREA DO PARQUE ESTADUAL DE PORTO FERREIRA, SP, BRASIL». Universidade Estadual Paulista. Dissertação - Instituto de Biociências do Campus de Rio Claro